"Oblatus est, quia ipse voluit, et peccata nostra ipse portavit!"

sábado, 24 de março de 2012

Entrevista com consultor da Congregação para o Culto Divino


Entrevista concedida pelo Pe. Mauro Galiardi, consultor da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, ao blog “Salvem a Liturgia”.

[Os negritos são meus]

O senhor já o conhecia? Que pensa ser o mais importante num trabalho como o nosso de resgatar os valores litúrgicos?

Eu não conhecia anteriormente o vosso blog, mas penso que os blogues possuem um indubitável valor no contexto atual. É necessário, como em todos os outros meios de comunicação social, utilizá-lo com responsabilidade. Se usado deste modo pode dar frutos abundantes para a Igreja. No caso específico de um blog sobre liturgia posso dizer que o que mais importa neste momento é informar os leitores com precisão. A informação hoje é abundante, mas geralmente imprecisa e em certos casos refletem a influência de varias ideologias. Um blog sobre liturgia deveria hoje informar os leitores de modo sintético, mas também criterioso sobre os conteúdos gerais da ciência litúrgica, e em particular o movimento que vive atualmente a Igreja,  o ponto vital do Culto Divino.

O senhor acredita que este tipo de apostolado virtual em defesa da liturgia repercute realmente entre os fiéis? E entre os Sacerdotes e Bispos?

Eu sou convicto que os blogues são muito seguidos também entre os sacerdotes e bispos e não somente entre os fiéis leigos. Sem dúvida pode haver repercussões reais. Por isto é importante que sejam geridos com responsabilidade, para que informem e não deformem, e sobretudo que tenham um grande amor à Igreja! Não se trata de prevalecer uma certa visão, mas de sustentar o caminho da Igreja, naquilo que compete a nós;

Como alcançar mais pessoas? Despertando-os para um maior amor à liturgia bem celebrada em conformidade com as rubricas, respeitando a tradição do rito romano?

Sou do parecer que não devemos nos preocupar de alcançar mais pessoas e que o celebrar de modo correto não é em vista disto, de um maior “sucesso”. É necessário celebrar segundo o rito previsto pela Igreja porque isto é justo em si, porque este é o modo no qual a Mãe Igreja nos ensina a dar culto a Deus. Penso que depois o Senhor poderá premiar esta fidelidade despertando nos fiéis um maior amor à liturgia. Nós devemos procurar antes de tudo o Reino de Deus e a sua justiça e o restante nos será dado em acréscimo. Celebramos bem porque Deus o  merece, porque a Igreja nos manda, porque é justo fazer assim e é errado fazer diversamente, não porque nós esperamos uma contrapartidaMas penso que, se somos fiéis, essa virá igualmente.

O memorável Papa, Beato João Paulo II na sua Encíclica “Ecclesia de Eucharistia” falou de sombras no modo em qual se celebra a Missa. Como interpretar esta frase?

João Paulo II falou sobre este assunto também em outros textos. No que se refere às “sombras” o significado é evidente: os abusos litúrgicos.

Como se portar diante de bispos, sacerdotes e leigos que mesmo depois do “Summorum Pontificum” insistem em não consentir que grupos que grupos que desejam  tenham acesso à liturgia segundo os livros de 1962?

Não vejo como os leigos poderiam impedir a celebração segundo o Missal de 1962. No que resguarda aos ministros ordenados: se for sacerdotes, se recorra ao Ordinário Diocesano. Nos casos nos quais pelo contrário é este último que impõe obstáculos seja ao Motu Proprio “Summorum Pontificum” ou à Instrução “Universiae Ecclesiae” estabeleceram que se pode recorrer à Pontifícia Comissão Ecclesia Dei quando não se é possível resolver as controvérsias, de modo amigável e ao mesmo tempo justo, em nível local.

O senhor tem escutado que a distância estética, teológica e espiritual entra a forma ordinária e a extraordinária do Rito Romano é inferior à forma ordinária bem celebrada (segundo as rubricas) e à mal celebrada (com a manipulação e os abusos que cometem). Isto é verdade?

Este é um argumente sobre o qual é difícil pronunciar-se de modo adequado em uma simples entrevista, porque se corre o risco de imprecisões e de juízos sintéticos. Deste modo, limito-me a recordar que o Santo Padre deseja uma recíproca influência entra as duas formas do Rito Romano. Isto parece sugerir que há qualquer coisa entre ambos que podem ser aperfeiçoados e o desejo é realmente este.

Para combater os abusos que alguns fazem na Missa somente a promoção do rito tradicional é suficiente? Em outras palavras a causa do problema é o “novo rito” em si?

Não se pode dizer com uma sentença lapidar que o novo Missal é a causa do fenômeno dos abusos litúrgicos. Este fenômeno depende de diversos fatores entre os quais está a crise de autoridade e de obediência verificada na sociedade a partir dos anos cinqüenta do século passado radicalizada na segunda metade dos anos sessenta e que certamente se investiu também na Igreja, se bem que em medida menor que na sociedade.

É verdade, porém, que o novo Missal, de qualquer modo, deixou abertas as portas para uma certa criatividade como disse o então Cardeal Ratzinger em uma conferência há alguns anos.

O Missal mais antigo de fato, prescreve exatamente aquilo que o celebrante deve fazer em cada momento da celebração. Isto existe também no novo Missal, porém usa geralmente uma formula do tipo: “o sacerdote com estas palavras ou outras similares...” ou ainda: “o sacerdote diz: ou: ... ou: ...”. Depois as Conferências Episcopais acrescentaram nas tradições em línguas nacionais outros elementos variáveis. Tudo isto, em certo modo, faz emergir a idéia que se pode dizer isso ou aquilo, que se pode fazer assim ou de outro modo. E das formas previstas muito facilmente se passa a outras, inventadas pelo próprio celebrante ou por qualquer outro grupo litúrgico. Talvez, para contrastar com o fenômeno dos abusos litúrgicos não seja suficiente somente restituir em uso mais amplo o Missal antigo, mas de certo modo é uma grande contribuição. Celebrando com este Missal o sacerdote aprende de novo que o rito não está à sua disposição, que ele o recebe da Igreja. O sacerdote redescobre o seu papel de ministro, isto é de servo e não de gestor do Culto Divino.

Como responder  àqueles que querem promover a Missa Antiga, mas que fazem em base a um ódio à Missa nova?
A resposta se encontra seja no Motu Proprio “Summorum Pontificum” quer na Instrução “Universiae Ecclesiae”. Não se trata de criar contraposições, mas de favorecer a reconciliação na Igreja. Bento XVI escreveu que não se pode seguir princípios contrários à celebração com o novo Missal. É por demais absurdo falar de ódio pela nova forma de celebração da Missa: como pode odiar a Missa? Significaria de qualquer modo odiar o sacrifício de Cristo renovado sobre o Altar! Compreendo que se pode preferir uma à outra forma, mas o Católico não pode odiar à Missa, quando esta é verdadeiramente Missa. A forma de Celebração aprovada por Paulo VI é certamente válida, então nenhum católico pode odiá-la.

