Leiam o que vai abaixo com abertura de espírito. Há anos venho insistindo no retorno progressivo à antiga praxe baseado nas mesmas razões apresentadas no texto. Costumo acrescentar que se fosse levada em consideração a excelência dos serviços, as meninas ficariam e os meninos deveriam sair. Elas fazem inegavelmente mais bem feito quase tudo – é o gênio feminino! O mesmo valeria para o sacerdócio. Mas não disse o Apóstolo que Deus escolheu os fracos? É o que somos em comparação com as mulheres e não nos tornamos superiores a elas porque admitidos ao sacerdócio ou ao serviço do altar: sacerdócio não seja poder mundano – “entre vós não seja assim”.
Mas que se faça tudo com respeito à sensibilidade das meninas, cujo amor pelas coisas de Deus as torna mais que merecedoras de nossa delicadeza. O ideal é que se estabeleça uma idade limite para o término do serviço das que já o realizam e não se admitam novas. Depois de um certo tempo, já não haveriam “as” coroinhas, sem causar sensação ou dano. Melhor ainda que a decisão se desse a nível diocesano, já que o incremento das vocações sacerdotais interessa a todos e é uma questão pastoral de primeira grandeza.
Eis o texto:
Não às coroinhas – a decisão da catedral de Phoenix abre um debate em toda a Igreja.
Parecia uma decisão local, mas até um cardeal toma partido sobre a permissão de 1994 que admite as meninas ao serviço do altar.
Na semana passada o reitor da Catedral de São Simão e São Judas em Phoenix (Arizona, Estados Unidos), Pe. John Lankeit, anunciou que não mais permitiria que as meninas atuassem como “coroinhas”.
Não é uma decisão pioneira, pois uma medida semelhante já havia sido tomada em dioceses americanas como as de Lincoln (Nebraska) e Ann Harbor [Lansing] (Michigan), mas desta vez a repercussão da notícia foi se estendendo até adquirir primeiro ressonância nacional, e depois mundial.
E não por seu alcance, muito limitado, pois nem sequer toda a diocese de Phoenix a fez sua, apesar da importância do templo catedralício. E ainda, vários párocos se apressaram em declarar que não iriam seguir este exemplo. O que deu lugar a polêmica em outros lugares é a razão aduzida por Lankeit, que tem sim valor universal e provocou um debate fora das fronteiras de sua paróquia.
Prejudica as vocações?
Segundo a nota publicada pelo reitor, e que se acha no site da diocese, trata-se de animar os meninos e meninas a servir a Deus de forma diferenciada e complementar, eles como coroinhas, elas como sacristãs, porque diversas experiências levam a concluir que o acesso das meninas à condição de coroinhas está diminuindo as vocações sacerdotais... e também as vocações religiosas femininas.
De fato, e é o exemplo seguido por Lankeit, as duas dioceses que o precederam experimentaram um incremento de vocações de ambos os tipos depois de proibir “as” coroinhas.
Por quê? Segundo o reitor da Catedral de Phoenix, a condição de coroinha tem sido tradicionalmente uma sementeira de sacerdotes, e inclusive antes da existência dos seminários, tal como os conhecemos hoje, em alguns casos era o caminho ordinário para a primeira formação dos presbíteros. Entre 80% e 95% dos sacerdotes foram coroinhas alguma vez durante sua infância.
Ser coroinha não é um direito.
Mas ao converter-se numa função que meninos e meninas indistintamente podem desempenhar, sua vinculação com a vocação sacerdotal, exclusivamente masculina, se atenua fortemente.
“Posso entender que as pessoas se irritem se enfocam a questão do ponto de vista emocional, porque a convertem numa questão de direitos, e parece que se está negando direitos a alguém”, antecipa-se Lankeit à crítica. “Mas”, continua, “nem eu como católico tinha direito ao sacerdócio, nem tampouco o tinha quando era seminarista, pois estava provando minha vocação e era à Igreja a quem competia discerni-la”. Com maior razão não se pode falar de um direito a ser coroinha... ou “uma” coroinha.
A presença de mulheres no serviço do altar começou a introduzir-se nos Estados Unidos em meados dos anos oitenta como abuso. A Igreja não aceitou tal introdução oficialmente até 1994 ao afrontar a questão tão logo ela atravessou o Atlântico, recorda William Oddie, influente colunista do Catholic Herald britânico. Paulo VI e João Paulo II eram contrários a esta prática, mas em meados dos anos noventa a Igreja Católica sofria uma campanha midiática muito forte pela negação do sacerdócio feminino, e cedeu neste ponto como exceção, ainda que mantivesse que a norma era animar os meninos a assumir esta função.
A opinião do influente Vingt-Trois.
Mas, internacionalizando o debate, Oddie acrescenta mais uma opinião: a do hoje cardeal de Paris, André Vingt-Trois. Deu-a privadamente ao mesmo Oddie no final dos anos noventa, quando Dom Vingt-Trois era arcebispo de Tours. Durante um jantar comentaram o fato de que, na maioria das paróquias de Paris, não somente as leituras eram feitas majoritariamente por mulheres, como também eram as meninas que quase exclusivamente serviam ao altar.
“O arcebispo Vingt-Trois disse que talvez o sacerdote não tivesse escolhido que todos os seus coroinhas fossem meninas. ‘Quando chegam as meninas’, disse, ‘os meninos desaparecem’. E foi muito categórico ao afirmar que, ainda que houvesse outras causas, um dos fatores que contribuíam para a redução das vocações era este”.
Um testemunho de uma década, e do influente presidente da conferência episcopal francesa, parece pois corroborar os argumentos do reitor Lankeit em Phoenix, onde o debate, agora internacionalizado, continua.
Fonte: Religión en Libertad
Tradução: OBLATVS













