"Oblatus est, quia ipse voluit, et peccata nostra ipse portavit!"

domingo, 31 de outubro de 2010

Nova Presidente do Brasil


"Obsecro igitur primo omnium fieri obsecrationes orationes postulationes gratiarum actiones pro omnibus hominibus, pro regibus et omnibus qui in sublimitate sunt ut quietam et tranquillam vitam agamus in omni pietate et castitate." 1 Tim 2, 1-2

O apóstolo São Paulo ensina-nos a elevar preces e súplicas ao Deus altíssimo também por aqueles que nos governam. Em atenção à tradição apostólica, tenhamos a senhora Dilma Vana Rousseff, presidente-eleita do Brasil, em nossas orações cotidianas pelo bem da nação, sobretudo dos nascituros, indefesos, fracos e pobres.




sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O Espírito sopra onde quer!


Lula sempre protestou catolicismo; aliás, houve um cardeal que chegou a lhe atribuir um catolicismo "a sua maneira". Sei que meus leitores não acreditam em tudo o que dizem certos cardeais, mas vejam o que recentemente afirmou o presidente, segundo a agência Ansa:

"Não vejo nenhuma novidade na declaração do Papa. Este é o comportamento da Igreja católica desde que existe. Se você vai ver o que a igreja dizia há dois mil anos, verá que dizia exatamente o que o Papa disse agora".

"Nunca antes na história deste país", um presidente disse tantas verdades de fé em tão poucas palavras. Lula bem que podia dar umas aulinhas de catequese para certos teólogos, pregar alguns retiros do clero ou, quem sabe, um curso de reciclagem para bispos.

 

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

"Ao defender a vida não devemos temer a oposição e a impopularidade"

A poucos dias do 2º turno da eleição presidencial, o Santo Padre dirigiu a alguns bispos brasileiros em visita ad limina palavras inequívocas, das quais quero extrair algumas poucas frases. Disse o Papa:

"(...) o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76)."

"Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente má e incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitæ, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida «não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo» (ibidem, 82)."

O discurso integral do Santo Padre se encontra aqui.


terça-feira, 26 de outubro de 2010

Catedrais (XXXVII)

Cathedral of the Madeleine
Diocese of Salt Lake City / Utah 

Cathedral of the Immaculate Conception
Diocese of Burlington / Vermont 

Co-Cathedral of Saint Joseph
Diocese of Burlington / Vermont 

Cathedral of Saint Peter and Saint Paul
Diocese of Saint Thomas
Charlotte Amelie / Virgin Islands 

Cathedral of Saint Thomas More
Diocese of Arlington / Virginia 

Cathedral of the Sacred Heart
Diocese of Richmond / Virginia

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Novos Cardeais

NOVOS CARDEAIS QUE SERÃO CRIADOS PELO SANTO PADRE

Na Ordem dos Bispos:

Antonio Naguib, Patriarca de Alexandria dos Coptas – Egito

Na Ordem dos Presbíteros:

Raymundo Damasceno Assis, Arcebispo de Aparecida – Brasil

Reinhard Marx, Arcebispo de Munique – Alemanha

Medardo Joseph Mazombwe, Arcebispo-Emérito de Lusaka - Zâmbia

Kazimierz Nycz, Arcebispo de Varsóvia – Polônia

Laurent Monsengwo Pasinya, Arcebispo de Kinshasa – RD do Congo

Malcom Ranjith Patabendige Don, Arcebispo de Colombo – Sri Lanka

Paolo Romeo, Arcebispo de Palermo – Itália

Raúl Eduardo Vela Chiriboga, Arcebispo-Emérito de Quito - Equador

Donald William Wuerl, Arcebispo de Washington – Estados Unidos

Na Ordem dos Diáconos:


Angelo Amato (Itália), Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos

Fortunato Baldelli (Itália), Penitenciário-Mor

Raymond Leo Burke (Estados Unidos), Prefeito da Signatura Apostólica

Velasio De Paolis (Itália), Presidente da Prefeitura para Assuntos Econômicos da Santa Sé

Kurt Koch (Suíça), Presidente do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos

Francesco Monterisi (Itália), Arcipreste da Basílica de São Paulo Extramuros

Mauro Piacenza (Itália), Prefeito da Congregação para o Clero

Gianfranco Ravasi (Itália), Presidente do Pontifício Conselho para a Cultura

Robert Sarah (Guiné) Presidente do Pontifício Conselho Cor Unum

Paolo Sardi (Itália), Pró-Patrono da Ordem de Malta

Cardeais acima de 80 anos e, portanto, não-eleitores:

Domenico Bartolucci (Itália), Maestro da Capela Sistina

Walter Brandmüller (Alemanha), Presidente-Emérito do Comissão Pontifícia de Ciências Históricas

José Manuel Estepa Llaurens (Espanha), Ordinário Militar Emérito

Elio Sgreccia (Itália), Presidente-Emérito da Pontifícia Academia para a Vida


terça-feira, 19 de outubro de 2010

Simpósio e livros

Hoje, às 15h, teve início o I Simpósio de Bioética promovido pela Diocese de Campos para o clero e o laicato. O Prof. Dr. André Soares proferiu a primeira conferência - Bioética: origem e estrutura.

