"Oblatus est, quia ipse voluit, et peccata nostra ipse portavit!"

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

SÉ VACANTE


Desde as 16h de hoje, 28 de fevereiro de 2013, a Santa Sé Apostólica está vacante.

Sua Santidade o Papa Bento XVI, Romano Pontífice Emérito, se encontra na residência pontifícia de Castel Gandolfo.

Com a Cátedra de Pedro vazia, o governo da Igreja está interinamente confiado ao Sacro Colégio dos Cardeais. O Decano fará a formal comunicação aos cardeais e os convocará para as Congregações Gerais que precedem o conclave.

Na próxima segunda-feira, primeira Congregação Geral, ou no mais tardar, no dia seguinte, será definida pelo conjunto dos Cardeais Eleitores a data de início do Conclave.

Os padres deverão pedir aos seus bispos a autorização para usar o formulário da Missa "pro eligendo Romano Pontifice", com paramentos brancos, nos dias de semana da quaresma. Também, com licença episcopal, pode-se utilizar o formulário da Missa Votiva do Espírito Santo, com paramentos vermelhos. Podem incluir, num mesmo pedido, a autorização para usar o formulário da Missa "pelo Papa", com paramentos brancos, após a eleição do Sucessor de São Pedro (sempre nos dias de semana, e nunca nos domingos da Quaresma ou nos dias da Semana Santa).

Orações pelo Papa Bento XVI poderão ser incluídas nas preces dos fiéis, mas de forma alguma no Cânon da Missa.

Adote um Cardeal

Iniciativa interessantíssima:

Clicando em Adote um Cardeal você será levado a uma página inicial; nela clique em "adopt", você será redirecionado a uma outra onde completará seu nome, e-mail e um código alfanumérico; clique em "register and adopt a cardinal".

Aparecerão a foto e o nome do cardeal pelo qual você rezará nos próximos dias, durante o conclave e, segundo recomendam, nos três dias seguintes à eleição.

Nada impede que você reze por ele ao longo de sua vida.

Aos curiosos: fui sorteado com o Arcebispo de Praga, o Cardeal Dominik Duka.

Carta dos católicos chineses ao Papa Bento XVI


A carta abaixo foi recentemente entregue ao Santo Padre e, segundo fontes que lhe são próximas, teria lhe dado grande contentamento.


Caro Santo Padre,

Como sabeis, há muito tempo nós, clero e fiéis na China, nutrimos um particular afeto por Vossa pessoa. Queremos-vos bem e oferecemos todos os dias por Vós as nossas orações e Missas. Todavia, na tarde de 11 de fevereiro, chegou-nos a perturbadora e triste notícia: em razão da idade avançada e da fraqueza física, Vossa Santidade decidiu renunciar, no final deste mês, ao vosso ministério.

Embora muitos de nós não tenhamos tido a possibilidade de visitar-vos pessoalmente e Vós não tivestes tido qualquer possibilidade de visitar a terra da China no Extremo Oriente, a Vossa renúncia nos fez pensar no afeto e no amor mostrado por Vossa Santidade ao Povo chinês e aos Católicos chineses. “Neste mundo, todos os cristãos estão sofrendo por Cristo, mas somente os católicos na China sofrem, ao mesmo tempo, por causa de Sua Santidade, o nosso Papa, Bispo de Roma”: são as palavras de um ex-Delegado Apostólico na China, enquanto Vos apresentava a Igreja na China, alguns meses depois de Vossa eleição ao Sólio Pontifício. Depois, Vossa Santidade pareceu entrar num longo, profundo silêncio.

Todavia, sabemos que Vossa Santidade dedicou uma atenção particular à China e reservou um lugar especial no Vosso coração à Igreja Católica na China. Procurou promover o diálogo e aliviar a cruz que portamos mostrando preocupação e abençoando a China e o povo chinês. Durante os oito anos de Vosso Pontificado, estivestes sempre preocupado com o clero e os fiéis chineses com profundos sentimentos de amizade ao povo chinês.

Não esqueceremos que, por ocasião da Festa anual da primavera, não somente saudastes os povos de todas as Nações que celebram o Ano Novo Lunar, mas também enviastes bênção especiais às centenas de milhões de nossos compatriotas chineses.

