"Oblatus est, quia ipse voluit, et peccata nostra ipse portavit!"

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Novo Patriarca de Veneza


Acaba de ser nomeado o novo Patriarca de Veneza, S. Exª Revma. Dom Francesco Moraglia. O novo patriarca nasceu em Gênova há 58 anos, foi ordenado sacerdote em 1977 pelo Cardeal Siri e é bispo da diocese de La Spezia-Sarzona-Brugnato desde 2007. É doutor em Teologia Dogmática e autor de mais de uma dezena de livros sobre os mais variados temas teológicos, espirituais e pastorais.

Tradicionalmente o Patriarca de Veneza é criado cardeal no primeiro consistório seguinte à sua nomeação, o que provavelmente ocorrerá em 2014, uma vez que os novos cardeais a serem criados no próximo dia 18 de fevereiro já tiveram seus nomes publicados. 

domingo, 22 de janeiro de 2012

Primárias nos Estados Unidos - pós South Carolina

As primárias para a escolha do candidato republicano à presidência dos Estados Unidos vêm ganhando contornos interessantes. Procuro acompanhá-las, na medida em que a eleição envolve direitos humanos e valores universais e, evidentemente, o presidente da maior potência ocidental desempenha um papel fundamental na defesa dos mesmos ou na ameaça a eles.

O atual presidente, Barack “Abortion” Obama, tem grande chances de se reeleger e, consequentemente, prosseguir com sua agenda política, contrária à vida humana e à família. Da escolha de um candidato competitivo, com idéias claras e determinação política para o embate cultural depende a possibilidade de por um fim no processo em curso.

Disputam a vaga de candidato republicano Mitt Romney, Newt Gingrich, Ron Paul e Rick Santorum, segundo o número de delegados até agora alcançado. Pela primeira vez na história das primárias republicanas, três candidatos venceram nos três primeiros estados que já realizaram as primárias: Santorum em Iowa, Romney em New Hampshire e Gingrich em South Carolina.

Mitt Romney, que tem a preferência dos figurões do partido, foi governador de Massachusetts e é considerado um moderado. Até o momento, o candidato vem demonstrando maior capilaridade, mais capacidade de arrecadação de recursos e organização de campanha. Sua condição de mórmon, que lhe seria desfavorável, não rendeu a rejeição imaginada entre o eleitorado republicano; resta saber como seria vista pelo eleitor médio, aquele que se alterna entre os dois pólos, republicano e democrata. O mormonismo é uma seita mal vista e mal quista pela “América profunda”, protestante, e pela “nova América”, da imigração católica.


Newt Gingrich foi deputado republicano pelo estado da Georgia e speaker do Congresso americano. Adotou um discurso mais conservador que Romney e vem ameaçando sua liderança, até então considerada consagrada. Foi o favorito em South Carolina, amealhando os 25 delegados daquele estado. Tem a seu desfavor aos olhos do americano conservador o passado de múltiplos “casamentos”, em contradição com os padrões morais cristãos. De família luterana, posteriormente fez-se batista e, em 2009, converteu-se ao catolicismo. Aos críticos diz observar a disciplina católica relativa à moral conjugal e ter se tornado um marido fiel. Também no seu caso, a fé católica não tem sido um problema junto ao eleitorado republicano.

Ron Paul é deputado republicano pelo Texas. É um clássico liberal, ou um conservador para segundo o curioso léxico americano. Vem perdendo terreno para Rick Santorum, embora tenha anunciado que continuará na disputa. Oriundo de uma família luterana, Paul tornou-se batista.







Rick Santorum, deputado e senador pela Pennsylvania de 1991 a 2007, é o azarão. Na semana passada, com a correção do resultado do cáucus de Iowa, Santorum foi declarado o vencedor. É um conservador clássico, com posições claras em relação aos temas morais e culturais em jogo nesta eleição, embora não se distinga muito dos demais no que tange aos outros temas. Por assumir posições inequívocas tornou-se o alvo predileto dos grupos de pressão da esquerda americana, com a virulência dos ataques antes desferidos contra George Bush.

A questão religiosa pode parecer estranha ao eleitor brasileiro, mas nos Estados Unidos é levada sempre mais em consideração. Não a filiação propriamente dita -  se mórmon, protestante ou católico - mas se os princípios religiosos fundadores daquela nação sairão fortalecidos ou serão eliminados. Não custa lembrar que Obama fazia questão de se declarar cristão, sobretudo porque se desconfiava que fosse cripto-muçulmano.

Qualquer um dos quatro é infinitamente melhor que Obama. A questão é: qual deles tem mais chances de vencer o presidente atual? Obama é um mago na arte da comunicação, e conta com o poder mistificador da mídia americana, majoritariamente esquerdista. Se não tem qualidades, estas são inventadas; se tem defeitos, estes são escondidos. Mas o eleitor americano, a despeito da máquina midiática de fabricar ídolos entre os aliados e destruir reputações entre os adversários, costuma surpreender.

Romney parece ser a opção que mais agrada aos democratas. Obama bateria mais facilmente num adversário, sob certos aspectos, mais parecido com ele. Ron Paul é carta fora do baralho.

Já Gingrich tem musculatura política. Mais de vinte anos como congressista, speaker e com trânsito no partido, pode se tornar uma alternativa ao despreparado Barack Obama. Por seu turno, Santorum nisto se parece ao atual presidente. Jovem e sem a experiência política dos demais, tem, porém a seu favor o claro antagonismo com Obama.

Muitas primárias e cáucuses pela frente desestimulam os videntes de plantão. Torço para que os republicanos escolham, com espírito público, o candidato que possa derrotar o laureado com o igNobel da paz.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Não a uma Liturgia do Caminho Neocatecumenal


Confirmou-se a informação de Francisco de La Cigoña: o Santo Padre não aprovou as práticas litúrgicas heterodoxas dos neocatecumenais.