No Brasil é muito comum o uso pelos fiéis dos “folhetos” com o próprio o ordinário  em vez do Missal dos fiéis, estes folhetos são repletos de comentários não apropriados e algumas vezes inadequados. Como o senhor vê isso? O que seria melhor para incentivar a publicação e o uso do Missal dos fiéis para um contato maior com a liturgia também em casa?
   
Também na Itália o uso dos Missais dos fiéis é quase inexistente, pelo menos no formato de livro – e são muito freqüentes os folhetos da Missa. Também na Itália geralmente os textos são acompanhados por comentários discutíveis. Escutei várias vezes comentários negativos da parte dos fiéis a esse respeito. Algumas vezes também as orações dos fiéis são compostas de posicionamentos bem individuais e em certos casos se referem a acontecimentos políticos da atualidade, o que escandaliza alguns, porque se utilizam da oração como meio para convencer os fiéis à certas idéias. Ultimamente tenho percebido que diversas editoras dos folhetos começaram a não imprimir mais o Credo Niceno-Constantinopolitano e sim o Credo conhecido como “dos Apóstolos”, não somente na Quaresma, mas sempre. Talvez fazem assim para uma maior brevidade, mas bastaria pregar dois minutos menos, ou melhor dar um aviso a menos, para ter todo o tempo necessário para se rezar o Credo mais longo, mais completo do ponto de vista doutrinal. Finalmente, seria belo se incentivar os fiéis a adquirir o missal, possivelmente bilíngüe (latim e língua nacional).

Também no caso do Brasil, como o senhor percebe as intervenções do povo durante a Oração Eucarística? Não existem absolutamente precedências na tradição romana e ainda mais não existem em nenhum outro país?

Não estudei bem o caso do Brasil e, portanto não posso me pronunciar com precisão. Porém, é verdade que a um primeiro olhar parece algo de singular, sobre isto seria melhor voltar a fazer uma reflexão, a começar pela Conferência Episcopal Brasileira.

No Brasil ainda não foi terminada a tradução da Terça Edição Típica do Missal Romano. O senhor acredita que Roma pedirá que esta tradução seja mais fiel ao Latim? Expressões como “Ele está no meio de nós”, como resposta ao “O Senhor esteja convosco” poderá ser substituída por “E com o teu espírito”?  Como também o “sacrifício meu e vosso” no Orate Fratres, que no Brasil se tornou “o nosso Sacrifício” reduzindo a diferença essencial entre o sacerdócio hierárquico e o sacerdócio dos fiéis?

Eu não me sinto capaz de responder a estas questões em detalhe. A única coisa que posso dizer agora é que, graças à Instrução  "Liturgiam authenticam" de 2001, que tem o desejo de que as traduções em línguas nacionais sejam mais fiéis ao texto latino da "editio typica". O novo missal em Inglês é de fato melhor do que o anterior quanto à tradução, assim, conseqüentemente, o norte-americano. Eu poderia dar outros exemplos. Portanto, em geral, a tendência é exigir mais do que nunca, no que diz respeito as traduções.

No passado, os tradutores que trabalharam para preparar os missais em língua nacional, muitas vezes se basearam no princípio de que, ao invés de traduzir os textos, era necessário interpretá-los. A interpretação foi feita, como é óbvio, a partir de um ângulo particular, muitas vezes correspondendo a uma teologia caracterizada por opções precisas. Isso não deve acontecer de novo hoje: é preciso traduzir e não trair os textos .Esta é precisamente a arte do bom tradutor. Devemos permitir que o texto expresse o que elas significam, e não acrescentar neles o nosso pensamento.

Sobre a comunhão de joelhos e diretamente na boca, o que o senhor pode dizer? Algumas pessoas começam a render-se conta que esta é a posição mais sagrada e mais tradicional e que devia ser restaurada. O que o senhor pensa sobre esta recuperação na forma de receber a sagrada comunhão conceder uma maior sacralidade à Celebração da Santa Missa?

Tenho repetidamente expressado em diversos escritos a minha crença que a melhor maneira de distribuir e receber a Sagrada Comunhão é aquela em que o sacerdote coloca a hóstia diretamente na boca dos fiéis, que estão de joelhos. Por outro lado,  além dos muitos argumentos que podem ser invocados, e dos textos que se podem ser citados basta-nos recordar o exemplo que nos dá o Santo Padre Bento XVI, que, a partir do "Corpus Domini" de 2008, distribui a Comunhão somente desta maneira. Ele explicou, no livro entrevista "Luz do Mundo"  que com esta escolha ele queria colocar um ponto de exclamação sobre a presença real de Cristo na hóstia consagrada. E de fato é urgente hoje bater mais sobre este importantíssimo ponto da nossa fé. A recepção da Comunhão na boca enquanto está ajoelhado não é a única coisa a fazer, isso é claro. Mas eu estou convencido que ajuda muitíssimo. Não é preciso dizer tantas palavras, os fiéis que são ensinados que só assim se pode comungar, serão levados a entender que o que ele recebe não é um alimento qualquer.  Um alimento qualquer se come sentado ou em pé, mas a Eucaristia não, porque devemos adorá-la antes de comê-la, como São Paulo e Santo Agostinho ensinou, assim como muitos outros santos Padres e Doutores. Um alimento qualquer eu mesmo o porto a minha boca, mas este, pelo contrário, eu o recebo diretamente da Igreja... Mas é claro que para fazer isso teria que ser revisto o atual regime de indulto quase geral que permite de receber a Comunhão também na mão.

E quando um sacerdote ou um ministro nega a comunhão diretamente na boca e de joelhos o que podemos fazer?

Eu sempre recomendo as intervenções graduais. A primeira coisa é tentar dizer ao padre o seu erro, chamando-o de lado e falando com grande respeito e amor.  Então mostra-se os textos magisteriais que afirmam o direito de os fiéis a receber a comunhão desta forma, se assim o desejarem (por exemplo a Instrução “Redemptionis Sacramentum). Não é uma concessão do sacerdote: é um direito dos fiéis. Se o sacerdote permanece surdo a estas exortações, se pode recorrer ao Bispo, o qual deverá providenciar uma solução. Em casos extremos, se pode recorrer aos competentes dicastérios da Santa Sé, mas em geral, não deveria ser necessário chegar a este nível. Em todas as fases é necessário agir com verdadeira caridade e paciência, com amor pela Igreja e não somente para uma conquista do ponto de vista humano,  Todavia, fazer valer um próprio direito não é contrário à caridade, não se viola com isto o preceito do amor evangélico. Tudo aconteça, porém, com respeito amor e compreesão e não por um simples espírito de luta.