Não esqueceremos jamais que, enquanto o revezamento da tocha da 28º edição dos Jogos Olímpicos de Pequim era obstaculizada por uma forte oposição, Vós generosa e justamente enviastes os melhores augúrios à China e ao Povo chinês que se preparava para aqueles Jogos.

Não esqueceremos que quando graves tempestades de neve atingiram o Sul da China; quando em 2008 um terremoto abalou Wenchuan em Sichuan; quando ocorreu o terremoto em Yushu, em Qinghai e deslizamentos de terra e inundações devastaram Zhouqu nem Gansu, em 2010, Vossa Santidade não somente expressou dor e chorou a morte de nossos compatriotas, mas dirigiu também um apelo à Igreja universal para que rezasse pelas vítimas, pelo pessoal de vários governos e pessoas de bom coração empenhadas na primeira linha de socorro nas zonas atingidas. E ainda dirigistes um apelo aos outros Países a fim de estenderem a mão à China e ao Povo chinês naqueles tempos difíceis. Vossa Santidade ofereceu por bem quatro vezes doações generosas da “Jinde Charities” através do “Cor Unum”.

Não esqueceremos ainda Vossas bênçãos e os Vossos cumprimentos pela publicação dos Missais em chinês simplificado. Nem esqueceremos que Vossa Santidade expressou publicamente tocantes congratulações aos novos líderes de nosso país e invocou uma generosa bênção sobre o povo chinês na recente Mensagem de Natal do último 25 de dezembro.

Não esqueceremos jamais a longa, histórica, carta ao clero e aos fiéis chineses e a oração que escrevestes pela China pouco depois de serdes elevado ao Sólio Pontifício. Não esqueceremos jamais que, nos últimos oito anos, só houve augúrios, saudações amigáveis e grandes esperanças expressas nas mensagens por Vós enviadas à China. Não obstante os conflitos e as dificuldades; não obstante as tristezas e as desilusões que pudéssemos Vos ter causado, sempre haveis abraçado a China e a a Igreja Católica na China com amor paterno, haveis respeitado e demonstrado compaixão e solicitude pelo povo chinês e pelos católicos. Sempre nos recordaremos disto com afeto nos nossos corações.

Nos últimos oito anos, quando tivestes de enfrentar situações internacionais complexas e incertas, Vossa Santidade fez todos os esforços para salvaguardar a dignidade humana, buscar a verdade, defender os valores da fé e promover ativamente a nova evangelização. Em 28 de fevereiro, Vossa Santidade deixará a Cátedra de Pedro com serenidade. A atitude livre e aberta que demonstrastes face ao poder, à honra e ao status, e a Vossa resposta forte, perseverante e humana aos vários desafios, conquistaram o respeito de todos. Estas coisas não somente comoveram o mundo, mas também tornaram difícil para nós – clero e católicos chineses – dizer-Vos adeus.

Perdoai as nossas fraquezas e limites! Santidade, desejamos que na Vossa futura vida recolhida continueis a cuidar da pequena grei chinesa e que permaneceis em contato com o povo chinês na oração. Também nós rezaremos por Vós e pelo Vosso sucessor!

Obrigado, caro Santo Padre! Nós, clero e fiéis chineses, não vos esqueceremos jamais. Para sempre Vos amaremos!

Fonte: Rádio Vaticana, via Papa Ratzinger Blog.
Tradução:: OBLATVS

Nosso Padre Santo



O Santo Padre acaba de concluir seu último encontro com os Cardeais e outros integrantes da Cúria Romana.

Na breve alocução que lhes dirigiu, o Papa termina fazendo referência a seu sucessor, o futuro papa, ao que acrescentou fugindo ao texto:

"Ao qual, desde já, prometo minha incondicional reverência e obediência"!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Obrigado, Santo Padre!


Eis que, em menos de 24 horas, a Santa Igreja estará sem papa. Não sem senhor, sem papa! Um papa não é senhor, mas servo; servo dos servos, na expressão de meu papa predileto, São Gregório Magno.

No lugar de Bento XVI, Nosso Senhor porá outro, seu escolhido, não necessariamente o melhor, mas o que Ele quer nos dar no presente momento. Que nos dê um servo, não um senhor!