Amanhã, na parte da manhã, haverá duas conferências - Questões relacionadas ao início da vida: fecundação in vitro, aborto e meroanencefalia e Clonagem e pesquisas com células-tronco. Na parte da tarde, mais duas - Políticas de saúde e a defesa da vida e Questões relacionadas ao final da vida: eutanásia, distanásia e ortotanásia.

O simpósio será encerrado na quinta, pela manhã, com uma última conferência: Bioética e a perspectiva cristã no mundo secular.

Além do simpósio, tenho dado um tempo à leitura de duas biografias contemporaneamente. Estou lendo Lenin - A Biografia Definitiva de Robert Service (Difel, 628 p.) e, para evitar qualquer indevida simpatia pelo biografado, escolhi uma foto de Bento XVI impressa numa oração mariana como marcador de página. O segundo livro é Cristina, Rainha da Suécia de Verônica Buckley (Objetiva, 440 p.) sobre a controvertida convertida do luteranismo ao catolicismo.

Aliás, como é difícil sair satisfeito de uma livraria; não tanto pelos livros escolhidos, mas pelos preteridos. Espero que no céu nos seja dado ler e que sua biblioteca tenha as dimensões da infinitude.
 

Dom Banana


Não há descanso para o defunto Annibale Bugnini, o principal artífice da reforma litúrgica pós-conciliar, intempestivamente destronado deste seu papel em 1975 por um Paulo VI aflito pelos seus excessos e, como punição, exilado no Irã, com o improvável título de núncio apostólico, falecido em 1982.

Não há descanso porque L'Osservatore Romano, ao referir-se aos trabalhos do sínodo dos bispos para o Oriente Médio, tendo sido seu nome citado na plenária por um arcebispo iraniano, publicou-o assim: "Banana, último núncio apostólico no Irã..."

A bem da verdade, o arcebispo iraniano, Thomas Meram, de Urmya dos caldeus, expressou-se corretamente em inglês: "The late Papal Nuncio in Iran, Bugnini..." Isto é: "O então núncio apostólico no Irã, Bugnini..." Mas a versão italiana da intervenção, imortalizada em 16 de outubro pelo jornal da Santa Sé, o então núncio tornou-se "último" e o seu nome foi mudado precisamente para... "Banana".

E assim ainda permanece no site do Vaticano, na documentação em italiano do sínodo. Da mesma forma em espanhol: "Mons. Banana...". Enquanto na documentação em francês se lê: "Le vicaire apostolique en Iran, feu Boinini..."

E como se Bugnini tenha garantido para si mesmo uma tal "damnatio memoriae" a ponto de tornar impronunciável até mesmo seu nome.

Para efeito de crônica, o arcebispo iraniano Meram citou Bugnini em razão de um livro escrito por ele em 1979 "A Igreja no Irã" e para fazer um confronto entre os dados daquele período e os de hoje sobre a condição dos católicos naquele país, antes e depois da revolução do aiatolá Khomeini.


Tradução: OBLATVS
 

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Carta de Bento XVI aos seminaristas por ocasião do Ano Sacerdotal

Queridos Seminaristas,

Em Dezembro de 1944, quando fui chamado para o serviço militar, o comandante de companhia perguntou a cada um de nós a profissão que sonhava ter no futuro. Respondi que queria tornar-me sacerdote católico. O subtenente replicou: Nesse caso, convém-lhe procurar outra coisa qualquer; na nova Alemanha, já não há necessidade de padres. Eu sabia que esta «nova Alemanha» estava já no fim e que, depois das enormes devastações causadas por aquela loucura no país, mais do que nunca haveria necessidade de sacerdotes. Hoje, a situação é completamente diversa; porém de vários modos, mesmo em nossos dias, muitos pensam que o sacerdócio católico não seja uma «profissão» do futuro, antes pertenceria já ao passado. Contrariando tais objecções e opiniões, vós, queridos amigos, decidistes-vos a entrar no Seminário, encaminhando-vos assim para o ministério sacerdotal na Igreja Católica. E fizestes bem, porque os homens sempre terão necessidade de Deus – mesmo na época do predomínio da técnica no mundo e da globalização –, do Deus que Se mostrou a nós em Jesus Cristo e nos reúne na Igreja universal, para aprender, com Ele e por meio d’Ele, a verdadeira vida e manter presentes e tornar eficazes os critérios da verdadeira humanidade. Sempre que o homem deixa de ter a noção de Deus, a vida torna-se vazia; tudo é insuficiente. Depois o homem busca refúgio na alienação ou na violência, ameaça esta que recai cada vez mais sobre a própria juventude. Deus vive; criou cada um de nós e, por conseguinte, conhece a todos. É tão grande que tem tempo para as nossas coisas mais insignificantes: «Até os cabelos da vossa cabeça estão contados». Deus vive, e precisa de homens que vivam para Ele e O levem aos outros. Sim, tem sentido tornar-se sacerdote: o mundo tem necessidade de sacerdotes, de pastores hoje, amanhã e sempre enquanto existir.

