"Oblatus est, quia ipse voluit, et peccata nostra ipse portavit!"

sábado, 31 de outubro de 2009

Liturgia das Horas online

Um jovem leigo, casado e pai de quatro filhos, da Diocese de Teixeira de Freitas – Caravelas, está tornando disponível na internet os textos da Liturgia das Horas. O site ainda está em construção, mas já pode ser utilizado por aqueles que desejam rezar as horas canônicas mas não dispõem dos livros litúrgicos.

Será também muito útil àqueles que desejam imprimir as orações para uso comunitário, o que infelizmente ainda não é possível, já que nem todo material está disponível. Com o desenvolvimento da página, creio que dentro de algum tempo teremos todo o Ofício Divino digitalizado e quiçá teremos uma ferramenta em português semelhante ao Maranatha.

Visite o site (http://liturgiadashoras.org/) e considere fazer uma doação.

Parabéns ao Helber pela iniciativa.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Papa nunca disse que Halloween é anticristão

Halloween não é um elemento da cultura nacional, embora esteja ganhando adeptos entre adolescentes e jovens influenciados pela cultura americana e estimulados pelo comércio decorrente da festa. Alguns se opõem à “importação” da cultura americana, em geral, motivados por uma estreita visão nacionalista; outros se opõem especificamente ao Halloween por acreditarem se tratar de uma festa pagã ou mesmo demoníaca.

A imprensa local, com certeza, fará eco às manchetes dos jornais americanos de hoje, segundo as quais o Papa condenou o Halloween como uma festa anticristã. Na verdade, o liturgista espanhol Joan Maria Canals escreveu um artigo no L’Osservatore Romano em que acusa – ele, não o Papa – a festa de ser anticristã. A história nos ensina a desconfiar do que escrevem certos liturgistas.

O respeitado exorcista italiano Padre Gabriele Amorth afirma o contrário: “Se as crianças inglesas e americanas gostam de se vestir como bruxas ou demônios em uma noite do ano isto não é um problema. Se é apenas brincadeira, não há perigo nisto”. Padre Amorth é uma autoridade no assunto, reconhecido pelo tempo em que se dedica ao estudo do fenômeno demoníaco e por já ter realizado inúmeros exorcismos.

A festa muito popular nos Estados Unidos tem, todavia, origens cristãs e remonta ao século VIII. O nome vem do inglês antigo All Hallow's Eve (Vigília de Todos os Santos) e é uma expressão popular da Liturgia da Igreja, assim como as festas e símbolos populares associados ao Natal e à Páscoa.

As primeiras críticas e ataques ao Halloween vieram dos protestantes ingleses do século XVII. Com a supressão da Vigília e da Festa de Todos os Santos, a festa muito popular entre os celtas foi proibida por lei. Os puritanos chegaram também a proibir as festividades natalinas.

O segundo ataque veio na década de oitenta por obra de protestantes americanos, entre os quais o fundamentalista anticatólico Jack Chick. Havia também um componente de preconceito contra os imigrantes irlandeses que levaram a festa para os Estados Unidos. Muitos católicos, desconhecendo as motivações destes detratores, se convenceram de que se tratava de uma festa pagã ou demoníaca.

A festa não tem raízes pagãs, na festa celta de Samhain (que significa “fim do verão” e marcava o ano-novo celta), embora muitos elementos da cultura celta pré-cristã tenham sido associados a ela. O mesmo aconteceu com o Natal e com a Páscoa. Entre estes elementos estão as fogueiras e as cabeças de abóbora iluminadas. A tradição de andar de casa em casa em busca de doces (“trick or treat” – “travessuras ou gostosuras”) é um acréscimo posterior.

As fantasias de fantasmas, caveiras ou demônios vieram posteriormente e também têm relação com a Liturgia católica, ou seja, com o Dia de Finados que é comemorado no dia seguinte à Festa de Todos os Santos. O homem medieval não se intimidava diante da morte e de suas representações e se permitia representar mesmo as figuras malignas, e delas zombar. Quem já visitou a Catedral de Notre Dame ou assistiu ao filme O Corcunda de Notre Dame conhece as gárgulas, desaguadouros de telhado representando quimeras.

A importação cultural e a comercialização relacionada às festas populares e religiosas não são um mal em si. Há os importados prejudiciais, os neutros e há os positivos. Há uma comercialização excessiva e uma moderada.

O tempo dirá se o Halloween veio para ficar ou é um modismo passageiro no cenário cultural brasileiro. Por ora, basta devolver à festa infanto-juvenil seus elementos religiosos e aproveitar do seu apelo popular para evangelizar as crianças e jovens sobre verdades fundamentais da fé cristã: céu, inferno, purgatório.

Se cairmos nas armadilhas protestantes, abandonaremos nossas festas populares de origem e motivação religiosas e deixaremos que as secularizem ou sejam apropriadas por grupos religiosos não-cristãos. Já estamos assistindo a este fenômeno nas festas de Reis Magos, nas Festas Juninas e na de São Cosme e São Damião.