O papa não é senhor da fé. Ele não pode mudá-la, acrescentar-lhe algo, adocicá-la, adaptá-la aos padrões contemporâneos – em suma, é servo da fé da Igreja. Deve anunciá-la, promovê-la, defendê-la, sacrificar-se por ela, até a efusão do sangue, se necessário.

O papa não é senhor do culto. Ele não pode criá-lo ex nihilo, adulterá-lo, extingui-lo – em suma, é servo da liturgia da Igreja. Deve guardá-la, promovê-la, incrementá-la.

O papa não é senhor dos cristãos. Ele não pode anunciar-se a si mesmo, promover-se a si mesmo, buscar o bem próprio, viver para si mesmo – em suma, é servo de Cristo e dos servos de Cristo. Deve amá-los, ensinar-lhes com a palavra e o exemplo, perdoá-los, corrigi-los.

O papa não é senhor do mundo. Ele não se deve deixar guiar pelos critérios mundanos, do business, dos mass media, do sufrágio universal, do politicamente correto, dos consensos universais, dos gestos teatrais e das palavras fáceis. Ele deve denunciá-los no que têm de perverso, antievangélico, desumano – em suma, é servo do Reino de Deus, da justiça e da paz, do amor e da verdade.

O mundo pede um papa moderno, eu peço um à moda antiga, tanto quanto as palavras de Nosso Senhor: “entre vós, não seja assim; quem quiser tornar-se grande, seja vosso servidor; quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo”.

De um papa assim o mundo precisa, ainda que o rejeite. Nosso Senhor foi rejeitado pelo mundo que veio servir, salvando-o. Para que serviria um papa aplaudido pelo mundo, perdendo-o?


Minha oração e meu coração estão com o Papa Bento XVI nestas últimas horas de seu luminoso pontificado. Meus olhos, entretanto, estão fitos nas mãos do meu Senhor, Senhor dos Exércitos, Pastor Universal, Rei dos Reis.


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Título e Veste de Bento XVI após 28 de fevereiro

Bento XVI terá o título de Papa emérito ou Romano Pontífice emérito. Também o pronome de tratamento Sua Santidade continuará a ser usado mesmo depois de efetivada a renúncia.


Ele usará a batina branca simples (que se vê na foto), sem mantelinha ou peregrineta. Não usará mais o anel do pescador e o selo que usava será destruído.


São estes os esclarecimentos dados hoje, em conferência na Sala de Imprensa do Vaticano, pelo porta-voz, Pe. Federico Lombardi.

Creio que, dados os esclarecimentos acima, também se aplicariam analogamente o título Bispo emérito de Roma e o apelativo Santo Padre.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Sugestão de Blog


Um novo blog (Papas, Cardeais e Conclaves) traz informações em português sobre os cardeais e o próximo conclave.


Homenagem da Igreja Ortodoxa Russa


O Papa da Coerência

Metropolita Hilarion de Volokolamsk
Presidente do Departamento para as relações exteriores do Patriarca de Moscou




Em 11 de fevereiro passado, o inesperado anúncio da renúncia ao ministério do Papa Bento XVI surpreendeu profundamente não somente a Igreja Católica, mas toda a cristandade e a opinião pública mundial. Na sua condição de progressivo declínio de forças, da qual ele próprio falou, a decisão de deixar o pontificado deve ser considerada um ato de grande coragem e exemplar humildade.

Neste nosso mundo em que tantos que não detêm o poder procuram doentiamente alcançá-lo, e tantos que o detêm procuram, a qualquer custo, não o perder, a voz humilde do primaz da Igreja cristã mais numerosa do mundo, que diz renunciar livremente ao exercício da autoridade, por causa da fraqueza física e para o bem da Igreja, se põe em flagrante contraste com a mentalidade corrente. Uma vez mais o Papa Bento XVI mostrou-se coerente com a própria linha de integridade moral e de rejeição de compromisso.

Estamos certamente ainda muito próximos do anúncio da renúncia de Bento XVI para tentar um balanço de seu pontificado. Diria, porém, que uma das chaves interpretativas da figura deste Papa e de seu pontificado talvez seja exatamente esta sua coerência consigo mesmo e com a tradição da Igreja, o seu não ceder às fáceis modas passageiras, às fortes pressões da cultura dominante.

