"Oblatus est, quia ipse voluit, et peccata nostra ipse portavit!"

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Orações pela minha mãe

Peço as caridosas orações de todos pela minha mãe. Coloquem-na nas misericordiosas mãos de Deus e sob o amparo da Santíssima Virgem Maria.

Não sei o que pedir, impede-me o escrúpulo de pretender saber mais que Deus o que seja bom, agradável e perfeito e, por isso, limito-me a confiar na Vontade bondosa e soberana do Senhor.

Rezem também por meu pai que, ao longo de 37 anos de casamento, tem em minha mãe a "carne da sua carne e os ossos dos seus ossos" e sofre mais que todos nós. Eles se fazem tão felizes que é difícil imaginá-los separados... Mas Deus sabe e ama mais!

Rezem uma Ave-Maria agora que terminam de ler esta nota. É imenso o poder intercessor da Mãe das Mães, Rainha do nosso lar cristão!

Obrigado desde já!

Minha mãe faleceu às 23h45min de domingo, 5 de setembro. Deus, na sua bondade, quis aliviar suas dores. Ela faleceu depois de receber a Sagrada Unção de um sacerdote que considerava como um filho. Deus concedeu-me rezar com ela e meu pai as orações pelos agonizantes.

O velório transcorreu num clima de fé, marcado pelas orações de sacerdotes, familiares e amigos. Dezesseis sacerdotes concelebraram comigo a Missa de corpo presente, fizemos a última encomendação e, ato contínuo, seguimos até o cemitério para a bênção da sepultura e a Salve Rainha.

Obrigado pelas orações de todos e pelas mensagens via celular, blog e e-mail. Rezem uma Ave-Maria pela alma de minha mãe.





segunda-feira, 30 de agosto de 2010

"Os humildes possuirão a terra"

Li em La Buhardilla de Jerónimo um texto extraordinário do Cardeal Newman, em que o futuro Beato disseca o perigo do liberalismo em matéria de religião, contra o qual lutou como anglicano e, depois da conversão, como católico.

As palavras finais me tocaram profundamente nesta hora de trevas em que o Brasil está para eleger a sra. Dilma Roussef. Mutatis mutandis, as palavras ditas sobre a Inglaterra em 1879 se ajustam perfeitamente ao Brasil atual.

“É tal o estado de coisas na Inglaterra, e é bom que todos tomemos consciência dele. Mas não se suponha, nem por um instante, que tenho medo dele. Lamento-o profundamente, porque prevejo que pode ser a ruína de muitas almas, mas não tenho em absoluto temor de que possa causar algum dano sério à Palavra de Deus, à Santa Igreja, a nosso Rei Todo-poderoso, ao Leão da Tribo de Judá, Fiel e Veraz, ou a Seu Vigário na terra. O cristianismo esteve tão frequentemente diante do que parecia um perigo mortal que agora não devemos temer qualquer nova adversidade. Até aqui é certo. Porém, por outro lado, o que é incerto, e nestas grandes contendas é geralmente incerto, e que é em geral uma grande surpresa quando visto, é o modo particular pelo qual a Providência resgata e salva sua herança escolhida, tal como resulta. Algumas vezes nosso inimigo se torna amigo, algumas vezes é despojado desta especial virulência do mal que é tão ameaçadora, algumas vezes cai em pedaços, algumas vezes faz somente o que é benéfico e logo é removido. Geralmente a Igreja nada mais tem a fazer que continuar em seus próprios deveres, com confiança e em paz, manter-se tranquila e ver a salvação de Deus. ‘Os humildes possuirão a terra e gozarão de imensa paz’ (Salmo 37,11)”.

domingo, 29 de agosto de 2010

Nosso Senhor faz uma santinha de 6 anos e dá razão a seu vigário o Papa São Pio X

«Querido Jesus, hoje vou até as minhas monjas e lhes direi que quero fazer a primeira comunhão no Natal. Jesus, vem depressa a meu coração que eu te abraçarei muito forte e te beijarei. Oh, Jesus, quero que permaneças sempre em meu coração».

«Querido Jesus, hoje te quero muito, e quero repetir que te quero muito. Eu te ofereço meu coração. Querida Virgem, tu és muito boa, toma meu coração e leva-o a Jesus».

