"Oblatus est, quia ipse voluit, et peccata nostra ipse portavit!"

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Mensagem do Papa ao Patriarca de Constantinopla


O Cardeal Kurt Koch guia pela primeira vez a Delegação da Santa Sé para a festa de Santo André, Patrono do Patriarcado Ecumênico, no quadro da troca anula de delegações para as respectivas festas dos Santos patronos. O Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos está acompanhado pelo Secretário do Dicastério, Dom Brian Farrel, e do Rev. Andrea Palmieri, Oficial. Em Istambul uniu-se à Delegação da Santa Sé o Núncio Apostólico na Turquia, Dom Antonio Lucibello. A Delegação participou da Solene Divina Liturgia, presidida por Bartolomeu I na Igreja Patriarcal do Fanar e teve um encontro com o Patriarca e com a Comissão sinodal encarregada das relações com a Igreja Católica. O Cardeal Koch entregou ao Patriarca Ecumênico uma mensagem autógrafa do Papa, da qual deu pública leitura, acompanhada de um presente. 



A Sua Santidade Bartolomeu I
Arcebispo de Constantinopla
Patriarca Ecumênico

É com grande alegria que na ocasião da Festa de Santo André Apóstolo, irmão de São Pedro e Patrono do Patriarcado Ecumênico, lhe dirijo esta carta, confiada ao Venerável Irmão o Cardeal Kurt Koch, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, para desejar a Vossa Santidade, aos membros do Santo Sínodo, ao clero, aos monges e a todos os fiéis, abundância de dons celestes e de bençãos divinas.

Neste alegre dia de festa, juntamente com todos os irmãos e irmãs católicos, uno-me a Vossa Santidade na ação de graças a Deus pelas maravilhas que Ele realizou, na sua misericórdia, através da vida e do martírio de Santo André. Os Apóstolos, oferecendo generosamente a sua vida em sacrifício pelo Senhor e pelos seus irmãos, deram testemunho da Boa Nova por eles proclamada até os confins do mundo então conhecido. A Festa do Apóstolo, que cai no mesmo dia nos calendários litúrgicos do Oriente e do Ocidente, representa, para todos aqueles que pela graça de Deus e pelo dom do Batismo aceitaram a mensagem da salvação, um forte convite a renovar a própria fidelidade ao ensinamento dos Apóstolos a se tornarem anunciadores incansáveis da fé em Cristo, com a palavra e o testemunho de vida.

Neste nosso tempo, tal convite é urgente como nunca antes e interpela todos os cristãos. Num mundo marcado por uma crescente interdependência e solidariedade, somos chamados a proclamar com renovada convicção a verdade do Evangelho e a apresentar o Senhor Ressuscitado como a resposta às mais profundas perguntas e anseios espirituais dos homens e das mulheres de hoje.

A fim de poder alcançar esta grande meta, devemos continuar a progredir no caminho em direção à plena comunhão, demostrando que já unimos os nossos esforços para um testemunho comum do Evangelho diante dos homens do nosso tempo. Por esta razão quero exprimir a minha sincera gratidão a Vossa Santidade e ao Patriarcado Ecumênico pela generosa hospitalidade oferecida, em outubro passado na Ilha de Rodes, aos Delegados das Conferências Episcopais da Europa, que se reuniram com representantes das Igrejas Ortodoxas da Europa para o II Fórum Católico-Ortodoxo sobre o tema "Relações Igreja-Estado: perspectivas teológicas e históricas".

Santidade, sigo com atenção os seus sábios esforços pelo o bem da Ortodoxia e pela promoção dos valores cristãos em muitos contextos internacionais. Assegurando-lhe, nesta Festa de Santo André Apóstolo, a lembrança em minhas orações, renovo meus votos de paz, saúde e de abundantes bênçãos espirituais sobre Vossa Santidade e sobre todos os fiéis.

Com sentimentos de estima e proximidade espiritual, ofereço-lhe um abraço fraterno no nome de n osso único Senhor Jesus Cristo.

Vaticano, 30 de novembro de 2010


BENEDICTUS PP XVI
Fonte: Santa Sé

Tradução: OBLATVS 


sábado, 27 de novembro de 2010

Beleza e Simplicidade na Sagrada Liturgia




O artigo abaixo é do Padre Uwe Lang e foi publicado nas edições inglesa e italiana de Zenit.

Uwe Michael Lang é padre da Congregação do Oratório de São Felipe Neri em Londres. Em setembro de 2008, o Papa Bento XVI nomeou-o consultor do Departamento para as Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice.