E sobre a orientação “versus Deum” na forma Ordinária? É possível que na Missa no rito moderno esta forma seja também aplicada como um bem?

Como foi resultado também de uma resposta oficial da Congregação para o Culto Divino, é certamente possível celebrar a Missa de Paulo VI também sobre um altar fixado junto à parede, que não permitem a celebração “versus populum”. Se pode ainda usar um altar separado da parede e celebrar como se diz vulgarmente e com grave falta de exatidão, “de costas ao povo”. Celebrar “versus Dominum” não é nunca algo ilícito, qualquer sacerdote pode fazê-lo sempre, em qualquer tipo de altar que tenha à disposição.

Qual a importância do latim nas celebrações litúrgicas? E o canto gregoriano?

Sou convicto que o latim ajuda muito. Em dois dos meus livros, sustentei a opinião que a Liturgia da Palavra deveria ser de norma em língua nacional e que nas outras partes da Missa deveria ser bem mais generoso o uso do latim. Em particular, durante a Liturgia Eucarística e, sobretudo, na Oração Eucarística. O latim não torna uma celebração mais válida que uma em língua nacional, mas ajuda sacerdote e fiéis a perceber que durante a Missa não estamos simplesmente desenvolvendo uma atividade quotidiana qualquer. Faz-nos entender de modo prático que estamos em contato com o Céu. Além disso, o latim é a língua oficial da Igreja Católica, então a língua de todos os fiéis católicos.

Geralmente se celebra Missas internacionais nas quais se usam duas, três, quatro ou mais línguas, para resultar que os fiéis compreendam ao menos uma parte da Missa. Não seria melhor que os fiéis fossem capazes de compreender as partes do Ordinário da Missa em latim e também de responder? Isto ajudaria muito na participação ativa deles nestas ocasiões. Sobretudo, daria um sentido vivo da catolicidade da Igreja; um fiel se vai a New York, Roma, ou Tóquio pode encontrar a mesma Missa, celebrada com as mesmas palavras escutadas do sacerdote na sua pátria, então se sente em qualquer lugar como em sua casa: encontrou os seus irmãos na fé também em terras estrangeiras. É estrangeiro, porém encontrou a sua família. Eis a catolicidade concreta. O mesmo vale para o canto gregoriano, o qual se recomenda também por uma outra característica, que deve ser a regra para todos os cantos de uso na liturgia: isto é, no gregoriano o texto é muito mais importante que a melodia. O cântico de adapta ao texto e não as palavras à música; Isto é muito importante, por isso os documentos magisteriais, antes, durante e depois o Vaticano II, sempre recomendaram o latim e o canto gregoriano.

O que o senhor pode nos dizer sobre a centralidade do Sacrário no presbitério?
  
O caso das Igrejas Catedrais deve ser tratado à parte, coisa que aqui não podemos fazer. Nas outras igrejas, porém, como no caso das paróquias, eu vejo muito bem a presença do Sacrário no centro. A Igreja é certamente casa do Povo de Deus, mas antes disto é casa de Deus. Se nós acreditamos verdadeiramente na Presença Real, não compreendo como se pode dizer a Deus, o Dono da casa que está no Tabernáculo: se coloque de lado, porque o Senhor atrapalha as celebrações! Para mim isto é incompreensível. Muitos dizem que o sacrário não pode mais estar ao centro porque se celebra “de frente para o povo” e então por reverência se deve evitar que o sacerdote quando celebra lhe dê as costas.

Mas podemos perguntar:  Porque não se providenciou qualquer arranjo arquitetônico, como se fez construindo os novos altares? Poder-se-ia por exemplo ter elevado o Sacrário a um lugar mais alto, mesmo deixando ao centro, de modo que, também quando celebra, o sacerdote não lhe dê as costas. Ou ainda, se pode colocar o tabernáculo à direito ou a esquerda dos novos altares, por exemplo sobre uma coluna, mas deixando bem visível sobre o presbitério. E esta segunda opção em diversos casos foi a escolhida. Parece-me um compromisso aceitável.

Ao contrário não me parece muito bem, colocar fora o tabernáculo em uma capela lateral, e em casos mais extremos, até mesmo fora da Igreja (uma vez na França vi que colocavam o Santíssimo Sacramento em um armário da sacristia, provavelmente porque assim se fazia em certos lugares no Século IX!) Se é também sustentada geralmente a idéia que o sacrário não pode estar onde está o altar, porque não teria sentido celebrar a Missa e produzir a Presença Real, quando esta Presença estaria já ali durante toda a Missa.

Esta tese não somente contradiz um ensinamento de Pio XII que falava da inseparabilidade entre o tabernáculo e o altar, mas sobretudo não leva em conta o fato de que certamente a Missa produz a Presença Real, mas é também o Sacrifício de Cristo! Também se durante a Missa tem já a Presença Real no tabernáculo, não tem porém a atuação do Sacrifício sacramental, que coincide com a celebração da Eucaristia. Então mantém todo o seu sentido celebrar a Missa também na presença do Sacrário. Em conclusão, penso que o pensamente que rege a escolha de retirar os sacrários do presbitério seja um pensamento litúrgico reduzido, prá dizer o menos.

No Rito Romano existem as chamadas “danças litúrgicas”? E as palmas como acompanhamento rítmico nas canções, como alguns membros da renovação carismática católica fazem, pertence à tradição litúrgica romana e podem ser utilizadas na Missa?

A tradição litúrgica não prevê a dança. Em alguns países, por exemplo a África, se permite os “movimentos”, que são gestos diferentes de uma verdadeira e própria dança. Nas normas litúrgicas atuais não são previstas as palmas, seja o aplauso de aprovação ou rítmico. É possível admitir em momentos de oração extra-litúrgicos, se verdadeiramente é necessário, porem não na liturgia.

Não seria considerado um abuso da parte de alguns clérigos e leigos, o fato do “uso ordinário” de ministros que são justamente chamados “extraordinários” da Comunhão? Qual a posição que a Congregação da qual o senhor é membro têm sobre este argumento?

As disposições para o participação dos ministros extraordinários dizem claramente que esses não podem substituir os ministros ordinários, se estes são em número suficiente e hábeis a distribuir a santa comunhão. Em poucas palavras: o sacerdote não pode sentar-se e deixar que apenas os ministros extraordinários distribuam a comunhão. Esses devem servir de ajuda ao sacerdote em caso de verdadeira necessidade e não substituírem o sacerdote. É necessário entender o momento que é realmente necessária esta ajuda. Se na Igreja participam mil pessoas que querem comungar, provavelmente é necessária, mas se são apenas trezentos? Sobre este ponto, as normas não entram em detalhes.