«Hoje fui um tanto caprichosa, mas tu, bom Jesus, toma nos braços tua menina...».

«Tu ajuda-me porque sem tua ajuda não posso fazer nada. Tu ajuda-me com tua graça, ajuda-me tu porque sem tua graça nada posso fazer. Rogo-te, bom Jesus, conserva-me sempre a graça na alma».

«Meu bom Jesus, dá-me almas, dá-me muitas, peço-te de verdade, peço-te para que faças que sejam boas e possam ir contigo ao Paraíso».

«Peço-te por aquele homem que te fez tanto mal; peço-te por aquele pecador que já conheces, que é tão velho e que está no hospital de San Juan».

As palavras acima são de uma menina, Antonietta Meo, a Nennolina. Nascida em Roma em 15 de setembro de 1930 e falecida em 3 de julho de 1937, na mesma cidade. Quando tinha cinco anos os médicos diagnosticaram um tumor nos ossos e já no ano seguinte ela teve a perna amputada. As palavras são extraídas de cartas que ela escrevia para que Jesus viesse à noite e as lesse.

O site Religión en Libertad (leia aqui) publicou ontem a notícia de que a beatificação de Nennolina, declarada Venerável em 2007, é iminente. A boa notícia confirma tantas coisas que ainda ontem eu escrevi sobre a comunhão das crianças. Ela foi preparada pela mãe e, como se achava em perigo de morte, recebeu-a aos 6 anos! Mas quem ousaria, lendo as suas cartas, afirmar que ela não deveria ter sido admitida à Sagrada Comunhão se não fosse seu estado de saúde?

De Nennolina escreveu Mons. Montini, então substituto da Secretaria de Estado: «Obrando nas almas pelas vias mais misteriosas, [Deus] concede a muitos penetrar, mediante a leitura da vida desta menina de menos de sete anos, o mistério dessa sabedoria que se esconde aos soberbos e se revela aos pequenos».

Os que leem em italiano, inglês ou espanhol podem acessar o site de Nennolina para mais informações (http://www.nennolina.it/).

sábado, 28 de agosto de 2010

Uma reflexão pessoal e um artigo sobre os sacramentos da iniciação

A recente ocorrência litúrgica de São Pio X deu azo a discussões relativas à idade ideal para a Comunhão Eucarística das crianças. O próprio Papa Bento XVI provocou o debate ao recordar o alcance espiritual e pastoral das medidas do Papa São Pio X que incentivou a comunhão frequente e admitiu ao Banquete Eucarístico as crianças de apenas sete anos de idade.

A prática atual tende a retardar sempre mais a primeira comunhão. Se prevalece a prática de administrá-la às crianças por volta dos dez anos, já encontrei quem o faça somente aos doze! Não falta boa intenção aos que pretendem incutir uma sólida formação cristã aos que vão receber o Sacramento, mas a prática ignora, a meu ver, aspectos importantes da questão.

A legislação em vigor estabelece que é dever dos pais ou responsáveis e do pároco que as crianças que atingiram o uso da razão sejam preparadas e, o quanto antes, quam primum, admitidas à comunhão (cân. 914).

O cân. 913 esclarece que a preparação das crianças deve levar em consideração sua capacidade própria. Devem ser cuidadosamente preparadas de modo a adquirir um conhecimento suficiente do mistério de Cristo e a receber seu Corpo com fé e devoção (§ 1), embora in periculo mortis exija tão somente que possam discernir o Corpo de Cristo do alimento comum e recebam-no com reverência (§ 2).

Nossa contribuição, na condição de iniciadores, é dar o suficiente, o necessário e o próprio à idade daqueles que estão apenas começando a vida em Cristo. Não queiramos alçá-los à condição de Mestres em Israel. Tempo haverá, se fizermos bem nosso trabalho, para dar-lhes alimento mais sólido na medida em que crescem. Paradoxalmente, quanto mais tempo se exige de catequese menos coisas sólidas se ensinam às crianças. Certas aulas se afiguram exageradamente “infantis” mesmo às próprias crianças e, também por isto, muitas delas desistem de percorrer um tão longo caminho por tão pouco.

