sábado, 27 de fevereiro de 2010
Vaticanistas adoram consistórios, e nós não menos
Rei espanhol poderá ser excomungado
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Catedrais (XXI)
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Prefeito solicita universalização da Festa de Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote
Corte de Estrasburgo não pode exigir remoção de crucifixos das escolas italianas
O Conselho da União Europeia (representante dos governos dos Estados-membros) afirmou que a Corte Europeia de Direitos Humanos, sediada em Estrasburgo, não tem competência sobre assuntos relacionados às tradições e culturas nacionais, de modo que não podem proibir que se coloquem crucifixos nas escolas da Itália.
Uma pequena, mas significativa, reação ao laicismo que corrói o Ocidente, sobretudo a Europa. Iniciativas semelhantes já avançavam na outrora católica Espanha, onde se exigia – tendo por base a decisão da corte de Estrasburgo – a retirada dos símbolos religiosos de monumentos públicos.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
A Quaresma na tradição bizantina
Para não tornar inútil o jejum
de Manuel Nin
“Jejuando de alimentos, ó minha alma, sem que te purifiques das paixões, em vão te alegras pela abstinência, porque se esta não se torna para ti ocasião de correção, como mentirosa, tendes ódio a Deus e te tornas semelhante aos pérfidos demônios que jamais se alimentam. Não tornais, pois, inútil o jejum, pecando, mas permanecei firme sob os impulsos desregrados, considerando que estás junto do Salvador crucificado, ou melhor, estás crucificada junto d’Aquele que por ti foi crucificado, gritando-lhe: recorda de mim, Senhor, quando vieres no teu reino”. Este tropário da terceira semana da pré-quaresma na tradição bizantina resume de modo incisivo o que é o período quaresmal de cada uma das tradições cristãs: o jejum e a abstinência são vãos se não correspondem a uma verdadeira conversão do coração.
Na tradição bizantina, o período de dez semanas que precede a Páscoa é chamado “Triodion” – nome que indica as três odes bíblicas cantadas no ofício da manhã – e compreende a pré-quaresma e a quaresma. O período pré-quaresmal é comum a todas as tradições litúrgicas cristãs, do “Triodion” bizantino, ao “Jejum dos ninivitas” siríaco, ao “Jejum de Jonas” dos coptas, à “Septuagésima” na antiga tradição latina. A quaresma bizantina propriamente dita compreende quarenta dias – da segunda-feira da primeira semana à sexta-feira antes do Domingo de Ramos – e desenvolve as semanas de segunda-feira a domingo, apresentando o caminho semanal em direção ao domingo, como modelo da própria quaresma em direção à Páscoa. Faz ainda uma clara distinção entre o sábado e o domingo e os outros dias: nos primeiros se celebra a Divina Liturgia (aos domingos com a Anáfora de São Basílio, aos sábados com a de São João Crisóstomo), enquanto nos dias de semana celebra somente o ofício das horas, com o acréscimo durante as vésperas de quarta-feira e sexta-feira da Liturgia dos Pré-santificados, isto é a comunhão com o Corpo e o Sangue do Senhor consagrados no domingo precedente.
A quaresma bizantina é um período muito rico na escolha dos textos bíblicos: salmos, leituras; na hinografia e nas leituras dos padres. Os textos hinográficos se concentram sobretudo no tema da alma humana, dominada pelo pecado, que encontra, por meio da quaresma, a possibilidade de salvação. Nos quatro domingos da pré-quaresma encontramos os grandes temas que marcam o percurso quaresmal: a humildade (domingo do publicano e do fariseu); o retorno a Deus misericordioso (domingo do filho pródigo); o juízo final (domingo de carnaval), o perdão (domingo dos laticínios). Neste último domingo, comemora-se a expulsão de Adão do paraíso: Adão, criado por Deus para viver em comunhão com Ele no paraíso, é dele expulso por causa do pecado, mas na quaresma começa o caminho de retorno que culminará quando o próprio Cristo, no mistério pascal, desce aos infernos e lhe dá sua mão para arrancá-lo da morte e reconduzi-lo ao paraíso, que é quase personificado na oração da Igreja. No final da véspera do quarto domingo se celebra o rito de perdão com o qual se inicia a quaresma.
