"Oblatus est, quia ipse voluit, et peccata nostra ipse portavit!"

domingo, 22 de janeiro de 2012

Primárias nos Estados Unidos - pós South Carolina

As primárias para a escolha do candidato republicano à presidência dos Estados Unidos vêm ganhando contornos interessantes. Procuro acompanhá-las, na medida em que a eleição envolve direitos humanos e valores universais e, evidentemente, o presidente da maior potência ocidental desempenha um papel fundamental na defesa dos mesmos ou na ameaça a eles.

O atual presidente, Barack “Abortion” Obama, tem grande chances de se reeleger e, consequentemente, prosseguir com sua agenda política, contrária à vida humana e à família. Da escolha de um candidato competitivo, com idéias claras e determinação política para o embate cultural depende a possibilidade de por um fim no processo em curso.

Disputam a vaga de candidato republicano Mitt Romney, Newt Gingrich, Ron Paul e Rick Santorum, segundo o número de delegados até agora alcançado. Pela primeira vez na história das primárias republicanas, três candidatos venceram nos três primeiros estados que já realizaram as primárias: Santorum em Iowa, Romney em New Hampshire e Gingrich em South Carolina.

Mitt Romney, que tem a preferência dos figurões do partido, foi governador de Massachusetts e é considerado um moderado. Até o momento, o candidato vem demonstrando maior capilaridade, mais capacidade de arrecadação de recursos e organização de campanha. Sua condição de mórmon, que lhe seria desfavorável, não rendeu a rejeição imaginada entre o eleitorado republicano; resta saber como seria vista pelo eleitor médio, aquele que se alterna entre os dois pólos, republicano e democrata. O mormonismo é uma seita mal vista e mal quista pela “América profunda”, protestante, e pela “nova América”, da imigração católica.


Newt Gingrich foi deputado republicano pelo estado da Georgia e speaker do Congresso americano. Adotou um discurso mais conservador que Romney e vem ameaçando sua liderança, até então considerada consagrada. Foi o favorito em South Carolina, amealhando os 25 delegados daquele estado. Tem a seu desfavor aos olhos do americano conservador o passado de múltiplos “casamentos”, em contradição com os padrões morais cristãos. De família luterana, posteriormente fez-se batista e, em 2009, converteu-se ao catolicismo. Aos críticos diz observar a disciplina católica relativa à moral conjugal e ter se tornado um marido fiel. Também no seu caso, a fé católica não tem sido um problema junto ao eleitorado republicano.

Ron Paul é deputado republicano pelo Texas. É um clássico liberal, ou um conservador para segundo o curioso léxico americano. Vem perdendo terreno para Rick Santorum, embora tenha anunciado que continuará na disputa. Oriundo de uma família luterana, Paul tornou-se batista.







Rick Santorum, deputado e senador pela Pennsylvania de 1991 a 2007, é o azarão. Na semana passada, com a correção do resultado do cáucus de Iowa, Santorum foi declarado o vencedor. É um conservador clássico, com posições claras em relação aos temas morais e culturais em jogo nesta eleição, embora não se distinga muito dos demais no que tange aos outros temas. Por assumir posições inequívocas tornou-se o alvo predileto dos grupos de pressão da esquerda americana, com a virulência dos ataques antes desferidos contra George Bush.

A questão religiosa pode parecer estranha ao eleitor brasileiro, mas nos Estados Unidos é levada sempre mais em consideração. Não a filiação propriamente dita -  se mórmon, protestante ou católico - mas se os princípios religiosos fundadores daquela nação sairão fortalecidos ou serão eliminados. Não custa lembrar que Obama fazia questão de se declarar cristão, sobretudo porque se desconfiava que fosse cripto-muçulmano.

Qualquer um dos quatro é infinitamente melhor que Obama. A questão é: qual deles tem mais chances de vencer o presidente atual? Obama é um mago na arte da comunicação, e conta com o poder mistificador da mídia americana, majoritariamente esquerdista. Se não tem qualidades, estas são inventadas; se tem defeitos, estes são escondidos. Mas o eleitor americano, a despeito da máquina midiática de fabricar ídolos entre os aliados e destruir reputações entre os adversários, costuma surpreender.

Romney parece ser a opção que mais agrada aos democratas. Obama bateria mais facilmente num adversário, sob certos aspectos, mais parecido com ele. Ron Paul é carta fora do baralho.

Já Gingrich tem musculatura política. Mais de vinte anos como congressista, speaker e com trânsito no partido, pode se tornar uma alternativa ao despreparado Barack Obama. Por seu turno, Santorum nisto se parece ao atual presidente. Jovem e sem a experiência política dos demais, tem, porém a seu favor o claro antagonismo com Obama.

