"Oblatus est, quia ipse voluit, et peccata nostra ipse portavit!"

sábado, 27 de agosto de 2011

Coroinhas - função exclusiva dos meninos



Leiam o que vai abaixo com abertura de espírito. Há anos venho insistindo no retorno progressivo à antiga praxe baseado nas mesmas razões apresentadas no texto. Costumo acrescentar que se fosse levada em consideração a excelência dos serviços, as meninas ficariam e os meninos deveriam sair. Elas fazem inegavelmente mais bem feito quase tudo – é o gênio feminino! O mesmo valeria para o sacerdócio. Mas não disse o Apóstolo que Deus escolheu os fracos? É o que somos em comparação com as mulheres e não nos tornamos superiores a elas porque admitidos ao sacerdócio ou ao serviço do altar: sacerdócio não seja poder mundano – “entre vós não seja assim”.

Mas que se faça tudo com respeito à sensibilidade das meninas, cujo amor pelas coisas de Deus as torna mais que merecedoras de nossa delicadeza. O ideal é que se estabeleça uma idade limite para o término do serviço das que já o realizam e não se admitam novas. Depois de um certo tempo, já não haveriam “as” coroinhas, sem causar sensação ou dano. Melhor ainda que a decisão se desse a nível diocesano, já que o incremento das vocações sacerdotais interessa a todos e é uma questão pastoral de primeira grandeza.

Eis o texto:

Não às coroinhas – a decisão da catedral de Phoenix abre um debate em toda a Igreja.

Parecia uma decisão local, mas até um cardeal toma partido sobre a permissão de 1994 que admite as meninas ao serviço do altar.

Na semana passada o reitor da Catedral de São Simão e São Judas em Phoenix (Arizona, Estados Unidos), Pe. John Lankeit, anunciou que não mais permitiria que as meninas atuassem como “coroinhas”.

Não é uma decisão pioneira, pois uma medida semelhante já havia sido tomada em dioceses americanas como as de Lincoln (Nebraska) e Ann Harbor [Lansing] (Michigan), mas desta vez a repercussão da notícia foi se estendendo até adquirir primeiro ressonância nacional, e depois mundial.

E não por seu alcance, muito limitado, pois nem sequer toda a diocese de Phoenix a fez sua, apesar da importância do templo catedralício. E ainda, vários párocos se apressaram em declarar que não iriam seguir este exemplo. O que deu lugar a polêmica em outros lugares é a razão aduzida por Lankeit, que tem sim valor universal e provocou um debate fora das fronteiras de sua paróquia.

Prejudica as vocações?

Segundo a nota publicada pelo reitor, e que se acha no site da diocese, trata-se de animar os meninos e meninas a servir a Deus de forma diferenciada e complementar, eles como coroinhas, elas como sacristãs, porque diversas experiências levam a concluir que o acesso das meninas à condição de coroinhas está diminuindo as vocações sacerdotais... e também as vocações religiosas femininas.

De fato, e é o exemplo seguido por Lankeit, as duas dioceses que o precederam experimentaram um incremento de vocações de ambos os tipos depois de proibir “as” coroinhas.

Por quê? Segundo o reitor da Catedral de Phoenix, a condição de coroinha tem sido tradicionalmente uma sementeira de sacerdotes, e inclusive antes da existência dos seminários, tal como os conhecemos hoje, em alguns casos era o caminho ordinário para a primeira formação dos presbíteros. Entre 80% e 95% dos sacerdotes foram coroinhas alguma vez durante sua infância.

Ser coroinha não é um direito.

Mas ao converter-se numa função que meninos e meninas indistintamente podem desempenhar, sua vinculação com a vocação sacerdotal, exclusivamente masculina, se atenua fortemente.

“Posso entender que as pessoas se irritem se enfocam a questão do ponto de vista emocional, porque a convertem numa questão de direitos, e parece que se está negando direitos a alguém”, antecipa-se Lankeit à crítica. “Mas”, continua, “nem eu como católico tinha direito ao sacerdócio, nem tampouco o tinha quando era seminarista, pois estava provando minha vocação e era à Igreja a quem competia discerni-la”. Com maior razão não se pode falar de um direito a ser coroinha... ou “uma” coroinha.

A presença de mulheres no serviço do altar começou a introduzir-se nos Estados Unidos em meados dos anos oitenta como abuso. A Igreja não aceitou tal introdução oficialmente até 1994 ao afrontar a questão tão logo ela atravessou o Atlântico, recorda William Oddie, influente colunista do Catholic Herald britânico. Paulo VI e João Paulo II eram contrários a esta prática, mas em meados dos anos noventa a Igreja Católica sofria uma campanha midiática muito forte pela negação do sacerdócio feminino, e cedeu neste ponto como exceção, ainda que mantivesse que a norma era animar os meninos a assumir esta função.

A opinião do influente Vingt-Trois.

Mas, internacionalizando o debate, Oddie acrescenta mais uma opinião: a do hoje cardeal de Paris, André Vingt-Trois. Deu-a privadamente ao mesmo Oddie no final dos anos noventa, quando Dom Vingt-Trois era arcebispo de Tours. Durante um jantar comentaram o fato de que, na maioria das paróquias de Paris, não somente as leituras eram feitas majoritariamente por mulheres, como também eram as meninas que quase exclusivamente serviam ao altar.

“O arcebispo Vingt-Trois disse que talvez o sacerdote não tivesse escolhido que todos os seus coroinhas fossem meninas. ‘Quando chegam as meninas’, disse, ‘os meninos desaparecem’. E foi muito categórico ao afirmar que, ainda que houvesse outras causas, um dos fatores que contribuíam para a redução das vocações era este”.

Um testemunho de uma década, e do influente presidente da conferência episcopal francesa, parece pois corroborar os argumentos do reitor Lankeit em Phoenix, onde o debate, agora internacionalizado, continua.
Tradução: OBLATVS

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

A imediata reforma litúrgica pós-conciliar em Simpósio de Liturgia

Vim a saber através do Rorate da realização de um simpósio sobre liturgia promovido pela Diocese de Phoenix, Arizona. Especialistas americanos e estrangeiros se debruçarão sobre os “Missais interinos e a imediata reforma litúrgica pós-conciliar”.