Declaração contra o Comunismo

DECLARAÇÃO DE PRAGA

Tendo em conta o futuro digno e democrata de nossa comum pátria européia,

- Considerando que as sociedades que esquecem seu passado carecem de futuro;

- Considerando que a Europa não se unirá a menos que seja capaz de unificar sua história, de reconhecer o comunismo e o nacional-socialismo como um legado comum e de conseguir um debate sincero e profundo sobre todos os crimes totalitários do século passado;

- Considerando que a ideologia comunista é diretamente responsável por crimes contra a humanidade;

- Considerando que a má consciência que se deriva do passado comunista é uma pesada carga para o futuro da Europa e para nossos filhos;

- Considerando que diferentes valorações do passado comunista ainda podem dividir a Europa em Ocidente e Oriente;

- Considerando que a unidade européia foi uma resposta direta às guerras e à violência causada pelos sistemas totalitários no continente;

- Considerando que a consciência dos crimes de lesa-humanidade cometidos pelos regimes comunistas em todo o continente deve informar a todas as mentes européias, na mesma medida que os crimes do regime nacional-socialista;

- Considerando que existem similitudes entre o nacional-socialismo e o comunismo no que se refere a seus caráter horrível e espantoso, e a seus crimes contra a humanidade;

- Considerando que os crimes do comunismo ainda necessitam ser avaliados e julgados desde os pontos de vista jurídico, moral e político, assim como do ponto de vista histórico;

- Considerando que tais crimes foram justificados em nome da teoria da luta de classes e do princípio da ditadura do proletariado, que utilizam o terror como método para preservar o poder dos Governos que o aplicaram;

- Considerando que a ideologia comunista foi utilizada como uma ferramenta em mãos de imperialistas na Europa e na Ásia para alcançar seus planos expansionistas;

- Considerando que muitos dos autores que cometem e cometeram crimes em nome do comunismo ainda não foram levados ante a justiça, e suas vítimas ainda não foram indenizadas nem satisfeitas;

- Considerando que o objetivo de proporcionar informação completa sobre o passado totalitário comunista, que conduza a uma compreensão mais profunda e ao debate é uma condição necessária para a futura integração de todas as nações européias;

- Considerando que a reconciliação definitiva de todos os povos europeus não é possível sem um esforço potente para estabelecer a verdade e para restaurar a memória;

- Considerando que o passado comunista da Europa deve ser tratado a fundo, tanto na academia como ao público em geral, e as gerações futuras devem ter fácil acesso à informação sobre o comunismo;

- Considerando que em diferentes partes do mundo só uns poucos regimes totalitários comunistas sobrevivem, porém que, todavia, oprimem aproximadamente a um quinto da população mundial, e ainda se aferram ao poder cometendo delitos e impondo um alto custo para o bem-estar de seus povos;

- Considerando que em muitos países, apesar de que os partidos comunistas já não estão no poder, não se distanciaram publicamente dos crimes dos regimes comunistas nem os condenaram;

- Considerando que Praga é um dos lugares que sofreu tanto com o nazismo quanto com o comunismo,

Estando convencidos de que os milhões de vítimas do comunismo e suas famílias têm direito a desfrutar da justiça, da solidariedade, da compreensão e do reconhecimento de seus sofrimentos da mesma forma que as vítimas do nazismo foram moral e politicamente reconhecidos,

Nós, os participantes da Conferência de Praga Consciência européia e o comunismo,

- Ante a Resolução do Parlamento Europeu sobre o sexagésimo aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial na Europa, em 8 de maio de 1945, de 12 de maio de 2005,

- Ante a Resolução 1.481 da Assembléia Parlamentar do Conselho da Europa, de 26 de janeiro de 2006,

- Ante as resoluções sobre os crimes comunistas adotadas por vários Parlamentos nacionais,

- Ante a experiência da Comissão pela Verdade e a Reconciliação na África do Sul,

- Ante a experiência dos Institutos da Memória e os Memoriais na Polônia, Alemanha, Eslováquia, República Checa, Estados Unidos, o Instituto para a Investigação de Crimes Comunistas na Romênia, os museus da ocupação da Lituânia, Letônia e Estônia, assim como a Casa do Terror na Hungria,

- Ante as presidências atuais e futuras na UE e no Conselho da Europa.

- Ante o fato de que 2009 é o vigésimo aniversário da queda do comunismo na Europa Central e Oriental, assim como dos assassinatos em massa na Romênia e no massacre da Praça de Tianamen em Pekin,

Pedimos:

1. Chegar a um entendimento entre todos os europeus de que os regimes totalitários nazista e comunista devem ser julgados por seus próprios méritos terríveis, por ser destrutivo em suas políticas de maneira sistemática na aplicação das formas extremas de terror, da supressão de todos os direitos civis e das liberdades humanas, começando pelas guerras de agressão e, como uma parte inseparável de suas ideologias, o extermínio e a deportação de nações inteiras e grupos de população, e que como tais devem ser considerados os principais desastres que frustraram o século 20,

2. O reconhecimento de que muitos crimes cometidos em nome do comunismo devem ser qualificados como crimes de lesa-humanidade, de modo que constituam uma advertência para as gerações futuras da mesma maneira que os crimes nazistas foram julgados pelo Tribunal de Nüremberg,

3. A formulação de um enfoque comum a respeito dos crimes dos regimes totalitários, incluídos os regimes comunistas, e uma versão européia dos crimes comunistas, a fim de definir claramente uma atitude comum frente aos crimes dos regimes comunistas,

4. A introdução de uma legislação que permita aos tribunais de justiça julgar e condenar os culpados pelos crimes comunistas e compensar as vítimas do comunismo,

5. A garantia do princípio de igualdade de tratamento e não-discriminação entre as vítimas de todos os regimes totalitários,

6. A pressão européia e internacional para a condenação efetiva dos crimes do passado comunista e da luta eficaz contra os crimes comunistas em curso,