A NOBRE SIMPLICIDADE DOS PARAMENTOS LITÚRGICOS

Uwe Michael Lang, CO

A tradição sapiencial da Bíblia proclama Deus como "o próprio autor da beleza" (Sb 13,3), glorificando-o pela grandeza e beleza das obras da criação. O pensamento cristão, seguindo o exemplo da Sagrada Escritura, mas também da filosofia clássica como auxiliar, desenvolveu o conceito de beleza como uma categoria teológica.

Este ensinamento ressoou na homilia de Bento XVI durante a Missa de Dedicação da Basílica da Sagrada Família em Barcelona (7/11/2010): "A beleza é também reveladora de Deus porque, como Ele, uma obra bela é pura gratuidade; ela nos chama à liberdade e afasta-nos do egoísmo". A beleza divina manifesta-se a si mesma de uma forma totalmente particular na sagrada liturgia, também através de coisas materiais das quais o homem, feito de alma e corpo, necessita para chegar às realidades espirituais: o edifício do culto, o mobiliário, os paramentos, as imagens, a música, a dignidade das próprias cerimônias.

Releia-se a propósito o quinto capítulo sobre "Decoro da Celebração Litúrgica" na encíclica Ecclesia de Eucharistia do Papa João Paulo II (17/04/2003), onde ele afirma que o próprio Cristo quis um ambiente adequado e decoroso para a Última Ceia, mandando que seus discípulos o preparassem na casa de um amigo que tinha uma "grande sala mobiliada no andar superior" (Lc 22,12; Mc 14, 15). A encíclica recorda também a unctio de Betânia, um evento significativo que antecipa a instituição da Eucaristia (cf. Mt 26; Mc 14; Jo 12). Diante do protesto de Judas, para quem a unção com o precioso perfume era um "desperdício" inaceitável, dada a necessidade dos pobres, Jesus, sem diminuir a obrigação de caridade concreta para com os necessitados, declarou seu enorme apreço pela atitude da mulher, porque a unção que ela realizou antecipou aquelas "honras de que continuará a ser digno o seu corpo mesmo depois da morte, porque indissoluvelmente ligado ao mistério da sua pessoa." (Ecclesia de Eucharistia, 47). João Paulo II conclui que a Igreja, como a mulher de Betânia, "a Igreja não temeu «desperdiçar», investindo o melhor dos seus recursos para exprimir o seu enlevo e adoração diante do dom incomensurável da Eucaristia" (ibid., 48). A liturgia exige a melhor de nossas possibilidades para glorificar a Deus, Criador e Redentor.

No fundo, o cuidado atento pelas igrejas e pela liturgia deve ser uma expressão do amor ao Senhor. Mesmo nos lugares onde a Igreja não têm muitos recursos materiais, esta obrigação não pode ser negligenciada. Um importante Papa do século 18, Bento XIV (1740-1758) em sua encíclica Annus Qui Hunc (19/02/1749), dedicada sobretudo à música sacra, já exortava seu clero a manter as igrejas bem equipadas com todos os objetos litúrgicos necessários para a digna celebração da liturgia: "Nós queremos destacar que não estamos falando da suntuosidade e magnificência dos Templos Sagrados, ou da preciosidade dos objetos sagrados, nós bem sabemos que não podemos tê-los em toda parte. Falamos de decência e limpeza as quais a ninguém é lícito negligenciar, sendo decência e limpeza compatíveis com pobreza".

A Constituição sobre a Sagrada Liturgia do Concílio Vaticano II pronunciou-se de modo similar: "Ao promoverem uma autêntica arte sacra, prefiram os Ordinários à mera sumptuosidade uma beleza que seja nobre. Aplique-se isto mesmo às vestes e ornamentos sagrados" (Sacrosanctum Concilium, 124). Esta passagem refere-se ao conceito de "nobre simplicidade" introduzido na mesma constituição no número 34. Este conceito parece ter origem no arqueólogo e historiador da arte alemã, Johann Joachim Winckelmann (1717-1768), segundo o qual a escultura clássica grega caracterizava-se pela "nobre simplicidade e silenciosa grandeza".