A temática não deixa de surpreender os dois espectros eclesiais insatisfeitos com a reforma litúrgica, o tradicionalista e o “ratzingeriano” – na falta de um adjetivo melhor. E sobretudo é de apavorar os enlevados com a obra bugniniana-clementina.

Os tradicionalistas veem, no fundo, o Missal tridentino como irreformável na prática, embora o admitam na teoria. Para a maioria deles, deve-se simplesmente voltar ao Missal anterior à reforma. Rejeitam a reforma que produziu o Missal de 1965, justificando tal rejeição com arrazoados de natureza teológica, como penso que fariam com qualquer futura reforma do Missal tridentino. Temos neste texto alguns argumentos usados contra aquela reforma.

Os “ratzingerianos” ou conservadores – embora ambos adjetivos me pareçam impróprios – pensam numa reforma a partir da reforma, sendo o Missal de 1970 a matéria-prima a se utilizar e o Missal anterior a forma em que se inspirar. Bem poucos pensam no Missal de 1965 como a concretização definitiva da reforma desejada pelos Padres Conciliares, tal como se acha delineada na Sacrosanctum Concilium. Já escrevi   aqui sobre o Missal de 1965, onde o leitor encontra as diferenças entre as duas edições do Missal Romano, a de 1962 e a de 1965.

Entre os defensores da reforma de 1970, há dois tipos: os que observam o Missal e os que já criaram um seu rito próprio, com evidente prevalência dos últimos. Estes nem sequer imaginam uma prática litúrgica que exclua seu domínio sobre a Missa, com a inevitável multiplicação de formas e descaracterização do Rito; desconhecem o que seja a observância de determinadas leis litúrgicas; nunca leram a Sacrosanctum Concilium, pior se leram; e sabe Deus como reagiriam diante de uma reviravolta de tamanha grandeza.

Infelizmente me é impossível participar do Simpósio, mas escreverei aos responsáveis pedindo que tornem disponíveis as relações dos conferencistas e, queira Deus, eles nos brindem com as mesmas.

Aos que consideram irrelevantes discussões desta natureza, tenho dois motes que se completam e se explicam: “O rito liberta” e “A criatividade do padre é a escravidão do leigo”.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Jubileu de Prata do Carmelo de Campos



As monjas carmelitas de Campos celebram hoje os 25 anos de fundação do Carmelo São José. Dom Carlos Alberto Navarro, que idealizou a fundação e trouxe as carmelitas descalças para nossas terras goitacazes, precocemente chamado por Deus, estará presente nas orações das monjas, do clero e do povo campista.

O Solene Pontifical será celebrado pelo Exmo. Bispo Diocesano, Dom Roberto Francisco, às 19 h, e concelebrado pelo clero diocesano e religioso.  

domingo, 21 de agosto de 2011

Missa de Encerramento da JMJ - Madri 2011


Homilia do Papa Bento XVI na Santa Missa da XXVI Jornada Mundial da Juventude – Madri 2011

(...)

Na atualidade, são certamente muitos os que se sentem atraídos pela figura de Cristo e desejam conhecê-Lo melhor. Pressentem que Ele é a resposta a muitas das suas inquietações pessoais. Mas quem é Ele realmente? Como é possível que alguém que viveu na terra há tantos anos tenha algo a ver comigo hoje?

No evangelho que ouvimos (cf. Mt 16, 13-20), vemos representadas, de certo modo, duas formas diferentes de conhecer Cristo. O primeiro consistiria num conhecimento externo, caracterizado pela opinião corrente. À pergunta de Jesus: «Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?», os discípulos respondem: «Uns dizem que é João Batista; outros, que é Elias; e outros, que é Jeremias ou algum dos profetas». Isto é, considera-se Cristo como mais um personagem religioso junto aos que já são conhecidos. Depois, dirigindo-se pessoalmente aos discípulos, Jesus pergunta-lhes: «E vós, quem dizeis que Eu sou?». Pedro responde formulando a primeira confissão de fé: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». A fé vai mais longe que os simples dados empíricos ou históricos, e é capaz de apreender o mistério da pessoa de Cristo na sua profundidade.

A fé, porém, não é fruto do esforço do homem, da sua razão, mas é um dom de Deus: «És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que to revelou, mas o meu Pai que está no Céu». Tem a sua origem na iniciativa de Deus, que nos desvenda a sua intimidade e nos convida a participar da sua própria vida divina. A fé não se limita a proporcionar alguma informação sobre a identidade de Cristo, mas supõe uma relação pessoal com Ele, a adesão de toda a pessoa, com a sua inteligência, vontade e sentimentos, à manifestação que Deus faz de Si mesmo. Deste modo, a pergunta de Jesus: «E vós, quem dizeis que Eu sou?», no fundo está impelindo os discípulos a tomarem uma decisão pessoal em relação a Ele. Fé e seguimento de Cristo estão intimamente relacionados.

E, dado que supõe seguir o Mestre, a fé tem que se consolidar e crescer, tornar-se mais profunda e madura, à medida que se intensifica e fortalece a relação com Jesus, a intimidade com Ele. Também Pedro e os outros apóstolos tiveram que avançar por este caminho, até que o encontro com o Senhor ressuscitado lhes abriu os olhos para uma fé plena.

Queridos jovens, Cristo hoje também se dirige a vós com a mesma pergunta que fez aos apóstolos: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» Respondei-Lhe com generosidade e coragem, como corresponde a um coração jovem como o vosso. Dizei-Lhe: Jesus, eu sei que Tu és o Filho de Deus que deste a tua vida por mim. Quero seguir-Te fielmente e deixar-me guiar pela tua palavra. Tu conheces-me e amas-me. Eu confio em Ti e coloco nas tuas mãos a minha vida inteira. Quero que sejas a força que me sustente, a alegria que nuca me abandone.

Na sua reposta à confissão de Pedro, Jesus fala da sua Igreja: «Também Eu te digo: Tu é Pedro, e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja». Que significa isto? Jesus constrói a Igreja sobre a rocha da fé de Pedro, que confessa a divindade de Cristo.

Sim, a Igreja não é uma simples instituição humana, como outra qualquer, mas está intimamente unida a Deus. O próprio Cristo Se refere a ela como a «sua» Igreja. Não se pode separar Cristo da Igreja, tal como não se pode separar a cabeça do corpo (cf. 1 Cor 12, 12). A Igreja não vive de si mesma, mas do Senhor. Ele está presente no meio dela e dá-lhe vida, alimento e fortaleza.