Noto alguma confusão nas publicações e comentários que li sobre o assunto. O que o neocatecumenato conseguiu da Santa Sé foi a aprovação de celebrações – chamadas “não-estritamente litúrgicas” pelo Papa – que fazem parte de um itinerário catequético, os “passos”. Embora não as conheça, penso que tais celebrações sejam uma espécie de RICA (Rito de Iniciação Cristã de Adultos) dos grupos neocatecumenais. Corrijam-me se me equivoco.

Outra coisa são as práticas propriamente litúrgicas ou desenvolvidas no interior da Santa Missa em oposição às leis litúrgicas universais. Entre os exemplos se poderiam citar: a celebração da Missa fora da igreja, mesmo havendo uma; o abandono do altar por uma simples mesa ao redor da qual todos se sentam; a substituição da homilia por “ressonâncias”; o modo de distribuição da Sagrada Comunhão aos fiéis sentados e a consumação concomitante da Hóstia Sagrada, seguida da consumação do Sangue Precioso diretamente do cálice. Há também toda uma “estética” litúrgica neocatecumenal que não tem paralelo na tradição da Igreja. Se há um paralelo, ele se encontra nas liturgias protestantes.

É provável que os neocatecumenais mantenham tais práticas, desafiando – como vêm fazendo há décadas – as claras proibições e advertências contidas nos documentos magisteriais recentes. Alguns dirão que não somente no Caminho, mas nas paróquias ao redor do mundo se fazem tais coisas e outras piores – o que ninguém pode desmentir. Outra coisa, entretanto, seria uma aprovação pontifícia de práticas que contrariam o espírito e a lei da Liturgia católica.

Nem tudo está perdido, entretanto, para o Caminho Neocatecumenal. Tiveram renovada a autorização para as Missas com pequenos grupos, no sábado à tarde, segundo os estágios catequéticos em que se encontram. Estas missas, multiplicadas pelo número de grupos e em separado, costumam ser motivo de grande oposição da parte de bispos e párocos alheios ao Caminho.

Demonstrando abertura e paciência pastoral, o Santo Padre lhes deu o placet, não sem lhes dar uma breve catequese sobre liturgia e vida paroquial.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

As "esquisitices" litúrgicas do caminho neocatecumenal


Relato um fato ocorrido não faz muito tempo.

Num encontro de bispos, os excelentíssimos prelados conversavam com informalidade sobre uma infinidade de temas quando um bispo tradicionalista – são tantos no mundo que se torna praticamente impossível identificá-lo – começou a discorrer sobre as “esquisitices” litúrgicas do Caminho Neocatecumenal.

Alguns de seus colegas ouviam a tudo com indisfarçável contrariedade, sem, entretanto contrariá-lo. Bispos educados não contrariam uns aos outros – na presença!

Tão logo o bispo que criticava a missa à la neocatecumenato deixou o grupo, um dos bispos contrariados com os comentários – fiel ao princípio de só contestar na ausência – emendou, arrancando risadas dos demais: “Vejam quem fala: quem celebra a missa antiga criticando as esquisitices dos outros”.

Pois é, meus amigos! Há quem considere a liturgia bimilenar da Igreja um amontoado de esquisitices. E pior: há quem julgue as práticas litúrgicas neocatecumenais meras esquisitices. Não é o caso do bispo tradicionalista; ele quis apenas ser elegante.

As missas neocatecumenais estão eivadas de práticas heterodoxas que refletem uma doutrina heterodoxa – também estou sendo elegante; o nome apropriado é outro.

Fiquei muito confortado em saber que o Santo Padre não haverá de sancionar tais práticas, como se ouvia dizer. Se a informação de Francisco de La Cigoña estiver correta (No, you can’t), as práticas litúrgicas neocatecumenais continuarão a ser o que são, ou seja, práticas ilícitas, não importando quem celebre suas missas, sejam cardeais, bispos ou sacerdotes.

A aprovação dos “ritos” neocatecumenais na missa andaria na contramão da reforma da reforma litúrgica posta em marcha pelo Papa Bento XVI, a quem muitos querem ver substituído por um mais camarada.

Devemos aguardar mais alguns dias para comemorar a vitória da Sagrada Liturgia, que nunca foi um amontoado de esquisitices, menos ainda a que nos foi legada pela tradição multissecular da Igreja.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Mensagem e Campanha de solidariedade do Bispo e da Diocese de Campos às vítimas das enchentes

Mensagem da Diocese de Campos às Vítimas das enchentes

Dom Roberto Francisco Ferrería Paz manifesta solidariedade às vítimas das enchentes na Região do Norte Fluminense, especialmente às famílias das Cidades que pertencem à Diocese.

O Apóstolo Paulo nos diz: “A Macedônia e a Acaia houveram por bem fazer uma coleta para os irmãos de Jerusalém que se acham em pobreza” (Rm 15, 26). Também nosso Bispo Dom Roberto Francisco convoca cada irmão e irmã de Boa Vontade a participar da Campanha para as Vítimas das enchentes doando, preferencialmente, água mineral. Maiores informações nas Paróquias.

Que neste momento de sofrimento por essas calamidades expressemos nossa cidadania e caridade fraterna amenizando a dor de tantas famílias com o auxilio da graça de Deus.

Que Deus abençoe a todos.

Mons. Dílson de Souza Gama
Vigário Geral

Campos dos Goytacazes, 07 de Janeiro de 2012.

                                                                                  ATENÇÃO
1. CADA PARÓQUIA ENCAMINHE AS DOAÇÕES PARA A CIDADE MAIS PRÓXIMA QUE FOI ATINGIDA PELAS ÁGUAS DA ENCHENTE.  E ENVIE PARA A PARÓQUIA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS – CAMPOS O VOLUME E O LOCAL DE ENTREGA DAS DOAÇÕES!!!

