"Oblatus est, quia ipse voluit, et peccata nostra ipse portavit!"

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Artigo polêmico põe Dom Odilo na campanha em São Paulo


Saio do meu silêncio, digo, do silêncio a que submeti o blog para dar uma opinião “eclesialmente incorreta”: discordo de Dom Odilo e concordo juxta modum com o “pastor” e político dos Estúdios Universal e do PRB de São Paulo, Marcos Pereira.

O polêmico artigo de Pereira, intitulado Qual o futuro da educação no Brasil?, é uma peça confusa em que o autor passa de uma tese a outra, sem estabelecer adequadamente uma relação entre elas.

Penso que o dublê de político e pastor, que também tem diploma jurídico (o que em certa medida revela que a educação no Brasil não só carece de futuro como já manca no presente), errou no começo e acertou no fim. Erra onde mira e acerta onde não quer.

O alvo do pastor é a Igreja de Roma. Sua tese estapafúrdia é que os “poderosos de púrpura de Roma” controlam a educação no Brasil. Pretende, assim, atribuir a responsabilidade pelo “kit gay” do ministério da Educação à Igreja Católica.

Se mirou em Roma, errou flagrantemente. As posições da Igreja Católica são assaz conhecidas e, por isso, combatidas pela elite bem-pensante do Brasil e do mundo. As “púrpuras de Roma” não conseguem influenciar sequer as instituições de ensino mantidas pela Igreja Católica no Brasil. Qualquer pesquisador isento verá que se dá exatamente o contrário nas “pucs” e nos colégios de “freirinhas”: são as púrpuras do “PT”, partidos filiais, movimentos sociais e ONGs que detêm o controle das mentes dos alunos das instituições católicas no país.

Acertou, porém, onde certamente não pretendia. Há uma parcela do episcopado (não excluídos os purpurados) e do clero católico que, de fato, tem responsabilidade por esta e por outras políticas dos governos do PT. E, neste sentido, a “Católica” e a “Universal” se confraternizam. O bispo de São Carlos, por exemplo, e o bispo Edir Macedo celebram a mesma liturgia, o mesmo culto e pregam o mesmo evangelho.

Edir Macedo, patrão de Marcos Maia, é tão responsável pelas políticas do PT quanto Cláudio Hummes, para citar um purpurado. Mas este purpurado não é de Roma, embora lá tenha vivido e trabalhado por algum tempo.

Era previsível que Dom Odilo Scherer se pronunciasse em defesa da Igreja Católica. Vejo, porém, dois vícios na nota de repúdio do arcebispo.

O primeiro é a não admissão dos atos de seus predecessores. Quem em sã consciência poderia negar o papel de Arns e Hummes na gênese do PT e na sua ascensão ao poder? Estes purpurados, “brasileiríssimos”, vestem perfeitamente o figurino desenhado por Marcos Maia. Dom Odilo bem que poderia convocar os católicos a não repetir o erro do passado e dar um basta às pretensões do PT de dominar a capital do capital nacional.


Mas como faria isto, se a nota de repúdio servirá exatamente para fortalecer este mesmo partido com o qual a arquidiocese de São Paulo mantém relações estreitíssimas, se não mais no topo purpúreo, certamente no baixo clero? Eis o outro vício da nota de Dom Odilo: terá utilidade eleitoral para o PT e assim confirmará a tese do pastor, a qual pretendia repudiar.

Mais eu poderia escrever sobre o tema, mas me limito ao que vai acima para não ferir ainda mais certas sensibilidades.

12 comentários:

Daniel disse...

Padre, fico feliz que tenha saído de vosso silêncio. Seus inteligentes comentários estavam fazendo falta.

Em Cristo,

Anônimo disse...

Daniel você tem toda razão. As postagem do padre nos faz muita falta. Além de ser um ótimo instrumento para leitura, também é um baú de muita sabedoria.Padre que o senhor continue postando todos os dias, não deixe que o desânimo te ponha em silêncio. Precisamos muito das tuas palavras e textos para entedndermos melhor o que se pssa na nossa igreja.

