terça-feira, 31 de agosto de 2010
Orações pela minha mãe
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
"Os humildes possuirão a terra"
Li em La Buhardilla de Jerónimo um texto extraordinário do Cardeal Newman, em que o futuro Beato disseca o perigo do liberalismo em matéria de religião, contra o qual lutou como anglicano e, depois da conversão, como católico.
As palavras finais me tocaram profundamente nesta hora de trevas em que o Brasil está para eleger a sra. Dilma Roussef. Mutatis mutandis, as palavras ditas sobre a Inglaterra em 1879 se ajustam perfeitamente ao Brasil atual.
domingo, 29 de agosto de 2010
Nosso Senhor faz uma santinha de 6 anos e dá razão a seu vigário o Papa São Pio X
«Querido Jesus, hoje vou até as minhas monjas e lhes direi que quero fazer a primeira comunhão no Natal. Jesus, vem depressa a meu coração que eu te abraçarei muito forte e te beijarei. Oh, Jesus, quero que permaneças sempre em meu coração».
«Querido Jesus, hoje te quero muito, e quero repetir que te quero muito. Eu te ofereço meu coração. Querida Virgem, tu és muito boa, toma meu coração e leva-o a Jesus».
«Hoje fui um tanto caprichosa, mas tu, bom Jesus, toma nos braços tua menina...».
«Tu ajuda-me porque sem tua ajuda não posso fazer nada. Tu ajuda-me com tua graça, ajuda-me tu porque sem tua graça nada posso fazer. Rogo-te, bom Jesus, conserva-me sempre a graça na alma».
«Meu bom Jesus, dá-me almas, dá-me muitas, peço-te de verdade, peço-te para que faças que sejam boas e possam ir contigo ao Paraíso».
«Peço-te por aquele homem que te fez tanto mal; peço-te por aquele pecador que já conheces, que é tão velho e que está no hospital de San Juan».
As palavras acima são de uma menina, Antonietta Meo, a Nennolina. Nascida em Roma em 15 de setembro de 1930 e falecida em 3 de julho de 1937, na mesma cidade. Quando tinha cinco anos os médicos diagnosticaram um tumor nos ossos e já no ano seguinte ela teve a perna amputada. As palavras são extraídas de cartas que ela escrevia para que Jesus viesse à noite e as lesse.
O site Religión en Libertad (leia aqui) publicou ontem a notícia de que a beatificação de Nennolina, declarada Venerável em 2007, é iminente. A boa notícia confirma tantas coisas que ainda ontem eu escrevi sobre a comunhão das crianças. Ela foi preparada pela mãe e, como se achava em perigo de morte, recebeu-a aos 6 anos! Mas quem ousaria, lendo as suas cartas, afirmar que ela não deveria ter sido admitida à Sagrada Comunhão se não fosse seu estado de saúde?
De Nennolina escreveu Mons. Montini, então substituto da Secretaria de Estado: «Obrando nas almas pelas vias mais misteriosas, [Deus] concede a muitos penetrar, mediante a leitura da vida desta menina de menos de sete anos, o mistério dessa sabedoria que se esconde aos soberbos e se revela aos pequenos».
sábado, 28 de agosto de 2010
Uma reflexão pessoal e um artigo sobre os sacramentos da iniciação
A prática atual tende a retardar sempre mais a primeira comunhão. Se prevalece a prática de administrá-la às crianças por volta dos dez anos, já encontrei quem o faça somente aos doze! Não falta boa intenção aos que pretendem incutir uma sólida formação cristã aos que vão receber o Sacramento, mas a prática ignora, a meu ver, aspectos importantes da questão.
A legislação em vigor estabelece que é dever dos pais ou responsáveis e do pároco que as crianças que atingiram o uso da razão sejam preparadas e, o quanto antes, quam primum, admitidas à comunhão (cân. 914).
O cân. 913 esclarece que a preparação das crianças deve levar em consideração sua capacidade própria. Devem ser cuidadosamente preparadas de modo a adquirir um conhecimento suficiente do mistério de Cristo e a receber seu Corpo com fé e devoção (§ 1), embora in periculo mortis exija tão somente que possam discernir o Corpo de Cristo do alimento comum e recebam-no com reverência (§ 2).