A excessiva ênfase na catequese prévia, que leva a postergar sempre mais a primeira comunhão das crianças, não deixa de exalar o mau odor protestante, este terrível espírito que tem contaminado o ambiente católico. Se retirarmos todas as conclusões de suas premissas chegaremos à prática herética dos protestantes e negaremos também o Batismo às crianças.

Parece haver, quando muito se insiste em tudo ensinar previamente, uma confissão de nossa incapacidade pastoral de oferecer às crianças, aos jovens e aos adultos uma catequese permanente, posterior aos sacramentos recebidos. Estamos como a dizer que se não vêm a nós a fim de progredir no conhecimento dos mistérios da fé, chantageamo-los com os sacramentos. Esta tem sido uma constante também no que diz respeito aos demais sacramentos: é curso para tudo e não demora exigiremos dos moribundos um curso prévio à recepção da Extrema Unção!

Outro fator desconsiderado é a capacidade das crianças de conhecer através de uma linguagem que não seja a verbal. Não raro demonstram uma intuição bem mais profunda dos mistérios de Deus que a de muitos adultos, ainda que não saibam exprimi-los em formas conceituais. O próprio Deus lhes fala à alma direta e compreensivelmente numa linguagem desconhecida aos que somos carnais. Curiosamente, nossas crianças demonstram hoje menos conhecimento suficiente e menos devoção que as de antigamente - e não culpemos os tempos. Lembro-me de muito pouco do dia de minha primeira comunhão, mas não me esqueço da posição das mãos, da comunhão de joelhos e na boca, do jejum eucarístico e da proibição de mastigar - estas prescrições simples incutiram em mim a consciência de que recebia algo sagrado e completamente distinto de um alimento comum.

Retardar a administração da Sagrada Comunhão às crianças, além do estabelecido pela Igreja, é privá-las de uma graça no momento em que o mal já se insinua com toda a sua força. Muitas crianças, pré-adolescentes como os chamamos, já se afastaram de Cristo e de sua Igreja naquela idade que alguns consideram ideal para a comunhão.

Para iluminar o debate sugiro o texto abaixo, publicado ontem na edição quotidiana do L’Osservatore Romano. É uma reflexão do orientalista Manuel Nin sobre a prática de administração dos Sacramentos da Iniciação Cristã das Igrejas Orientais, católicas e ortodoxas. Embora diversa da prática da Igreja latina, a disciplina sacramental do Oriente Cristão acentua a mesma preocupação: a introdução na vida em Cristo.

Os sacramentos da iniciação cristã no Oriente

de Manuel Nin

O célebre tratado A vida em Cristo do teólogo bizantino Nicolau Cabasilas é estruturado a partir da mistagogia sobre os sacramentos da iniciação cristã, com o acréscimo da consagração do altar. Na tradição litúrgica das Igrejas orientais, os sacramentos da iniciação cristã designam o batismo, a crisma e a eucaristia, administrados conjuntamente e por meio dos quais o ser humano – recém-nascido ou em idade adulta – é configurado plenamente a Cristo e inserido na vida de graça da Igreja.

Batismo e crisma são conferidos uma só vez porque constituem o ser e o agir cristão; a eucaristia, dada uma primeira vez como coroamento dos outros dois – e, por sua vez, a fonte dos mesmos – é repetida como sacramento de vida para todo cristão. Segundo a tradição, os três sacramentos são conferidos em uma mesma celebração, na seguinte ordem: batismo, que dá o ser cristão; confirmação, que dá a graça para o agir cristão; e eucaristia, inserção plena na nova aliança por meio da graça. Os três sacramentos são de tal maneira ligados entre si que não seria possível fazer uma catequese sobre um sem tratar dos outros dois.

Nos diversos rituais de batismo são conservadas integralmente as diversas partes da celebração dos sacramentos da iniciação: o próprio batismo, o dom do Espírito Santo e a comunhão nos santos mistérios do corpo e do sangue de Cristo, prerrogativa dos filhos de Deus. Os três sacramentos manifestam e realizam um único evento de salvação. Por meio deles o homem, lavado e libertado do pecado, renasce como filho de Deus, é configurado a Cristo e fica cheio do Espírito Santo.