No início do século 20, o conhecido liturgista inglês Edmund Bishop (1846-1917) descreveu o "gênio do Rito Romano" como marcado pela simplicidade, sobriedade e dignidade (cf. E. Bishop, "Liturgica Historica," Clarendon Press, Oxford, 1918, pp. 1-19). Esta descrição não é desprovida de mérito, mas é necessário estar atento à sua interpretação: o Rito Romano é "simples" se comparado a outros ritos históricos, tais como os Orientais que se distinguem pela grande complexidade e suntuosidade. Portanto, a "nobre simplicidade" do Rito Romano não deve ser confundida com uma mal compreendida "pobreza litúrgica" e um intelectualismo que pode levar à ruína da solenidade, fundamento do culto divino (cf. a essencial contribuição de São Tomás de Aquino na Summa Theologiae III, q. 64, a. 2; q. 66, a 10; q. 83, a. 4).

A partir de tais considerações é evidente que os paramentos sagrados devem contribuir para "o decoro da ação sagrada" (IGMR, 335), sobretudo "pela forma e pelo material usado", mas também de modo comedido, nos ornamentos (ibid., 344). O uso dos paramentos litúrgicos expressa a hermenêutica da continuidade, sem excluir um estilo histórico particular.

Bento XVI oferece um modelo em seus celebrações quando ele usa tanto uma casula de estilo moderno quanto, em algumas ocasiões solenes, a casula "clássica", usada também por seus predecessores. Ele segue o exemplo do escriba, que tornou-se discípulo do reino dos céus, e que Jesus compara a um pai de família que tira de seu tesouro coisas novas e velhas, nova et vetera (Mt 13,52).

Fonte: Zenit

Tradução: OBLATVS
  

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Teólogo do Opus Dei defende comentários do Papa sobre preservativos. Em artigo de 2004!


MARTIN RHONHEIMER, nasceu em 1950 (Zürich, Suíça), estudou História, Filosofia, Ciência Política e Teologia em Zürich e Roma. Tem Doutorado em Filosofia pela Universidade de Zürich. Em 1983 foi ordenado sacerdote católico (incardinado na Prelazia da Santa Cruz e Opus Dei). É atualmente Professor de Ética e Filosofia Política na Faculdade de Filosofia da Pontifícia Universidade da Santa Cruz em Roma.


A verdade sobre os preservativos

Martin Rhonheimer

Muitas pessoas estão convencidas de que uma pessoa soropositiva sexualmente ativa deveria usar preservativo a fim de proteger seu parceiro da infecção. O que quer que se pense sobre um estilo de vida promíscuo, sobre atos homossexuais ou prostituição, tal pessoa age, ao menos, com um senso de responsabilidade ao tentar evitar a transmissão de sua infecção para outras.

Considera-se comumente que a Igreja Católica não apoia tal visão. Conforme sugeriu recentemente um o programa Panorama da BBC, acredita-se que a Igreja ensine que os homossexuais sexualmente ativos e as prostitutas deveriam evitar o uso dos preservativos porque os preservativos são "intrinsecamente maus" (The Tablet, 26 de junho). Muitos católicos pensam o mesmo. Um deles é Hugh Henry, diretor de educação do Linacre Centre em Londres, que disse a Austen Ivereigh no Tablet da semana passada que o uso do preservativo, ainda que usado exclusivamente para evitar a infecção do próprio parceiro sexual "desrespeita a estrutura fértil que os atos conjugais devem ter, não podem constituir o recíproco e completo dom pessoal de si e, portanto, viola o Sexto Mandamento".

Mas este não é o ensinamento da Igreja Católica. Não existe ensinamento magisterial oficial seja sobre preservativos, pílulas anovulatórias ou diafragmas. Preservativos não podem ser intrinsecamente maus, somente os atos humanos podem sê-lo; preservativos não são atos humanos, mas coisas. O que a Igreja Católica ensinou claramente ser "intrinsecamente mau" é um tipo específico de ato humano, definido por Paulo VI em sua encíclica Humanae Vitae, e posteriormente incluído no nº 2370 do Catecismo da Igreja Católica como "qualquer ação que, quer em previsão do ato conjugal, quer durante a sua realização, quer no desenrolar das suas consequências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação".

A contracepção, como um tipo específico de ato humano, inclui dois elementos: a vontade de praticar atos sexuais e a intenção de tornar a procriação impossível. Um ato contraceptivo, portanto, incorpora uma escolha contraceptiva. Como afirmei em um artigo no Linacre Quarterly em 1989, "uma escolha contraceptiva é a escolha de um ato que impede que os intercursos sexuais livremente consentidos, em que se preveem consequências procriativas, tenham tais consequências, e é uma escolha feita justamente por esta razão".