2. NA CIDADE DE CAMPOS, PE. PAULO HENRIQUES ESTÁ RESPONSÁVEL PARA ENVIAR AS DOAÇÕES AOS LUGARES QUE NECESSITAREM, POR ISSO OS PADRES ENVIEM AS DOAÇOES PARA A PARÓQUIA SANTO ANTÔNIO – GUARUS!!! NÃO ESQUECER DE ENVIAR O VOLUME DE DOAÇÕES ARRECADADAS.


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Novos Cardeais da Santa Igreja Romana

Eis os nomes dos novos Purpurados:

1. Dom FERNANDO FILONI, Prefeito da Congregação para Evangelização dos Povos;
2. Dom MANUEL MONTEIRO DE CASTRO, Penitenciário-Mor;
3. Dom SANTOS ABRIL Y CASTELLÓ, Arcipreste da Basílica Papal de Santa Maria Maior;
4. Dom ANTONIO MARIA VEGLIÒ, Presidente do Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes;
5. Dom GIUSEPPE BERTELLO, Presidente da Pontifícia Comissão para o Estado da Cidade do Vaticano e Presidente do Governadorato do mesmo Estado;
6. Dom FRANCESCO COCCOPALMERIO, Presidente do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos;
7. Dom JOÃO BRAZ DE AVIZ, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica;
8. Dom EDWIN FREDERIK O'BRIEN, Pró-Grão-Mestre da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém;
9. Dom DOMENICO CALCAGNO, Presidente da AAdministração do Patrimônio da Sé Apostólica;
10. Dom GIUSEPPE VERSALDI, Presidente da Prefeitura para os Assuntos Econômicos da Santa Sé;
11. Sua Beatitude GEORGE ALENCHERRY, Arcebispo-Maior de Ernakulam-Angamaly dos Siro-Malabares (Índia);
12. Dom THOMAS CHRISTOPHER COLLINS, Arcebispo de Toronto (Canadá);
13. Dom DOMINIK DUKA, Arcebispo de Praga (República Tcheca);
14. Dom WILLEM JACOBUS EIJK, Arcebispo de Utrecht (Países Baixos);
15. Dom GIUSEPPE BETORI, Arcebispo de Florença (Itália);
16. Dom TIMOTHY MICHAEL DOLAN, Arcebispo de New York (Estados Unidos da América);
17. Dom RAINER MARIA WOELKI, Arcebispo de Berlim (Alemanha);
18. Dom JOHN TONG HON, Bispo de Hong Kong (China);
19. Sua Beatitude LUCIAN MUREŞAN, Arcebispo-Maior de Făgăraş e Alba Júlia dos Romenos (Romênia);
20. Mons. JULIEN RIES, Sacerdote da Diocese de Namur e Professore emérito de história das religiões na Universidade Católica de Louvain;
21. Pe. PROSPER GRECH, O.S.A., Docente emérito de várias Universidades romanas e consultor da Congregação para a Doutrina da Fé;
22. Pe. KARL BECKER, S.J, Docente emérito  da Pontifícia Universidade Gregoriana, por longos anos consultor da Congregação para a Doutrina da Fé.

Fonte: Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Perseguição aos cristãos em 2011 - Top 50 (2)

A organização internacional Portas Abertas publicou a lista dos países em que os cristãos foram mais perseguidos em 2011. Encabeçada por um país comunista, a Coreia do Norte, a lista revela, entretanto, que os maiores algozes do cristianismo têm sido os países islâmicos. Somente dois países latinoamericanos freqüentam a lista, Colômbia e Cuba, por razões diversas. A lista ainda não contempla o tipo de perseguição que se verifica nos países ocidentais, a de matriz secularista.


Vamos à segunda parte da lista:

26º Líbia – muçulmano
Ainda que a Líbia seja um Estado laico, seus líderes prestam grande respeito ao islamismo, conferindo-lhe papel ideológico na sociedade. O governo exige respeito às normas e tradições muçulmanas e a submissão de todas as leis à sharia (lei islâmica). O governo proíbe a conversão de muçulmanos e, por isso, a atividade missionária. Apenas os estrangeiros podem se reunir, contudo são monitorados. Assim, os líbios não participam desses cultos por medo de ser vigiados, delatados, presos e até mesmo assassinados. Os cristãos são pouco mais de 2% numa população de 6 milhões e 500 mil.
27º Omã – muçulmano
O governo declara o islamismo como a religião oficial do país e a Sharia (lei islâmica) como base de sua legislação. A religião está descrita na certidão de nascimento dos cidadãos omanis. A liberdade religiosa é amplamente assegurada aos profissionais estrangeiros que vivem no país. Infelizmente, a evangelização de muçulmanos é estritamente proibida. Além disso, os omanis não podem assistir aos cultos cristãos e são proibidos de se converter a outras religiões. Os cristãos são 2,5% numa população de 3 milhões.
28º Brunei – muçulmano
A Constituição estabelece que "A religião oficial do Brunei Darussalam é a muçulmana de acordo com a seita Shafi'i dessa religião”. O governo proibiu a importação de materiais de ensino religiosos, ou livros sagrados como a Bíblia, negando permissão para a criação ou construção de igrejas, templos ou santuários. Ao mesmo tempo, a maioria dos padres e freiras católicos foi expulsa e nenhum cristão professa publicamente a sua fé. Os cristãos preferem manter-se no anonimato, temendo por suas vidas. Os cristãos são 10% numa população de 407 mil.
29º Marrocos – muçulmano
A constituição marroquina assegura liberdade de religião e, embora o islamismo seja a religião oficial do país, os estrangeiros podem praticar livremente sua fé. Eles frequentam cultos religiosos sem quaisquer restrições ou temor de represálias. Qualquer tentativa para converter um muçulmano é ilegal. Os cristãos são 1,1% numa população de 32 milhões.
30º Kuwait – muçulmano
A Constituição de 1962 estabelece o islamismo como religião oficial do Estado e utiliza a sharia (lei islâmica) como principal base de sua legislação: há leis contra a blasfêmia, apostasia e evangelização de muçulmanos. No entanto, o texto também assegura a liberdade e a livre prática religiosa. O governo não permite conversões de muçulmanos a outras religiões. Quando isso acontece, é de forma muito discreta. Se a conversão é descoberta, o indivíduo encontra hostilidade: perde o emprego, sofre danos em sua propriedade, é intimado repetidas vezes à delegacia, preso, abusado física e verbalmente, monitorado pela polícia. Os cristãos são 15% numa população de 3 milhões.
31º Turquia – muçulmano
A Constituição garante liberdade religiosa e, geralmente, o governo respeita esse direito na prática. Ainda que o proselitismo seja legal no país, muçulmanos, cristãos e baha'is enfrentam algumas restrições e prisões ocasionais sob a acusação de praticá-lo ou de praticar reuniões não autorizadas. Os cristãos são 0,2% numa população de 79 milhões.
32º Índia
A tensão entre hindus, siques, muçulmanos e cristãos é grande. Há muitos relatos de ataques a igrejas, raptos, detenção e intimidação feitos por extremistas hindus. Essas ações são particularmente dirigidas aos líderes das igrejas. Oito estados têm leis anticonversão, que impedem a conversão de hindus ao cristianismo. Os cristãos formam 2,3% (cerca de 24 milhões de fiéis) numa população de 1 bilhão e 200 milhões.
33º Mianmar – budista
Os cristãos das áreas rurais são perseguidos com frequência pelos governantes, que se alinham com poderosos grupos budistas e tentam utilizar a religião como forma de controlar a população local. No país, diferentes grupos étnicos se utilizam da religião com o propósito de atacar pessoas de outras etnias. Os cristãos são 4% numa população de 54 milhões.
34º Tadjiquistão – muçulmano
A constituição do país prevê a liberdade religiosa, mas outras leis e algumas medidas políticas colocadas em prática pelo governo impõem restrições. O cristianismo enfrenta oposição por parte dos muçulmanos. A difusão do islamismo tem o apoio da propaganda iraniana e, ocasionalmente, dos soldados afegãos. Há inúmeros casos de tadjiques que abraçaram o cristianismo e enfrentaram forte oposição de suas próprias famílias. Os cristãos são 10% numa população de 7 milhões.
35º Tunísia – muçulmano
A constituição prevê a liberdade e prática de ritos religiosos, mas determina o islamismo como a religião oficial do Estado. É estritamente proibido o proselitismo entre os muçulmanos; os muçulmanos que se convertem a outras religiões enfrentam o ostracismo e a exclusão social. A maioria dos cristãos existentes no país hoje é composta de católicos franceses e refugiados libaneses; já os cristãos tunisianos somam uma parcela muito diminuta da população. Os cristãos são aproximadamente 25 mil (2,5%) numa população de 10 milhões e 500 mil.
36º Síria – muçulmano
A Constituição garante liberdade religiosa. É normal que as cerimônias religiosas sejam anunciadas pelo toque dos sinos, alto-falantes podem ser usados para que os cultos sejam ouvidos nas ruas e as lojas cristãs podem fechar aos domingos. As igrejas registradas no governo são respeitadas na sociedade e sua situação é bem aceitável.
Mas, se por um lado, o governo está aberto ao cristianismo e às igrejas, por outro, possui laços com grupos fundamentalistas que são contrários aos cristãos. Atualmente existem mais de dois milhões de cristãos no país, correspondendo a 10% numa população de 22 milhões. A maior igreja do país é a Igreja Ortodoxa Grega de Antioquia.
37º Emirados Árabes Unidos – muçulmano
A Constituição prevê liberdade religiosa; no entanto, há algumas restrições. O islamismo é a religião oficial dos sete emirados. As igrejas não têm permissão para exibir uma cruz ou colocar sinos fora de sua propriedade. Entretanto, o governo não interfere no terreno que a igreja ocupa. As congregações aceitam convertidos de todas as religiões, exceto do islamismo, porque a lei não reconhece e nem permite conversão de muçulmanos a outra crença. Praticamente todos os cristãos são estrangeiros, 9% numa população de 5 milhões.
38º Etiópia
A constituição prevê a liberdade de religião, tendo outras leis e políticas contribuído para a prática livre da religião em geral.  O governo de modo geral respeita a liberdade religiosa na prática, no entanto, ocasionalmente algumas autoridades infringem esse direito. Tensões localizadas entre as comunidades muçulmana e cristã resultaram em alguns episódios violentos. Através de vários programas cívicos, o governo tentou combater a violência sectária. Os cristãos são 61% numa população de 85 milhões.
39º Djibuti – muçulmano
Embora haja liberdade religiosa e de evangelização, esta última não é encorajada: é estritamente proibido pregar para muçulmanos. Os que se convertem ao cristianismo enfrentam pressões sociais. A maioria dos cristãos constitui-se de trabalhadores estrangeiros. Um pequeno número de grupos missionários estrangeiros opera no país. Os cristãos são 6% numa população de 880 mil.