Anônimo disse...

"Dom" Odilo como sempre morníssimo.

Alexandre Carvalho disse...

Você fala como um "protestante tradicionalista", por que não se junta a FSSPX?

Aprenda algumas lições com o teólogo Marcos Lemos:

Não se prega publicamente contra a própria Igreja.

Um padre não pode pregar abertamente sobre suas crenças pessoais, por mais devotas e por maior respaldo que encontre na comunidade. Somente a Doutrina de Fé pode ser objeto da pregação de um sacerdote.

Um presbítero católico, deve sua total obediência ao Bispo e à Igreja, onde seus anseios pessoais e críticas à estrutura da Igreja ou a qualquer parte, só podem ser tratados em foro íntimo diretamente com seu Bispo e nunca de forma pública.

Tal atitude coloca o povo em dúvida quanto à autoridade dos outro clérigos em suas comunidades.

A imagem da Igreja precisa ser resguardada e protegida contra atitudes desse tipo que fazem parecer fragilidade e descontrole por parte da instituição que coloca a Igreja em posição vexatória frente à sociedade.

Não se deve, padre algum, fazer uso da palavra para orientar eleitoralmente os fieis. Pode-se pregar sobre política, mas sem nenhuma definição partidária.

O pecado mais grave de um sacerdote católico é a desobediência. Um bom padre nunca se colocaria contra o próprio clero abertamente e de forma público. O pastor deve defender sua Igreja a todo custo, resguardar sua imagem e, caso perceba problemas, reportar-se diretamente a seu Bispo. É o Bispo quem tem poder e autoridade para corrigir o clero a ele confiado.



alexandre_cgr@hotmail.com disse...

Você fala como um "protestante tradicionalista", por que não se junta a FSSPX?

Aprenda algumas lições com o teólogo Marcos Lemos:

Não se prega publicamente contra a própria Igreja.

Um padre não pode pregar abertamente sobre suas crenças pessoais, por mais devotas e por maior respaldo que encontre na comunidade. Somente a Doutrina de Fé pode ser objeto da pregação de um sacerdote.

Um presbítero católico, deve sua total obediência ao Bispo e à Igreja, onde seus anseios pessoais e críticas à estrutura da Igreja ou a qualquer parte, só podem ser tratados em foro íntimo diretamente com seu Bispo e nunca de forma pública.

Tal atitude coloca o povo em dúvida quanto à autoridade dos outro clérigos em suas comunidades.

A imagem da Igreja precisa ser resguardada e protegida contra atitudes desse tipo que fazem parecer fragilidade e descontrole por parte da instituição que coloca a Igreja em posição vexatória frente à sociedade.

Não se deve, padre algum, fazer uso da palavra para orientar eleitoralmente os fieis. Pode-se pregar sobre política, mas sem nenhuma definição partidária.

O pecado mais grave de um sacerdote católico é a desobediência. Um bom padre nunca se colocaria contra o próprio clero abertamente e de forma público. O pastor deve defender sua Igreja a todo custo, resguardar sua imagem e, caso perceba problemas, reportar-se diretamente a seu Bispo. É o Bispo quem tem poder e autoridade para corrigir o clero a ele confiado.

OBLATVS disse...

Alexandre,

Por acaso estou pregando contra a Igreja?

Você tem certeza de ter lido tudo o que escrevi aqui neste blog?

Eu não tenho crenças pessoais, meu caro leitor. E insisto exatamente sobre a necessidade de todos nos atermos à Doutrina da Fé. E se a isto está obrigado o sacerdote, com mais razão está o bispo obrigado à mesma Doutrina.

Não tenho "anseios pessoais" e menos ainda críticas à estrutura da Igreja, portanto não tenho do que tratar com quem quer que seja em relação a isto.