O batismo incorpora o cristão à morte e à ressurreição de Cristo, e através desta união vital o homem é impelido pela graça de Deus a configurar-se a Ele e a viver plenamente a vida que d’Ele procede. O cume deste caminho é a participação na eucaristia, os santos dons através dos quais o homem é misteriosamente assimilado pelo próprio Cristo. Entre o batismo e a eucaristia recebe a crisma, a unção do Espírito Santo.

No Oriente estes sacramentos são vistos e acolhidos como dom da graça divina; o catecúmeno, ao recebê-los, é por sua vez recebido e acolhido por Cristo na sua vida divina. No batismo o fiel, pela tríplice imersão na água santificada e pela invocação da Santíssima Trindade, é regenerado e tornado nova criatura em Cristo, membro do seu corpo que é a comunidade cristã, a Igreja. Com uma tríplice total imersão, que simboliza a morte e a sepultura total do batizando em Cristo: na água é sepultado o homem velho para dela fazer sair o novo.

O batismo como porta para a vida sacramental – a vida em Cristo – é sublinhado pelo próprio fato da conjunção, que é estrita unidade, entre batismo, crisma e eucaristia. Cirilo da Alexandria, no comentário ao Evangelho de João, afirma que os catecúmenos não participam da mesa eucarística porque o Espírito Santo não habita ainda neles, mesmo que como tais já confessam a divindade de Cristo; depois de haverem recebido o Espírito Santo, eles poderão tocar o Senhor. A crisma, unção com o myron consagrado logo depois do batismo, significa a força do Espírito Santo sobre o novo batizado: dom do Espírito e couraça para o combate da vida cristã, sacramento ligado ao batismo e que no fiel completa e confirma os dons do Espírito Santo.

Renascido em Cristo, confirmado pela força do Espírito Santo, acolhido no corpo de Cristo que é a Igreja, naturalmente o novo batizado se aproxima – ou, se é recém-nascido, é levado – à mesa de vida na comunhão dos santos dons do corpo e do sangue de Cristo, dos quais a Igreja é dispensadora na celebração da Divina Liturgia. Hoje, em continuidade com a grande tradição, a iniciação cristã nas Igrejas orientais acontece através da unidade indissolúvel dos três sacramentos: batismo, crisma e eucaristia, independente da idade do catecúmeno, seja recém-nascido ou adulto.

No caso do batismo de adultos, esta iniciação cristã se recebe depois de uma catequese, preparação que supõe um conhecimento dos mistérios da fé cristã e uma disposição à conversão, enquanto para as crianças recém-nascidas ou que não chegaram ainda à idade da razão estas exigências recaem sobre os pais, padrinhos e sobre a própria Igreja, plenamente empenhada no percurso dos novos fiéis, alimentados, por meio da comunhão eucarística, na sua vida em Cristo. Assim, mergulhando os neófitos na vida em Cristo, ungindo-os com o selo do Espírito Santo, admitindo-os imediatamente á mesa dos santos dons, é a Igreja mesma que se compromete com o caminho cristão dos neófitos.

Fonte: L’Osservatore Romano, 27/08/2010

Tradução: OBLATVS


sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Simpósio de Bioética em Campos-RJ



Porque originalmente pensado para o Clero de Campos, o Simpósio será realizado nos turnos da manhã e da tarde.

Também se destina aos fiéis interessados, sobretudo àqueles que se dedicam aos vários campos do apostolado que lidam com os temas em questão.

Mais informações podem ser obtidas pelo telefone com a secretária do Bispado.

Problemas com imagens

Estou tendo problemas em postar imagens. Alguém pode ajudar? Elas simplesmente não carregam, embora minha conexão esteja excelente.