As mulheres brasileiras em alguns lugares retornaram o uso do véu, não apenas na Missa no Rito Romano Extraordinário, mas  também na missa segundo o Novo Rito. Como o senhor ver este movimento? V. Reverendíssima recomenda o uso do véu por parte das mulheres na Missa Católica e nos atos de piedade?

O uso do véu é tão antigo quanto à Igreja, dado que se encontra mencionado em uma carta de São Paulo Apóstolo. Pessoalmente digo que não vejo como um elemento de grande importância. Porém, já que se encontra nas Sagras Escrituras, talvez fosse prudente permanecer o uso. É certo o fato que ele não causa problemas, ao contrário, pode ser edificante. Pode ajudar às mulheres, por algumas vezes tentadas pela vaidade mais que os homens, a cultivarem a virtude da modéstia. E pode ajudar aos homens, por muitas vezes tentados mais que as mulheres de não se distraírem durante os sagrados ritos, recordando que pelo menos durante a liturgia devem volver os corações apenas para Deus.

Porém, o uso do véu é proibido? É permitido ou aprovado? Permanece obrigatório?

Não conheço disposições precisas sobre esta matéria.

Se uma mulher que faz uso do véu, mas é envergonhada por ser a única na paróquia, que conselho V. Reverência daria?

No recente livro-entrevista “Luz do Mundo”, Bento XVI fala do véu das mulheres: não aquele das mulheres católicas, mas sim da burca islâmica. Ele diz que se as mulheres muçulmanas são constrangidas ao uso, isso não é justo, mas se livremente estas decidem endossá-lo, não se tem motivos para impedir. “Mutatis mutandis”, aplicarei o mesmo princípio ao véu das nossas mulheres católicas: se uma mulher quer usá-lo espontaneamente, quem pode impedir? Se a mulher de que o senhor fala tem o desejo de usar o véu, será por uma razão. Qual problema poderia existir?

O senhor acredita que existe um verdadeiro e próprio “novo movimento litúrgico”? Que coisa se pode fazer em prática para promovê-lo?

Não sei se já temos um novo movimento litúrgico, porém penso que já está sendo construído. O Cardeal Ratzinger no início do seu livro “Introdução ao Espírito da Liturgia” desejou o nascimento deste. Penso que para promovê-lo necessita antes de tudo crescer no amor a Deus, a Cristo, à Igreja e ao Santo Padre. Não pode ser apenas uma nova questão ideológica, para contrapor outras ideologias. Necessita estudar muito e rezar muito. Necessita pedir a Deus o espírito de discernimento e de equilíbrio. Depois se deve trabalhar, seja com os escritos, com a catequese em todas as suas formas, com grande amor pela glória de Deus e pela salvação das almas. A única razão válida para reformar a liturgia da Igreja é para fazer de uma forma que essa dê mais glórias a Deus e ajude melhor as almas a salvarem-se. Qualquer outra razão, sem ser estas, é ideologia, tanto de direita como de esquerda.

terça-feira, 20 de março de 2012

Quem tem medo de Rick Santorum?


Convenço-me cada vez mais que Rick Santorum representa um perigo não somente a Mitt Rommey nas prévias republicanas, como também a Barack Obama na eleição geral de novembro. Somente isto justifica os ataques desesperados da grande imprensa americana contra ele.

O jornal The Washington Post dedicou um artigo (http://www.washingtonpost.com /national/rick-santorums-journey-to-devout-catholicism-view-of-religion-in-governance /2012/03/16/gIQAj4NzNS_story_3.html) repleto de certas verdades com o nítido objetivo de criar um clima contrário a Rick Santorum no eleitorado americano médio – justamente aquele que decide a eleição. Reúno aqui algumas sugestões feitas pelo jornal que, sem ter algum escândalo contra o republicano, o acusa sem acusar.

  • Eleger o católico Santorum não é como eleger o católico Kennedy.
  • Santorum abraça o ideário de Escrivá e o toma como guia nas questões políticas.
  • O “Opus Dei”, adotado publicamente por Santorum, é considerado por muitos ex-membros como uma seita, e por outros é louvado por sua adesão ao Vaticano.
  • Os membros do “Opus Dei” usam cilícios.
  • A paróquia outrora frequentada por Santorum foi palco de escândalos de pedofilia, envolvendo inclusive, como vítima, um colega de Santorum.
  • Não está claro se Santorum tinha conhecimento disto quando fez um discurso contra a pedofilia.
  • Dois filhos de Santorum foram enviados a estudar numa escola do “Opus Dei”.
  • Santorum frequenta uma igreja servida por padres do “Opus Dei” e assiste à Missa em Latim.
  • Santorum teria afirmado que Satanás corrompeu a maioria das igrejas cristãs, menos a católica.
  • Para Santorum o protestantismo americano teria se afastado do mundo cristão.
  • E para terminar: na sexta-feira, viajou para Illinois e, num dia de campanha e coleta de fundos, passou cerca de meia hora com um padre do “Opus Dei”.


Percebem? Não há nada de escandaloso nas afirmações acima, mesmo quando retiradas do contexto em que foram ditas ou aconteceram. Visam, no entanto, a associar indelevelmente Santorum ao “Opus Dei” e vinculam de leve seu nome a um escândalo ocorrido em sua paróquia.

O que pretendem mesmo é dizer: se já era um risco eleger o católico Kennedy – que se provou um democrata acima de qualquer suspeita – imaginem eleger o republicano católico Santorum, com todos os seus vínculos com o “Opus Dei” e com o Vaticano!

O que o jornal omite evidentemente é que Santorum tem recebido apoio entusiasmado dos evangélicos, sobretudo pentecostais, americanos. Seus índices de aprovação no meio evangélico americano supera todos os outros pretendentes à indicação republicana. A tática da imprensa não tem funcionado com eles, quem sabe funcione com o eleitor médio, moderado e com ancestrais preconceitos anticatólicos?

Carta de Mons. Bux a Dom Fellay e aos Padres da FSSPX


A Sua Excelência Dom Bernard Fellay
e aos padres da Fraternidade Sacerdotal São Pio X

Excelência Reverendíssima,
Caríssimos Irmãos,

A fraternidade cristã é mais poderosa do que a carne e o sangue, porque ela nos oferece, graças à Divina Eucaristia, um antegozo do paraíso.

O Cristo nos convidou a fazer a experiência da comunhão, pois é nela que consiste nosso “eu”. A comunhão é estima a priori pelo próximo, porque nós temos em comum com ele o único Salvador. Por isso a comunhão está pronta a todo sacrifício em nome da unidade; e esta unidade deve ser visível, como nos ensina a última invocação da oração endereçada por Nosso Senhor a seu Pai – “ut unum sint, ut credat mundus” –, porque ela é o testemunho decisivo dos amigos de Cristo.