Queridos jovens, permiti que, como Sucessor de Pedro, vos convide a fortalecer esta fé que nos tem sido transmitida desde os apóstolos, a colocar Cristo, Filho de Deus, no centro da vossa vida. Mas permiti também que vos recorde que seguir Jesus na fé é caminhar com Ele na comunhão da Igreja. Não se pode, sozinho, seguir Jesus. Quem cede à tentação de seguir «por conta sua» ou de viver a fé segundo a mentalidade individualista, que predomina na sociedade, corre o risco de nunca encontrar Jesus Cristo, ou de acabar seguindo uma imagem falsa d’Ele.

Ter fé é apoiar-se na fé dos teus irmãos, e fazer com que a tua fé sirva também de apoio para a fé de outros. Peço-vos, queridos amigos, que ameis a Igreja, que vos gerou na fé, que vos ajudou a conhecer melhor Cristo, que vos fez descobrir a beleza do Seu amor. Para o crescimento da vossa amizade com Cristo é fundamental reconhecer a importância da vossa feliz inserção nas paróquias, comunidades e movimentos, bem como a participação na Eucaristia de cada domingo, a recepção frequente do sacramento do perdão e o cultivo da oração e a meditação da Palavra de Deus.

E, desta amizade com Jesus, nascerá também o impulso que leva a dar testemunho da fé nos mais diversos ambientes, incluindo nos lugares onde prevalece a rejeição ou a indiferença. É impossível encontrar Cristo, e não O dar a conhecer aos outros. Por isso, não guardeis Cristo para vós mesmos. Comunicai aos outros a alegria da vossa fé. O mundo necessita do testemunho da vossa fé; necessita, sem dúvida, de Deus. Penso que a vossa presença aqui, jovens vindos dos cinco continentes, é uma prova maravilhosa da fecundidade do mandato de Cristo à Igreja: «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura» (Mc 16, 15). Incumbe sobre vós também a tarefa extraordinária de ser discípulos e missionários de Cristo noutras terras e países onde há multidões de jovens que aspiram a coisas maiores e, vislumbrando em seus corações a possibilidade de valores mais autênticos, não se deixam seduzir pelas falsas promessas dum estilo de vida sem Deus.

(...)

Fonte: Santa Sé

JMJ Rio 2013



Após o Angelus, o Papa Bento XVI fez o esperado anúncio:

Compraz-me agora anunciar que a sede da próxima Jornada Mundial da Juventude, em 2013, será o Rio de Janeiro. Peçamos ao Senhor, desde já, que assista com a sua força quantos hão-de pô-la em marcha e aplane o caminho aos jovens do mundo inteiro para que possam voltar a reunir-se com o Papa naquela bonita cidade brasileira.

Queridos amigos, antes de nos despedirmos e no momento em que os jovens de Espanha entregam aos do Brasil a cruz das Jornadas Mundiais da juventude, como Sucessor de Pedro confio a todos os presentes esta insigne incumbência: Levai o conhecimento e o amor de Cristo ao mundo inteiro. Ele quer que sejais os seus apóstolos no século XXI e os mensageiros da sua alegria. Não O desiludais! Muito obrigado!”

E confirmou sua presença entre nós! Deus dê longa vida e saúde ao Papa para que esteja no Rio em 2013.

Ad multos annos, Sancte Pater!

sábado, 20 de agosto de 2011

Vigília da JMJ - Madri 2011



Imagens que você não vê na sua TV

Confissão: sacramento do rejuvenescimento

Bento XVI atende confissão dos jovens em Madri

São João de Ávila - Doutor da Igreja



Papa Bento XVI anunciou a futura proclamação de São João de Ávila (1500-1569), sacerdote espanhol, como Doutor da Igreja. Atualmente há 33 Doutores da Igreja. Algumas fontes dão conta de que a proclamação será feita em agosto deste ano. Eis o anúncio:

Com grande alegria, no marco da santa igreja Catedral de Santa Maria a Real da Almudena, quero anunciar agora ao povo de Deus que, acolhendo os pedidos do Senhor Presidente da Conferência Episcopal Espanhola, o Eminentíssimo Cardeal António Maria Rouco Varela, Arcebispo de Madrid, dos outros Irmãos no Episcopado da Espanha, bem como de um grande número de Arcebispos e Bispos de outras partes do mundo, e de muitos fiéis, declararei, proximamente, São João de Ávila, presbítero, Doutor da Igreja Universal.

Ao fazer pública aqui esta notícia, desejo que a palavra e o exemplo deste exímio pastor possa iluminar os sacerdotes e aqueles que se preparam, com alegria e esperança, para receber um dia a Sagrada Ordenação.” (Fonte: Santa Sé)


- Alguns traços biográficos do futuro Doutor da Igreja (aqui).


- Lista dos 33 Doctores Ecclesiae (aqui).

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Números e Cifras da JMJ 2011



100.000.000    de Euros que a JMJ deixará na Espanha;
  10.000.000    de metros de linha utilizados para confeccionar os paramentos;
    1.200.000    contatos no canal You Tube da JMJ;
    1.000.000    de jovens que participam dos eventos;
         30.000    voluntários;
         14.000    sacerdotes;
           4.700    jornalistas de todo o mundo;
           4.000    participantes com necessidades especiais;
           2.000    jovens de países pobres participam graças ao Fundo de Solidariedade;
              800    bispos de todo o mundo;
              700    componentes do coro;
              300    eventos culturais que se realizam em Madri;
              200    confessionários em forma de vela utilizados para a “festa do perdão”;
              193    países representados pelos peregrinos;
              150    voluntários do pronto-socorro;
                79    horas de permanência do Papa em Madri;
                68    stands vocacionais presentes no parque del Retiro;
                21    línguas nas quais é possível consultar o perfil oficial no Facebook;
                17    tendas de adoração eucarística preparadas em Cuatro Vientos;
                12    jovens no almoço com o Papa;
                  8    toneladas de frutas doadas;
                  7    toneladas de rosários para os peregrinos;
                  2    JMJ se realizaram na Espanha;
                  1    evento único;
                  0    custo para os contribuintes;

Tradução: OBLATVS

Juventude - tempo de busca e encontro com a Verdade

Do Discurso do Papa aos Jovens Professores Universitários na Basílica de São Lourenço do Escorial

(...)