Nossa contribuição, na condição de iniciadores, é dar o suficiente, o necessário e o próprio à idade daqueles que estão apenas começando a vida em Cristo. Não queiramos alçá-los à condição de Mestres em Israel. Tempo haverá, se fizermos bem nosso trabalho, para dar-lhes alimento mais sólido na medida em que crescem. Paradoxalmente, quanto mais tempo se exige de catequese menos coisas sólidas se ensinam às crianças. Certas aulas se afiguram exageradamente “infantis” mesmo às próprias crianças e, também por isto, muitas delas desistem de percorrer um tão longo caminho por tão pouco.
A excessiva ênfase na catequese prévia, que leva a postergar sempre mais a primeira comunhão das crianças, não deixa de exalar o mau odor protestante, este terrível espírito que tem contaminado o ambiente católico. Se retirarmos todas as conclusões de suas premissas chegaremos à prática herética dos protestantes e negaremos também o Batismo às crianças.
Parece haver, quando muito se insiste em tudo ensinar previamente, uma confissão de nossa incapacidade pastoral de oferecer às crianças, aos jovens e aos adultos uma catequese permanente, posterior aos sacramentos recebidos. Estamos como a dizer que se não vêm a nós a fim de progredir no conhecimento dos mistérios da fé, chantageamo-los com os sacramentos. Esta tem sido uma constante também no que diz respeito aos demais sacramentos: é curso para tudo e não demora exigiremos dos moribundos um curso prévio à recepção da Extrema Unção!
Outro fator desconsiderado é a capacidade das crianças de conhecer através de uma linguagem que não seja a verbal. Não raro demonstram uma intuição bem mais profunda dos mistérios de Deus que a de muitos adultos, ainda que não saibam exprimi-los em formas conceituais. O próprio Deus lhes fala à alma direta e compreensivelmente numa linguagem desconhecida aos que somos carnais. Curiosamente, nossas crianças demonstram hoje menos conhecimento suficiente e menos devoção que as de antigamente - e não culpemos os tempos. Lembro-me de muito pouco do dia de minha primeira comunhão, mas não me esqueço da posição das mãos, da comunhão de joelhos e na boca, do jejum eucarístico e da proibição de mastigar - estas prescrições simples incutiram em mim a consciência de que recebia algo sagrado e completamente distinto de um alimento comum.
Retardar a administração da Sagrada Comunhão às crianças, além do estabelecido pela Igreja, é privá-las de uma graça no momento em que o mal já se insinua com toda a sua força. Muitas crianças, pré-adolescentes como os chamamos, já se afastaram de Cristo e de sua Igreja naquela idade que alguns consideram ideal para a comunhão.
Para iluminar o debate sugiro o texto abaixo, publicado ontem na edição quotidiana do L’Osservatore Romano. É uma reflexão do orientalista Manuel Nin sobre a prática de administração dos Sacramentos da Iniciação Cristã das Igrejas Orientais, católicas e ortodoxas. Embora diversa da prática da Igreja latina, a disciplina sacramental do Oriente Cristão acentua a mesma preocupação: a introdução na vida em Cristo.
Os sacramentos da iniciação cristã no Oriente
de Manuel Nin
O célebre tratado A vida em Cristo do teólogo bizantino Nicolau Cabasilas é estruturado a partir da mistagogia sobre os sacramentos da iniciação cristã, com o acréscimo da consagração do altar. Na tradição litúrgica das Igrejas orientais, os sacramentos da iniciação cristã designam o batismo, a crisma e a eucaristia, administrados conjuntamente e por meio dos quais o ser humano – recém-nascido ou em idade adulta – é configurado plenamente a Cristo e inserido na vida de graça da Igreja.
Batismo e crisma são conferidos uma só vez porque constituem o ser e o agir cristão; a eucaristia, dada uma primeira vez como coroamento dos outros dois – e, por sua vez, a fonte dos mesmos – é repetida como sacramento de vida para todo cristão. Segundo a tradição, os três sacramentos são conferidos em uma mesma celebração, na seguinte ordem: batismo, que dá o ser cristão; confirmação, que dá a graça para o agir cristão; e eucaristia, inserção plena na nova aliança por meio da graça. Os três sacramentos são de tal maneira ligados entre si que não seria possível fazer uma catequese sobre um sem tratar dos outros dois.