É inegável que muitos fatos do Concílio Vaticano II e do período sucessivo, relativos à dimensão humana deste acontecimento, representaram verdadeiras calamidades e causaram sentidas dores em grandes homens da Igreja. Mas Deus não permite que Sua Igreja possa chegar à autodestruição.

Não podemos considerar a dureza do fator humano sem ter confiança no divino, ou seja, na Providência que, sempre respeitosa da liberdade humana, guia a história, e em particular a história da Igreja.

A Igreja é ao mesmo tempo instituição divina, divinamente garantida, e obra dos homens. O aspecto divino não apaga aquele humano – personalidade e liberdade – nem necessariamente o inibe; o aspecto humano, permanecendo inteiro, e mesmo comprometendo, não apaga jamais o divino.

Por razões de Fé, mas também em razão das confirmações, ainda que lentas, que observamos no plano histórico, cremos que Deus preparou e continua a preparar no curso destes anos homens dignos para remediar os erros e abandonos que todos nós deploramos. Já surgem, e surgirão sempre mais, obras santas, isoladas umas das outras, mas que uma estratégia divina coliga à distância e assim a ação se torna um desenho ordenado, como aquela que ocorreu milagrosamente na época da dolorosa revolta de Lutero.

Estas intervenções divinas parecem se multiplicar na medida em que os fatos se complicam. O futuro o provará, e disto estamos convencidos, e já parece raiar a aurora.

Durante alguns instantes, a aurora, incerta, luta com as trevas, lentas a se retirarem, mas quando ela aponta já se sabe que o sol está lá e que ele percorre inevitavelmente seu curso nos céus.

Com Santa Catarina de Sena, nós queremos vos dizer: “Vinde a Roma com toda segurança”, à casa do Pai comum que nos foi dado como princípio e fundamento visível e perpétuo da unidade católica.

Vinde participar deste bendito futuro em que já se entrevê, a despeito das trevas persistentes, a aurora.

Vossa recusa aumentaria as trevas e não a luz. E já são numerosos os raios de luz que nós contemplamos, a começar da grande restauração litúrgica operada pelo motu proprio “Summorum Pontificum”. Ele suscita no mundo inteiro um grande movimento de adesão da parte de todos aqueles, e notadamente dos jovens, que pretendem engrandecer o culto do Senhor.

Como não considerar ainda os outros gestos concretos e carregados de significado do Santo Padre, como a remissão das excomunhões aos bispos ordenados por Dom Lefebvre, a abertura de um debate público sobre a interpretação do Concílio Vaticano II à luz da Tradição e, consequentemente, a renovação da Comissão Ecclesia Dei?

Restam certamente certas perplexidades, pontos a aprofundar ou a esclarecer, como sobre o ecumenismo e o diálogo inter-religioso (que ademais já foi objeto de um importante esclarecimento trazido pela declaração Dominus Iesus da Congregação para a Doutrina da Fé de 6 de agosto de 2000) ou sobre a maneira em que é compreendida a liberdade religiosa.

Também sobre estes temas, vossa presença canonicamente garantida na Igreja ajudará a trazer mais luz.

Como não pensar na contribuição que vós podereis dar, graças a vossos recursos pastorais e doutrinais, a vossa capacidade e sensibilidade, para o bem de toda a Igreja?

Eis o momento oportuno, a hora favorável para retornar. Timete Dominum transeuntem: não deixeis passar a ocasião da graça que o Senhor vos oferece, nem a deixeis passar a vosso largo sem a reconhecerdes.

O Senhor vos concederá outra?  

Não deveremos nós todos comparecer um dia diante do Seu Tribunal e responder não somente pelo mal praticado mas sobretudo pelo bem que nós teríamos podido fazer e que não realizamos?

O coração do Santo Padre palpita: ele vos espera ansiosamente porque vos ama, porque a Igreja precisa de vós para uma profissão de fé comum no meio de um mundo sempre mais secularizado e que parece voltar irremediavelmente as costas a seu Criador e Salvador.

Na plena comunhão eclesial, com a grande família que constitui a Igreja Católica, vossa voz jamais será desprezada, vosso engajamento não será negligenciável ou negligenciado, mas poderá dar, com os de tantos outros, frutos abundantes que de outro modo permaneceriam dispersos.

A Imaculada nos ensina que muitas graças são perdida porque elas não são pedidas: nós estamos convencidos de que, em respondendo favoravelmente à oferta do Santo Padre, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X se tornará um instrumento para acender novos raios nos dedos de nossa Mãe Celeste.

Neste dia que lhe é dedicado, que São José, esposo da Bem-Aventurada Virgem Maria, Patrono da Igreja universal, queira inspirar e sustentar vossas resoluções: “Vinde com segurança a Roma”.

Roma, 19 de março de 2012
Solenidade de São José

Pe. Nicola Bux

Tradução: OBLATVS



Viagem Apostólica de Bento XVI
México e Cuba
23 a 28 de março de 2012

Sexta, 23 de março
Chegada ao México e discurso do Santo Padre (19h)
Sábado, 24 de março
Encontro com as crianças na Plaza de la Paz de Guanajuato (20h45min)
Domingo, 25 de março
Santa Missa no Parque do Bicentenário de León (12h30min)
Celebração de Vésperas com os Bispos na Catedral de León (20h30min)
Segunda, 26 de março
Cerimônia de despedida do México (12h)
Chegada a Cuba e discurso do Santo Padre (15h30min)
Santa Missa em Santiago de Cuba (19h)
Terça, 27 de março
Visita ao Santuário de Nossa Senhora da Caridade do Cobre (11h30min)
Cerimônia de despedida de Santiago de Cuba (12h30min)
Chegada a Havana (13h45min)
Visita ao Presidente Raul Castro (19h)
Quarta, 28 de março
Santa Missa na Praça da Revolução de Havana (10h30min)
Cerimônia de despedida de Cuba (18h)

Os horários correspondem à hora de Brasília e os eventos serão transmitidos pela EWTN em espanhol (http://www.ewtn.com/PapaMexicoCuba2012/index.asp#). Para assistir à programação siga os seguintes passos: 1. Televisión; 2. TV en Directo; 3. EEUU.
                                               

segunda-feira, 19 de março de 2012

São José, a vós nosso amor!

São José é o Padroeiro da Igreja universal. Minha cidade tem seu nome; o têm igualmente minha paróquia natal e meu seminário. Quantas recordações felizes!

Não me lembro de algum dia ter omitido o nome de São José na Santa Missa. Seu nome foi introduzido no Cânon Romano pelo Papa João XXIII. Outros pontífices - dada a grande devoção a São José - chegaram a cogitar a oportunidade de fazê-lo, mas nenhum ousou tocar no Sacratíssimo Cânon. Lamentavelmente as intromissões no Cânon não pararam na feliz iniciativa do Beato João XXIII.