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Catedrais (XXXIII)

Cathedral of Saint Peter and Saint Paul
Diocese of Providence / Rhode Island 

Cathedral of Saint John the Baptist
Diocese of Charleston / South Carolina 

Cathedral of Our Lady of the Perpetual Help
Diocese of Rapid City / South Dakota 

Cathedral of Saint Joseph
Diocese of Sioux Falls / South Dakota 

 Cathedral of the Sacred Heart of Jesus
Diocese of Knoxville / Tennessee

Cathedral of the Immaculate Conception
Diocese of Memphis / Tennessee 

Cathedral of the Incarnation
Diocese of Nashville / Tennessee

Fascismo de Esquerda

Aproveitei o ensejo dado por uma curtíssima viagem e visitei uma livraria. Campos não é pródiga em livrarias, mas sim em restaurantes – o que não deixa de ser sintomático. Comprei “Fascismo de Esquerda” de Jonah Goldberg (Record, 2009, 545 páginas). Na orelha lê-se:

Fascismo de Esquerda traz uma perspectiva nova e impressionante sobre as teorias e práticas que definem a política fascista. Ao escrutinar mitos convenientemente fabricados e substituí-los por dados de pesquisa e resultados esclarecedores, Jonah Goldberg nos lembra de que os fascistas originais estavam, de fato, à esquerda, e que liberais desde Woodrow Wilson até Hillary Clinton têm defendido políticas e princípios notavelmente semelhantes àqueles do nacional-socialismo de Hitler e do Fascismo de Mussolini. (...) Ao contrário do que pensa a maior parte das pessoas, os nazistas eram fervorosos socialistas. Eles acreditavam em serviços de saúde gratuitos e empregos garantidos. Confiscaram heranças dos ricos e despenderam grandes somas com a educação pública. Removeram a Igreja da política pública, promoveram uma nova forma de espiritualidade pagã e inseriram a autoridade do Estado em todos os cantos da vida diária. Eles eram contra o livre mercado e forneceram generosas pensões aos idosos. Os nazistas foram líderes mundiais em agricultura orgânica e medicina alternativa. Hitler era um vegetariano convicto, e Himmler, um ativista que defendia os direitos dos animais. (...) É difícil negar que o progressismo moderno e o fascismo clássico partilhavam as mesmas raízes intelectuais”.

Embora o livro trate da realidade do liberalismo americano, não será difícil estabelecer paralelos com a do esquerdismo brasileiro. Numa eleição em que os três principais candidatos são de esquerda, o eleitor católico se pergunta se a opção pelo menos ruim é aplicável ao pleito de outubro. Parece-me uma questão aberta, respeito os argumentos dos que optaram por José Serra e dos que preferem anular o voto. Há um ponto, entretanto, que deve ser considerado: o voto nulo tem consequências, é um voto no primeiro colocado. Há diferença entre ambos? Como há entre os venenos, uns mais mortais outros menos, para uns há antídoto para outros não, uns causam mais dor, outros matam mais lentamente...

Aguardo ansioso o início da leitura, que virá tão logo eu conclua uma excepcional biografia do Pe. Vieira, à qual tenho dado umas horas semanais.


sábado, 14 de agosto de 2010

Resposta atrasada, mas precisa

Quero responder aqui com maior precisão a uma pergunta feita por um dos participantes da Semana Teológica da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário em Campos sobre “Fé e Política”, durante a qual falei sobre as Relações Igreja/Estado. Discorrendo sobre o Regime do Padroado, demonstrei como um sistema, válido em tese, foi prejudicial à ação evangelizadora da Igreja.

Por ocasião do golpe republicano (15/11/1889) havia no Brasil 12 circunscrições eclesiásticas, a saber: Arquidiocese de São Salvador da Bahia (1551), Diocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (1575), Diocese de Olinda (1614), Diocese de São Luís do Maranhão (1677), Diocese de Belém do Pará (1720), Diocese de Cuiabá (1745), Diocese de Goiás (1745), Diocese de Mariana (1745), Diocese de São Paulo (1745), Diocese de São Pedro do Rio Grande (1848), Diocese do Ceará (1854) e Diocese de Diamantina (1854). Desde a Independência, portanto, foram criadas apenas 3 circunscrições eclesiásticas.

Enquanto isto, nos Estados Unidos, no mesmo período havia 84 circunscrições eclesiásticas (!), 13 das quais eram Arquidioceses. Nas protestantes Ilhas Britânicas, havia 20 circunscrições eclesiásticas desde que foi aprovado o Catholic Emancipation Act (1832); somente em 1850, o Papa Pio IX criou 13 novas dioceses (!).