Papa Ratzinger é um teólogo de grande inteligência, sem dúvida um dos mais notáveis teólogos católicos contemporâneos. A sua obra de teólogo, antes e depois de sua ascensão à cátedra pontifícia – de seus livros sobre a figura de Jesus às suas encíclicas e exortações apostólicas, da declaração Dominus Iesus ao Catecismo da Igreja Católica – representa uma contribuição de notável importância à teologia católica moderna. Um dos argumentos mais tratados por ele, o da relação entre fé e razão, se põe em continuidade com quanto já dito pelo seu predecessor, Papa João Paulo II.

Outro tema caro ao Papa Bento XVI, desde o início do pontificado, é o da reafirmação dos valores morais cristãos, seu firme não à “ditadura do relativismo”. É uma posição com a qual nós ortodoxos estamos plenamente de acordo. Hoje no mundo inteiro, mas sobretudo na sociedade ocidental, assiste-se a uma perigosa perda de qualquer orientação moral. A mentalidade corrente desejaria cancelar toda distinção ente o bem e o mal. O liberalismo moral extremista e militante impôs o “politicamente correto” como uma nova ideologia de massa, tão absolutista quanto os maximalismos políticos que afligiram o século XX. Se lemos atentamente os evangelhos, vemos que a misericórdia do Senhor Jesus na relação com os pecadores jamais significou condescender com o pecado, nem confundir o mal com o bem. Pessoalmente estou convencido de que a Igreja, hoje talvez mais do que nunca, embora permanecendo aberta a relação com qualquer um e propondo o caminho da salvação a todo homem, deva oferecer aos fiéis as linhas de comportamento muito claras. Diria que o atual Pontífice mostrou claramente como a abertura ao diálogo não deva jamais significar traição aos mandamentos de Cristo.

Ele foi frequentemente considerado um conservador ou um tradicionalista, e tal fama lhe rendeu críticas e uma certa impopularidade. Creio que seja importante refletir detidamente sobre que coisa significa a tradição para nós cristãos. O cristianismo é a religião do “já” e do “ainda não”, a religião em que transcendência e imanência, vida terrena e vida eterna se encontram. Cristo, de fato, já ressuscitou, uma vez por todas e como primícias de nossa geral ressurreição; mas a "divinização" de cada um de nós é um processo em curso. Por isto a Igreja tem uma relação particular com o tempo. A Igreja, e com isto quero dizer as igrejas apostólicas, se põem sempre naquele contínuo que é a tradição. Esta palavra, seja em latim (traditio), seja em eslavo (predanie), indica a transmissão da fé. O testemunho que havíamos recebido dos apóstolos e de quantos nos precederam no caminho para Deus devemos entregá-lo, todo inteiro, às gerações vindouras. Temos pois uma responsabilidade de fidelidade.

Sem dúvida Bento XVI enquanto Papa, exatamente como Joseph Ratzinger enquanto teólogo, é o homem da continuidade, da fidelidade àquela entrega que é a tradição. Teólogo da continuidade o foi também na sua leitura do Concílio Vaticano II. Também do ponto de vista da teologia ortodoxa, o último concílio da Igreja Católica é apreciado não como momento de ruptura com o passado, mas exatamente o contrário: enquanto e na medida em que se refere à tradição, e mais, eu diria, retorna a esta.

O pontificado de Bento XVI significou um notável melhoramento de relações entre ortodoxos e católicos e, em particular, entre Roma e a Igreja ortodoxa russa. O Papa conhece bem a ortodoxia; o seu amor pela tradição o torna próximo dela. É necessário dizer que também o conhecimento pessoal influi positivamente nas relações intereclesiais. O Patriarca Kirill, antes de ser eleito primaz da Igreja ortodoxa russa, por bem quatro vezes se encontrou primeiro com o Cardeal Ratzinger e depois com o Papa Bento XVI. Também eu, depois de haver sucedido o atual patriarca como presidente do Departamento para as relações externas de nossa Igreja, por três vezes fui recebido em audiência privada pelo Papa. Conservarei sempre uma excelente recordação de nossas conversações e de sua pessoa. Não creio que se possa dizer que o seu ser teólogo, homem de pensamento de posições conhecidas, frequentemente opostas à cultura dominante, tenha prejudicado o seu ser pastor. Bento XVI é um homem simples, compreensivo, de grande humildade e sabedoria.