40º Jordânia – muçulmano
Na constituição do país, o Islamismo consta como religião oficial, mas garante o livre exercício de outras crenças e proíbe a discriminação religiosa. Membros de grupos religiosos não-registrados e ex-muçulmanos sofrem discriminação legal e correm o risco de perder seus direitos civis. Alguns indivíduos, e até famílias inteiras, têm sido ameaçados. Quando um muçulmano se converte ao cristianismo, o ato não é legalmente reconhecido pelas autoridades. Como o cristianismo é uma religião reconhecida e os não-muçulmanos podem professar e praticar a fé cristã, as igrejas devem receber reconhecimento legal do governo. Os cristãos são 6% numa população de 6 milhões e 500 mil.
41º Cuba – comunista
A Constituição reconhece o direito dos cidadãos a professar e praticar qualquer crença religiosa, no entanto, na lei e na prática, o governo impõe restrições à liberdade de religião. O governo cubano permite o casamento religioso, mas somente após o casal ter completado um ano de casamento no civil. Bíblias e outras literaturas cristãs só podem ser importadas e distribuídas por grupos religiosos registrados e monitorados pelo governo cubano. O governo também não permite o ensino religioso nas escolas públicas. Na prática, no entanto, há severas restrições às reuniões, à evangelização nas ruas e à construção de igrejas. Pastores são detidos e presos, informantes se infiltram nas igrejas e a discriminação é constante. Em 1992, uma emenda à Constituição mudou a natureza do Estado cubano de ateísta para laico, permitindo que cristãos pudessem se filiar ao Partido Comunista Cubano. Isto, no entanto, ainda está para acontecer. Membros devotos protestantes e católicos enfrentam, de maneira geral, intensa oposição e perseguição das autoridades. Cubanos que defendem questões de direitos humanos frequentemente são visados e muitos têm sido presos. Os cristãos são 91% numa população de 11 milhões e 200 mil.
42º Bielorrússia
A liberdade de culto, expressão e reunião é limitada. Há muito preconceito contra os protestantes por considerarem uma religião norte-americana. Os cristãos são 96% numa população de 9 milhões e 500 mil. Desta 74% são ortodoxos, 17% católicos e 5% protestantes.
43º Indonésia – muçulmano
A Constituição reconhece a liberdade religiosa e o governo geralmente a respeita. Igrejas podem ser edificadas e escolas podem ter cursos cristãos no currículo. Até alguns feriados cristãos são celebrados nacionalmente. Entretanto, existe um claro favorecimento aos muçulmanos. Na posição de país com a maior população islâmica do mundo, as autoridades se veem obrigadas a atender aos desejos das entidades e líderes islâmicos. Alguns desses líderes usam de meios legais para oprimir a Igreja. Isso fez com que várias congregações fossem fechadas. Há uma lei que diz que, se a comunidade se opõe a uma igreja, esta pode ser fechada. Os cristãos são 16% numa população de 246 milhões.
44º Territórios Palestinos – muçulmano
A perseguição que os cristãos sofrem na Palestina se deve mais à guerra e ao aumento do radicalismo islâmico por grupos como o Hamas. A Autoridade Nacional Palestina não possui Constituição, mas a Lei Básica respeita a existência de outros grupos religiosos. Contudo, a Lei Básica afirma que o islamismo é a religião oficial e que os princípios da sharia (lei islâmica) devem ser a principal fonte da legislação. Os cristãos são 8% numa população de 8 milhões.
45º Cazaquistão – muçulmano
A constituição prevê a liberdade de religião, mas as leis do governo sobre religião limitam a proteção legal da liberdade religiosa. Existe também a pressão da sociedade: para os cazaques, abraçar o cristianismo significa perder a identidade nacional. Aproximadamente 65% da população professa a fé islâmica. Os russos, que representam aproximadamente 24% da população, e etnias menores de ucranianos e bielorrussos, são cristãos ortodoxos de tradição russa. Estima-se que 1,3% da população alemã do país seja de católicos romanos ou luteranos. As autoridades oprimem a Igreja de diversas formas. Os cristãos protestantes sofrem mais que os outros, pois o governo desestimula a associação a grupos religiosos não-tradicionais (como a Igreja católica e a ortodoxa). Muitos consideram os cristãos protestantes como membros de grupos não-tradicionais. Os cristãos são 30% numa população de 16 milhões.
46º Barein – muçulmano
Os cristãos sofrem muito preconceito no país. O culto é permitido, mas não é possível evangelizar muçulmanos. Os cristãos são 9% numa população de 1 milhão e 200 mil pessoas.
47º Colômbia
A igreja evangélica da Colômbia é formada por cinco milhões de membros, dos quais 20%, um milhão, são perseguidos. Quinhentos mil cristãos perseguidos vivem entre os desalojados (campos de refugiados ou abrigos), em extrema pobreza. Os outros 500 mil vivem em áreas de conflito controladas pelos grupos armados ilegais. Estatísticas do Conselho Evangélico de Igrejas da Colômbia indicam que mais de 400 igrejas já foram fechadas e cerca de 150 pastores foram assassinados pelos subversivos desde 1998. Após o fracasso dos acordos de paz entre governo e guerrilhas, os rebeldes se recusaram a sair da região. As igrejas continuaram fechadas e a pregação do evangelho, restrita. Diversas pessoas passaram a cooperar com os grupos subversivos. Os cristãos são 98% numa população de 46 milhões.
48º Quirquistão – muçulmano
Embora a Constituição do país garanta liberdade religiosa aos cidadãos, há cada vez mais restrições à liberdade de se reunir e se expressar. O governo não apóia oficialmente nenhuma religião. No entanto, de acordo com um decreto de maio de 2006, o islamismo e a Igreja Ortodoxa Russa foram reconhecidos como “grupos religiosos tradicionais”. Os cristãos são 20% numa população de 5 milhões e 400 mil.
49º Bangladesh – muçulmano
A Constituição estabelece o Islã como religião oficial do Estado. Prevê-se o direito de professar, praticar ou propagar todas as religiões, sujeito à lei, à ordem pública e à moralidade. A constituição também afirma que cada comunidade religiosa ou denominação tem o direito de estabelecer, manter e gerir as suas instituições religiosas. Embora o governo tenha apoiado publicamente a liberdade de religião, os ataques a minorias religiosas e étnicas continuam a ser um problema. Os cristãos são 0,3% numa população de 165 milhões.
50º Malásia – muçulmano
A constituição do país prevê liberdade religiosa, mas concede aos governos federal e estadual o poder de “controlar e ou restringir a propagação de qualquer doutrina ou crença religiosa entre os muçulmanos”. Além disso, a constituição predefine todos os cidadãos malaios como muçulmanos. A população respira certa liberdade política, embora esta liberdade seja gozada mais pelos muçulmanos do que por outros grupos. A legislação malaia proíbe que um muçulmano se converta a outra religião. Os cristãos são 9,1% numa população de 29 milhões.