O Seminário é uma comunidade que caminha para o serviço sacerdotal. Nestas palavras, disse já algo de muito importante: uma pessoa não se torna sacerdote, sozinha. É necessária a «comunidade dos discípulos», o conjunto daqueles que querem servir a Igreja de todos. Com esta carta, quero evidenciar – olhando retrospectivamente também para o meu tempo de Seminário – alguns elementos importantes para o vosso caminho a fazer nestes anos.

1. Quem quer tornar-se sacerdote, deve ser sobretudo um «homem de Deus», como o apresenta São Paulo (1 Tm 6, 11). Para nós, Deus não é uma hipótese remota, não é um desconhecido que se retirou depois do «big-bang». Deus mostrou-Se em Jesus Cristo. No rosto de Jesus Cristo, vemos o rosto de Deus. Nas suas palavras, ouvimos o próprio Deus a falar connosco. Por isso, o elemento mais importante no caminho para o sacerdócio e ao longo de toda a vida sacerdotal é a relação pessoal com Deus em Jesus Cristo. O sacerdote não é o administrador de uma associação qualquer, cujo número de membros se procura manter e aumentar. É o mensageiro de Deus no meio dos homens; quer conduzir a Deus, e assim fazer crescer também a verdadeira comunhão dos homens entre si. Por isso, queridos amigos, é muito importante aprenderdes a viver em permanente contacto com Deus. Quando o Senhor fala de «orar sempre», naturalmente não pede para estarmos continuamente a rezar por palavras, mas para conservarmos sempre o contacto interior com Deus. Exercitar-se neste contacto é o sentido da nossa oração. Por isso, é importante que o dia comece e acabe com a oração; que escutemos Deus na leitura da Sagrada Escritura; que Lhe digamos os nossos desejos e as nossas esperanças, as nossas alegrias e sofrimentos, os nossos erros e o nosso agradecimento por cada coisa bela e boa, e que deste modo sempre O tenhamos diante dos nossos olhos como ponto de referência da nossa vida. Assim tornamo-nos sensíveis aos nossos erros e aprendemos a trabalhar para nos melhorarmos; mas tornamo-nos sensíveis também a tudo o que de belo e bom recebemos habitualmente cada dia, e assim cresce a gratidão. E, com a gratidão, cresce a alegria pelo facto de que Deus está perto de nós e podemos servi-Lo.

2. Para nós, Deus não é só uma palavra. Nos sacramentos, dá-Se pessoalmente a nós, através de elementos corporais. O centro da nossa relação com Deus e da configuração da nossa vida é a Eucaristia; celebrá-la com íntima participação e assim encontrar Cristo em pessoa deve ser o centro de todas as nossas jornadas. Para além do mais, São Cipriano interpretou a súplica do Evangelho «o pão nosso de cada dia nos dai hoje», dizendo que o pão «nosso», que, como cristãos, podemos receber na Igreja, é precisamente Jesus eucarístico. Por conseguinte, na referida súplica do Pai Nosso, pedimos que Ele nos conceda cada dia este pão «nosso»; que o mesmo seja sempre o alimento da nossa vida, que Cristo ressuscitado, que Se nos dá na Eucaristia, plasme verdadeiramente toda a nossa vida com o esplendor do seu amor divino. Para uma recta celebração eucarística, é necessário aprendermos também a conhecer, compreender e amar a liturgia da Igreja na sua forma concreta. Na liturgia, rezamos com os fiéis de todos os séculos; passado, presente e futuro encontram-se num único grande coro de oração. A partir do meu próprio caminho, posso afirmar que é entusiasmante aprender a compreender pouco a pouco como tudo isto foi crescendo, quanta experiência de fé há na estrutura da liturgia da Missa, quantas gerações a formaram rezando.

3. Importante é também o sacramento da Penitência. Ensina a olhar-me do ponto de vista de Deus e obriga-me a ser honesto comigo mesmo; leva-me à humildade. Uma vez o Cura d’Ars disse: Pensais que não tem sentido obter a absolvição hoje, sabendo entretanto que amanhã fareis de novo os mesmos pecados. Mas – assim disse ele – o próprio Deus neste momento esquece os vossos pecados de amanhã, para vos dar a sua graça hoje. Embora tenhamos de lutar continuamente contra os mesmos erros, é importante opor-se ao embrutecimento da alma, à indiferença que se resigna com o facto de sermos feitos assim. Na grata certeza de que Deus me perdoa sempre de novo, é importante continuar a caminhar, sem cair em escrúpulos mas também sem cair na indiferença, que já não me faria lutar pela santidade e o aperfeiçoamento. E, deixando-me perdoar, aprendo também a perdoar aos outros; reconhecendo a minha miséria, também me torno mais tolerante e compreensivo com as fraquezas do próximo.