Nas demais Orações Eucarísticas, a menção de seu nome é facultativa; de cuja faculdade faço uso sempre que utilizo a OE II ou III. Garanto-lhes que sua intercessão não me tem faltado.

Nos dias em que os cristãos do Egito (Católicos, Coptas, Ortodoxos e Protestantes) enfrentam ameaças de toda sorte, São José interceda pela terra que protegeu o Santíssimo Salvador da sanha assassina de Herodes, recebendo em seu solo a Sagrada Família de Nazaré como refugiada.

Hoje é também o dia onomástico de nosso amado Papa Bento XVI (Joseph Ratzinger). Que o santo padroeiro abençoe nosso Pastor e proteja a Igreja de seu Divino Filho das perseguições dos "reis" deste mundo.


sábado, 17 de março de 2012

Morre o Patriarca dos Coptas Ortodoxos

Faleceu na tarde de hoje aos 88 anos o Patriarca da Igreja Copta Ortodoxa, Papa Shenouda III (foto). Os coptas ortodoxos compreendem cerca de 10 milhões da população do Egito. 

Segundo algumas fontes, também o Patriarca da Igreja Copta Católica, Cardeal Antonios I Naguib de 77 anos, está muito adoentado; os coptas católicos são pouco mais de 160 mil dos egípcios.

Perdem os ortodoxos do Egito o seu principal líder religioso e os católicos seguem com preocupação a saúde de seu patriarca nesta hora em que o cristianismo se vê ameaçado pelo "inverno" árabe, sob comando dos muçulmanos radicais.


Atualização: 18/03/2012


MENSAGEM DE BENTO XVI


“Vindo a saber, com tristeza, da partida para Deus, nosso Pai comum, de Sua Santidade Shenouda III, Patriarca de Alexandria e da Pregação de São Marcos, desejo exprimir aos membros do Santo Sínodo, aos padres e aos fiéis de todo o Patriarcado os meus mais vivos sentimentos de compaixão fraterna. Eu recordo com gratidão seu comprometimento com a Unidade dos Cristãos, sua visita memorável a meu predecessor, Papa João Paulo II, e sua assinatura em 10 de maio de 1973 em Roma da Declaração comum de Fé na Encarnação do Filho de Deus, como também seu reencontro no Cairo com o Papa João Paulo II no curso do Grande Jubileu da Encarnação, em 24 de fevereiro do ano 2000. Posso dizer o quanto toda a Igreja Católica compartilha o sofrimento que aflige os Coptas ortodoxos e o quanto ela se mantém em fervente oração diante d’Aquele que é a ressurreição e a vida, a fim de que Ele acolha seu servo fiel. Que Deus de toda misericórdia o receba na sua alegria, na sua paz e na sua luz.” 

BENTO XVI

sexta-feira, 16 de março de 2012

Bento XVI dá mais um tempo à FSSPX

A esta altura todos já lemos o comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé relativo ao encontro entre o Cardeal William Levada, prefeito da Doutrina da Fé e presidente da Ecclesia Dei, e Dom Bernard Fellay, Superior Geral da FSSPX, ocorrido hoje em Roma.

No curso do encontro o cardeal entregou a Dom Fellay uma carta “em obediência à decisão de Bento XVI”, na qual “se apresenta que a posição, expressa por ele [Dom Fellay], não é suficiente para superar os problemas doutrinais que estão na base da fratura entre a Santa Sé e a Fraternidade”.

Já se esperava que a resposta da Fraternidade ao preâmbulo doutrinal não satisfaria à Santa Sé. Ocorre que, por desejo do Papa, renovou-se o convite a Dom Fellay para “esclarecer a sua posição a fim de poder chegar à recomposição da fratura existente”.

Usam-se, no breve comunicado, duas expressões distintas: ruptura e fratura. Embora não sejam termos técnicos da teologia, parecem expressar a realidade atual (fratura - irregularidade canônica) e a que se deseja evitar (ruptura - cisma).

O último parágrafo do comunicado deixa a situação em suspenso por mais algum tempo, desqualificando as vozes que se levantaram para dar por encerradas as tratativas com a Fraternidade. Ainda é cedo para os açodados, de ambos os lados.

Arcebispo de Cantuária renuncia no final de 2012

O “arcebispo” Dr. Rowan Williams anunciou hoje ter aceitado a posição de Master do Magdalene College da Universidade de Cambridge, função que passará a ocupar em janeiro de 2013. Renuncia, assim, ao ofício de Arcebispo de Cantuária até o final do ano, nove anos depois de tê-lo assumido.

Sua renúncia já foi apresentada à Rainha Elisabeth, papisa da Comunhão Anglicana, a quem caberá nomear o sucessor entre os nomes apresentados pelo primeiro-ministro. Dr. Williams entregará o cargo aos 62 anos, oito menos que a idade prevista pelos cânones anglicanos.

De linha católica liberal, Dr. Williams está entre os que desagradam a todos na fragmentada Comunhão Anglicana. Aos anglo-católicos desagrada pela posição favorável à ordenação de mulheres et alii; aos evangelicais, pela tibieza diante dos grupos de pressão liberais; e aos liberais, que o consideram excessivamente lento quanto ao timing para mudanças radicais.

Não podendo impedir o barco de afundar, Dr. Williams desembarca a tempo de assumir uma posição que só lhe dará os bônus.


Fonte: Archbishop of Canterbury – página oficial

quarta-feira, 14 de março de 2012

Cuba à espera de Bento XVI

“Em 1988 [1998 n.d.t], assim que o Papa João Paulo II terminara sua visita a Cuba, participei de um almoço oferecido por Fidel a um grupo de teólogos. Em certo momento um teólogo italiano manifestou, do alto de seu esquerdismo, sua indignação pelo fato de o pontífice ter exposto a Virgem da Caridade adornada com uma coroa de ouro. Fidel não escondeu seu mal estar. E reagiu dizendo: ‘A Virgem do Cobre  não é somente a padroeira dos católicos de Cuba. É a padroeira da nação cubana’. E contou como sua mãe, Lina Ruz, católica devota, fez com que ele e Raúl prometessem que se saíssem vivos de Sierra Maestra, iriam depositar suas armas no santuário, a fim de pagar a promessa que ela havia feito. Em 1983, ao visitar o santuário pela primeira vez, vi ali as armas.”

A inconfidência é de Frei Betto que lamentavelmente não revela o nome do teólogo italiano, mais comunista que Fidel. O artigo se encontra no site oficial da visita do Papa Bento XVI a Cuba (http://benedictocuba.cubaminrex.cu/) nos dias 26, 27 e 28 de março de 2012.