Mas onde poderão os jovens encontrar estes pontos de referência numa sociedade vacilante e instável? Às vezes pensa-se que a missão dum professor universitário seja hoje, exclusivamente, a de formar profissionais competentes e eficientes que satisfaçam as exigências laborais de cada período concreto. Diz-se também que a única coisa que se deve privilegiar, na presente conjuntura, é a capacitação meramente técnica. Sem dúvida, prospera na atualidade esta visão utilitarista da educação mesmo universitária, difundida especialmente a partir de âmbitos extra-universitários. Contudo vós que vivestes como eu a Universidade e que a viveis agora como docentes, sentis certamente o anseio de algo mais elevado que corresponda a todas as dimensões que constituem o homem. Como se sabe, quando a mera utilidade e o pragmatismo imediato se erigem como critério principal, os danos podem ser dramáticos: desde os abusos duma ciência que não reconhece limites para além de si mesma, até ao totalitarismo político que se reanima facilmente quando é eliminada toda a referência superior ao mero cálculo de poder. Ao invés, a genuína ideia de universidade é que nos preserva precisamente desta visão reducionista e distorcida do humano.

Com efeito, a universidade foi, e deve continuar sendo, a casa onde se busca a verdade própria da pessoa humana. Por isso, não é uma casualidade que tenha sido precisamente a Igreja quem promoveu a instituição universitária; é que a fé cristã nos fala de Cristo como o Logos por Quem tudo foi feito (cf. Jo 1, 3) e do ser humano criado à imagem e semelhança de Deus. Esta boa nova divisa uma racionalidade em toda a criação e contempla o homem como uma criatura que compartilha e pode chegar a reconhecer esta racionalidade. Deste modo, a universidade encarna um ideal que não deve ser desvirtuado por ideologias fechadas ao diálogo racional, nem por servilismos a um lógica utilitarista de simples mercado, que olha para o homem como mero consumidor.

Aqui está a vossa importante e vital missão. Sois vós que tendes a honra e a responsabilidade de transmitir este ideal universitário: um ideal que recebestes dos vossos mais velhos, muitos deles humildes seguidores do Evangelho e que, como tais, se converteram em gigantes do espírito. Devemos sentir-nos seus continuadores, numa história muito diferente da deles mas cujas questões essenciais do ser humano continuam a exigir a nossa atenção convidando-nos a ir mais longe. Sentimo-nos unidos com eles, nesta cadeia de homens e mulheres que se devotaram a propor e valorizar a fé perante a inteligência dos homens. E, para o fazer, não basta ensiná-lo, é preciso vivê-lo, encarná-lo, à semelhança do Logos que também encarnou para colocar a sua morada entre nós. Neste sentido, os jovens precisam de mestres autênticos: pessoas abertas à verdade total nos diversos ramos do saber, capazes de escutar e viver dentro de si mesmos este diálogo interdisciplinar; pessoas convencidas sobretudo da capacidade humana de avançar a caminho da verdade. A juventude é tempo privilegiado para a busca e o encontro com a verdade. Como já disse Platão: «Busca a verdade enquanto és jovem, porque, se o não fizeres, depois escapar-te-á das mãos» (Parménides, 135d). Esta sublime aspiração é o que de mais valioso podeis transmitir, pessoal e vitalmente, aos vossos estudantes, e não simplesmente umas técnicas instrumentais e anônimas nem uns dados frios e utilizáveis apenas funcionalmente.

Por isso, encarecidamente vos exorto a não perderdes jamais tal sensibilidade e encanto pela verdade, a não esquecerdes que o ensino não é uma simples transmissão de conteúdos, mas uma formação de jovens a quem deveis compreender e amar, em quem deveis suscitar aquela sede de verdade que possuem no mais fundo de si mesmos e aquele anseio de superação. Sede para eles estímulo e fortaleza.

Para isso, é preciso ter em conta, em primeiro lugar, que o caminho para a verdade completa empenha o ser humano na sua integralidade: é um caminho da inteligência e do amor, da razão e da fé. Não podemos avançar no conhecimento de algo, se não nos mover o amor; nem tampouco amar uma coisa em que não vemos racionalidade; porque «não aparece a inteligência e depois o amor: há o amor rico de inteligência e a inteligência cheia de amor» (Caritas in veritate, 30). Se estão unidos a verdade e o bem, estão-no igualmente o conhecimento e o amor. Desta unidade deriva a coerência de vida e pensamento, a exemplaridade que se exige de todo o bom educador.

Em segundo lugar, havemos de considerar que a verdade em si mesma está para além do nosso alcance. Podemos procurá-la e aproximar-nos dela, mas não possuí-la totalmente; antes, é ela que nos possui a nós e estimula. Na atividade intelectual e docente, a humildade é também uma virtude indispensável, pois protege da vaidade que fecha o acesso à verdade. Não devemos atrair os estudantes para nós mesmos, mas encaminhá-los para essa verdade que todos procuramos. Nisto vos ajudará o Senhor, que vos propõe ser simples e eficazes como o sal, ou como a lâmpada que dá luz sem fazer ruído (cf. Mt5, 13).

Tudo isto nos convida a voltar incessantemente o olhar para Cristo, em cujo rosto resplandece a Verdade que nos ilumina; mas que é também o Caminho que leva à plenitude sem fim, fazendo-Se caminhante conosco e sustentando-nos com o seu amor. Radicados n’Ele, sereis bons guias dos nossos jovens.

(...)



Fonte: Santa Sé


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

A juventude do Papa


Estes são apenas alguns dos milhões de jovens católicos do mundo e do Brasil que estão COM o PAPA em Madri!!!

Eles não estão destruindo o patrimônio público, como os baderneiros de ontem, e ainda movimentarão a economia espanhola!!!

Os "Princípios" do Jornal HOJE

O Jornal HOJE da Rede Globo noticiou as manifestações contrárias a visita do Papa Bento XVI a Madri.

Algumas perguntas para os editores de jornalismo da Globo, sobretudo agora que insistem na existência de certos "Princípios Editoriais", que seriam seguidos por todos seus profissionais:

1)  Por que foi noticiada a manifestação de umas poucas centenas de pessoas contrárias à presença do Papa e sequer mencionada a multidão de 1 MILHÃO E 300 MIL jovens que se encontram em Madri para estar com o Papa?