Entre ortodoxos e católicos, ainda hoje, restam certos nós teológicos a serem desfeitos e certas feridas a serem sanadas. Tive ocasião de ilustrar a minha visão pessoal do estado de nossas relações e das perspectivas do diálogo teológico ortodoxo-católico diretamente ao Papa, nas conversações pessoais havidas com ele. Devo dizer que nutro certa perplexidade no que tange ao diálogo levado avante pela Comissão teológica mista: creio que no imediato devir não podemos esperar progressos significativos. No entanto, nossas posições em outros campos coincidem perfeitamente, ou quase. Por exemplo, as posições éticas. Devemos pois investir nestes campos, agir desde já conjuntamente para reafirmar os valores éticos do cristianismo. Disse-o ao Papa e e encontrei de sua parte plena compreensão.

Outro campo em que podemos e devemos agir juntos é o da defesa dos cristãos perseguidos. A aqui não me refiro somente à África, ao Oriente Médio ou a alguns países asiáticos, mas também na própria Europa, onde frequentemente os cristãos são vítimas de marginalização cultural, reduzidos ao silêncio do secularismo dominante, para o qual a religião é algo que diz respeito somente à esfera da vida pessoal do indivíduo e que não deve ter qualquer reflexo na vida social. O Papa Bento XVI disse e fez muito, seja em defesa dos cristãos perseguidos, seja em defesa dos valores cristãos esquecidos ou pisoteados. Nele tivemos um bom aliado.

Agora, com sua renúncia ao exercício do ministério, o Papa ofereceu ao mundo uma lição de humildade e sabedoria. Faz alguns dias, na Igreja russa, festejamos a Apresentação de Cristo no templo. Como não recordar aqui o cântico do sábio Simeão, que a nossa tradição define “aquele que recebeu Deus” (Simeon Bogopriimec): «Deixai agora, Senhor, vosso servo ir em paz, segundo vossa palavra». Ao pastor e ao cristão Bento XVI desejamos uma longa, fecunda e pacífica última idade da vida. Quanto a nós, desejamos que a dinâmica positiva nas relações entre a Igreja Ortodoxa Russa e a Igreja Católica Romana continue sob seu sucessor.

Fonte: (©L'Osservatore Romano 23 de fevereiro de 2013), via Papa Ratzinger Blog.
Tradução: OBLATVS

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Deem-nos um papa de Fé, eminências!


Preocupa-me a ausência do nome de meu candidato entre os “papáveis”. De todo modo, isto pode ser um bom sinal. Joseph Ratzinger não figurava nas listas confeccionadas para o Conclave de 2005, apesar de hoje se dizer o contrário. Ele era, na verdade, o anticandidato – esperava-se alguém – como posso dizer? – mais “dialogante”, alguém como Martini ou Bergoglio.

Sobre o papel do Espírito Santo na escolha do papa, o próprio Bento XVI disse as seguintes palavras: “provavelmente a única garantia que Ele oferece é que a coisa não será uma completa ruína”.

É isso mesmo: o Espírito Santo deixa muito “espaço”, muita “liberdade” aos cardeais. Que usem-na bem, pois já estou farto de ouvir suas eminências, nas muitas entrevistas que vêm dando, dizerem que o novo papa tem de ser “homem de diálogo”. Sinceramente não sei o que querem dizer com isso, ou sei?

O que querem? Um papa ou um apresentador de Talk Show?

O papa tem de ser um homem de fé, eminências!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Defensor Fidei?


Um papa erra – oh! grande heresia, dirão alguns comentaristas neste blog. Se Kiko Argüello não erra, como pode o papa errar?

Sim, um papa erra nas decisões tomadas no dia-a-dia no governo da Santa Igreja. Nossa fé exclui somente o erro nas matérias de fé e de moral, em condições bem específicas. Que os ortodoxos, protestantes e indiferentes à religião não atinjam a clareza desta verdade, vá lá! Mas católicos! Uns são dados a negá-la por completo – o que já seria suficiente para privá-los da graça do nome e da condição; outros são dados a extrapolar o alcance da definição dogmática.