Por isto a contracepção, entendida como um ato humano qualificado como "intrinsecamente mau" ou desordenado não é determinado pelo que acontece no nível físico; não faz diferença se alguém impede que o intercurso sexual seja fértil tomando a pílula ou interrompendo-o de modo onanístico. A definição acima não distingue entre "fazer" ou "deixar de fazer", porque o coitus interruptus é um tipo de abstenção "ao menos parcial".

A definição de ato contraceptivo não se aplica, portanto, ao uso de contraceptivos para impedir possíveis consequências procriativas de uma violência sexual previsível; nesta circunstância a pessoa violentada não escolhe manter relações sexuais ou impedir uma possível consequência de seu próprio comportamento sexual, mas está simplesmente defendendo-se de uma agressão a seu próprio corpo e de suas indesejáveis consequências. Uma atleta que participa dos Jogos Olímpicos que toma uma pílula anovulatória para evitar a menstruação também não está fazendo "contracepção", porque não há intenção simultânea de praticar atos sexuais.

O ensinamento da Igreja Católica não diz respeito a preservativos ou aparatos físicos ou químicos similares, mas ao amor marital e ao significado essencialmente marital da sexualidade humana. O magistério afirma que, se pessoas casadas têm sérias razões para não ter filhos, elas devem modificar seu comportamento sexual pela abstenção, "ao menos periódica" dos atos sexuais. Para evitar destruir tanto o significado unitivo quanto o procriativo dos atos sexuais e, portanto, a plenitude da doação recíproca de si, elas não podem impedir que o ato sexual seja fértil praticando, ao mesmo tempo, o ato sexual.

Mas o que dizer das pessoas promíscuas, dos homossexuais sexualmente ativos e das prostitutas? O que a Igreja Católica lhes ensina é que simplesmente não deviam ser promíscuos, mas fiéis ao único parceiro sexual; que a prostituição é um comportamento que viola gravemente a dignidade humana, principalmente a dignidade da mulher e, portanto, não devia ser praticada; e que os homossexuais, como todas as outras pessoas, são filhos de Deus e amados por Ele como todos são, mas que eles deveriam viver me continência como toda e qualquer pessoa solteira.

Mas e se eles ignoram este ensinamento e correm o risco de contrair o HIV, deveriam eles usar preservativos para impedir a infecção? A norma moral que condena a contracepção como intrinsecamente má não se aplica a estes casos. Nem pode haver um ensinamento da Igreja sobre isto;é simplesmente um non-senso estabelecer normas morais para tipos de comportamento intrinsecamente imorais. Deveria a Igreja ensinar que um estuprador nunca deve usar preservativo porque ao fazer isto, além do pecado de violência sexual, ele estaria desrespeitando "o recíproco e completo dom pessoal de si e, portanto, viola o Sexto Mandamento"? Por certo que não.

O que devo dizer, como padre católico, a pessoas promíscuas ou homossexuais soropositivos que usam preservativos? Procurarei ajudá-los a viver uma vida sexual moral e bem ordenada. Mas eu não lhes direi que não usem preservativos. Simplesmente não falarei disto com eles e presumirei que se eles escolheram fazer sexo, manterão ao menos um senso de responsabilidade. Com tal atitude, respeito plenamente o ensinamento da Igreja Católica sobre contracepção.

Isto não é um apelo a "exceções" à norma que proíbe a contracepção. A norma sobre contracepção aplica-se sem exceção; a escolha contraceptiva é intrinsecamente má. Mas obviamente ela aplica-se somente aos atos contraceptivos, como definidos pela Humanae Vitae, os quais incorporam uma escolha contraceptiva. Nem todo ato em que é usado aparato "contraceptivo", de um ponto de vista puramente físico, é um ato contraceptivo de um ponto de vista moral, recaindo sob a norma ensinada pela Humanae Vitae.

Igualmente, um homem casado soropositivo e que usa o preservativo para proteger sua esposa da infecção não está agindo a fim de tornar a procriação impossível, mas para prevenir a infecção. Se a concepção é evitada, isto será um efeito colateral "inintencional" e, portanto, não determinará o significado moral da ação como um ato contraceptivo. Pode haver outras razões para advertir contra o uso do preservativo em tal caso, ou para aconselhar a total continência, mas não por causa do ensinamento da Igreja sobre contracepção, e sim por razões pastorais ou simplesmente prudenciais (o risco, por exemplo, de que o preservativo não funcione). Certamente este último argumento não se aplica a pessoas promíscuas, porque mesmo que os preservativos não funcionem sempre, seu uso ajudará a reduzir as más consequências de um comportamento moralmente mau.