7. O reconhecimento do comunismo como parte integrante e horrível da história comum da Europa,

8. A aceitação por toda a Europa da responsabilidade pelos crimes cometidos pelo comunismo,

9. O estabelecimento de 23 de agosto, dia da assinatura do pacto Hitler-Stalin, conhecido como o Pacto Molotov-Ribbentrop, como um dia de lembrança das vítimas dos regimes totalitários nazista e comunista, do mesmo modo que a Europa recorda as vítimas do Holocausto em 27 de janeiro,

10. A reclamação aos Parlamentos nacionais para que reconheçam os crimes comunistas como crimes contra a humanidade, e modifiquem a legislação pertinente,

11. O debate público sobre o mal uso comercial e político dos símbolos comunistas,

12. A continuação das audiências da Comissão Européia com respeito às vítimas dos regimes totalitários, com vistas à elaboração de uma comunicação da Comissão,

13. O estabelecimento de comitês compostos por experts independentes nos Estados europeus que foram governados por regimes comunistas totalitários, com a tarefa de recolher informação sobre violações dos direitos humanos sob cada regime comunista totalitário em nível nacional, com o fim de colaborar estreitamente com o Conselho de Comitê de experts da Europa,

14. A elaboração de um claro marco jurídico internacional em relação a um acesso livre e irrestrito aos arquivos que contêm informação sobre os crimes do comunismo,

15. A fundação de um Instituto Europeu da Memória e da Consciência, que teria duas funções:

A) a de um instituto europeu dedicado à investigação dos estudos do totalitarismo, o desenvolvimento de projetos científicos e educacionais e o apoio à criação de redes de institutos de investigação nacionais especializados no tema da experiência totalitária,

B) e a de um museu memorial de âmbito europeu das vítimas de todos os regimes totalitários, com o objetivo de recordar as vítimas destes regimes e de dar a conhecer os crimes cometidos por eles,

16. A organização de uma conferência internacional sobre os crimes cometidos pelos regimes comunistas totalitários, com a participação de representantes de governos, parlamentares, acadêmicos, experts e associações, cujos resultados devem ser difundidos no mundo inteiro,

17. O ajuste e a revisão de livros de texto de história européia, para que as crianças possam aprender e ser advertidas sobre o comunismo e seus crimes, da mesma forma que se lhes ensinou a compreender os crimes nazistas,

18. A abertura de um amplo e profundo debate em toda a Europa sobre a história européia e a herança comunista,

19. A comemoração conjunta do 20º aniversário no próximo ano da queda do Muro de Berlim, do massacre da Praça Tianamen e da matança na Romênia.

Nós, os participantes da Conferência de Praga Consciência Européia e o Comunismo, nos dirigimos a todos os povos da Europa, a todas as instituições políticas européias, inclusive os Governos e os Parlamentos nacionais, o Parlamento Europeu, a Comissão Européia, o Conselho da Europa e outros órgãos internacionais pertinentes, e os exortamos a abraçar as idéias e as propostas enunciadas nesta Declaração de Praga, e a convertê-las em medidas práticas e políticas.

ASSINE AQUI

Fonte: Notalatina

Arquidiocese de Miami barra Legionários de Cristo

O Arcebispo de Miami proibiu os Legionários de Cristo de realizar quaisquer atividades na arquidiocese.

Segundo uma nota da cúria, “no passado, aos padres era dada uma autorização individual pelo vigário-geral cada vez que eles desejavam vir à Arquidiocese de Miami, mas seu ministério se restringia aos seus próprios membros”. De acordo com o chanceler, o Arcebispo decidiu negar-lhes o uso de ordens porque eles não se conformaram às condições impostas. A proibição incide também sobre o movimento Regnum Christi, associação de leigos vinculada aos Legionários.

Os Legionários têm sido objeto de uma visitação apostólica determinada pelo Papa Bento XVI após as últimas revelações sobre a vida indigna do fundador, Padre Marcial Maciel, mas o Papa não quer a eliminação dos Legionários, entre os quais se encontram excelentes sacerdotes e genuínas vocações. Os Legionários sempre se mostraram fiéis à doutrina da Igreja e ao magistério do Papa, numa época em que antigas congregações estão na vanguarda do dissenso.

Muitos bispos liberais nunca viram os Legionários com bons olhos e agora aproveitam a oportunidade para se livrarem deles. Não me refiro ao caso específico de Miami, cujos detalhes desconheço, mas são muitos as situações em que os bispos agem dentro do direito e não necessariamente conforme a justiça. Uma lei, em si boa e que vise ao bem eclesial, pode ser usada contra os interesses da própria Igreja.

Os Legionários estão muito vulneráveis após as últimas revelações, que certamente pegaram de surpresa a maioria dos seus membros e pelas quais não têm responsabilidade ou culpa. Apoiar estes membros, ajudá-los a identificar e afastar os responsáveis e corrigir os eventuais erros na prática pastoral é dever dos bispos, e é o que tem feito o Papa. Destruí-los é prestar um desserviço à Igreja.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Retomada fase vaticana do processo de beatificação do Padre Matteo Ricci

CIDADE DO VATICANO – Retomado o processo de beatificação do Padre Matteo Ricci, jesuíta de Macerata, primeiro missionário na China (1552-1610). É o que veio à tona no curso de uma coletiva de imprensa de apresentação de uma mostra dedicada a ele no Vaticano, tendo em vista as relações atuais – e nem sempre fáceis – entre a Santa Sé e o governo chinês.