4. Mantende em vós também a sensibilidade pela piedade popular, que, apesar de diversa em todas as culturas, é sempre também muito semelhante, porque, no fim de contas, o coração do homem é o mesmo. É certo que a piedade popular tende para a irracionalidade e, às vezes, talvez mesmo para a exterioridade. No entanto, excluí-la, é completamente errado. Através dela, a fé entrou no coração dos homens, tornou-se parte dos seus sentimentos, dos seus costumes, do seu sentir e viver comum. Por isso a piedade popular é um grande património da Igreja. A fé fez-se carne e sangue. Seguramente a piedade popular deve ser sempre purificada, referida ao centro, mas merece a nossa estima; de modo plenamente real, ela faz de nós mesmos «Povo de Deus».

5. O tempo no Seminário é também e sobretudo tempo de estudo. A fé cristã possui uma dimensão racional e intelectual, que lhe é essencial. Sem tal dimensão, a fé deixaria de ser ela mesma. Paulo fala de uma «norma da doutrina», à qual fomos entregues no Baptismo (Rm 6, 17). Todos vós conheceis a frase de São Pedro, considerada pelos teólogos medievais como a justificação para uma teologia elaborada racional e cientificamente: «Sempre prontos a responder (…) a todo aquele que vos perguntar "a razão" (logos) da vossa esperança» (1 Ped 3, 15). Adquirir a capacidade para dar tais respostas é uma das principais funções dos anos de Seminário. Tudo o que vos peço insistentemente é isto: Estudai com empenho! Fazei render os anos do estudo! Não vos arrependereis. É certo que muitas vezes as matérias de estudo parecem muito distantes da prática da vida cristã e do serviço pastoral. Mas é completamente errado pôr-se imediatamente e sempre a pergunta pragmática: Poderá isto servir-me no futuro? Terá utilidade prática, pastoral? É que não se trata apenas de aprender as coisas evidentemente úteis, mas de conhecer e compreender a estrutura interna da fé na sua totalidade, de modo que a mesma se torne resposta às questões dos homens, os quais, do ponto de vista exterior, mudam de geração em geração e todavia, no fundo, permanecem os mesmos. Por isso, é importante ultrapassar as questões volúveis do momento para se compreender as questões verdadeiras e próprias e, deste modo, perceber também as respostas como verdadeiras respostas. É importante conhecer a fundo e integralmente a Sagrada Escritura, na sua unidade de Antigo e Novo Testamento: a formação dos textos, a sua peculiaridade literária, a gradual composição dos mesmos até se formar o cânon dos livros sagrados, a unidade dinâmica interior que não se nota à superfície, mas é a única que dá a todos e cada um dos textos o seu pleno significado. É importante conhecer os Padres e os grandes Concílios, onde a Igreja assimilou, reflectindo e acreditando, as afirmações essenciais da Escritura. E poderia continuar assim: aquilo que designamos por dogmática é a compreensão dos diversos conteúdos da fé na sua unidade, mais ainda, na sua derradeira simplicidade, pois cada um dos detalhes, no fim de contas, é apenas explanação da fé no único Deus, que Se manifestou e continua a manifestar-Se a nós. Que é importante conhecer as questões essenciais da teologia moral e da doutrina social católica, não será preciso que vo-lo diga expressamente. Quão importante seja hoje a teologia ecuménica, conhecer as várias comunidade cristãs, é evidente; e o mesmo se diga da necessidade duma orientação fundamental sobre as grandes religiões e, não menos importante, sobre a filosofia: a compreensão daquele indagar e questionar humano ao qual a fé quer dar resposta. Mas aprendei também a compreender e – ouso dizer – a amar o direito canónico na sua necessidade intrínseca e nas formas da sua aplicação prática: uma sociedade sem direito seria uma sociedade desprovida de direitos. O direito é condição do amor. Agora não quero continuar o elenco, mas dizer-vos apenas e uma vez mais: Amai o estudo da teologia e segui-o com diligente sensibilidade para ancorardes a teologia à comunidade viva da Igreja, a qual, com a sua autoridade, não é um pólo oposto à ciência teológica, mas o seu pressuposto. Sem a Igreja que crê, a teologia deixa de ser ela própria e torna-se um conjunto de disciplinas diversas sem unidade interior.