2)   Por que afirmaram que o motivo dos protestos é o financiamento público da visita do Papa, quando na verdade as despesas correm por conta das próprias dioceses, dos peregrinos e de patrocínios privados, e esta informação está acessível a qualquer pessoa minimamente interessada na verdade?

Estes são os "Princípios" da Rede Globo, senhores editores? A julgar pela edição de 18/08, o Jornal HOJE considera mais relevantes, do ponto de vista jornalístico, umas centenas contra o Papa que um milhão com ele!

Não se enganem, cristãos! Querem nos fazer crer que a maioria está contra nós, quando na verdade é uma minoria que nos quer submeter a seu regime de terror!

Jovens - futuro da Sagrada Liturgia



Solene Pontifical celebrado na Igreja de San Francisco de Sales em Madri para os jovens participantes da Jornada Mundial da Juventude.

O celebrante é o bispo de Fréjus-Toulon,  Dom Dominique Rey, que tive a alegria de conhecer há mais de 10 anos em Toulon, quando lá estive visitando um antigo professor, Pe. Thierry Dassé. Na ocasião, Dom Rey ainda estava mais vinculado aos novos movimentos e falou-me com entusiasmo sobre a Shalom que ele conheceu e levou para sua diocese. Penso que ainda se encontram lá alguns missionários leigos da Shalom.

Jovens, por que e para que vieram à JMJ em Madri?



Trecho do Discurso de Bento XVI na Cerimônia de Boas-Vindas no Aeroporto de Madri

(...)

Esta multidão de jovens que veio a Madri… porque e para que vieram? Embora a resposta deva ser dada por eles próprios, pode-se entretanto pensar que desejam escutar a Palavra de Deus, como lhes foi proposto no lema para esta Jornada Mundial da Juventude, de tal maneira que, arraigados e edificados em Cristo, manifestem a firmeza da sua fé.

Muitos deles talvez tenham ouvido a voz de Deus apenas como um leve sussurro, que os impeliu a procurá-Lo mais diligentemente e a partilhar com outros a experiência da força que tem na suas vidas. Esta descoberta do Deus vivo revigora os jovens e abre os seus olhos para os desafios do mundo onde vivem, com as suas possibilidades e limitações. Vêem a superficialidade, o consumismo e o hedonismo imperantes, tanta banalidade na vivência da sexualidade, tanto egoísmo, tanta corrupção. E sabem que, sem Deus, seria difícil afrontar estes desafios e ser verdadeiramente felizes, colocando para isso todo o entusiasmo na consecução duma vida autêntica. Mas, com Ele a seu lado, terão luz para caminhar e razões para esperar, não se detendo nem mesmo diante dos ideais mais altos, que hão de motivar os seus generosos compromissos para a construção de uma sociedade onde se respeite a dignidade humana e uma efetiva fraternidade. Aqui, nesta Jornada, têm uma ocasião privilegiada para colocar em comum as suas aspirações, trocar reciprocamente a riqueza das suas culturas e experiências, animar-se mutuamente num caminho de fé e de vida, no qual alguns se julgam sozinhos ou ignorados nos seus ambientes quotidianos. Mas não! Não estão sozinhos. Muitos da sua idade partilham os mesmos propósitos deles e, confiando inteiramente em Cristo, sabem que têm realmente um futuro à sua frente e não temem os compromissos decisivos que preenchem toda a vida. Por isso me dá imensa alegria poder escutá-los, rezarmos juntos e celebrar a Eucaristia com eles. A Jornada Mundial da Juventude traz-nos uma mensagem de esperança, como uma brisa de ar puro e juvenil, com aromas renovadores que nos enchem de confiança face ao amanhã da Igreja e do mundo.

Não faltam, certamente, dificuldades. Subsistem tensões e confrontos em aberto em muitos lugares do mundo, inclusive com derramamento de sangue. A justiça e o sublime valor da pessoa humana facilmente se curvam a interesses egoístas, materiais e ideológicos. Não sempre se respeita, como é devido, o meio ambiente e a natureza, que Deus criou com tanto amor. Além disso, muitos jovens olham com preocupação para o futuro diante da dificuldade de encontrar um trabalho digno, ou por terem perdido o emprego, ou por ser este muito precário. Há outros que precisam de prevenção para não cair na rede das drogas, ou de uma ajuda eficaz, caso desgraçadamente já tenham caído nela. Há muitos que, por causa da sua fé em Cristo, são vítimas de discriminação, que gera o desprezo e a perseguição, aberta ou dissimulada, que sofrem em determinadas regiões e países. Molestam-lhes querendo afastá-los d’Ele, privando-os dos sinais da sua presença na vida pública e silenciando mesmo o seu santo Nome. Mas, eu volto a dizer aos jovens, com todas as forças do meu coração: Que nada e ninguém vos tire a paz; não vos envergonheis do Senhor. Ele fez questão de fazer-se igual a nós e experimentar as nossas angústias para levá-las a Deus, e assim nos salvou.

Neste contexto, é urgente ajudar os jovens discípulos de Jesus a permanecerem firmes na fé e a assumirem a maravilhosa aventura de anunciá-la e testemunhá-la abertamente com a sua própria vida. Um testemunho corajoso e cheio de amor pelo homem irmão, ao mesmo tempo decidido e prudente, sem ocultar a própria identidade cristã, num clima de respeitosa convivência com outras legítimas opções e exigindo ao mesmo tempo o devido respeito pelas próprias.

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Fonte: Santa Sé

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Entre todas a mais Bela!



Para a meditação dos que celebram hoje a festa da glorificação da Mãe de Deus e dos que haverão de celebrá-la no próximo domingo:

Da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, do papa Pio XII

Nas homilias e orações para o povo na festa da Assunção da Mãe de Deus, santos padres e grandes doutores dela falaram como de uma festa já conhecida e aceita. Com a maior clareza a expuseram; apresentaram seu sentido e conteúdo com profundas razões, colocando especialmente em plena luz o que esta festa tem em vista: não apenas que o corpo morto da Santa Virgem Maria não sofrera corrupção, mas ainda o triunfo que ela alcançou sobre a morte e a sua celeste glorificação, a exemplo de seu Unigênito, Jesus Cristo.