“Que se possa proceder de modo rápido e positivo também o reconhecimento de seu caminho de santidade”, disse o bispo de Macerata, Dom Claudio Giuliodori. Foi seu predecessor quem introduziu a causa de beatificação de Ricci, que, na sua fase diocesana, foi concluída em 1985. Os autos foram transmitidos à Congregação para a Causa dos Santos, que agora deverá retomar o trabalho. “Isto nos encoraja a seguir em frente”, comentou Giuliodori. “Depois que foi à China passou ali o resto de sua vida com grandes obras religiosas e culturais”, destacou o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, “um testemunho espiritual extraordinário”. Lombardi expressou a expectativa de que também o primeiro convertido ao cristianismo, Xu Guangqui, possa ascender às honras dos altares.

A mostra apresentada no Vaticano será inaugurada no Braço de Carlos Magno, ao longo da colunata berniniana da Praça de São Pedro. Foi organizada pelo Comitê para as Celebrações do IV Centenário do Padre Matteo Ricci em colaboração com os Museus Vaticanos, a Cúria Generalícia da Companhia de Jesus e a Pontifícia Universidade Gregoriana.

“A figura do Padre Matteo Ricci, deixada por três séculos um pouco na sombra por causa dos conhecidos incidentes dos assim chamados ritos chineses, completamente alheios a ele uma vez que lhe sucederam – destacou Giuliodori na coletiva de imprensa – possa encontrar o reconhecimento e a valorização que merece seu gênio missionário, por sua estatura espiritual e moral, por sua abertura e amplitude de visão cultura. À luz de tal testemunho – acrescentou – possa crescer a amizade com o povo chinês e possam ser reforçados os vínculos de comunhão com os católicos deste grande país, como desejado pelo Santo Padre na carta endereçada a eles em maio de 2007, onde é repetidamente citado o Padre Matteo Ricci, recordando o seu estilo e o seu método”. Naquela data, Bento XVI enviou uma carta a todos os chineses, minoria frequentemente objeto de restrições e perseguições pelo governo comunista de Pequim. Desde 1951 foram interrompidas as relações diplomáticas entre a Santa Sé e a China. Somente ultimamente foram retomados os contatos informais num quadro de degelo.

Apresentaram a mostra, além de Dom Giuliodori e Padre Lombardi, o diretor dos Museus Vaticanos, Antonio Paolucci, o presidente da Fundação para os Bens e as Atividades Artísticas da Igreja, Giovanni Morello, e o presidente do Comitê promotor das Celebrações do IV Centenário da morte do Padre Matteo Ricci, Adriano Ciaffi.

Fonte: Petrus

Tradução: OBLATVS

Kéchichian, crítico literário do «Le Monde», se converte ao catolicismo

Patrick Kéchichian se converteu à fé católica após uma longa fase de afastamento da Igreja Católica. Jornalista e crítico literário, este intelectual de origem armênia, foi o redator-chefe de 1985 a 2008 do suplemento «Le Monde des Livres».

Após sua conversão abandonou o jornal laico e se somou às páginas do «La Croix».

“Sempre me fascinou a riqueza da cultura, e sobretudo da literatura cristã francesa dos séculos XIX e XX: Claudel, Bernanos, Lubac... Para não falar de épocas anteriores: Pascal, Bousset, Francisco de Sales... Quando alguém se aproxima destes autores se admira com sua diversidade, inclusive sua oposição, sempre dentro do catolicismo. É uma das consequências, feliz e fecunda, da inaudita liberdade que dá a fé”, sustenta.

“Quando se aceita a totalidade do dogma, diante de nós se abre uma multiplicidade de caminhos possíveis”, sustenta. “A fé não é e não pode ser um assunto privado”, afirma Kéchichian. “Quero sublinhar a importância da dimensão universal do catolicismo. Eu sacrifico minha identidade pessoal e narcisista para ganhar uma verdadeira identidade em Cristo. Católico não é um adjetivo, é um substantivo. Eu não sou um crítico ou um escritor católico; sou crítico, escritor e católico. As identidades sociológicas não me interessam. Dito isto, creio que a fé penetra todos os setores da minha vida, incluído o profissional”, afirma.

Fonte: Religión en Libertad

Tradução: OBLATVS

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Relíquias de Dom Bosco chegam em novembro ao Brasil

No próximo dia 2 de dezembro, as relíquias de São João Bosco chegam ao estado de São Paulo, após visitar Porto Alegre (RS), aonde chegará no dia 16 de novembro. A peregrinação da urna com a relíquia teve início em junho deste ano, na Itália, e faz parte da preparação ao bicentenário do nascimento de dom Bosco (1815-2015). O trajeto das relíquias no continente Sul Americano começou na Argentina, na etapa que contempla a chamada região salesiana América Cone Sul, passando pelo Chile, Uruguai, Paraguai até chegar ao Brasil.

A urna, sustentada por quatro pilares nos quais se gravaram as datas relativas ao bicentenário, o escudo da congregação salesiana e o lema carismático de dom Bosco “Dêem-me almas e levem todo o resto”, contém os restos do braço direito do santo fundador dos salesianos.

Fonte: CNBB

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Porta-voz do Opus Dei esclarece peculiaridade das prelazias pessoais

O porta-voz do Opus Dei na Itália, Pippo Corigliano, é cético sobre a possibilidade de que os lefebvristas sejam enquadrados na Igreja Católica em uma estrutura jurídica análoga à prelazia pessoal reservada pelo Papa João Paulo II ao movimento fundado por São Josemaria Escrivá de Balaguer.

“A título pessoal – escreve Corigliano em uma nota – desejo esclarecer um ponto sobre o qual há um pouco de confusão. Leio em várias partes que a prelazia pessoal do Opus Dei possa servir como precedente ou modelo para os Lefebvristas. Também no caso dos anglicanos católicos (não sei exatamente como se chamarão) falou-se da prelazia pessoal como modelo. Nestes casos o modelo já existente é o ordinariato militar. Isto é, uma diocese para todos os efeitos que provê o cuidado pastoral dos próprios fiéis que se lhe aderem a título pessoal, como os militares neste caso.