6. Os anos no Seminário devem ser também um tempo de maturação humana. Para o sacerdote, que terá de acompanhar os outros ao longo do caminho da vida e até às portas da morte, é importante que ele mesmo tenha posto em justo equilíbrio coração e intelecto, razão e sentimento, corpo e alma, e que seja humanamente «íntegro». Por isso, a tradição cristã sempre associou às «virtudes teologais» as «virtudes cardeais», derivadas da experiência humana e da filosofia, e também em geral a sã tradição ética da humanidade. Di-lo, de maneira muito clara, Paulo aos Filipenses: «Quanto ao resto, irmãos, tudo o que é verdadeiro, nobre e justo, tudo o que é puro, amável e de boa reputação, tudo o que é virtude e digno de louvor, isto deveis ter no pensamento» (4, 8). Faz parte deste contexto também a integração da sexualidade no conjunto da personalidade. A sexualidade é um dom do Criador, mas também uma função que tem a ver com o desenvolvimento do próprio ser humano. Quando não é integrada na pessoa, a sexualidade torna-se banal e ao mesmo tempo destrutiva. Vemos isto, hoje, em muitos exemplos da nossa sociedade. Recentemente, tivemos de constatar com grande mágoa que sacerdotes desfiguraram o seu ministério, abusando sexualmente de crianças e adolescentes. Em vez de levar as pessoas a uma humanidade madura e servir-lhes de exemplo, com os seus abusos provocaram devastações, pelas quais sentimos profunda pena e desgosto. Por causa de tudo isto, pode ter-se levantado em muitos, e talvez mesmo em vós próprios, esta questão: se é bom fazer-se sacerdote, se o caminho do celibato é sensato como vida humana. Mas o abuso, que há que reprovar profundamente, não pode desacreditar a missão sacerdotal, que permanece grande e pura. Graças a Deus, todos conhecemos sacerdotes convincentes, plasmados pela sua fé, que testemunham que, neste estado e precisamente na vida celibatária, é possível chegar a uma humanidade autêntica, pura e madura. Entretanto o sucedido deve tornar-nos mais vigilantes e solícitos, levando precisamente a interrogarmo-nos cuidadosamente a nós mesmos diante de Deus ao longo do caminho rumo ao sacerdócio, para compreender se este constitui a sua vontade para mim. É função dos padres confessores e dos vossos superiores acompanhar-vos e ajudar-vos neste percurso de discernimento. É um elemento essencial do vosso caminho praticar as virtudes humanas fundamentais, mantendo o olhar fixo em Deus que Se manifestou em Cristo, e deixar-se incessantemente purificar por Ele.

7. Hoje os princípios da vocação sacerdotal são mais variados e distintos do que nos anos passados. Muitas vezes a decisão para o sacerdócio desponta nas experiências de uma profissão secular já assumida. Frequentemente cresce nas comunidades, especialmente nos movimentos, que favorecem um encontro comunitário com Cristo e a sua Igreja, uma experiência espiritual e a alegria no serviço da fé. A decisão amadurece também em encontros muito pessoais com a grandeza e a miséria do ser humano. Deste modo os candidatos ao sacerdócio vivem muitas vezes em continentes espirituais completamente diversos; poderá ser difícil reconhecer os elementos comuns do futuro mandato e do seu itinerário espiritual. Por isso mesmo, o Seminário é importante como comunidade em caminho que está acima das várias formas de espiritualidade. Os movimentos são uma realidade magnífica; sabeis quanto os aprecio e amo como dom do Espírito Santo à Igreja. Mas devem ser avaliados segundo o modo como todos se abrem à realidade católica comum, à vida da única e comum Igreja de Cristo que permanece uma só em toda a sua variedade. O Seminário é o período em que aprendeis um com o outro e um do outro. Na convivência, por vezes talvez difícil, deveis aprender a generosidade e a tolerância não só suportando-vos mutuamente, mas também enriquecendo-vos um ao outro, de modo que cada um possa contribuir com os seus dotes peculiares para o conjunto, enquanto todos servem a mesma Igreja, o mesmo Senhor. Esta escola da tolerância, antes do aceitar-se e compreender-se na unidade do Corpo de Cristo, faz parte dos elementos importantes dos anos de Seminário.

Queridos seminaristas! Com estas linhas, quis mostrar-vos quanto penso em vós precisamente nestes tempos difíceis e quanto estou unido convosco na oração. Rezai também por mim, para que possa desempenhar bem o meu serviço, enquanto o Senhor quiser. Confio o vosso caminho de preparação para o sacerdócio à protecção materna de Maria Santíssima, cuja casa foi escola de bem e de graça. A todos vos abençoe Deus omnipotente Pai, Filho e Espírito Santo.

Vaticano, 18 de Outubro – Festa de São Lucas, Evangelista – do ano 2010.

Vosso no Senhor
BENEDICTUS PP. XVI
Fonte: Santa Sé

domingo, 17 de outubro de 2010

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Patriarcas Orientais Católicos no conclave?

Abaixo um texto do vaticanista Paulo Rodari sobre o Sínodo dos Bispos para o Oriente Médio que se realiza nestes dias em Roma. Em eventos desta natureza, certas questões periféricas costumam despertar mais atenção do que os reais problemas.

Evidentemente o Sínodo é de suma importância para toda a Igreja, e não apenas para os cristãos do Oriente Médio. Em primeiro lugar, pela importância das antigas comunidades cristãs ali estabelecidas, as quais enfrentam ameças diárias à sua própria existência e que têm causado um êxodo de proporção assustadora. Há também cristãos que se estabeleceram ali mais recentemente, sobretudo nos países do Golfo, em busca de trabalho. Além das pessoas, também os Lugares Santos ocupam um lugar destacado entre as preocupações dos Padres Sinodais e dos cristãos em geral. O Oriente Médio é também o lugar de origem de veneráveis tradições espirituais, litúrgicas e teológicas.