A quaresma dura quarenta dias, com cinco domingos. Em cada um deles vemos um duplo aspecto: de uma parte as leituras bíblicas que preparam para o batismo, de outra os aspectos históricos ou hagiográficos. No domingo da ortodoxia, a vocação de Felipe e Natanael é modelo da vocação de todo ser humano e se celebra o triunfo da ortodoxia sobre o iconoclasmo e o restabelecimento da veneração dos ícones. No domingo de São Gregório Palamas se recorda a fé do paralítico curado por Cristo. O domingo da exaltação da santa Cruz é dedicado à veneração da Cruz vitoriosa de Cristo, levada solenemente ao centro da Igreja e venerada pelos fiéis durante toda a semana como sinal de vitória e de alegria, não de sofrimento. No domingo de São João Clímaco, modelo de ascese, celebra-se a cura do endemoninhado, e no de Santa Maria Egípcia, modelo de arrependimento, o anúncio da ressurreição. No sábado da quinta semana se canta o hino “Akathistos”, ofício dedicado à Mãe de Deus.
A sexta e última semana da quaresma, chamada de Ramos, tem como centro a figura de Lázaro, o amigo do Senhor, desde o momento da doença até a morte e à sua ressurreição. Os textos litúrgicos nos aproximam daquilo que se manifestará plenamente nos dias da Semana Santa, isto é, a filantropia de Deus manifestada em Cristo, o seu amor real e concreto pelo homem. Toda a semana se enquadra na contemplação do encontro, já próximo, entre Jesus e a morte, a do amigo em primeiro lugar, e sua própria na semana seguinte. Os textos litúrgicos visam a nos envolver neste caminho de Jesus em direção a Betânia, em direção a Jerusalém. Na liturgia bizantina jamais somos expectadores, mas sempre participantes e concelebrantes, presentes na liturgia e no evento de salvação que a liturgia celebra. Com as vésperas do sábado de Lázaro se conclui o período quaresmal.
Ao longo de toda a quaresma, a tradição bizantina recita, ao final de todas as horas do ofício, a oração atribuída a Santo Efrém, o Sírio, que resume o caminho de conversão de todo cristão: “Senhor e soberano de minha vida, que não me dês um espírito de preguiça, de indolência, de soberba, de vanglória. Dá-me, a mim teu servidor, um espírito de sabedoria, de humildade, de paciência e de amor. Sim, Senhor e rei, dá-me enxergar os meus pecados e não condenar o meu irmão, a fim de que sejas bendito pelos séculos”.
(©L'Osservatore Romano - 25 de fevereiro de 2009)sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Diplomacia prevalece no caso Fisichella
Uns poucos membros da Pontifícia Academia para a Vida publicaram uma declaração ao fim de sua assembleia sobre a escandalosa posição de seu presidente, Dom Fisichella, no caso do aborto dos gêmeos brasileiros, sua contumácia – claramente manifestada em seu discurso inaugural da dita assembleia – e a falsa impressão causada pela “decisão política” de não contestar abertamente suas posições naquela mesma assembleia. O próprio Fisichella se valeu do esclarecimento mandado publicar pela Congregação para a Doutrina da Fé, cujo texto diplomaticamente o absolvia, para sentir-se justificado. Saberá também se valer do silêncio dos acadêmicos para se sustentar algum tempo mais como presidente da Academia.
Para que não restem dúvidas sobre suas convicções, cinco acadêmicos publicaram uma declaração que pode ser encontrada no Fratres in unum.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Quando o dinheiro está a serviço da vida
A diocese de Linz, na Áustria, protagonizou o ridículo espetáculo de resistir à nomeação pontifícia de um bispo auxiliar conhecido por sua ortodoxia teológica. O bispo-eleito renunciou antes mesmo de sua sagração e a diocese segue sem um bispo católico, restando-lhe apenas o diocesano.