Eu concordo que não se deve usar da autoridade sacerdotal para fazer política partidária. Aliás, é exatamente isto que estou a criticar no Cardeal Arns e no Cardeal Hummes. São eles, em parte, responsáveis pelo PT ter dominado o ambiente ecleisal durante tantos anos e ainda manter algumas posições no interior da Igreja.

Concordo que a desobediência seja um pecado grave, sobretudo num sacerdote. Só me responda obediência a quem e em quê; não creio ter desobedecido a Deus ou a meus legítimos superiores (só tenho dois, o papa e o meu bispo.

No mais, o Código de Direito Canônico me garante certos direitos e me impõe certas obrigações. Eu os conheço, você os conhece?

Pe. Clecio

Alex Benedictus disse...

Padre, a discussão desse assunto me fez lembrar de um texto muito interessante que encontrei alguns dias atrás.

Queria partilhar o texto com o senhor. Talvez o senhor já conheça esse texto. O texto se chama Is it a sin to reburke a priest? (É pecado repreender um padre?). Não sei se já traduziram esse texto para o português, por isso o indico em inglês mesmo.

http://romancatholicblog.typepad.com/roman_catholic_blog/2007/03/is_it_a_sin_to_.html

Eu traduzi apenas os dois primeiros parágrafos para as pessoas terem uma idéia do que diz o texto:

[alguém] insinuou que é pecado falar mal de padres e bispos e que, ao invés de falar contra a corrupção do clero, os católicos deveriam rezar e permanecer em silêncio.
Discordo totalmente!
Embora eu advertiria os católicos contra o pecado do julgamento temerário, e lembre [sempre] as pessoas de estarem atentas às exigências do Oitavo Mandamento, firmemente mantenho que os católicos tem o dever de repreender o clero quando eles tiverem cometido algum desvio, bem como devem advertir as outras pessoas a respeito desses clérigos de modo que elas não sejam enganadas pelos erros que esses padres e bispos desobedientes tem difundido publicamente. [...]

Anônimo disse...

Não entendo o porquê desse Alexandre acompanhar seu blog Pe. Clécio.Tantas críticas(nenhuma construtiva)e com um "Q" de inveja ou seria veneno mesmo?
Outra observação é que ele tem pesquisado bastante sobre o que um padre pode ou não fazer né?

Pedro disse...

Toda a verdade e muita sabedoria!
Obrigado, Padre.

Anônimo disse...

E se não me falha a memória esse "pastor" da "universal" que pensa tão confusamente e é inimigo declarado da Igreja faz "mestrado" na "Pontifícia" Universidade "Católica"... Uma PUC nunca perde a oportunidade de jogar o nome da Igreja na lama...

Anônimo disse...

PARECE UNS VERDADEIROS NAZISTAS QUANDO SE REFEREM A SANTA IGREJA CATÓLICA.

MARCELO GUIMARAES disse...

Saudações padre Clecio e que Deus esteja convosco.
Muito me agradou lê longo texto, vejo porém que hoje na sua maioria os católicos buscam tudo aquilo que N. S, Jesus Cristo falará tantas e tantas vezes, quando já dos seus apostolos: haviam pouca fé.
Hoje vejo nossa amada igreja católica se esvaindo de pessoas, mas também é VERO, que os que saem à buscar as "facillidades" dos protestantes, como todos veêm as vendas de milagres. Cadê a FÉ dos católicos em Deus ???? Acredito que todos que buscam caminhos como estes, não buscam a DEUS, e sim, falsos pastores que falam em nome de Deus, com certeza padre estas pessoas buscam falicidades, e não VIVEM da FÉ.
A fé por sí é parte da VIDA, não apenas um dom, é a vida em outro seguimento, a fé em Cristo e acreditar e levar a cruz, é respeitar o sacerdote como nosso guia e pastor, a fé fala por sí própria, não requer nada.
Quanto a esvasiamento na nossa amada igreja, vejo gente que buscam comprar DEUS de todas as formas.
Marcelo Guimarães

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...