Embora numericamente minoritárias, as igrejas orientais católicas não podem jamais ser consideradas e tratadas como periféricas e, neste sentido, quaisquer medidas que visem a promover seu progresso e defender seus direitos serão bem-vindas. Outra coisa, me parece, é uma discussão extemporânea sobre "modelos" de igreja, sobretudo quando sinalizam para um conhecido "arqueologismo". Já vimos no que deu o arqueologismo no campo litúrgico e não esperemos algo melhor de um eclesiológico.

Quanto à proposta de inclusão automática dos patriarcas no Colégio Cardinalício, sem a necessária aquisição do título latino de cardeais, a fim de participarem do conclave é bastante uma decisão do Papa. Não há nenhuma revolução nisso. Mas das duas uma: ou entram para o Colégio como cardeais, já que se chama "cardinalício", ou o Papa altera a composição do conclave para incluir, além dos cardeais, os patriarcas orientais católicos. Neste último caso não haveria necessidade de fazerem parte do Colégio dos Cardeais, seriam somente eleitores. Não nos esquecemos que alguns deles, na condição de cardeais, já são eleitores no conclave.

Mas querem saber de algo realmente preocupante, inclusive sob o aspecto das relações ecumênicas com os Ortodoxos, e que não foi mencionado no artigo de Rodari? É a discussão sobre uma necessária reforma das liturgias orientais. Não domino o assunto e, por isso, me limito a uma consideração genérica: que se valham da história da reforma da liturgia romana. Qualquer precipitação sob pretexto pastoral pode causar prejuízos incontáveis e criar mais dificuldades nas relações com os Ortodoxos.

Segue o texto:

Os patriarcas do oriente querem mais poder (e eleger o Papa)

Sentem-se a periferia da catolicidade e querem maior consideração, sobretudo de Roma, do Vaticano, do Papa.

São as 23 igrejas católicas orientais - em plena comunhão com Roma, mesmo tendo ritos próprios - cujos representantes participam nestes dias do Sínodo dos Bispos. Nas últimas horas, muitos deles tomaram a palavra fazendo ao Papa solicitações precisas. As palavras mais incisivas foram pronunciadas por Vartan Waldir Boghossian, que guia os católicos armênios na América Latina. Ele disse: "Os patriarcas das igrejas orientais católicas, por sua identidade de pais e chefes de igrejas 'sui iuris' que compõem a catolicidade da igreja católica, deveriam ser membros, ipso facto, do colégio que elege o Sumo Pontífice, sem necessidade de receber o título latino de cardeal. Pelo mesmo motivo, deveriam ter também a precedência sobre eles". Um pedido preciso, em suma, de entrar de direito no colégio mais exclusivo da catolicidade, o colégio cardinalício. Se o pedido fosse atendido por Bento XVI, seria revolucionada a prática que conduz à eleição do Papa. Nos primeiros séculos, o bispo de Roma era escolhido pela comunidade inteira; em 336, o Papa Marcos decidiu que somente poderia aspirar ao título [de eleitores] os sacerdotes de Roma. O direito de voto [reservado] aos cardeais remonta ao século XI. Em 1059, alguns anos depois do cisma do oriente, Nicolau II confiou a eleição apenas ao cardeais bispos, enquanto em 1179 Alexandre III declarou eleitores todos os cardeais.

Boghossian não parou por aí. Pediu ainda a Roma não mais limitar as atividades dos patriarcas a um território circunscrito. Entre as igrejas de rito oriental, somente a latina não tem esta limitação. Para as outras igrejas é um privilégio injusto porque, disse Boghossian, "também do ponto de vista ecumênico, a jurisdição plena sobre os próprios fiéis em todos os continentes seria para os irmãos separados uma antecipação concreta de uma situação de comunhão plena".

É principalmente o problema do primado de Pedro que interpela o mundo oriental e produz discussão. Disto falou o bispo libanês Gyu-Paul Noujaim. Recordou que João Paulo II pressagiou "uma nova forma de exercício do primado que não prejudique a sua missão e que seja inspirado em formas eclesiais do primeiro milênio, as quais, embora diversas, não impediram aos cristãos de se sentirem confortáveis em todas estas formas, quer dissessem respeito à espiritualidade, à vida moral ou à estrutura". Substancialmente, Noujaim pediu o retorno a uma igreja na qual os patriarcas orientais têm mais poderes e privilégios. Como fazer? Eis a solução de Noujaim: "Sua Santidade encarregue uma comissão, composta de peritos teólogos, historiadores e pastores, que propusessem soluções concretas para estas dificuldades e a igreja se empenhe em aplicá-las sem demoras". Na esteira de Noujaim, também Robert Stern, secretário-geral da Catholic Near East Welfare Association, segundo o qual se "o mistério da igreja pode ser descrito usando modelos", nenhum é adequado para descrevê-la. É verdade que há um modelo em que os orientais se miram majoritariamente. É o modelo em vigor no primeiro milênio: "A igreja das origens via a unidade em termos de pax et communio". Aquela mesma pax et communio que talvez, hoje, não é de todo visível.