Não que devêssemos, como assanhados coroinhas, ensinar o Pai-Nosso ao Vigário de Cristo. Não se trata de escrutinar cada palavra, gesto ou decisão do Papa para provarmos aos outros uma sabedoria, uma prudência ou um zelo superiores aos do Sumo Pontífice. Seria pretensioso, desrespeitoso e escandaloso – uma verdadeira subversão no governo da Santa Igreja.

Há erros, entretanto, que se mostram tão evidentes que negá-los ou escondê-los seria uma deslealdade com o próprio Pontífice e com a Santa Igreja.

Um dos erros do pontificado no meu amado Papa Bento XVI foi a nomeação do arcebispo Dom Gerhard Müller como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Neste caso particular, parece-me que o erro nem mesmo se deveu aos maus conselheiros. Tratou-se muito provavelmente de um erro de julgamento do próprio Pontífice. Quiçá o papa teólogo julgou não precisar de um Prefeito de tanta qualidade naquela que é a “sua” congregação. Mas o fato é que Bento XVI se vai e Müller fica, por enquanto.

A partir do momento em que a Sé Apostólica ficar vacante, Müller já não será mais Prefeito da Doutrina da Fé. O “desemprego” não durará por muito tempo, porque é costume que o novo Papa confirme, por algum tempo, os antigos titulares nos seus postos. Mas, a médio prazo, o novo Papa terá de se livrar de Müller.

Sua mais recente quixotada foi intrometer-se na questão, já decidida, da PUC do Peru. Ousou, ao arrepio das normas canônicas e dos protocolos curiais, impor sua posição em favor da universidade rebelde ao Arcebispo de Lima, o Cardeal Cipriani Thorne.

Para minha surpresa e alegria, o Secretário de Estado, Cardeal Bertone, desautorizou oficialmente o arcebispo Dom Müller. O que é bom no conteúdo, na forma, entretanto, é péssimo. É a supremacia do governo sobre a fé – porque temo que a medida tenha mais a ver com prerrogativas do que com o mérito. É péssimo que um Secretário de Estado tenha de enquadrar o Prefeito da Doutrina da Fé; se é assim é melhor fechar o Santo Ofício!

Quem sou eu, um “miserável, ignorante e tão pouco espiritual” – para usar uma expressão de Santo Afonso de Ligório que circula na rede – para dar conselhos ao novo Papa?

Confesso, entretanto, que espero que entre as primeiras decisões do novo Papa seja a de mandar Müller de volta para a Alemanha. Ele fica mais à vontade entre os luteranos! Quiçá uma “lasquinha” de Paulo VI – só esta! – e o novo Papa manda Müller para o Irã.


Mas sejamos práticos. Caso o novo Papa se livre de Müller, o mais provável é que o mande para Colônia, cujo arcebispo já beira os 80 anos. Será cardeal inevitavelmente, mas uma presença menos deletéria do que a atual.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

O nome do novo Papa


O papa, mal acaba de ser eleito, deve escolher o nome pelo qual será chamado. Não tem mais do que alguns minutos para tomar a decisão – considerando que ser papa não estivesse nos seus planos.

Assim a escolha costuma sintetizar uma visão do passado e um primeiro esboço de programa de governo. O blog Messa in latino, em um post intitulado “Il nome del nuovo Papa”, fez uma interessante apresentação das reais possibilidades de escolha e de suas motivações.

Eu já havia pensado sobre o assunto, antes mesmo da notícia da renúncia, considerando o Pontífice que eu desejaria ver ocupar a Sé Romana num futuro distante. Escrevi aqui anteriormente que não pretendo apontar meu preferido entre os cardeais, pois me parece desrespeitoso com o Senhor e com o futuro papa, seja ele quem for. Mas tenho algo a dizer sobre o nome.

Eu gostaria de um Papa Gregório! Seria Gregório XVII.

A primeira referência histórica seria evidentemente Gregório I (590-604) – Santo, monge, doutor e Padre da Igreja. É o papa da Liturgia Romana e do Canto Gregoriano. Pontífice de grande preocupação missionária, foi quem enviou Santo Agostinho para evangelizar os anglos. Entre as principais preocupações de seu pontificado estava a correção dos desvios doutrinários, muito difundidos no ocidente em razão de sincretismo com o paganismo, de Roma e de alhures, e que se manifestavam inclusive no culto. São Gregório Magno preferiu para si o título de “servo dos servos de Deus” e, imediatamente após sua morte, foi declarado santo por aclamação popular.

