“A fidelidade de Deus é a chave e a fonte da nossa fidelidade. Hoje queria chamar a vossa atenção
precisamente para esta virtude, que bem exprime o vínculo muito especial que se
cria entre o Papa e os seus colaboradores imediatos, tanto na Cúria Romana como
nas Representações Pontifícias: um vínculo que, para muitos, se radica no
carácter sacerdotal de que estão investidos e se especifica depois na missão
peculiar, que é confiada a cada um, ao serviço do Sucessor de Pedro.
(...)
Aplicada ao homem, a virtude da fidelidade está profundamente
ligada ao dom sobrenatural da fé, tornando-se expressão daquela solidez
própria de quem fundou toda a sua vida em Deus.
(...)
Nesta perspectiva, encorajo-vos, queridos amigos, a viver o vínculo pessoal
com o Vigário de Cristo como parte da vossa espiritualidade. Trata-se, sem
dúvida, de um elemento próprio de todo o católico, e mais ainda de todo o
sacerdote. No entanto, para aqueles que trabalham na Santa Sé, este vínculo
assume um carácter particular, já que colocam ao serviço do Sucessor de Pedro
boa parte das suas energias, do seu tempo e do seu ministério diário. É uma
responsabilidade séria, mas também um dom especial, que, com o passar do tempo,
vai desenvolvendo um vínculo afectivo
com o Papa, feito de íntima confidência, um natural idem sentire,
bem expresso precisamente pela palavra «fidelidade».
(...)
Assim, tereis de cultivar uma
relação de profunda estima e benevolência, – diria – de verdadeira amizade,
para com as Igrejas e as comunidades às quais fordes enviados. Também
relativamente a elas, tendes um dever de fidelidade, que se concretiza na
perseverante dedicação ao trabalho diário, na presença junto delas nos momentos
alegres e tristes, por vezes mesmo dramáticos da sua história, na aquisição de
um conhecimento profundo da sua cultura, do caminho eclesial, no saber apreciar
aquilo que a graça de Deus tem vindo a operar em cada povo e nação.
(...)
Desta forma, encorajareis e estimulareis também as Igrejas particulares a crescerem
na fidelidade ao Romano Pontífice e a encontrarem no princípio da comunhão
com a Igreja universal uma orientação segura para a sua peregrinação na
história. E, por último mas não menos importante, ajudareis o próprio Sucessor
de Pedro a ser fiel à missão recebida de Cristo, permitindo-lhe conhecer mais
de perto o rebanho que lhe está confiado e fazer-lhe chegar mais eficazmente a
sua palavra, a sua solidariedade, o seu afecto. Neste momento, penso com
gratidão na ajuda que diariamente recebo dos numerosos colaboradores da Cúria
Romana e das Representações Pontifícias, bem como no apoio que recebo da oração
de inumeráveis irmãos e irmãs de todo o mundo.
Queridos amigos, na medida em que fordes fiéis, sereis também
credíveis. Aliás sabemos que a fidelidade que se vive na Igreja e na Santa Sé
não é uma lealdade «cega», pois é iluminada pela fé n’Aquele que disse: «Tu
és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja» (Mt 16, 18).
Comprometamo-nos todos neste caminho para, um dia, podermos ouvir dirigidas a
nós as palavras da parábola evangélica: «Servo bom e fiel, entra na alegria do
teu Senhor» (cf. Mt 25, 21).”
Papa Bento XVI aos professores e alunos da Pontifícia Academia
Eclesiástica, 11/06/2012