Aproveito o ensejo para dizer: Senhor Núncio, passou da hora de se criar uma diocese no Noroeste Fluminense. Ontem dirigi 184 km (368 ida e volta) para cumprimentar um colega padre no dia do seu aniversário sacerdotal. O padre em questão foi meu vigário durante 3 anos e sua paróquia é a mais distante da sede da Diocese.


Visita ao Porto do Açu

Há cerca de 15 dias, numa conversa informal com a prefeita de São João da Barra, eu lhe falei da preocupação pastoral do senhor bispo de Campos com o aumento populacional naquele município, em razão das obras e da instalação do Porto do Açu, e a consequente necessidade de atendimento religioso aos operários e às suas famílias.

E, de fato, com o porto em plena atividade e com as demais indústrias instaladas seriam algo em torno de 50 mil novos empregos diretos e indiretos. A prefeita prevê um aumento populacional considerável, dos atuais 33 mil habitantes para 250 mil em 2025.

A prefeita, então, convidou o Sr. Bispo e os padres para uma visita às obras do Porto e ao centro executivo, onde estão as maquetes e onde se fecham os contratos com as empresas interessadas em se estabelecer no município.

Realizamos esta visita na tarde de quinta passada, Dom Roberto e outros 14 padres, saindo da Igreja Matriz de São João da Barra e acompanhados de um guia e alguns leigos. A dimensão é de impressionar, mas o que realmente preocupa é como oferecer atendimento pastoral e estrutura paroquial para 200 mil pessoas em tempo tão curto. Um desafio para o novo bispo que se espera para o ano que vem!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Encerrado I Simpósio de Liturgia na Paróquia de Nossa Senhora da Penha em Campos

Devo-lhes algumas informações sobre o simpósio de liturgia que encerramos ontem.

Foram quatro dias e 291 participantes no total. Houve uma espécie de avant-première em Barcelos, um resumo do que se realizaria nos três dias seguintes, destinado àqueles paroquianos que se acham mais distantes da Matriz, ou seja, os que estão na área mais remota da Paróquia.

No primeiro dia apresentei os conceitos gerais de liturgia com o tema: "Para compreender a alma do culto católico". O segundo dia foi dedicado ao Espaço Sagrado, quando nos detivemos sobre os elementos que compõem o lugar do culto. Enfim, no terceiro dia, nos voltamos para a Santa Missa com o tema: "Participação plena, ativa e consciente na Santa Missa - problemas e possíveis soluções".

Começávamos com a Santa Missa às 18h30min. As palestras tinham início por volta das 19h30min e se estendiam até as 22h30min, com uma pequena pausa. Foram horas de agradável convivência com os paroquianos, marcadas pela informalidade, sobretudo na hora do cofee break.

As fotos que eu havia prometido estão a depender de terceiros. Verei se as obtenho logo e, assim que as tiver, as publicarei aqui.

No próximo domingo, os paroquianos em geral já poderão perceber algumas pequenas modificações na celebração da Santa Missa: mais momentos de silêncio; eliminação dos comentários; cuidado na escolha e preparação dos leitores; menos gente no presbitério (sacerdote e coroinhas apenas); moderação nos avisos, mensagens e demais atividades extra-litúrgicas no final da Santa Missa; entre outras.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Devoções particulares

Um leitor me perguntou se tenho particular devoção a Santa Clara e, em caso afirmativo, por que razão.

Não, não tenho. Santa Clara é a padroeira do blog porque, coincidentemente, a primeira publicação do blog se deu no seu dia. Sim , creio em coincidências, a despeito do que dizem meus amigos carismáticos. Vejo, todavia, na coincidência uma ocasião para recorrer à Santa de Assis sempre que escrevo aqui.

Minhas devoções particulares se orientam sobretudo à Santíssima Virgem, a São José e a Dom Bosco, e de um modo distinto em cada caso.

No que concerne à Santíssima Virgem creio poder dizer que se trata de uma devoção imprescindível a todo cristão. Não basta crer nos dogmas marianos revelados e definidos, é preciso cultivar aquela relação filial estabelecida no Calvário por Nosso Senhor. Não há cristianismo sem devoção mariana. Provem-me o contrário com uma Igreja apostólica, mesmo que cismática, sem o culto mariano.