Perseguição aos cristãos em 2011 - Top 50 (1)



A organização internacional Portas Abertas publicou a lista dos países em que os cristãos foram mais perseguidos em 2011. Encabeçada por um país comunista, a Coreia do Norte, a lista revela, entretanto, que os maiores algozes do cristianismo têm sido os países islâmicos. Somente dois países latinoamericanos freqüentam a lista, Colômbia e Cuba, por razões diversas. A lista ainda não contempla o tipo de perseguição que se verifica nos países ocidentais, a de matriz secularista.



Vamos à primeira parte da lista:

1º Coreia do Norte – comunista
Local no planeta onde ser cristão é mais difícil. Os cristãos são presos, torturados e mortos. No entanto, a Igreja está crescendo: há cerca de 400.000 cristãos no país. População: 24 milhões e 500 mil.
2º Afeganistão – muçulmano
Os cristãos que falam sobre sua fé enfrentam violência e ameaças de morte. Mas apesar de todos os perigos, o cristianismo continua a crescer: ainda são 0,01% da população de 30 milhões.
3º Arábia Saudita – muçulmano
A liberdade religiosa não existe nesse reino islâmico. Todos os envolvidos em reuniões religiosas não muçulmanas podem ser presos, deportados ou torturados. Numa população de 28 milhões, os cristãos contam poucos milhares, a maioria de estrangeiros.
4º Somália - muçulmano
Os poucos cristãos são fortemente perseguidos, e devem praticar sua fé em segredo. Alguns foram forçados a fugir para viver em outros países. Há pouco mais de 1 mil cristãos numa população de 9 milhões.
5º Irã – muçulmano
Os cristãos relatam violência física, ameaças e discriminação por causa de sua fé. Muitos cultos têm sido monitorados pela polícia secreta. Os cristãos são 0,4% numa população de 78 milhões.
6º Maldivas – muçulmano
Todos os cidadãos devem ser muçulmanos, e qualquer outra religião é proibida. Os cristãos são discriminados pelo governo e sociedade. Não é permitido construir igrejas ou importar materiais religiosos. Numa população de 400 mil, apenas trabalhadores estrangeiros são cristãos.
7º Uzbequistão – muçulmano
Cristãos têm suas casas invadidas, materiais cristãos são confiscados. Muitos líderes foram interrogados e agredidos pela polícia. Ainda assim, a Igreja continua a crescer. Os cristãos já somam 9% numa população de 28 milhões.
8º Iêmen – muçulmano
Em um dos países menos evangelizados no mundo, os cidadãos não podem mudar de religião. Os que se convertem ao cristianismo enfrentam oposição e possível pena de morte. Os cristãos são apenas 0,01% numa população de 24 milhões.
9º Iraque – muçulmano
A perseguição não se dá de forma sistemática. No entanto, quase todos os grupos independentes (alheios ao governo) se posicionam contra a minoria cristã. Há conversão forçada ao islã, sequestros e vandalismo nas igrejas. Os cristãos são 3% em 28 milhões de habitantes.
10º Paquistão – muçulmano
Grupos extremistas incitam o ódio contra os cristãos, o que resulta em prisões, agressões, sequestros, estupros e ataques a casas e igrejas. Os cristãos são 2,5% numa população de 170 milhões.
11º Eritreia
Mais de 2.800 cristãos estão na prisão, e seus familiares não têm notícias deles há meses e anos. O governo exige que os grupos religiosos se registrem, mas não aprova nenhum registro, desde 2002, além dos quatro principais grupos religiosos: a Igreja Ortodoxa da Eritreia, a Igreja (luterana) Evangélica da Eritreia, o Islã e a Igreja Católica Romana. Os demais grupos religiosos não têm permissão para se reunir ou atuar livremente no país e quando o fazem são perseguidos. Os cristãos somam 45% numa população de 6 milhões.
12º Laos – comunista
Todos os cristãos estão sob vigilância e as atividades da Igreja são limitadas. Os cristãos são 1,5% numa população de 7 milhões.
13º Nigéria
Constitucionalmente, a Nigéria é um Estado laico com liberdade religiosa. Durante quase 40 anos, o governo no norte deu tratamento preferencial a muçulmanos, discriminando os cristãos. Pouco foi feito para pôr um fim à perseguição e, como resultado, muitas igrejas foram queimadas e cristãos, mortos. Os cristãos são 40% numa população de 155 milhões.
14º Mauritânia – muçulmano
Não há igreja liderada por mauritanos. Os cristãos do país não conhecem muito do cristianismo e têm princípios bastante influenciados pelo islamismo. Há missionários no país, mas todos eles estão envolvidos com o trabalho de ONGs, ou possuem um emprego secular para garantir seu sustento. Os cristãos não chegam a 1% numa população de 3 milhões e 500 mil.
15º Egito – muçulmano
O cristianismo abrange em torno de 11% da população egípcia de 85 milhões, sendo considerada a maior população cristã nos países árabes. Sua participação percentual está crescendo lentamente, em função dos nascimentos em lares cristãos. A cada ano, o contingente cristão sofre baixas devido à emigração e à conversão ao islamismo.
16º Sudão – muçulmano
Desde a divisão do país, tornou-se majoritariamente muçulmano, pois a população cristã se concentra no sul. Os cristãos são hoje 3% numa população de 30 milhões.
17º Butão – budista
Os cristãos são forçados a se reunir secretamente. Aqueles que se convertem ao cristianismo enfrentam oposição da família e da comunidade. Os cristãos são apenas 1,4% em 708 mil habitantes.
18º Turcomenistão – muçulmano
Os cristãos são presos e multados. Casas e locais de culto sem registro são invadidos pela polícia. Apesar de tudo isso, a Igreja continua a crescer. Os cristãos – na maioria ortodoxos – são 9% numa população de 5 milhões.
19º Vietnã – comunista
A igreja vietnamita ocupa uma posição minoritária, abrangendo cerca de 7 milhões de pessoas ou 8% numa população de 90 milhões. Desse total, seis milhões são católicos, enquanto a maior parte dos protestantes pertence às minorias étnicas tribais. A constituição do país prevê liberdade religiosa, mas na verdade o governo restringe algumas atividades. Embora ainda persistam certas restrições às liberdades individuais, a nação tem aumentado gradualmente suas relações com o resto do mundo.
20º Chechênia – muçulmano
A Chechênia é a única “província” (a Rússia não reconhece o Estado Checheno) muçulmana no Cáucaso. Organizações islâmicas políticas e religiosas pressionam a sociedade para aderir à fé muçulmana. Elas implementam as suas próprias leis em um “país” onde a autoridade do governo central é favorável ao islamismo. Numa população de 1 milhão e 200 mil, poucos milhares são cristãos.
21º China – comunista
Os cristãos são 11% numa população de 1 bilhão e 350 milhões de habitantes. O governo procura controlar a religião através de “associações patrióticas” e persegue os que não se submetem a seu controle.
22º Qatar – muçulmano
Abandonar o islamismo é considerado apostasia e aqueles que se convertem ao cristianismo enfrentam perseguição severa. Os cristãos são 8,5% numa população de 1 milhão e 500 mil.
23º Argélia – muçulmano
Cerca de um terço dos cristãos da Argélia é estrangeiro. Apesar de haver milhares de cristãos argelinos, eles representam menos que 0,5% numa população de 35 milhões e organizam cultos em reuniões secretas nos lares.
24º Comores – muçulmano
A constituição do país prevê liberdade religiosa, mas o código penal proíbe de forma estrita o proselitismo de outras religiões que não o islamismo. Os líderes cristãos africanos dizem que Comores é a região do mundo mais difícil para se evangelizar, e quem for pego evangelizando pode ser preso e multado. Os cristãos são discriminados em todos os setores da sociedade, mas não há restrições quanto à prática religiosa particular. Os cristãos são 2% numa população de 800 mil.
25º Azerbaijão – muçulmano
Alarmadas com o crescimento da Igreja, as autoridades aumentaram a pressão sobre os cristãos. Os cristãos são 5% numa população de 9 milhões.