Paolo Rodari

Publicado no Foglio, sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Tradução: OBLATVS

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

"POR SER BISPO, ninguém é dono da verdade"

Até o momento, desconheço manifestações de bispos alinhados com a candidatura de José Serra. É injusta, portanto, a acusação de partidarismo feita a uns poucos bispos que se posicionaram contrários à candidatura de Dilma Roussef. Os incautos poderiam supor que dá no mesmo, renegar uma seria avalizar outra.

Daria no mesmo se os bispos escrevessem manifestos laudatórios ao candidato da oposição, negassem seu passado e as posições que assume, criassem nas pessoas falsas expectativas sobre um futuro governo seu e, por fim, pedissem votos para ele. Ora, os bispos não fizeram isto.

Ainda assim, bispos petistas - estes sim partidaristas - viram nas declarações dos colegas contrários à candidatura de Dilma "recomendações de ordem autoritária". Mas enganou-se Dom Demétrio Valentini quando escreveu em recente artigo: "Elas também já não influenciam. Ao contrário, parecem produzir efeito contrário. Quando mais o bispo insiste, mais o povo vota contra a opinião do bispo."

A bem da verdade, Dom Valentini escreveu o artigo mencionado no primeiro turno da campanha, quando era dada como certa uma vitória arrasadora da candidata situacionista. Pensava o excelentíssimo prelado que uma intervenção sua não seria necessária e que, portanto, ele poderia passar à vista de todos como um isento e desinteressado bispo, preocupado apenas com a evolução da consciência do eleitorado brasileiro!

Eis que as previsões não se confirmaram e o que se teme agora é a derrota. O que fizeram os bispos petistas? "Recomendações de ordem autoritária"! Estas sim "autoritárias", porque ao contrário da posição assumida pelos colegas detratados, suas recomendações não se baseiam na autoridade da Lei de Deus e da Doutrina Cristã, mas numa particular Weltanschauung, numa visão de mundo materialista cujos frutos podres ainda podem ser apreciados em alguns países-museus.

Despidos da autoridade episcopal quando falam como sectários partidaristas, os bispos petistas abdicam da autoridade que lhes conferiu o Senhor, quando lhes disse: "Ide, pois, e ensinai". Tem razão Frei Betto quando diz: "por ser bispo, ninguém é dono da verdade". A autoridade magisterial do bispo depende de sua fidelidade ao ensinamento recebido do Senhor, o que passa disso é autoritarismo!

Dom Demétrio e seus colegas não se limitaram a apresentar razões - e convenhamos, elas existem - para não se votar em José Serra. Não, isto não serviria ao seu desesperado propósito. Eles louvam Lula e Dilma, negam o passado e as posições notórias da candidata, criam quimeras a respeito de um possível governo Dilma e declaram voto na candidata. Quem não me crê, leia o manifesto no Fratres in unum.

Assinam a "recomendação de ordem autoritária": Dom Demétrio Valentini (bispo de Jales), Dom Luiz Eccel (Bispo de Caçador), Dom Sebastião Lima Duarte (bispo de Viana), Dom Thomas Balduino (bispo emérito de Goiás Velho), Dom Pedro Casaldáliga (bispo emérito de São Feliz do Araguaia), Dom Antônio Possamai (bispo emérito da Rondônia) e Dom Xavier Gilles (bispo emérito de Viana), além de outros sacerdotes, religiosos, pastores e leigos.

Dos sete bispos, três apenas pastoreiam suas dioceses e quatro estão aposentados. Quem costuma recorrer à memória sabe que há uns anos eles seriam uma centena!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Serra faz discurso no Santuário Nacional

Acabo de assistir ao discurso de José Serra em Aparecida, em Missa presidida pelo Arcebispo-Primaz do Brasil, Cardeal Geraldo Majella Agnelo, no dia da Padroeira. O discurso de 2m52s foi simples e dedicado a honrar à Santíssima Virgem Maria. O candidato saudou ainda os romeiros e fez uma breve referência à vocação do político como serviço ao povo.

Não faço reparo ao conteúdo do discurso, mas discordo radicalmente deste tipo de participação do candidato na Sagrada Liturgia. Acho inaceitável que candidatos, sejam eles quais forem, tomem parte ativa no culto fazendo leituras, preces ou discursos. O período eleitoral faz com que tudo seja visto sob a ótica do interesse político, o que seria uma terrível manipulação da Sagrada Liturgia.

Os "serristas" dirão que Serra, ao contrário de Dilma, esteve lá outras vezes e que, como católico, tem direito a manifestar sua devoção à Mãe de Deus. É verdade que Serra esteve lá outras vezes, inclusive na condição de governador de São Paulo. Tanto ele quanto Dilma, quando Ministra de Estado, se lá fosse, deveriam ser recebidos como autoridades constituídas, conforme reza a tradição litúrgica da Igreja.