São José é o padroeiro da minha cidade e do meu seminário. Nunca, nunca mesmo, celebrei uma missa sem incluir seu nome na Oração Eucarística. No Cânon Romano, João XXIII o incluiu; nas demais o faço eu. Criatividade litúrgica, não é mesmo?

Há menos de um mês, numa conversa informal com meu bispo descobri uma relação pessoal com São José que eu jamais poderia supor. Disse-me Dom Roberto que, tendo eu recebido a crisma de Dom Antônio de Castro Mayer, fui crismado com o nome de José - Joseph, para ser exato. Assim Dom Antônio crismava os meninos. Eu não poderia me lembrar disto, posto que crismado aos 4 meses de vida, e o latinorum dos meus pais e padrinho não ia além do rosa/rosae/rosarum. Por sugestão do meu bispo, estou estudando a possibilidade de incluir informalmente o nome de São José ao meu. Ganho ao mesmo tempo um onomástico e um xará de peso.

Dom Bosco é uma referência afetiva. Como ex-aluno salesiano aprendi a amar o santo turinês. Cheguei a pensar em me fazer salesiano, mas vi que se tratava das muitas fantasias juvenis que então cultivava. Campos teve dois bispos salesianos, o primeiro e o último, um dos quais - evidentemente o último - me recebeu no seminário e me ordenou diácono.

Bem, estas são minhas devoções. Não são muitas, mas espero que eficazes.


terça-feira, 10 de agosto de 2010

Aniversário, retorno e algumas notícias

Leitores e amigos, amanhã, 11 de agosto, OBLATVS completa 2 anos de existência sob a proteção de Santa Clara de Assis. A efeméride marcará o retorno às publicações diárias.

Hoje, dou-lhes algumas poucas informações de caráter pessoal. Estou já bem instalado em minha nova Paróquia, na sede da diocese. Fui tão bem recebido que tenho a impressão de sempre ter estado aqui. É uma paróquia de subúrbio que cresce vertiginosamente, crescendo com ela os desafios pastorais; aqui se pode apalpar a realidade descrita por Nosso Senhor, "messis quidem multa".

Estamos a realizar nestes dias um Simpósio de Liturgia que tem como tema geral "Tradição e Renovação". Considero importante preparar toda e qualquer mudança, mesmo as mais comezinhas, através de uma catequese adequada; do contrário dá-se a impressão de que certas correções se devem às idiossincrasias de cada sacerdote. Evidentemente, para o bem ou para o mal, as rubricas do Novus Ordo dão margem a algumas opções pessoais do sacerdote, porém no mais das vezes, certas práticas litúrgicas são o resultado de uma concepção equivocada do espírito da liturgia. Nestes dias tratarei de apresentar, sob o tema geral, os conceitos fundamentais e as necessárias correções que deles decorrem. Cerca de 250 pessoas, entre os quais muitos jovens, estão a participar com entusiasmado interesse; farei algumas fotos e as publicarei aqui.

Hospedo, nestes dias, uma amigo sacerdote que foi outrora meu coroinha, sacristão e aluno. Está cursando o mestrado em filosofia no Angelicum com excepcional êxito, o que atribuo ao influxo espiritual e intelectual de Santo Tomás que, naquela instituição, a todos observa, influencia e por todos intercede.

Já leram o artigo de Dom Aloísio Roque Oppermann? Façam-no antes que o site da CNBB o tire do ar (Cegueira plúmbea). Dom Aloísio tem me dado o motivo para acessar o dito cujo, já que não falta quem "me dê motivo pra ir embora".

Já escrevi mais do que previra e tenho de me preparar para a noite de hoje. Aliás, a missa terá as partes fixas cantadas em gregoriano e o Cânon em latim, versus populum.

Até amanhã.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Catedrais (XXXII)

Cathedral Basilica of Saint Peter and Saint Paul
Archdiocese of Philadelphia / Pennsylvania 

Cathedral of Saint Paul
Diocese of Pittsburgh / Pennsylvania 

Cathedral of Saint Peter
Diocese of Scranton / Pennsylvania 

Cathedral of Saint John the Baptist
Archeparchy of Pittsburgh / Pennsylvania
Ruthenian Catholic Church 

Cathedral of the Immaculate Conception
Archeparchy of Philadelphia / Pennsylvania
Ukrainian Catholic Church
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