Nos diversos rituais de batismo são conservadas integralmente as diversas partes da celebração dos sacramentos da iniciação: o próprio batismo, o dom do Espírito Santo e a comunhão nos santos mistérios do corpo e do sangue de Cristo, prerrogativa dos filhos de Deus. Os três sacramentos manifestam e realizam um único evento de salvação. Por meio deles o homem, lavado e libertado do pecado, renasce como filho de Deus, é configurado a Cristo e fica cheio do Espírito Santo.
O batismo incorpora o cristão à morte e à ressurreição de Cristo, e através desta união vital o homem é impelido pela graça de Deus a configurar-se a Ele e a viver plenamente a vida que d’Ele procede. O cume deste caminho é a participação na eucaristia, os santos dons através dos quais o homem é misteriosamente assimilado pelo próprio Cristo. Entre o batismo e a eucaristia recebe a crisma, a unção do Espírito Santo.
No Oriente estes sacramentos são vistos e acolhidos como dom da graça divina; o catecúmeno, ao recebê-los, é por sua vez recebido e acolhido por Cristo na sua vida divina. No batismo o fiel, pela tríplice imersão na água santificada e pela invocação da Santíssima Trindade, é regenerado e tornado nova criatura em Cristo, membro do seu corpo que é a comunidade cristã, a Igreja. Com uma tríplice total imersão, que simboliza a morte e a sepultura total do batizando em Cristo: na água é sepultado o homem velho para dela fazer sair o novo.
O batismo como porta para a vida sacramental – a vida em Cristo – é sublinhado pelo próprio fato da conjunção, que é estrita unidade, entre batismo, crisma e eucaristia. Cirilo da Alexandria, no comentário ao Evangelho de João, afirma que os catecúmenos não participam da mesa eucarística porque o Espírito Santo não habita ainda neles, mesmo que como tais já confessam a divindade de Cristo; depois de haverem recebido o Espírito Santo, eles poderão tocar o Senhor. A crisma, unção com o myron consagrado logo depois do batismo, significa a força do Espírito Santo sobre o novo batizado: dom do Espírito e couraça para o combate da vida cristã, sacramento ligado ao batismo e que no fiel completa e confirma os dons do Espírito Santo.
Renascido em Cristo, confirmado pela força do Espírito Santo, acolhido no corpo de Cristo que é a Igreja, naturalmente o novo batizado se aproxima – ou, se é recém-nascido, é levado – à mesa de vida na comunhão dos santos dons do corpo e do sangue de Cristo, dos quais a Igreja é dispensadora na celebração da Divina Liturgia. Hoje, em continuidade com a grande tradição, a iniciação cristã nas Igrejas orientais acontece através da unidade indissolúvel dos três sacramentos: batismo, crisma e eucaristia, independente da idade do catecúmeno, seja recém-nascido ou adulto.
No caso do batismo de adultos, esta iniciação cristã se recebe depois de uma catequese, preparação que supõe um conhecimento dos mistérios da fé cristã e uma disposição à conversão, enquanto para as crianças recém-nascidas ou que não chegaram ainda à idade da razão estas exigências recaem sobre os pais, padrinhos e sobre a própria Igreja, plenamente empenhada no percurso dos novos fiéis, alimentados, por meio da comunhão eucarística, na sua vida em Cristo. Assim, mergulhando os neófitos na vida em Cristo, ungindo-os com o selo do Espírito Santo, admitindo-os imediatamente á mesa dos santos dons, é a Igreja mesma que se compromete com o caminho cristão dos neófitos.