Deter a epidemia mundial de AIDS não é uma questão sobre a moralidade do uso de preservativos, mas sobre como impedir efetivamente uma situação em que as pessoas provocam consequências desastrosas com seu comportamento sexual imoral. O Papa João Paulo II insistia repetidamente que a promoção do uso de preservativos não é uma solução para este problema porque para o Papa ele não resolve o problema moral da promiscuidade. Se, em geral, as campanhas que promovem os preservativos encorajam o comportamento de risco e tornam pior a pandemia de AIDS é uma questão de evidências estatísticas não facilmente disponíveis. Que reduzem as taxas de transmissão, a curto prazo, entre grupos altamente sujeitos à infecção, como prostitutas e homossexuais, é impossível negar. Se podem diminuir as taxas de infecção entre populações promíscuas "sexualmente liberadas" ou, pelo contrário, encorajar o comportamento de risco, depende de muitos fatores.

Em países africanos as campanhas antiaids baseadas no uso de preservativos são geralmente ineficazes, em parte, porque para um homem africano sua masculinidade se expressa fazendo um número maior de filhos possível. Para ele, os preservativos tornam o sexo uma atividade sem sentido. Esta é a razão pela qual - e isto é uma forte evidência em favor do argumento do Papa - o programa de Uganda está entre os poucos programas eficientes na África. Embora não exclua os preservativos, o programa ugandense encoraja uma mudança positiva no comportamento sexual (fidelidade e abstinência), à diferença das campanhas pelos preservativos, as quais contribuem para obscurecer ou mesmo destruir o significado do amor humano.

Campanhas para promover abstinência e fidelidade são definitiva e certamente o único remédio efetivo, a longo prazo, para combater a AIDS. Assim não há razão para que a Igreja considere as campanhas que promovem os preservativos como úteis para o futuro da sociedade humana. Mas também a Igreja não pode ensinar que as pessoas que mantêm estilos de vida imorais deveriam evitá-los.

Fonte: The Tablet, 10 de julho de 2004

Tradução: OBLATVS

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Comunicado da Santa Sé sobre a ordenação episcopal ilícita na China

Comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé sobre a Ordenação Episcopal em Chengde (Província de Hebei, China Continental)

[Com meus grifos e comentários]


No que diz respeito à ordenação episcopal do Reverendo Joseph Guo Jincai, que ocorreu no sábado passado, 20 de novembro, foram colhidas informações sobre o acontecido e agora é possível declarar inequivocamente o seguinte:

1. O Santo Padre recebeu as notícias com profundo pesar, porque a supracitada ordenação episcopal foi conferida sem o mandato apostólico e, portanto, constitui uma dolorosa ferida na comunhão eclesial e uma grave violação da disciplina católica (cf. Carta de Bento XVI à Igreja na China, 2007, n. 9).

2. É sabido que, nos últimos dias, vários Bispos foram submetidos a pressões e restrições em sua liberdade de movimento, com a finalidade de forçá-los a participar e conferir a ordenação episcopal. Tais constrangimentos, levados a cabo pelo governo chinês e autoridades de segurança, constitui uma grave violação da liberdade de religião e de consciência. A Santa Sé pretende realizar uma avaliação detalhada do acontecido, considerando inclusive o aspecto de validade e da posição canônica dos Bispos envolvidos
[A nota da Santa Sé refere-se sempre ao "Reverendo" Joseph Guo Jincai, sem antecipar um juízo sobre a validade do Rito de Sagração Episcopal realizado no último sábado. Em princípio é apenas ilícita, já que sem mandato pontifício; mas é possível que tenha sido também inválida, já que houve constrangimento físico e moral a alguns bispos para que dela tomassem parte ativa. É necessária ulterior e aprofundada avaliação, como declara a Santa Sé, para determinar quantos dos bispos presentes agiam livremente, com a necessária intenção de conferir o Sacramento. 
Também a posição canônica dos bispos envolvidos dependerá do grau de liberdade com que participaram do ato cismático. A excomunhão automática que recaiu sobre o Padre Joseph Jincai, como se lê abaixo, pode não se aplicar a todos os bispos presentes.]