Outra referência é Gregório VII (1073-1085). O santo Pontífice foi um corajoso reformador, dedicado sobretudo a corrigir os desvios nas relações entre o papa e os poderes seculares. Também soube submeter bispos rebeldes e combater a simonia.

Uma última referência é Gregório XIII (1572-1585). Outro grande reformador, dedicou-se a implementar as medidas emanadas pelo Concílio de Trento. Deu seu nome ao Calendário que hoje utilizamos ao corrigir, por considerações científicas, o Calendário Juliano então em uso. Seu nome evoca o apreço da Igreja pela ciência e pelas artes, das quais também foi promotor.

Desnecessário dizer que o novo Papa pode ser tudo isto, ainda que escolha outro nome. 

Um Papa não desce da cruz


O que quer Bento XVI com sua renúncia? Paz e tranquilidade para si, como muitos sugerem, em prejuízo da Igreja que lhe foi confiada pelo Senhor? Teria ele decidido descer da cruz?

Na declaração pública em que anunciou sua decisão, o Papa afirma que visa ao bem da Igreja.

O fato é que a Igreja não vai bem. Como em outros momentos da sua história, a Igreja está dilacerada por correntes de ideias e opiniões que se sobrepuseram à Verdade revelada. Todos os seus problemas, até os mais comezinhos, decorrem deste pecado fundamental contra a virtude da Fé.

O Papa vê o mal com muita agudeza de espírito e o expôs com clareza em muitas ocasiões, antes e durante seu benéfico pontificado. Parece, no entanto, se sentir incapaz de enfrentá-lo com os meios de que dispõe.

Fugiu do lobo? Desceu da cruz? Definitivamente não!

Seus dias não serão de paz e tranquilidade, porque a Igreja não vive dias assim. Bento XVI – pois assim sempre o chamarei – enfrentará o maligno com a cruz, com o sacrifício de si mesmo, com a oblação do mandato que recebeu.

Na sua consciência, porém, ele crê que outro será chamado a cumprir a urgente tarefa de restaurar todas as coisas em Cristo. Espero que sua decisão tenha sido inspirada por uma especial graça de estado, e que o Espírito Santo nos dê o Pontífice de que necessitamos.

Deus demonstrou ao longo da história de Israel e da Igreja ter planos bem precisos para seus escolhidos. A uns dá o início e a outros o cumprimento de certas missões. E é sempre Ele próprio quem as realiza por uns e por outros. Por que custa crer que o Papa possa estar obedecendo a uma ordem divina, pondo-se à margem a fim de que outro tome a direção?

O Papa que convocou o Ano da Fé fez um ato de fé na Divina Providência. Quero segui-lo no mesmo ato de entrega de mim mesmo e da Igreja nas mãos do Divino Fundador. Tenho certas convicções acerca do cardeal ideal, mas não ouso avançá-las por desrespeitosas Àquele que sabe o que nos dar e quando nos dar.

Fé no Senhor – parece-nos dizer Bento XVI com seu ato – na sua Igreja, na sua Doutrina, nas suas promessas, sacrificando todo o resto.

Os frutos do sacrifício do Papa estarão às mãos ou deveremos suportar uma longa e penosa carestia? Só Deus o sabe!


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Renúncia do Papa Bento XVI

Sinto o coração apertado e tristíssimo pela notícia da renúncia do meu amado Pontífice. 

Não tenho, e creio, não terei palavras para traduzir meu desgosto, do ponto de vista meramente humano.

Creio, entretanto, que Nosso Senhor Jesus Cristo é quem governa Sua Igreja e, como tal, suas santas e veneráveis mãos guiarão os Padres Cardeais na escolha do sucessor de Pedro.

Há, entretanto, um ditado que mostrou-se verdadeiro ao longo da história da Igreja. Ele reza:

"Alguns papas Deus nos dá. Outros Deus tolera. E com uns poucos Deus nos castiga."

Que o novo papa seja um presente de Deus - como Bento XVI - e não uma pena!
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