Fonte: L’Osservatore Romano, 27/08/2010
Tradução: OBLATVS
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Simpósio de Bioética em Campos-RJ

Problemas com imagens
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Catedrais (XXXIII)
Fascismo de Esquerda
Aproveitei o ensejo dado por uma curtíssima viagem e visitei uma livraria. Campos não é pródiga em livrarias, mas sim em restaurantes – o que não deixa de ser sintomático. Comprei “Fascismo de Esquerda” de Jonah Goldberg (Record, 2009, 545 páginas). Na orelha lê-se:
“Fascismo de Esquerda traz uma perspectiva nova e impressionante sobre as teorias e práticas que definem a política fascista. Ao escrutinar mitos convenientemente fabricados e substituí-los por dados de pesquisa e resultados esclarecedores, Jonah Goldberg nos lembra de que os fascistas originais estavam, de fato, à esquerda, e que liberais desde Woodrow Wilson até Hillary Clinton têm defendido políticas e princípios notavelmente semelhantes àqueles do nacional-socialismo de Hitler e do Fascismo de Mussolini. (...) Ao contrário do que pensa a maior parte das pessoas, os nazistas eram fervorosos socialistas. Eles acreditavam em serviços de saúde gratuitos e empregos garantidos. Confiscaram heranças dos ricos e despenderam grandes somas com a educação pública. Removeram a Igreja da política pública, promoveram uma nova forma de espiritualidade pagã e inseriram a autoridade do Estado em todos os cantos da vida diária. Eles eram contra o livre mercado e forneceram generosas pensões aos idosos. Os nazistas foram líderes mundiais em agricultura orgânica e medicina alternativa. Hitler era um vegetariano convicto, e Himmler, um ativista que defendia os direitos dos animais. (...) É difícil negar que o progressismo moderno e o fascismo clássico partilhavam as mesmas raízes intelectuais”.
Embora o livro trate da realidade do liberalismo americano, não será difícil estabelecer paralelos com a do esquerdismo brasileiro. Numa eleição em que os três principais candidatos são de esquerda, o eleitor católico se pergunta se a opção pelo menos ruim é aplicável ao pleito de outubro. Parece-me uma questão aberta, respeito os argumentos dos que optaram por José Serra e dos que preferem anular o voto. Há um ponto, entretanto, que deve ser considerado: o voto nulo tem consequências, é um voto no primeiro colocado. Há diferença entre ambos? Como há entre os venenos, uns mais mortais outros menos, para uns há antídoto para outros não, uns causam mais dor, outros matam mais lentamente...
Aguardo ansioso o início da leitura, que virá tão logo eu conclua uma excepcional biografia do Pe. Vieira, à qual tenho dado umas horas semanais.
sábado, 14 de agosto de 2010
Resposta atrasada, mas precisa
Quero responder aqui com maior precisão a uma pergunta feita por um dos participantes da Semana Teológica da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário em Campos sobre “Fé e Política”, durante a qual falei sobre as Relações Igreja/Estado. Discorrendo sobre o Regime do Padroado, demonstrei como um sistema, válido em tese, foi prejudicial à ação evangelizadora da Igreja.
Por ocasião do golpe republicano (15/11/1889) havia no Brasil 12 circunscrições eclesiásticas, a saber: Arquidiocese de São Salvador da Bahia (1551), Diocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (1575), Diocese de Olinda (1614), Diocese de São Luís do Maranhão (1677), Diocese de Belém do Pará (1720), Diocese de Cuiabá (1745), Diocese de Goiás (1745), Diocese de Mariana (1745), Diocese de São Paulo (1745), Diocese de São Pedro do Rio Grande (1848), Diocese do Ceará (1854) e Diocese de Diamantina (1854). Desde a Independência, portanto, foram criadas apenas 3 circunscrições eclesiásticas.
Enquanto isto, nos Estados Unidos, no mesmo período havia 84 circunscrições eclesiásticas (!), 13 das quais eram Arquidioceses. Nas protestantes Ilhas Britânicas, havia 20 circunscrições eclesiásticas desde que foi aprovado o Catholic Emancipation Act (1832); somente em 1850, o Papa Pio IX criou 13 novas dioceses (!).
Aproveito o ensejo para dizer: Senhor Núncio, passou da hora de se criar uma diocese no Noroeste Fluminense. Ontem dirigi 184 km (368 ida e volta) para cumprimentar um colega padre no dia do seu aniversário sacerdotal. O padre em questão foi meu vigário durante 3 anos e sua paróquia é a mais distante da sede da Diocese.