Detalhe: o site é de responsabilidade do Ministério das Relações Exteriores de Cuba. Nele, curiosamente, os responsáveis ensinam o catecismo, como por exemplo:

“La Iglesia católica es una sola en todo el mundo. El término católica indica la universalidad de la Iglesia romana. No es correcto decir Iglesia católica cubana, porque no es una Iglesia nacional, la Iglesia en Cuba es parte de la Iglesia universal. Se debe decir la Iglesia católica en Cuba o la Iglesia católica que está en Cuba. La Iglesia católica en Cuba no tiene un jefe. Todos los obispos dependen directamente del Papa, que los nombra, son sucesores de los apóstoles y el Papa es el príncipe de los apóstoles.”

Quem sabe Frei Betto não se converte lendo o site mantido pelos seus patrões cubanos?

sábado, 10 de março de 2012

Reflexões sobre a Campanha da Fraternidade 2012

BRASILIA, sexta-feira, 9 de março de 2012 (ZENIT.org) - No contexto da Campanha da Fraternidade Zenit entrevistou Sua Excelência Dom Luiz Bergonzini, bispo emérito de Guarulhos, perguntando-lhe sobre como se está vivendo a Campanha na sua diocese e algumas opiniões sobre a situação da saúde no Brasil.

Zenit: Como o senhor está vivendo a Campanha da Fraternidade na sua diocese?
Dom Luiz Bergonzini: Com muita preocupação. O tema é saúde pública, que só pode ser proporcionada por prefeitos, governadores e presidente da república.  A presidente Dilma cortou 5,4 bilhões da saúde neste ano. Temos conhecimento que há distribuição de abortivos nos postos de saúde, que há recomendação para laqueaduras e outros atentados contra a vida. A CF, infelizmente, não faz alusão ao aborto. Os políticos não dão a menor importância para a saúde do povo.

Zenit: Qual é a área da saúde que, no seu ponto de vista, está sendo mais afetada no Brasil, começando pela sua diocese? 
Dom Luiz Bergonzini: O atendimento precário aos pacientes do SUS. Veja em nosso blog a notícia dos 22 casos de morte materna em BH. 21 seriam salvas se tivessem atendimento adequado. Sou superintendente do Hospital Stella Maris, que passa por dificuldades em razão dos prejuízos causados pelo SUS, que paga R$10,00 por uma consulta, sendo R$6,00 para o médicos R$4,00 para o hospital. Essa política dificulta a contratação de médicos, pois irrisória, para não dizer escandalosa, essa "remuneração".

Zenit: A estrutura da sua Igreja diocesana tem conseguido apoiar na área da saúde? Como?  
Dom Luiz Bergonzini: Fizemos uma representação ao Ministério Público e temos uma Casa da Gestante, que acolhe as gestantes em dificuldades. Além disso, tem a Pastoral da Criança e nas paróquias uma pastoral da saúde, que visita os doentes de suas regiões. 

Zenit: O senhor é Vice-presidente da irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Guarulhos. O que é uma Santa Casa? Qual é a diferença de uma Santa Casa para um hospital particular, ou para um hospital público?
Dom Luiz Bergonzini: As Santas Casas são centros de atendimento médico geralmente dirigidos por religiosas ou por pessoas misericordiosas, muitas vezes com recursos de doações das pessoas da cidade. Geralmente, não cobram dos pacientes.  O Hospital particular cobra dos pacientes todos os atendimentos.  O Hospital público tem os seus custos cobertos com o dinheiro do povo, muito embora esses atendimentos sejam muito precários. 

Zenit: Na sua opinião, qual deveria ser a atitude de um católico nessa Campanha? 
Dom Luiz Bergonzini: Nós, católicos, devemos cobrar dos prefeitos, dos governadores e da presidente da república a destinação de mais verbas para a saúde, para aparelhar os hospitais, as santas casas adequadamente e remunerar dignamente os funcionários e médicos.
Por Thácio Siqueira

Fonte: Zenit

sexta-feira, 9 de março de 2012

Direto dos Países Baixos

Receoso de que as missas de Dom Fernando Figueiredo sejam imitadas em Utrecht, arcebispo reage.

Se lês holandês, língua de facílima compreensão, clique no link abaixo. Se não lês, sinal de teu baixíssimo nível cultural, clica assim mesmo e pede ajuda ao Google translator. O resultado não é muito satisfatório, mas ao menos saciarás a curiosidade que te mata:

Dom Lourenzo Baldisseri é o novo Secretário do Colégio Cardinalício

Era esperada a nomeação de Dom Lourenzo Baldisseri como novo Secretário do Colégio Cardinalício, desde  que fora nomeado Secretário da Congregação para os Bispos em 11 de janeiro passado. As duas funções são desempenhadas conjuntamente e, em caso de falecimento do Sumo Pontífice, Dom Lourenzo também funcionará como Secretário do Conclave.

Seu sucessor imediato foi o cardeal português Manuel Monteiro de Castro, de recente criação. Este último não chegou a secretariar o conclave já que fora nomeado para a função pelo Papa Bento XVI. O único brasileiro a ocupar estas funções foi o Cardeal Lucas Moreira Neves (1979-1987) que, porém, também não serviu como secretário de conclave. O secretário do último conclave foi o italiano Francesco Monterisi, Arquipresbítero da Basílica Papal de São Paulo fora dos Muros.

Entre as funções cerimoniais do secretário do Conclave está a de entregar ao eleito o solidéu branco que o novo Romano Pontífice passará a usar no lugar do vermelho. Em contrapartida, é costumeiro o Papa criá-lo cardeal num consistório futuro, presenteando-o assim com o solidéu vermelho. Assim aconteceu com todos os antecessores de Dom Baldisseri que foram secretários de conclave, por exemplo: Monterisi em 2005, Civardi em 1978 (secretário de dois conclaves), Carpino em 1963, Di Jorio em 1958, para ficarmos nos últimos quatro.

Com todo o respeito devido ao antigo núncio no Brasil, espero que ele encontre outro meio de se tornar cardeal, pois vivendo nosso amado Papa ainda muitos anos, o novo secretário do Colégio dos Cardeais, que completará 72 anos em setembro, não teria tempo de entregar o solidéu branco a um novo papa antes dos 75 anos, idade em que deve se aposentar da função.

Vida longa ao Papa!

Bispo promove ordem tradicional de administração dos Sacramentos da Iniciação

Dom Aquila recebe elogio do Papa por “re-ordenar” sacramentos
Por David Kerr


Dom Samuel Aquila, Bispo de Fargo, afirmou que ficou encantado por ter recebido em primeira-mão a aprovação papal por ter mudado a ordem segundo a qual as crianças recebem os sacramentos em sua diocese.