Isto é uma diocese pessoal, não uma prelazia pessoal. A diocese territorial, como a de Bari ou Nápoles, ao invés, conta os seus fiéis tendo por base o território”.

“As prelazias pessoais – prossegue Corigliano – foram pensadas pelo Concílio como estruturas que se criam para atividades pastorais peculiares. No caso do Opus Dei, este escopo é o auxílio espiritual para santificar o trabalho ordinário e a vida cotidiana. Elas compatíveis com as dioceses territoriais e colaboram com estas últimas. Por exemplo, se marido e mulher são do Opus Dei, são casados pelo seu pároco que batizará os seus filhos. Vão à missa na paróquia e tudo o mais... Enquanto os militares tem o seu bispo e um clero próprio que atende a todas as suas necessidades pastorais. Provavelmente digo coisas já conhecidas, mas ultimamente circulam e se propagam coisas inexatas”.

© Copyright Asca

Fonte: Papa Ratzinger Blog

Tradução: OBLATVS

Nova entrevista do Cardeal Cañizares

Sem tempo para traduzir, segue me espanhol a entrevista concedida pelo Cardeal Cañizares ao site Religión en Libertad. Os destaques são meus.

“El valor de lo sagrado en la Iglesia”. Con este sugerente título el cardenal Antonio Cañizares Llovera, prefecto de la Congregación para el Culto Divino y la Disciplina de los Sacramentos, inauguró el pasado 15 de octubre el curso 2009-2010 de la asociación Fe y Cultura. La presen cia destacada del purpurado valenciano en Barcelona coincide, además, con la celebración gozosa del 30 aniversario de la entidad, dirigida actualmente por Mn. Rafael Méndez, párroco de la Virgen de los Ángeles, y apoyada desde sus orígenes por el cardenal Ricard M. Carles.

- Pronto se cumplirá un año de su nombramiento por parte del Papa como prefecto de la Congregación para el Culto Divino... ¿qué valora ción hace de su estreno en la Curia vaticana?

- Yo no soy quien tiene que hacer valoración de mi gestión. Lo único que tengo que decir es que es un tiempo muy importante para todos, se está trabajan do intensamente, se ha atendido una asamblea plenaria de la congregación, se ha llegado a unas propuestas que el Santo Padre aprobó y que constituyen el plan de nuestro trabajo. El gran objetivo es reavivar el espíritu de la liturgia en todo el mundo.

¿Cuáles han sido los asuntos más urgentes que ha tenido que atender?

- Asuntos urgentes hay todas las mañanas, referentes a excesos y errores que se cometen en la liturgia, pero so­bre todo, el asunto más urgente, que es apremiante en todo el mundo, es que se recupere de verdad el sentido de la liturgia. No se trata de cambiar rúbricas o introducir nuevas cosas, sino que de lo que se trata, sencillamente, es que se viva la liturgia y esté en el centro de la vida de la Iglesia. La Iglesia no puede ser sin la liturgia, porque la Iglesia es para la liturgia, es decir, para la alabanza, para la acción de gracias, para ofrecer el sacrificio al Señor, para la adoración... Esto es lo fundamental, y sin esto no hay Iglesia. Es más, sin esto no hay humanidad. Por eso es una tarea sumamente urgente y apremiante.

- ¿Cómo se recupera el sentido de la liturgia?

- En estos momentos, trabajamos de una manera muy silenciosa en toda una serie de temas que tienen que ver con proyectos de formación. Es la necesidad prioritaria que se tiene: una buena y verdadera formación litúrgica. El tema de la formación litúrgica es capital por que realmente no se cuenta con una formación suficiente. La gente cree que la liturgia es una cuestión de formas o de realidades exteriores, y lo que realmente nos hace falta es recuperar el sentido de la adoración, es decir, el sentido de Dios como Dios. Este sentido de Dios sólo se podrá recuperar con la liturgia. Por eso el Papa tiene tantísimo interés en acentuar la prioridad de la liturgia en la vida de la Iglesia. Cuando se vive el espíritu de la liturgia, se entra en el espíritu de la adoración, se entra en el reconocimiento de Dios, se entra en comunión con Él, y esto es lo que transforma al hombre y lo convierte en un hombre nuevo. La liturgia mira siempre a Dios, no a la comunidad; no es la comunidad la que hace la liturgia, sino que es Dios quien la hace. Es Él quien sale a nuestro encuentro y nos ofrece participar en su vida, en su misericordia en su perdón... Cuando se viva la liturgia de verdad y Dios esté verdaderamente en el centro de ella, cambiará todo.

- ¿Tan alejados estamos hoy del sentido verdadero del misterio?

- Sí, actualmente hay una secularización y un laicismo muy grandes, se ha perdido el sentido del misterio y de lo sagrado, no se vive con el espíritu verdaderamente de adorar a Dios y de dejar a Dios que sea Dios. Por eso se cree que hay que estar cambiando constantemente cosas en la liturgia, hacer innovaciones y que sea muy creativo todo. No es ésta la necesidad de la liturgia, sino que sea realmente adoración, es decir, reconocimiento de Aquél que nos trasciende y que nos ofrece la salvación. El misterio de Dios, que es misterio insondable de su amor, no es una nebulosa, sino que es Alguien que sale a nuestro encuentro. Hay que recuperar al hombre que adora. Hay que recuperar el sentido del misterio. Hay que recuperar lo que nunca deberíamos haber perdido. El mayor mal que se está haciendo al hombre es querer eliminar de su vida la trascendencia y la dimen sión del misterio. Las consecuencias las estamos viviendo hoy en todas las esferas de la vida. Son la tendencia a sustituir la verdad por la opinión, la confianza por la inquietud, el fin por los medios... Por eso es tan importante defender al hombre de todas las ideologías que lo debilitan en su triple relación con el mundo, con los demás y con Dios. Nunca antes se había hablado tanto de libertad, y nunca antes ha habido más esclavitudes.