Em 2006, o porta-voz desta mesma diocese, Ferdinand Kaineder, foi o responsável pela distribuição de um CD a cerca de 150 mil jovens com informações sobre anticoncepcionais e endereços de sites que promovem o aborto.
Somente três anos depois, um grupo de fiéis obteve o afastamento do porta-voz abortista. O bispo Schwarz resistia a todos os argumentos, até que cerca de 350 fiéis persistentes apresentaram-lhe um argumento irrefutável.
Os fiéis decidiram não enviar à diocese suas contribuições enquanto o porta-voz não fosse demitido. Neste ínterim, o dinheiro seria depositado numa conta-corrente. Com o passar dos anos, o montante foi se tornando mais convincente e o bispo concordou com o afastamento de Kaineder.
A bem-sucedida operação foi concluída em julho de 2009, embora somente agora os detalhes tenham vindo a lume.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Boas e más notícias do mundo anglicano
Da Austrália nos chega a notícia de que alguns anglicanos - membros do Forward in Faith (organização de anglicanos tradicionais) – decidiram, em encontro especialmente convocado para tal fim, se juntar aos membros da TAC (Comunhão Anglicana Tradicional) e da ACA (Igreja Anglicana da Austrália) para a formação de um grupo de trabalho a fim de estabelecer um Ordinariato na Austrália, sob a coordenação do Bispo Peter Elliott, delegado ad hoc da conferência dos bispos católicos.
Papa se encontra com hierarquia irlandesa para tratar de abusos a menores
“O Santo Padre também apontou para a crise de fé mais generalizada que afeta a Igreja e a relacionou àquela falta de respeito pela pessoa humana e como o enfraquecimento da fé tem sido um significante fator de contribuição para o fenômeno do abuso sexual de menores”.
Não são as exatas palavras do Santo Padre, mas a tradução das mesmas feitas pela sua assessoria de imprensa. Imagino que o Santo Padre tenha sido bem mais eloquente e convincente no seu encontro com os bispos irlandeses e alguns prelados da Cúria Romana. Ainda assim dizem muito.
Há uma crise de fé, já não é possível negá-la. O tempo de um fátuo otimismo passou e é chegada a hora de enfrentar as causas, os instrumentos, as categorias mentais, a linguagem e os responsáveis por esta crise, aliás, tudo sobejamente conhecido.
Tal crise de fé afeta as relações humanas, na medida em que se enfraquece a relação com Deus. Se já não se respeita o Altíssimo, não se deve esperar respeito pela pessoa humana.
Entre outras consequências, o Papa lista o abuso sexual contra menores.
Mensagem do Papa para a Jornada pelas Vocações
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Tenso clima entre presidente e membros da Academia para a Vida
Religión en Libertad traz um artigo de Sandro Magister sobre a próxima reunião da Pontifícia Academia para a Vida, nos dias 11, 12 e 13 deste mês. O site espanhol prevê um clima tormentoso, dada a indisposição de muitos membros da Academia com relação a seu presidente, o arcebispo Dom Rino Fisichella. Entre os mais destacados opositores de Fisichella está o sacerdote belga Dr. Michel Schooyans.
Os leitores de OBLATVS haverão de se recordar do malfado artigo de Fisichella no L’Osservatore Romano sobre o caso do aborto dos gêmeos em Recife. Mons. Schooyans escreveu na ocasião um artigo em que desmontava os argumentos chinfrins de Fisichella e defendia o arcebispo brasileiro Dom José Cardoso Sobrinho.
Dos 46 membros da Academia, 27 firmaram uma carta a Dom Rino Fisichella pedindo-lhe que se retratasse, pedido rechaçado por Fisichella em carta-resposta. Diante da recusa os signatários se dirigiram à Congregação para a Doutrina da Fé e dela receberam a confirmação de que o artigo havia sido aprovado pelo Secretário de Estado. E como não receberam deste último garantias de esclarecimento, alguns deles levaram a questão ao Papa.
Pouco depois, o Papa mandou publicar o esclarecimento em que as teses de Fisichella-Bertone são condenadas, não obstante a imagem pública de ambos tenha sido diplomaticamente protegida.