Segunda parte da lista 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Caucus em Iowa - a surpresa chamada Rick Santorum

Acompanho o processo político eleitoral americano por duas razões: primeiramente em razão de conduzir à presidência global de fato, com conseqüências sentidas nos Bálcãs e no Burundi, na China e no Brasil; em segundo lugar, porque é um dos processos eleitorais mais complicados, demorados, criativos e, às vezes, divertidos a que se pode assistir.

O Partido Republicano (Grand Old Party) deu início ao processo de escolha de seu candidato para as eleições presidenciais de 2012. O presidente Barack “Abortion” Obama será candidato à reeleição pelo Partido Democrata evidentemente.

Ontem foi realizada a primeiríssima primária no estado de Iowa, no centro norte do país. O mórmon Mitt Romney sagrou-se simbolicamente vencedor no “cáucus” (24,6%). Como pela legislação da seção republicana no estado, os 25 delegados à convenção republicana serão distribuídos proporcionalmente à porcentagem de votos obtidos. Aqui entra uma agradável surpresa.

O segundo colocado, com apenas oito votos a menos foi o católico Rick Santorum, 53 anos e senador pela Pennsylvania, cuja campanha ganha um novo fôlego com a inesperada votação (24,5%) – as últimas pesquisas lhe davam no máximo um terceiro lugar com 18% dos votos. Mesmo os mais gabaritados especialistas em eleições americanas reconhecem que é muito cedo para projeções confiáveis, afinal o “presidenciável” precisará de 1144 delegados, os quais nem sempre atuam previsivelmente.

No próximo dia 10, o estado de New Hampshire, na costa leste, realizará suas primárias, também elas proporcionais, para a escolha de 12 delegados à convenção. As últimas pesquisas dão 43% para Romney e, em quinto lugar, apenas 5% para Rick Santorum.


Espero que tenhamos ocasião de falar bastante de Rick Santorum nos próximos meses. Não por ser católico, mas pela clarividência demonstrada em relação à guerra cultural que se trava no Ocidente. Há políticos católicos péssimos e protestantes excelentes nos Estados Unidos.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Arcebispo pretende vender paço episcopal

Philly.com antecipa a notícia, que se tornará pública dentro de poucos dias, de que o novo arcebispo de Philadelphia, Dom Charles Chaput, decidiu vender a residência episcopal e se mudar para uma casa mais modesta. O mesmo Dom Chaput havia se desfeito da residência episcopal de Denver e passado a viver no seminário diocesano.