São João Damasceno, entre todos o mais notável pregoeiro desta verdade da tradição, comparando a Assunção em corpo e alma da Mãe de Deus com seus outros dons e privilégios, declarou com vigorosa eloqüência: “Convinha que aquela que guardara ilesa a virgindade no parto, conservasse seu corpo, mesmo depois da morte, imune de toda corrupção. Convinha que aquela que trouxera no seio o Criador como criancinha fosse morar nos tabernáculos divinos. Convinha que a esposa, desposada pelo Pai, habitasse na câmara nupcial dos céus. Convinha que, tendo demorado o olhar em seu Filho na cruz e recebido no peito a espada da dor, ausente no parto, o contemplasse assentado junto do Pai. Convinha que a Mãe de Deus possuísse tudo o que pertence ao Filho e fosse venerada por toda criatura como mãe e serva de Deus”.

São Germano de Constantinopla julgava que o fato de o corpo da Virgem Mãe de Deus estar incorrupto e ser levado ao céu não apenas concordava com sua maternidade divina, mas ainda conforme a peculiar santidade deste corpo virginal: “Tu, está escrito, surges com beleza (cf. Sl 44,14); e teu corpo virginal é todo santo, todo casto, todo morada de Deus; de tal forma que ele está para sempre bem longe de desfazer-se em pó; imutado, sim, por ser humano, para a excelsa vida da incorruptibilidade. Está vivo e cheio de glória, incólume e participante da vida perfeita”.

Outro antiqüíssimo escritor assevera: “Portanto, como gloriosa mãe de Cristo, nosso Deus salvador, doador da vida e da imortalidade, foi por ele vivificada para sempre em seu corpo na incorruptibilidade; ele a ergueu do sepulcro e tomou para si, como só ele sabe”.

Todos estes argumentos e reflexões dos santos padres apóiam-se como em seu maior fundamento nas Sagradas Escrituras. Estas como que põem diante dos olhos a santa Mãe de Deus profundamente unida a seu divino Filho, participando constantemente de seu destino.

De modo especial é de lembrar que, desde o segundo século, os santos padres apresentam a Virgem Maria qual nova Eva para o novo Adão: intimamente unida a ele – embora com submissão – na mesma luta contra o inimigo infernal (como tinha sido previamente anunciado no proto-evangelho [cf. Gn 3,15]), luta que iria terminar com a completa vitória sobre o pecado e a morte, coisas que sempre estão juntas nos escritos do Apóstolo das gentes (cf. Rm 5 e 6; 1Cor 15,21-26.54-57). Por este motivo, assim como a gloriosa ressurreição de Cristo era parte essencial e o último sinal desta vitória, assim também devia ser incluída a luta da santa Virgem, a mesma que a de seu Filho, pela glorificação do corpo virginal. O mesmo Apóstolo dissera: Quando o que é mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá o que foi escrito: A morte foi tragada pela vitória (1Cor 15,54; cf. Os 13,14).

Por conseguinte, desde toda a eternidade unida misteriosamente a Jesus Cristo, pelo mesmo desígnio de predestinação, a augusta Mãe de Deus, imaculada na concepção, virgem inteiramente intacta na divina maternidade, generosa companheira do divino Redentor, que obteve pleno triunfo sobre o pecado e suas conseqüências, ela alcançou ser guardada imune da corrupção do sepulcro, como suprema coroa dos seus privilégios. Semelhantemente a seu Filho, uma vez vencida a morte, foi levada em corpo e alma à glória celeste, onde, rainha, refulge à direita do seu Filho, o imortal rei dos séculos.

Lembrai-vos, Mãe Santíssima, de Helena Conceição dos Santos, nascida há 90 anos neste dia que vos é consagrado.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A Teologia da Libertação do Partido Comunista da China

Soldados da Guarda Suíça Vaticana preparando-se para invadir a China

A imprensa controlada chinesa publicou um artigo sobre a questão das nomeações episcopais na China. O artigo visa obviamente a um público exterior, ao qual os comunistas querem convencer de que o problema é uma questão de soberania e relação entre Estados – e não uma afronta à liberdade da Igreja. Mira igualmente um grupo de fiéis chineses, aos quais apresenta o falso problema da sobrevivência da Igreja e a evangelização na China.

Aos de fora dizem: a China não abre mão de sua soberania. Aos fiéis: estamos preocupados com o bem da Igreja.

O artigo poderia ter sido escrito pelos nossos “ideólogos da libertação”. Aliás, é possível que os "teólogos" chineses tenham colhido algumas ideias de sua recente visita à sede da CNBB. Mas, embora não tenham sido eles a escrevê-lo, haverão de subscrevê-lo.  

Eis o texto:  

No fim do mês passado, o Primeiro-Ministro Irlandês Enda Kenny levantou-se no parlamento e criticou abertamente a Igreja Católica por seu papel no duradouro escândalo de abuso infantil [Abuso sexual são “palavrinhas” mágicas; até quem não tem minimamente compromisso com a segurança e o bem-estar das crianças usam-nas como licença para as mais absurdas acusações contra a Igreja. E por isso, em geral, elas abrem os textos. É um recurso canalha, mas costuma funcionar.].

Ele acusou o Vaticano de interferência nos assuntos de uma estado soberano. Enda Kenny disse que o Vaticano revelou “desorganização, desconexão, elitismo, (e) narcisismo”.  E para completar, ele continuou dizendo: “Estamos cansados de ouvir falar de direito canônico. Isto aqui é uma República, o que vale é o direito civil.”

Isto, vindo do líder de um país outrora descrito por Paulo VI como “o país mais católico do mundo”. O Vaticano, como era de se esperar, chamou de volta seu enviado à Irlanda.  

Para entender a natureza crucial deste evento é preciso entender a história da Europa. É a de uma constante luta contra o poder da Igreja. O poder de Roma não era apenas religioso, mas também político e econômico. À medida em que surgiam os Estados Nacionais, o jugo da jurisdição do Papa era progressivamente questionado. Impérios individuais, àquela altura Estados Nacionais tentaram separar-se. Alguns, como a Itália, limitou de fato o poder do Papa aos 44 hectares que formam o estado soberano do Vaticano, como acordado no Tratado Lateranense de 1929.