Muitas primárias e cáucuses pela frente desestimulam os videntes de plantão. Torço para que os republicanos escolham, com espírito público, o candidato que possa derrotar o laureado com o igNobel da paz.

8 comentários:

Alex A.B. disse...

"Ron Paul é deputado republicano pelo Texas. É um clássico liberal, ou um conservador para segundo o curioso léxico americano."

Pe. Clécio, partindo desse trecho deste seu artigo, gostaria de compreender melhor a terminologia política usada nos EUA.

Liberal não é a mesma coisa que esquerdista?

Republicano = Liberais = Esquerda. Certo?

Ao que me parece essa inversão de liberal ser considerado conservador, é uma inversão que se faz aqui no Brasil. Os políticos no Brasil que se intitulam de direita se consideram liberais. Isso em termos de economia, segundo o que eu entendi escutando um dos programas de Rádio do Olavo de Carvalho.

Veja também a definição de liberal que eu encontrei no Merriam-Webster:

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Synonyms: broad-minded, nonconventional, nonorthodox, nontraditional, open-minded, progressive, radical, unconventional, unorthodox

Antonyms: conservative, conventional, hidebound, nonprogressive, old-fashioned, orthodox, stodgy, traditional

http://www.merriam-webster.com/dictionary/liberal

Alex A.B. disse...

Pe. Clécio, a sua bênção.

Me desculpe em tocar nessa questão terminológica mais uma vez, mas é que me fascinam essas questões.

Eu achei este artigo do Olavo de Carvalho sobre o porquê dos políticos brasileiros que se intitulam de direita se chamam liberais.

Veja

Por trás das palavras

Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 8 de fevereiro de 2010

Por que os direitistas brasileiros se denominam “liberais” em vez de “conservadores”? A escolha das palavras revela uma diferença específica que, bem examinada, basta para explicar a debilidade e o fracasso da direita nacional.

Cf. http://www.olavodecarvalho.org/semana/100208dc.html

Anônimo disse...

Com certeza algum desses quatro deve ser melhor do que ele.

Anônimo disse...

Alex
Nos EUA liberais e conservadores expressam mais as questões relativas a valores morais do que econômicos propriamente. O Obama, que é democrata, abraça a bandeira do aborto, casamento homossexual, legalização generalizada de imigrantes... Os republicanos em geral são mais conservadores, a maioria é contra o aborto, casamento gay, etc. No âmbito econômico os republicanos têm um histórico de defender que o Estado não interfira muito na economia, ao contrário dos democratas (daí a sua confusão eu imagino). Ron Paul é mais conservador nos valores morais (à exceção de que defende a legalização das drogas) porém um baita liberal economicamente.

Aqui no Brasil não existe direita, aliás nunca vi nenhum político famoso se considerando um liberal. É todo mundo social democracia por aqui, uns mais disfarçados que outros.

Espero ter ajudado.
Alvaro

Alex A.B. disse...

Obrigado, Álvaro!
Sua explicação ajuda sim!
Se eu entendi os republicanos são de esquerda. E os democratas são de direitas.
Quanto aos políticos brasileiros, eu também não os considero de direita, mesmo os que se denominam de direita. Por isso, eu disse que "os políticos que se intitulam de direita", porque é apenas um rótolo que não tem correspondência com as suas ações e pensamentos.

Alex A.B. disse...

Esta notícia, por exemplo, mostra bem o caráter de extrema esquerda do Obama:

Governo Obama obrigará empresas a financiar anticoncepção para os seus empregados

http://acidigital.com/noticia.php?id=23067

E a reação dos bispos católicos dos EUA, contra essa política nefasta:


U.S. Bishops vow to fight against contraception mandate

http://youtu.be/PjkybuOSgFQ

Maria Guiomar disse...

kkkk Barack o que? kkkk
Adorei!

Tiago disse...

Quanto à mutação do nome "liberal" nos EUA, ele surge da tendência dos liberal-democratas de não querer regular questões morais como segregação racial ou estruturação sexual. Com o tempo, essas características ficaram mais associadas com o termo "liberal" do que a adesão ao liberalismo econômico que caracterizava o termo originalmente.

Ao fim de meio século, os liberais pela definição antiga acabaram tendo que inventar uma nova palavra pra si próprios: são conhecidos nos EUA como "libertários" (libertarians). Note que no Reino Unido os termos ainda são ligados à acepção antiga, já que o Labour Party sempre foi mais associado com o socialismo e, mais recentemente, com a social-democracia, enquanto os Tories congregam os liberais (como a ex-Premier Thatcher).

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