- Después de tantos años de docencia y de ministerio episcopal, ¿cómo ha vivido la llamada a servir en la Curia vaticana como «ministro del Papa»?

- Yo lo asumo con mucho gozo, por que significa cumplir la voluntad de Dios. Cuando se cumple la voluntad de Dios uno está muy contento, aunque he de confesar que yo no esperaba algo así. Al mismo tiempo, el hecho de trabajar junto al Papa me permite vivir intensamente el misterio de comunión. Me siento muy unido a él, feliz de ayudarle en todo lo que él realmente está pidiendo. Como es sabido, una de sus preocupaciones principales es la preocupación por la liturgia.

- ¿Echa de menos la acción pastoral?

- Siempre se echa muy de menos, por que es algo que uno lleva muy adentro, sobre todo después de llevar a cabo una intensa actividad pastoral, como la que yo tuve que llevar en Ávila, Granada y Toledo. Pero también hay que decir que lo que ahora estoy haciendo tiene mucho sentido eclesial y lo que importa es realmente vivir el servicio a la Iglesia allí donde uno esté. Porque allí donde uno esté, sirviendo a la Iglesia, se encuentra con todos.

- Una curiosidad, ¿le siguen llamando el pequeño Ratzinger?

- Pues sí, todavía hay gente que me llama así, pero no merezco tal apelativo. ¡Ojalá fuese un teólogo que se pareciera más al papa Benedicto XVI!

- Desde esa atalaya privilegiada que es Roma, ¿cuáles son los principales motivos de esperanza que usted observa en medio de esta Europa cada vez más secularizada y alejada de Dios?

- El gran motivo de esperanza es el mismo Papa y lo que él está constantemente diciendo. Este Papa está llevando a cabo un ministerio de Pedro tal y como Jesús se lo encomendó a Pedro. Su principal misión es confirmar en la fe a los hermanos y lo está haciendo todos los días. Todos los días nos habla de algo que es clave, el fundamento y el futuro de todo, como es la afirmación, el reconocimiento y la adoración de Dios. Si no situamos a Dios en el centro de la vida del hombre, no hay futuro para la humanidad. Es lo que el Papa ha llamado ante los jóvenes, nada menos, «la revolución de Dios». ¡Hagamos la revolución de Dios! Por eso, para mí, el Papa, y todo su magisterio, es un gran signo de esperanza.

- ¿Sigue desde el Vaticano los temas de actualidad, sobre todo lo que acontece en España?

- Estando en Roma no puedo dejar de estar en España. Sigo diariamente la actualidad, me siento muy vinculado a mi país. No me olvidó de mi patria, ni de mis realidades, ni de mis preocupaciones, que son también las de mis compatriotas.

- Supongo que habrá seguido con atención lo referente a la mani festación del pasado 17 de octubre en contra de la reforma de ley del aborto...

- Cuando hay una manifestación pública tan multitudinaria como ha sido ésta quiere decir que las cosas no van bien, y aquí hay algo que no va nada bien, que es el hecho de que no hay un respeto a la vida. No se respeta la vida, no se defiende, y la vida es el primer derecho, es el derecho fundamental sobre el que se asientan todos los demás derechos. La vida es la dignidad de la persona humana y cuando no se respeta la dignidad de la persona humana no se respetan otras cosas. Lo que está en juego aquí es el hombre. Si hay legislaciones, si hay una mentalidad que va en contra del hombre, eso indica, y así lo pone de relieve esta muestra pública, que necesitamos reconsiderar las cosas. ¡Necesitamos apostar por el hombre! Por eso creo que más que una manifestación «en contra de», se trata de una apuesta en favor del hombre, una apuesta por la vida y la dignidad de la persona humana, por la verdadera libertad y la grandeza de la mujer y la maternidad. Mi mensaje para todos es que digamos sí al hombre, sí a la vida, y para ello, tenemos el máximo «sí» al hombre y a la vida que es el amor de Dios, que ama con pasión al hombre hasta el punto de entregar su propia vida en Jesucristo por todos nosotros. ¡Ésta es nuestra gran esperanza y éste es el gran futuro para el hombre!

Patriarca Melquita visitará o Brasil em 2010

O Patriarca Greco-Melquita Católico, Sua Beatitude Gregório III, visitará o Brasil pela primeira vez em agosto de 2010. Sua visita coincidirá com o 7º Congresso dos Bispos Melquitas da Emigração, que será realizado na Venezuela. Na mesma ocasião, visitará também a Argentina.

Foi eleito para suceder o Patriarca Máximo V pelo Sínodo de sua Igreja em, 29 de novembro de 2000, e recebeu a “ecclesiastica communio” do Papa João Paulo II em 5 de dezembro do mesmo ano. É o chefe espiritual de um milhão e meio de católicos melquitas em todo o mundo.