Outros estados como Inglaterra, Escandinávia e partes da Alemanha abandonaram completamente o catolicismo, sob o signo da Reforma. Poder-se-ia dizer que a obsessão americana com a separação entre Igreja e Estado provém do fato de que a tradição protestante nos Estados Unidos nasceu da luta com uma Igreja que chegou a ser mais poderosa que qualquer estado.

O resquício do poder temporal da Igreja está agora concentrado na Cidade do Vaticano e ele ainda exerce uma influência que é enormemente desproporcional ao seu diminuto tamanho. Ele nomeia cardeais em outros países, seus padres mais antigos no exterior têm proteção diplomática e, soubemos disto pelo PM irlandês, eles podem interferir nos assuntos de estados soberanos.

A história da China desenrola-se fora das terras históricas da Cristandade e sua experiência é totalmente diferente. A China pode respeitar a decisão dos Europeus de permitir ao Vaticano o tipo de liberdade de ação de que ele goza nos seus países.

É a bagagem cultural do Ocidente e um problema seu. Mas a China é bastante ciosa de seus direitos a ponto de questionar o poder do Estado do Vaticano de ter autoridade exclusiva na nomeação de padres [bispos] em terras distantes.

O Papa, vê-se, não é apenas o Vigário de Roma [Vigário de Cristo e Bispo de Roma], que é um de seus títulos. Ele é também um chefe de Estado, com soldados que portam armas de verdade, um corpo diplomático e um banco. Os Europeus podem preferir ver isto como pitoresco, mas a China questiona o princípio de deixar um estado estrangeiro ditar a outro o que ocorre em seu próprio território.

O Vaticano tem ainda uma história de intromissão na política, ameaçando de excomunhão os políticos católicos que se desviam da linha do partido, como nos idos de 1960 na Bélgica e na Holanda.

A Igreja é uma instituição admirável que leva conforto espiritual a centenas de milhões de pessoas através do mundo, mas é também pragmática, já se adaptou e se transformou, às vezes irreconhecivelmente, ao longo dos séculos.

Ela deve reconhecer que não se deve esperar que a China adira inquestionavelmente a regras culturalmente estranhas de cuja criação ela não tomou parte, menos ainda àquelas que na verdade enfraquecem a Igreja em vez de fortalecê-la.

Como os eventos da Irlanda têm mostrado, o Vaticano não tem nada a ganhar contrariando suas nações anfitriãs. O amplo apoio que o PM irlandês recebeu depois de sua diatribe demonstrou que o povo irlandês majoritariamente pôs sua lealdade ao governo acima daquela ao Vaticano, sem se tornarem menos católicos [É o que se verá.]. Instituições evoluem e o deveria também a Igreja.

Por que os chineses não podem escolher seus próprios bispos, idealmente sem a interferência de qualquer estado, seja local ou estrangeiro? Excomungá-los é uma ferramenta medieval que não tem lugar em 2011, seja na China ou alhures.

O Vaticano deveria se adaptar para levar em consideração o potencial de uma país como a China e suas diferenças culturais.

De outro modo, a Igreja arrisca-se a ser vista como mais preocupada com seu poder temporal que com as necessidades espirituais de seu rebanho chinês.

Tradução: OBLATVS

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

"Rede de Comunidades" e Missa Dominical, ideias para o debate

O mais recente tema pastoral tem sido a formação de “rede de comunidades”. Entre os objetivos da estratégia pastoral estão a formação de pequenos grupos eclesiais, a descentralização de serviços pastorais e a criação de “comunidades” fisicamente mais próximas das casas das pessoas. Supondo uma área pastoral extensa e populosa, teríamos dezenas de núcleos ou pequenas comunidades eclesiais. Evidentemente os padres não se multiplicariam, como que por encanto, na mesma proporção; logo, tais comunidades formariam habitualmente um movimento dos sem missa.

Formar pequenos grupos, sem que se perca de vista a unidade e a indivisibilidade da Igreja de Cristo; descentralizar os serviços pastorais, que nem sempre requerem a presença física ou contínua do sacerdote; e aproximar a Igreja das pessoas parecem justificativas mais do que razoáveis para um projeto de setorização, criação de células, ou outro nome que se lhe queira dar. Mas e a Eucaristia?

Não se trata da “celebração dominical com a distribuição da Sagrada Comunhão”, mas da Santa Missa, do Sacrifício que só o sacerdote pode oferecer. Trata-se do Domingo, do Culto, da própria natureza da Igreja de Cristo que não se confunde com a dos grupos protestantes. Pode uma estratégia pastoral que se pretenda católica inspirar-se numa protestante quando a concepção eclesial subjacente à ultima é incompatível com as notas da Igreja fundada por Nosso Senhor?

As comunidades surgem naturalmente e, na maioria das vezes, não podem contar desde o início com Missas regulares, menos ainda com a Missa Dominical. Tais comunidades, entretanto, privadas da Missa, estão sempre na expectativa desta; sua situação está longe de ser considerada normativa do ponto de vista católico. A criação artificial de comunidades que antes se congregavam num único lugar de culto poderia ter como consequência o afastamento gradual e definitivo da Santa Missa Dominical.

Já em 1985, o então Cardeal Ratzinger falara indiretamente do tema numa conferência dada em Essen (RATZINGER, J. Sul Significato della Domenica per la preghiera e la vita del cristiano: Liturgia dominicali senza sacerdote. In: ______. Opera Omnia: Teologia della Liturgia, Città del Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 2011. p. 287-291). O cardeal coloca questões que precisam ser consideradas na elaboração de um plano pastoral que contemple a formação da chamada “rede de comunidades” nas paróquias, pois seria frustrante se um projeto de evangelização tão bem intencionado servisse à fragmentação social, à descaracterização eclesial e à evasão sacramental.

Eis uma parte da conferência que interessa (tradução e negritos são meus):

LITURGIAS DOMINICAIS SEM SACERDOTE

São dois os princípios que, consequentemente às nossas reflexões, devem guiar o nosso agir na prática.

1. Vale a prioridade do Sacramento sobre a psicologia. Vale a prioridade da Igreja sobre o grupo.

2. Com o pressuposto desta ordem hierárquica, as Igrejas locais devem procurar a resposta correta para as respectivas situações, sabendo que seu dever essencial é a salvação dos homens (salus animarum). Em tal orientação de todo seu trabalho se reencontram tanto o seu vínculo quanto sua liberdade.