3. Em todo caso, isto tem dolorosas repercussões, em primeiro lugar, para o Reverendo Joseph Guo Jincai que, por causa desta ordenação episcopal, encontra-se em seriíssima condição canônica ante à Igreja na China e à Igreja universal, expondo-se também a severas sanções previstas, em particular, pelo cânon 1382 do Código de Direito Canônico.
[O Padre Jincai está excomungado ipso facto.] 

4. Esta ordenação não apenas não contribui para o bem dos Católicos em Chengde, mas os deixa numa situação muito delicada e difícil, também do ponto de vista canônico, e os humilha, porque as Autoridades civis chinesas desejam impor-lhes um Pastor que não está em plena comunhão, seja com o Santo Padre seja com os outros Bispos ao redor do mundo.
[A situação canônica dos católicos da diocese de Chengde é "muito delicada e difícil" porque, em primeiro lugar, não é possível afirmar que o Padre Jincai tenha sido validamente sagrado bispo; e, ainda que o tenha sido, está sabidamente excomungado. O clero e os fiéis serão forçados a aceitar como Pastor alguém que não sabem se é bispo e que sabem estar excomungado. Sua situação canônica, dos padres e fiéis, também dependerá do grau de adesão dada livremente ao ato cismático realizado no último sábado.]

5. Várias vezes, durante o ano corrente, a Santa Sé comunicou claramente às Autoridades chinesas sua oposição à ordenação episcopal do Reverendo Joseph Guo Jincai. A despeito disto, as ditas Autoridades decidiram proceder unilateralmente em detrimento da atmosfera de respeito criada com grande esforço com a Santa Sé e com a Igreja Católica através das recentes ordenações episcopais. Sua pretensão de colocar-se acima dos Bispos e de guiar a vida da comunidade eclesial não corresponde à Doutrina Católica; isto ofende o Santo Padre, a Igreja na China e a Igreja universal, e torna mais complicadas as atuais dificuldades pastorais.
[A Santa Sé foi consultada e pressionada pelo governo chinês, e não cedeu. O Padre Joseph Jincai é um ativista da Associação Patriótica Católica e um político profissional, razão pela qual a Santa Sé se manteve inflexível.]


6. O Papa Bento XVI, na supramencionada Carta de 2007, expressou a disponibilidade da Santa Sé para um diálogo construtivo e respeitoso com as Autoridades da República Popular da China, a fim de superar as dificuldades e normalizar as relações (n. 4). Ao reafirmar esta disponibilidade, a Santa Sé lamenta que as Autoridades permitam que a liderança da Associação Patriótica Católica Chinesa, sob a influência do Sr. Liu Bainian, adote atitudes que ferem gravemente a Igreja Católica e criam obstáculos a tal diálogo.
[O grande entrave para o avanço das relações respeitosas entre o governo da China e a Santa Sé é a tal Associação Patriótica Católica e, em particular, seu líder. A Santa Sé apela para o senso de autoridade do governo chinês e declara abertamente para os católicos chineses que o Sr. Bainian é um inimigo da Igreja Católica. Sempre certo esteve o Cardeal Joseph Zen Ze-kiun, Bispo de Hong-Kong, ao afirmar que não haverá acordo enquanto existir a Associação Patriótica Católica, entidade cismática por natureza.]


7. Os Católicos do mundo inteiro estão acompanhando com particular atenção o tormentoso caminho da Igreja na China: a solidariedade espiritual com a qual eles acompanham as vicissitudes de seus irmãos e irmãs chineses torna-se fervorosa oração ao Senhor da história, a fim de que Ele possa ser-lhes próximo, aumente suas esperanças e fortaleza e lhes dê consolo nos momentos de provação.
[Um aceno à opinião pública mundial e um reiterado pedido de orações pela Igreja na China.]

24 de novembro de 2010
Fonte: Santa Sé

Tradução: OBLATVS 

Papa nomeia bispos auxiliares para o Rio de Janeiro

Do Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé:

"O Papa nomeou Auxiliares da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (Brasil):

- O Revmo. Sacerdote Pedro Cunha Cruz, do clero da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, até o momento Pároco da Paróquia de Santa Rita e Diretor da Faculdade Eclesiástica de Filosofia "João Paulo II", na cidade do Rio de Janeiro, atribuindo-lhe a sede titular episcopal de Agbia.

- O Revmo. Sacerdote Nelson Francelino Ferreira, do clero da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, até o momento Pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Glória, na cidade do Rio de Janeiro, atribuindo-lhe a sede titular episcopal de Alava.