Os imigrantes sírios e libaneses trouxeram consigo a robustez de sua fé e o esplendor de sua liturgia para o Brasil, onde estão organizados em uma Eparquia (diocese) com sede em São Paulo, paróquias em quatro estados e um mosteiro em Votorantim. O atual Eparca é S. Exª Dom Farès Maakaroun.

Para saber mais sobre a venerável Igreja Greco-Melquita visite os sites abaixo:

Melkite Greek Catholic Patriarchate;

Melquitas;

Eparca Dom Ferès Maakaroun;

Paróquia de N. S. do Líbano (Fortaleza);

Paróquia de São Basílio (Rio de Janeiro).

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Nota da Pontifícia Comissão "Ecclesia Dei"

Na segunda-feira, 26 de outubro, ocorreu no Palácio do Santo Ofício, sede da Congregação para a Doutrina da Fé e da Pontifícia Comissão Ecclesia dei, o primeiro encontro da Comissão de estudo, formada por peritos da mesma Comissão e da Fraternidade Sacerdotal S. Pio X, com o objetivo de examinar as dificuldades doutrinais que ainda subsistem entre a Fraternidade e a Sé Apostólica.

Num clima cordial, respeitoso e construtivo foram evidenciadas as principais questões de caráter doutrinal que serão tratadas e discutidas no curso dos colóquios que prosseguirão nos próximos meses, provavelmente de dois em dois meses ("bimestrale, non bimensile" - havia ambiguidade nas duas versões da nota, agora corrigida). Em particular, serão examinadas as questões relativas ao conceito de Tradição doutrinal católica, ao Missal de Paulo VI, à interpretação do Concílio Vaticano II em continuidade com a Tradição doutrinal católica, aos temas da unidade da Igreja e dos princípios católicos do ecumenismo, da relação entre o Cristianismo e as religiões não-cristãs e da liberdade religiosa. No curso do encontro foi também definido o método e a organização do trabalho.

Fonte: Santa Sé

Tradução: OBLATVS

Ricordo di Roma

Com um pouco de atraso, deixo aqui registrada minha recordação do dia 25 de outubro de 1998. Naquele domingo, o Papa João Paulo II beatificou o Frei Antônio de Sant’Ana Galvão, primeiro beato brasileiro.

Eu estava no meio da multidão dos peregrinos em Roma. Da Basílica de Santo Eustáquio, onde nos hospedáramos, até a Praça de São Pedro, um amigo padre e eu percorremos sozinhos as ruas, bastante adiantados quanto ao horário. Naquele dia, graças à confusão feita por uma freira, não nos adaptamos ao fim do horário de verão local (ora legale); confusão que nos valeu um bom lugar na Piazza San Pietro.

Coincidentemente, neste ano, o dia 25 de outubro também caiu num domingo e, com o fim do horário de verão, os relógios foram igualmente atrasados em uma hora.

Atenção! Agora só três horas nos separam de Roma. Estamos, portanto, mais próximos do Santo Padre!

domingo, 25 de outubro de 2009

Primaz da TAC dá alguns detalhes sobre os ordinariatos

O primaz da TAC, “arcebispo” John Hepworth, concedeu uma entrevista ao The Australian em que responde a algumas questões colocadas por OBLATVS e confirma algumas opiniões aqui emitidas.

Sobre o celibato do clero e os atuais bispos anglicanos:

“Os bispos na nova estrutura anglicana serão celibatários. Assim o é em razão do respeito à tradição do cristianismo no Oriente e no Ocidente. Mas os padres que vierem do anglicanismo poderão servir como padres na nova estrutura, casados ou não, após satisfazerem certas exigências. O elemento verdadeiramente radical é que homens casados poderão ser ordenados padres na nova estrutura anglicana indefinidamente no futuro. Foi-nos antecipado que os bispos anglicanos que forem casados quando se unirem à nova estrutura poderão servir como ordinários (como sacerdotes), exercendo algumas das responsabilidades dos bispos.”

“Permiti-lo [o clero casado] não é de forma alguma um desafio à regra do celibato, mas é permitir que floresça a visão de uma família no coração da paróquia numa época em que a família está sob grande pressão. Por outro lado, os anglo-católicos terão de fazer uma releitura do valor da vocação celibatária. A TAC já tem um grande número de bispos celibatários e comunidades celibatárias de padres e freiras, assim talvez a lição já esteja sendo aprendida”

Sobre a liturgia:

Um grupo internacional está trabalhando neste momento sobre os livros litúrgicos para a nova estrutura anglicana. Antecipo que é algo que combina aspectos do culto anterior à Reforma Inglesa, a gloriosa língua litúrgica do período da Reforma e o entendimento contemporâneo do modo como os cristãos devam se aproximar de Deus, é o que eventualmente será aprovado.”

sábado, 24 de outubro de 2009

Encerrados os trabalhos do Sínodo para a África

Encerrou-se, neste sábado, a Assembleia do Sínodo dos Bispos para a África. Os Padres Sinodais consignaram ao Santo Padre os documentos relativos aos trabalhos e solicitaram ao Papa uma exortação pós-sinodal, caso o julgue oportuno.

O Papa aprovou as 57 Proposições da Assembleia – já disponíveis em português – que deverão nortear as iniciativas futuras dos bispos, sacerdotes, religiosos e leigos do continente africano.

Grande destaque nas comunicações dos Padres Sinodais teve o tema da reconciliação. Os conflitos étnicos se fazem sentir, não raro, no seio das próprias dioceses e paróquias e estão na raiz das guerras permanentes e da instabilidade política.