Hoje, Serra e Dilma são candidatos. Se lá vão, não podemos nem devemos impedi-los, manifestem sua devoção sem fazer uso político da fé. A culpa pelo acontecido não é de Serra, como não seria de Dilma na mesma circunstância, mas dos responsáveis pelo Santuário e do celebrante. Duvido que Dom Agnelo tenha sido surpreendido pelo discurso de Serra.

Se Dilma for eleita, a Igreja rezará por ela como manda a Tradição Apostólica. Se fôr à igreja, será recebida com a honra que lhe é devida. Caso o eleito seja Serra, vale o mesmo princípio. Se deverão ou não tomar parte ativa na Liturgia, é uma discussão à parte. Mas insisto que no momento atual é sempre inoportuna,  ou mesmo perniciosa, qualquer participação ativa dos candidatos na Missa.

Betto garante: Dilma é cristã

Recebi de um amigo o artigo de Frei Betto em defesa do cristianismo de Dilma Roussef. Ora, o que está em jogo não é a fé de Dilma ou a ausência dela. Se cresceu numa família católica, estudou em colégio religioso, tem devoção a Nossa Senhora, vai a Aparecida ou dá outros sinais de catolicismo de boa cepa pouco nos interessa, quando seu atual governo e o que pretende inaugurar em janeiro de 2011 têm uma agenda anticristã.

Na verdade, para nada servem as declarações de que pessoalmente seja contrária à descriminalização do aborto quando o atual governo, sob sua coordenação, fez todos os movimentos para transformar a tal “violência à mulher” em um direito humano. Como não enxergar a contradição de Dilma? Frei Betto não enxerga! Mas quem é Frei Betto? O mesmo que não enxerga o que o comunismo faz em Cuba.

Trago alguns trechos de uma carta-aberta de um cristão cubano, já publicadas aqui na íntegra, sobre as contradições de Frei Betto. Não me consta que o frade tenha respondido à carta, afinal o autor é somente um “homem do povo”, um daqueles que ficam bem no texto acadêmico e na foto, daqueles que existem apenas como abstração. Quando um “homem do povo” dá as caras no mundo real costuma "desconstruir" aqueles que os tranformaram em seu ganha-pão.

Frei Betto (não sei se ainda é frade, digo-o com respeito) tem sido em Cuba a antítese da libertação, pois tem propagado a doutrina da submissão, do condicionamento, do alinhamento dos cristãos com o totalitarismo como condição para o respeito ao culto religioso. Com seu apoio a um regime opressivo, ele não defende o direito nem a liberdade de consciência, uma vez que nega o direito dos seres humanos cuja fonte é a primeira liberdade, sem condições, a liberdade dos filhos de Deus. Sua visão é reacionária e palaciana, ele olha os cristãos cubanos através de Fidel Castro, por isso quando publicou seu livro o fez através deste prisma. Betto preferiu falar de Fidel e a Religião. Eu quero falar do povo de Deus, do povo e a religião, do cubano e sua fé, como diria o Padre Santana, que morreu na diáspora.”

Frei Betto aqui em Cuba é um homem de palácio, não defende o povo, mas o status da minoria do poder, não defende os pobres que não tem voz sequer para dizer que são pobres. Aqui em Cuba ele pode falar através do Granma, órgão oficial do Partido Comunista e insulta milhões de cristãos cubanos, desfigurando a história e a realidade da perseguição e da opressão que sofremos no passado e que ainda sofremos hoje. Betto oculta que o intento do regime comunista é descristianizar nossa vida, nossa cultura. Desta maneira o regime pretendia anular ou silenciar a fé dos cubanos, a raiz cristã e a memória cristã de nosso povo. Esta descristianização era imprescindível ao regime para submeter totalmente o povo e apropriar-se perversamente da pessoa humana. Toda uma política de Estado que se realizava na negação sistemática da fé dos cubanos, de sua moral, de seus valores, de sua família e das tradições cristãs do povo.”

“Betto reduz tudo desrespeitosamente dizendo que era uma questão de 'preconceito dos comunistas e medo dos cristãos'. Antes de qualquer coisa e por justiça devo dizer em nome de milhares de cubanos que todo esse horror não conseguiu fazer com que negássemos nossa fé nem nossa pertença à Igreja. Por esta causa muitos ainda sofrem o desterro na Igreja da diáspora cubana e outros dentro de Cuba, mas sem medo, senhor Betto.”

Frei Betto torna-se alentador da intolerância e da imposição da mentira abusando da desvantagem de um povo amordaçado, reforçando em nível mais profundo o dano causado ao ser humano por esta ordem sem direitos, que todavia se impõe pelo medo. O povo cubano não necessita, nem quer, que alguém venha de fora para ocupar o lugar de capelão do trono, porque é um lugar que nenhum membro da Igreja em Cuba aceitou nem aceitará jamais.”

As palavras inequívocas de Oswaldo José Payá Sardiñas são suficientes para desmontar a farsa pseudocristã e pseudodemocrática de Frei Betto.
 
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