A razão apresentada pelo arcebispo para se desfazer do patrimônio é que a arquidiocese de Philadelphia deverá vender edifícios paroquiais e escolas no futuro próximo e que, neste caso, manter o palácio “baronal” causaria ainda mais dissabor aos fiéis.

Compreendo as razões do arcebispo, afinal, qual bispo gostaria de fechar paróquias e escolas edificadas pelos antepassados com tanto sacrifício? Por outro lado, como não se perguntar a razão de se ter chegado a tal estado de coisas? As paróquias e escolas foram construídas e mantidas em tempos bem mais difíceis e numa época em que os católicos eram uma minoria insignificante no cenário americano.

Há também um aspecto simbólico na decisão do bispo, uma vez que o valor apurado com a venda não resolverá os problemas financeiros da arquidiocese. Tal decisão servirá somente para diminuir um patrimônio, também ele símbolo dos anos de glória dos fundadores do catolicismo no país.

Outra questão emergente é o crescente peso das despesas com “burocracia” eclesial nas dioceses americanas, muitas delas verdadeiras “agências” pastorais, com estrutura e funcionários mantidos com os alegados “parcos” recursos.

Não estou aqui discutindo a situação particular da Philadelphia, que desconheço, mas a questão em si. Vejam alguns exemplos da situação brasileira, bem menos confortável financeiramente do que a americana, para ilustrar a questão.

O Cardeal Arns, então arcebispo de São Paulo, vendeu o antigo palácio episcopal alegando que os recursos supervenientes seriam usados para atender às necessidades pastorais da arquidiocese – e suponho que o foram de fato. Pergunto-me: não teria hoje a arquidiocese de São Paulo outras necessidades pastorais a atender? E não tem de satisfazê-las sem abrir mão de mais patrimônio? E se hoje pode encontrar outras fontes de recursos, como não poderia tê-las encontrado antes?

O arcebispo do Rio na mesma época, Cardeal Eugênio Salles, e os seus sucessores não se desfizeram nem do Palácio São Joaquim – residência oficial do arcebispo – nem da residência do Sumaré, onde vive atualmente Dom Eugênio. Ora, a arquidiocese do Rio tinha e tem as mesmas necessidades pastorais de São Paulo e procura os recursos para atendê-las agora, como procurava à época. Não somente não vendeu o patrimônio, como construiu naquele tempo o Edifício João Paulo II que atende a uma gama variada de atividades apostólicas e abriga a cúria metropolitana.


Aqui mesmo em Campos, Dom Roberto Guimarães se viu diante da necessidade de se desfazer do Colégio Eucarístico diocesano. Eram tantas as dívidas, inclusive com os professores, e tal a perda de credibilidade do antigo colégio, que a venda parecia um imperativo. Dom Roberto se mostrou irredutível e confiou o colégio a um padre competente que, não somente liquidou as dívidas, como reconquistou a credibilidade do colégio. Imaginem se tivesse vendido o simples paço episcopal para resolver mais facilmente um problema emergencial?


Sem pretender polemizar a questão, parece-me em tese uma solução que se levada ao extremo não deixaria “pedra sobre pedra” e mereceria um juízo impiedoso das gerações futuras. 


domingo, 1 de janeiro de 2012

Criado o Ordinariato Pessoal da Cátedra de São Pedro nos Estados Unidos


O Papa Bento XVI criou no primeiro dia do ano o Ordinariato Pessoal da Cátedra de São Pedro (Personal Ordinariate of the Chair of St. Peter) nos Estados Unidos da América para os fiéis convertidos do anglicanismo. Nomeou no mesmo dia o Rev. Jeffrey N. Steenson como primeiro Ordinário.


Mons. Steenson é ele próprio um convertido da Igreja Episcopal (Anglicana) dos Estados Unidos, tendo sido padre anglicano por 24 anos e bispo anglicano da diocese de Rio Grande (New Mexico) por 3 anos. Em 2007 foi recebido na Igreja Católica e em 2009 recebeu o sacerdócio. Tem 59 anos, é casado, tem 3 filhos adultos e um neto. Tomará posse canônica no dia 19 de fevereiro de 2012. Mons. Steenson é, ipso facto, membro pleno da conferência dos bispos dos Estados Unidos e, ao que parece, já teria recebido autorização da Santa Sé para usar as insígnias episcopais.


O segundo Ordinariato do mundo (o primeiro é o Ordinariato de Nossa Senhora de Walsingham na Grã-Bretanha) já nasce com uma pequena, mas fundamental, estrutura. Além do Ordinário, conta com um vigário-geral (Canon to the Ordinary, na terminologia anglicana) e uma Igreja Principal.

O vigário-geral é o Mons. Scott Hurd, também um padre anglicano convertido e ordenado sacerdote católico, é incardinado na Arquidiocese de Washington e serviu de liaison do comitê para aplicação da Anglicanorum Coetibus nos Estados Unidos.

A Igreja Principal é a Igreja e Santuário de Nossa Senhora de Walsingham (Church and Shrine of Our Lady of Walsingham) em Houston no Texas, onde funcionará também a Cúria do Ordinariato. A padroeira do Ordinariato é a Santíssima Virgem Maria, sob a invocação de Nossa Senhora de Walsingham, o que associa também simbolicamente o Ordinariato americano a seu congênere britânico.


Nos próximos meses as já existentes paróquias de Uso Anglicano serão transferidas de suas dioceses para a jurisdição do Ordinariato, demais paróquias e grupos de fiéis serão recebidos formalmente e os candidatos as Ordens Sagradas começarão seu processo de formação que culminará na ordenação sacerdotal. A “primeira onda” de convertidos conta com 22 grupos (cerca de 1400 fiéis) e mais de cem padres anglicanos.

O Ordinariato americano já conta com um site (http://www.usordinariate.org/).
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...