“Foi muito surpreendente o que o Papa me disse, em como ficou feliz que os sacramentos da iniciação tenham sido restaurados em sua ordem própria, ou seja, batismo, confirmação e, só então, Primeira Eucaristia”, disse Dom Aquila após se encontrar com o Papa Bento no dia 8 de março.

Dom Aquila foi um dos cinco bispos de Dakota do Norte e do Sul a se encontrar com o Papa Bento XVI no Vaticano como parte de sua visita “ad limina” a Roma, de 5 a 10 de março.

Nos últimos sete anos, a Diocese de Fargo mudou a ordem típica dos sacramentos da iniciação. Em vez de a confirmação vir em terceiro lugar e numa idade mais avançada, é agora conferido a crianças mais novas e antes da Primeira Comunhão.

Dom Aquila disse ter feito a mudança porque “na realidade ela põe a ênfase na Eucaristia como sendo aquilo que completa os sacramentos da iniciação” e na confirmação como “selo e complemento do batismo”.

Quando os sacramentos são conferidos nesta ordem, disse, torna-se mais óbvio que “tanto o batismo quanto a confirmação conduzem à Eucaristia”. Este auxílio sacramental ajuda os católicos a vivermos “como filhos e filhas amados do Pai em nosso dia-a-dia”, acrescentou.

O Bispo de Fargo disse ainda que a mudança afasta o Sacramento da Confirmação daquelas “falsas teologias que o vêem como sendo um sacramento da maturidade ou um sacramento do ‘eu escolho Deus’”.

Por sua vez, os mais jovens em Fargo têm agora “a plenitude do Espírito e de seus dons” para os assistirem nas “suas vidas no mundo”, especialmente “nos desafios que enfrentam no ensino fundamental e médio”.

Dom Aquila expôs seu pensamento teológico ao Papa Bento durante o encontro de hoje [ontem].

Em resposta, disse, o Papa perguntou se ele “havia começado a falar com outros bispos sobre isto”. Ele disse ao pontífice que sim e que “certamente outros bispos nas Dakotas já estão considerando a implementação da restauração da ordem dos sacramentos”.

Tradução: OBLATVS

quinta-feira, 8 de março de 2012

Um pouco sobre as inquisições

Para quem deseja uma leitura leve, concisa e instrutiva sobre as Inquisições, a católica e a protestante, no blog Redemptionis Sacramentum.

Não sem razão, afirmava o convertido Newman, “to be deep in history is to cease to be a protestant”, ou seja, “aprofundar-se na história é deixar de ser protestante”. Estudar história, por outro lado, não é suficiente para se tornar católico, mas que dispõe à Graça não resta dúvida.

terça-feira, 6 de março de 2012

Nome do Papa na "macumba" cubana

Cuba: “Santeria contra o Papa”
Marco Tosatti

Os líderes da Santeria, uma religião que mistura elementos africanos, cubanos e cristãos, não veem com favor a visita de Bento XVI na ilha, porque, exatamente como já havia feito João Paulo II na primeira visita de um papa a Cuba, o pontífice não os receberá. A Santeria é segundo alguns a forma de fé mais difusa na ilha. Mas o porta-voz vaticano, Padre Federico Lombardi, a uma pergunta precisa sobre o assunto respondeu que o programa do Papa ainda poderia ser modificado, mas excluiu em absoluto que os representantes da Santeria, inclusive o “Babalawo”, o sumo-sacerdote, possam ser recebidos. Lombardi declarou que a Santeria “não tem uma liderança institucional”, necessária do ponto de vista organizativo e que “não é uma Igreja”, no sentido próprio do termo. Quando João Paulo II chegou à ilha, achou-se na mesma situação. Também naquela ocasião havia uma certa esperança, da parte dos membros da Santeria, e o “Babalawo” guiou uma cerimônia que durou um dia inteiro para pedir aos espíritos que protegessem Wojtyla na sua visita, e que fizessem dela um sucesso. Mas não houve uma audiência. E ademais seria singular que Papa Ratzinger, que não morre de amores pelas formas de sincretismo religioso e as misturas de espiritualidades diferentes, recebesse os representantes de um culto que é um ícone do sincretismo. Espíritos ancestrais e santos cristãos se dividem igualmente na veneração dos fiéis em cerimônias em que de joelhos se vai tanto em peregrinação até Oxum, patrona da sensualidade feminina, como a São Lázaro.

E eu que pensava que a Santeria estava em baixa em Cuba por absoluta falta de gêneros alimentícios. Porque, convenhamos, não há orixá que resista viver somente de charutos, ainda que da melhor qualidade.

Falando sério, acho excelente que não haja um encontro desta natureza. Só me pergunto em que os macumbeiros cubanos se distinguem de xintoístas, animistas, hinduístas, e de outros "istas" pagãos tantas vezes recebidos pelo último papa beato.

Fonte: La Stampa
Tradução: OBLATVS

quinta-feira, 1 de março de 2012

Novo Bispo Auxiliar do Rio é do clero de Campos

Já se tornou pública a nomeação do Mons. Luiz Henrique da Silva Brito como auxiliar da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro.  Estando em Nova Friburgo no dia da nomeação não pude congratular-me com o eleito através do blog, mas o fiz pessoalmente no mesmo dia à noite.

O caro Pe. Luiz Henrique, a quem sucedi numa paróquia e por quem fui sucedido em outra, será um excelente bispo. Espero, lhe reiterei hoje, que seja fiel, alheio aos aplausos e aos temores.

A Diocese de Campos se alegra pela nomeação do novo bispo e se antecipa nas preces pelo seu pontificado na muito querida Arquidiocese do Rio, à qual tanto devemos e que amamos como se fora nossa própria. 



Gandhi virou mórmon

Soube-se nos últimos dias que a seita chamada Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, os mórmons, havia realizado uma cerimônia de batismo póstumo de Mohandas Gandhi, o Mahatma dos hindus. A notícia repercutiu bastante mal nos meios religiosos americanos.

Ora, é de se perguntar por que tal acontecimento gera tanta polêmica. A prática mórmon carece de qualquer sentido religioso, exceto para os próprios mórmons. Podem me batizar postumamente, o que espero não ocorrer tão cedo, e estarei cantando e andando para eles. Minha alma não sofrerá qualquer dano devido às práticas imbecis dos mórmons.

Acontece que os hindus resolveram reclamar dos mórmons. E se reclamássemos das práticas animistas dos hindus como ofensivas à simples razão humana, será que teríamos audiência? O que é mais imbecil, batizar postumamente ou cultuar um deus com cara de elefante?

Que os hindus prossigam com seus cultos idolátricos e irracionais e os mórmons com seu batismo póstumo. O que não se pode admitir é que o sujo impeça o mal lavado de praticar sua religião em nome do politicamente correto. Se for para sancionar uma religião que seja a católica, única revelada e conforme os ditames da razão. Mas os néscios haverão de discordar, evidentemente.  

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