Consideremos agora ambos os princípios mais de perto. Nas terras de missão, na diáspora, em situações de perseguição, não há nada de novo no fato de que aos Domingos a Celebração Eucarística seja inacessível e que então se deva tentar, na medida do possível, sintonizar-se interiormente com a celebração dominical da Igreja. Entre nós a queda das vocações sacerdotais suscita sempre mais sensivelmente situações de tal gênero que até então eram em grande parte insólitas. Infelizmente, a busca da solução justa é frequentemente ofuscada por ideologias de caráter coletivista que servem mais de obstáculo que de ajuda para as reais exigências. Diz-se, por exemplo: toda igreja que antes tinha um pároco ou então uma regular celebração dominical deve continuar a ser lugar de reunião festiva da comunidade local. Apenas assim a igreja permaneceria sendo o ponto central do lugar; apenas assim a comunidade permaneceria viva como comunidade. Por este motivo seria mais importante para ela reunir-se exatamente ali ouvindo e celebrando a Palavra de Deus do que aproveitar a oportunidade, que existe de fato, de participar da própria Celebração Eucarística numa igreja situada na vizinhança.

Nesta argumentação há muitos elementos plausíveis e, indubitavelmente, também boas intenções. Mas são esquecidos critérios fundamentais da fé. Em tal visão, a experiência do estar juntos, o cuidado da comunidade local, está acima do dom do Sacramento. Sem dúvida, a experiência do estar juntos é mais diretamente acessível e mais facilmente explicável quando não há o Sacramento. Torna-se pois espontânea a migração da dimensão objetiva da Eucaristia para a subjetiva da experiência, da dimensão teológica àquelas sociológica e psicológica. Mas as consequências de um tal antepor a condivisão vivida à realidade sacramental são graves: a comunidade em tal caso celebra a si mesma. A igreja torna-se um veículo para um objetivo social; ademais, deste modo se torna escrava de um romantismo que na nossa sociedade caracterizada pela mobilidade é no mínimo anacrônico. É verdade que no início as pessoas, cheias de alegria, sentem-se valorizadas pelo fato de que agora elas próprias celebram na sua igreja, que podem “fazê-lo por si mesmas”. Mas logo percebem que agora não há outra coisa senão aquilo que fazem elas mesmas; que não recebem mais nada, mas celebram a si mesmas. Neste caso, porém, tudo se torna uma coisa que se pode igualmente fazer um pouco menos, já que agora o culto dominical, substancialmente, não vai além daquilo que se faz geralmente e sempre. Não mais diz respeito a uma ordem diversa; é também ele agora somente “produção própria”. É pois impossível que lhe possa ser inerente aquela “obrigação” absoluta de que a Igreja sempre falou. Tal critério, porém, estende-se depois com intrínseca lógica também à autêntica Celebração Eucarística. Uma vez que a Igreja mesma parece dizer que a assembleia é mais importante que a Eucaristia, então também a Eucaristia é, exatamente, somente “assembleia” – de outro modo, de fato, a equiparação não seria possível; e então a Igreja inteira se rebaixa ao nível do “faça por si mesmo” e ao fim se dá razão à triste visão de Durkheim, segundo o qual religião e culto não são outra coisa além de formas de estabilização social através da autoapresentação da sociedade. Mas tão logo se tome consciência disto, tal estabilização não funciona mais, já que ela somente se realiza quando se pensa que esteja em jogo algo a mais. Quem eleva a comunidade a um fim direto, é exatamente aquele que lhe dissolve os fundamentos. Aquilo que inicialmente parece tão piedoso e plausível, é na realidade uma reviravolta dos critérios e das ordens, que toca as raízes, e com o qual, depois de algum tempo, se obtém o contrário daquilo que se desejava. Somente conservando o seu caráter totalmente incondicionado e a sua absoluta prioridade sobre toda finalidade social e sobre toda intenção de edificação espiritual, o Sacramento cria comunidade e “edifica” o homem. Mesmo uma celebração sacramental psicologicamente menos rica e, do ponto de vista subjetivo, privada de esplendor e enfadonha, é incomparavelmente (se podemos exprimir de modo tão utilitarista) também “socialmente” mais eficaz que a auto-edificação psicológica e socialmente bem sucedida da comunidade. Trata-se, de fato, da questão fundamental, se aqui acontece algo que não provém de nós mesmos, ou se ao invés apenas estamos nós a projetar e a plasmar uma atmosfera de comunhão. Se não existe “a obrigação” superior do Sacramento, torna-se vazia a liberdade que agora se toma, porque permanece privada de seu conteúdo.

As coisas são completamente diversas quando se trata de um caso de verdadeira necessidade. Então, de fato, não é que com uma celebração sem sacerdote tudo se reduza à esfera somente humana; neste caso, esta representa sobretudo o gesto comum com o qual cada um se projeta para o “dominicus”, o Domingo da Igreja. Com esta ação, se vincula então ao comum dever e querer da Igreja e, portanto, ao próprio Senhor. A pergunta decisiva é: onde está o limite entre vontade pessoal e verdadeira necessidade? Este limite não pode ser traçado de modo abstratamente unívoco e será sempre flutuante também no detalhe. Ele deve ser encontrado nas situações particulares pela sensibilidade pastoral dos interessados, em sintonia com o Bispo. Existem regras que podem ser úteis. Que não seja lícito a um sacerdote celebrar mais de três vezes aos Domingos, não é uma fixação positiva do direito canônico, mas corresponde aos limites do que é realmente exequível. Esta é uma disposição do ponto de vista do celebrante; no que diz respeito aos fiéis, é preciso colocar-se a questão da razoabilidade das distâncias a serem superadas e da acessibilidade das celebrações em tempos convenientes. De tudo isto não se deveria tanto construir uma casuística pré-fabricada, mas deixar espaço à decisão conscienciosa em consideração das exigências. O essencial é que se respeite a ordem justa do grau de importância e que a Igreja não celebre a si mesma, mas o Senhor que ela recebe na Eucaristia – do qual vai ao encontro nas situações em que a comunidade sem sacerdote se projeta para o dom que Ele constitui.

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