- O Revmo. Sacerdote Paulo César Costa, do clero da diocese de Valença, até o momento Reitor do Seminário "Paulo VI" em Nova Iguaçu e Diretor do Departamento de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, atribuindo-lhe a sede titular episcopal de Esco."

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Bento XVI fala sobre preservativos e epidemia de AIDS

Alguns dias sem acesso à rede e fico com a sensação de que tudo acontece na minha ausência. Ao menos pude passar ao largo da mais recente polêmica envolvendo o Papa; só vim a tomar conhecimento dela quando já havia arrefecido. 

Refiro-me, claro, às palavras do Papa a respeito do uso dos preservativos em entrevista a Peter Seewald. Há quem as considere revolucionárias, e se apresse em condená-las, e há quem as considere insuficientes, condenando-as igualmente. Mas o que, afinal, disse o Papa?

Respondendo sobre AIDS, o Papa reafirmou a posição da Igreja e declarou que "não considera os preservativos como solução autêntica e moral" do problema da síndrome. Parasse aí, teríamos lido nos jornais as velhas manchetes atribuindo à Igreja e ao Papa a responsabilidade pelo avanço da epidemia. O Papa, porém, acrescenta que em certas situações - e dá a prostituição como exemplo - o uso do preservativo já é um "primeiro ato de responsabilidade" para com o outro. 

Os preservativos seriam, nestes casos, mais do que um "mal menor". Nestas circunstâncias, o uso do preservativo revelaria algo de positivo. Realmente, assim entendidas, as palavras do Papa contêm algo de novidadoso. 

Não demos, entretanto, às palavras de Bento XVI uma autoridade que elas não têm. Elas não têm valor magisterial. Mas também  não sejamos ingênuos a ponto de desconsiderar o peso de uma posição pessoal do Sumo Pontífice. Creio que estas suas palavras influenciarão irremediavelmente o debate a partir de agora. 

Novas na blogosfera

Bom saber que o Danilo Augusto do Igreja Una está de volta com um blog novo - http://blogonicus.blogspot.com/.

Um leitor de OBLATVS, também ele blogueiro, pede a divulgação de seu blog - http://cesaraugustoliveira.blogspot.com/ - que espero poder acompanhar e apreciar.


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Bispos anunciam ereção do Ordinariato inglês e dão mais detalhes

Estabelecimento de um Ordinariato Pessoal na Inglaterra e em Gales

Muito se alcançou ao longo de muitos anos como resultado do diálogo e das relações ecumênicas frutuosas que se desenvolveram entre a Igreja Católica e a Comunhão Anglicana. Obedientes à oração do Senhor Jesus Cristo ao seu Pai Celestial, a unidade da Igreja segue sendo um constante desejo na visão e na vida de Anglicanos e Católicos. A oração pela Unidade Cristã é a oração pelo dom da comunhão plena de uns com os outros. Nunca devemos nos cansar de rezar e trabalhar para este objetivo.

Durante sua visita ao Reino Unido em setembro, Sua Santidade o Papa Bento XVI foi, portanto, ao ponto ao destacar que a Constituição Apostólica Anglicanorum Coetibus: "…deveria ser vista como um gesto profético que pode contribuir positivamente para o desenvolvimento das relações entre Anglicanos e Católicos. Ajuda-nos a fixar nosso olhar na meta última de toda atividade ecumênica: a restauração da comunhão eclesial plena em cujo contexto a troca mútua de dons de nossos respectivos patrimônios espirituais serve de enriquecimento para todos nós”.

Faz um ano desde que a Constituição Apostólica foi publicada. A iniciativa do Papa provê o estabelecimento de Ordinariatos pessoais como um dos meios pelos quais os membros de tradição anglicana podem buscar a fim de ingressarem na comunhão plena com a Igreja Católica. Como o Santo Padre declarou naquela ocasião, ele respondia a pedidos por ele recebidos “repetida e insistentemente” da parte de grupos de anglicanos desejosos de “ser recebidos na plena comunhão individualmente e também corporativamente”. Desde então, ficou claro que um número de clérigos anglicanos e seus fiéis de fato desejam tornar seu desejo de plena comunhão eclesial com a Igreja Católica uma realidade na estrutura de um Ordinariato.
 
Em colaboração com a Congregação para a Doutrina da Fé (CDF) em Roma, os Bispos da Inglaterra e de Gales vêm preparando o estabelecimento de um Ordinariato no começo de janeiro de 2011. Embora possa haver dificuldades práticas nos próximos meses, os Bispos estão trabalhando a fim de superá-las a nível nacional e local.

Cinco bispos anglicanos que pretendem ingressar no Ordinariato já anunciaram sua decisão de renunciar ao ministério pastoral na Igreja da Inglaterra a partir de 31 de dezembro de 2010. Eles entrarão na plena comunhão com a Igreja Católica no começo de janeiro de 2011. Durante o mesmo mês, espera-se que o Decreto estabelecendo o Ordinariato será publicado e o nome do Ordinário anunciado. Logo em seguida, aqueles ex-bispos anglicanos não aposentados, cujos pedidos de ordenação foram aceitos pela CDF, serão ordenados para o Diaconato e o Sacerdócio Católicos para o serviço no Ordinariato.

Espera-se que os ex-bispos anglicanos aposentados, cujos pedidos de ordenação foram aceitos pela CDF, sejam ordenados para o Diaconato e o Sacerdócio Católicos antes da Quaresma. Isto lhes permitirá, juntamente com o Ordinário e os outros ex-bispos anglicanos, assistir a preparação e a recepção de ex-clérigos anglicanos e seus fiéis na comunhão plena com a Igreja Católica durante a Semana Santa.

Antes do começo da Quaresma, os clérigos anglicanos com grupos de fiéis que decidiram entrar no Ordinariato começarão um período de intensa formação para ordenação como sacerdotes católicos.

No começo da Quaresma, os grupos de fiéis juntamente com seus pastores serão inscritos como candidatos ao Ordinariato. Então, numa data a ser acordada entre o Ordinário e o Bispo diocesano local, eles serão recebidos na Igreja Católica e confirmados. Isto provavelmente ocorrerá ou na Semana Santa, na Missa da Quinta-feira Santa na Ceia do Senhor, ou durante a Vigília Pascal. O período de formação para os fiéis e seus pastores continuará até Pentecostes. Até lá, estas comunidades serão atendidas sacramentalmente por clérigos locais conforme determinado pelo Bispo diocesano e pelo Ordinário.

Por volta de Pentecostes, os ex-padres anglicanos, cujos pedidos de ordenação foram aceitos pela CDF, serão ordenados para o Sacerdócio Católico. Isto será precedido pela Ordenação Diaconal num determinado momento durante o Tempo Pascal. A formação em teologia católica e prática pastoral continuará por um tempo apropriado depois da ordenação.

Respondendo generosamente e oferecendo uma calorosa acolhida àqueles que buscam a plena comunhão eclesial com a Igreja Católica dentro do Ordinariato, os Bispos sabem que os clérigos e os fiéis que estão nesta jornada de fé trarão seus próprios tesouros espirituais que irão enriquecer ainda mais a vida espiritual da Igreja Católica na Inglaterra e Gales. Os bispos farão tudo que puderem para garantir que haja uma colaboração efetiva e imediata com o Ordinariato tanto a nível diocesano quanto paroquial. 

Finalmente, com as bênçãos e o encorajamento que receberam da recente Visita do Papa Bento, os Bispos Católicos da Inglaterra e de Gales estão determinados a continuar com o diálogo com outras Igrejas e Comunidades Eclesiais Cristãs naquela jornada em direção à comunhão na fé e à plenitude da unidade pela qual Cristo rezou.

Tradução: OBLATVS


terça-feira, 16 de novembro de 2010

Santa Sé terá novo Portal de Notícias

O Vaticano logo terá uma nova "casa" na internet. O novo portal online da Santa Sé foi anunciado hoje por Dom Claudio Maria Celli, presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, durante a apresentação da nova rede móvel para as transmissões em HD do Centro Televisivo Vaticano. O novo portal permitirá fazer 'confluir, também de modo multimedial, as várias fontes de notícias vaticanas', da Sala de Imprensa ao L'Osservatore Romano, da Rádio Vaticana ao Centro Televisivo Vaticano, à agência Fides da Congregação para a Evangelização dos Povos, coordenadas pelo próprio Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais. Os prazos de realização da nova home vaticana ainda serão definidos, enquanto sobre o nome "foram já feitas várias propostas - disse Dom Celli - mas ainda não há uma escolha definitiva; alguém sugeriu Vatican News". "O portal - explicou o prelado - será o ponto de encontro para os vários centros de produção de notícias da Santa Sé, para reuni-los num único meio", uma "exigência muito sentida pelos vários profissionais", embora mantendo a independência de cada órgão de informação.

Fonte: ASCA via Blog da Raffaella
Tradução: OBLATVS

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