Os Padres se ocuparam também do problema gravíssimo da AIDS e das falsas soluções que os países ricos querem impor aos governos africanos. Contribuíram para o estudo do problema pessoas envolvidas diretamente no enfrentamento da epidemia e no cuidado dos milhões de africanos infectados, muitos dos quais são crianças.

As Proposições são bastante sucintas e, ao que parece, apontam para uma eventual exortação pós-sinodal. Dada a natureza dos temas abordados, é provável que sua redação seja confiada ao Pontifício Conselho “Justiça e Paz” cujo presidente, o africano Cardeal Peter Turkson, foi nomeado hoje pelo Santo Padre.

Sandinistas preocupam Bispos da Nicarágua

De volta para o passado: sandinistas dão golpe na Nicarágua e preocupam os bispos do país.

El presidente de la Conferencia Episcopal de Nicaragua, Mons. Leopoldo Brenes, dijo que la situación en el país es preocupante y expresó su temor a que se generen “enfrentamientos” tras un fallo de la sala constitucional de la Corte Suprema de Justicia que allana el camino para la reelección presidencial.

“Analizamos el anuncio que había dado la sala constitucional de cambiar un articulo (el 147) de la Constitución política y considero que es una situación muy triste dentro de la historia de nuestro país, pues nuestra Carta Magna es la única que rige a los poderes del Estado”, dijo monseñor Brenes al canal 12 de televisión.

Según monseñor Brenes tras la decisión de la sala constitucional de la Corte Suprema de Justicia (CSJ), que el lunes decidió declarar inaplicable un artículo de la Carta Magna que impide la reelección consecutiva o por más de dos mandatos de un presidente, la tensión es evidente en el país y “esto puede provocar enfrentamientos”.

Para el presidente de la Conferencia Episcopal de Nicaragua, la situación que “está pasando en el país es preocupante porque divide a la población y crea conflicto en los poderes del Estado”.

El fallo, desconocido por la oposición, fue dictado en una maniobra de los jueces sandinistas de la sala constitucional, conformada a partes iguales por liberales y sandinistas, que resolvieron la cuestión de manera expedita y sin la presencia de los magistrados opositores, que fueron sustituidos por suplentes oficialistas.

“Hay países que nos ayudan y son muy celosos con la institucionalidad del país y si ellos, en sus análisis, ven que acá se está saltando ese principio puede traernos consecuencias”, expresó Brenes.

En la tarde de ayer, el Gobierno de Nicaragua citó al cuerpo diplomático acreditado en este país con el fin de explicar la sentencia emitida por la sala constitucional de la Corte Suprema de Justicia.

“Vimos cómo salían de la cancilleria embajadores con sus rostros preocupados, eso me preocupa, es un signo de que hay algo”, manifestó al respecto el también arzobispo de Managua.

Fonte: Diario Las Americas

Cardeal africano é nomeado para a Cúria Romana

“O Papa Bento XVI nomeou, nesta manhã, o Cardeal Peter Kodwo Turkson, arcebispo de Cape Coast, em Gana, e relator geral do Sínodo dos Bispos sobre a África, presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz, em substituição ao Cardeal Renato Raffaele Martino. O anúncio, muito esperado, foi dado pelo porta-voz, Padre Federico Lombardi, durante uma coletiva de imprensa no Vaticano na presença do Cardeal Turkson. (Asca)”

Obs: A nomeação ainda não figura no site da Santa Sé.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Prelazia Pessoal para a FSSPX?

Tenho percebido algumas contradições nas declarações de Dom Fellay e de outros expoentes da FSSPX. Ouvi recentemente uma conferência dada pelo bispo na Argentina em que ele se mostra ceticamente realista em relação aos resultados imediatos dos colóquios com a Santa Sé. Agora, mais recentemente, diz numa entrevista a um jornal chileno que o Vaticano se inclina favoravelmente à criação de uma Prelazia Pessoal para a Fraternidade.

Estaria o Vaticano trabalhando para uma solução canônica se os bispos da Fraternidade, ao menos Dom Fellay, não lhe tivessem dado um sinal positivo?

Há nesta história muitas coisas que desconhecemos, o que é natural. O que não me parece prudente é confundir pessoas diretamente interessadas com declarações desencontradas.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Papa Bento no Iraque?

Viagem do Papa ao Iraque para visitar a “morada de Abraão”? Em se dando crédito ao cotidiano do Estado iraquiano, al-Sabah, parece inclusive que esta seja uma questão já decidida e que ocorrerá dentro de pouco tempo. “O Papa Bento XVI virá logo ao Iraque para visitar a morada de Abraão no sítio arqueológico de Ur, na província de Dhi Qar”, escreve hoje em primeira página al-Sabah. O cotidiano escreve que a notícia foi dada ontem pelo presidente da junta regional do governo de Dhi Qar, Qusai al-Abbadi, ao retornar de sua visita ao Vaticano ocorrida na semana passada. Al Abbadi – segundo o al-Sabah – explicou que, durante a sua visita ao Vaticano, recordou o convite feito ao Papa pelo Conselho regional presidido por ele próprio; um alto prelado da Santa Sé lhe teria afirmado que “o Santo Padre aceitou o convite e visitará Dhi Qar num futuro próximo”. Ur, antiga capital suméria, foi construída por volta do ano 2100 a.C: o sítio dista apenas 10 km da cidade de Nassiriya, que foi sede do comando da missão italiana no Iraque, denominada “Antiga Babilônia”.

Atualização: Padre Federico Lombardi afirmou que a notícia dada pelo jornal estatal iraquiano é "infundada".

Fonte: Apcom, via Papa Ratzinger Blog

Tradução: OBLATVS

Compendium Eucharisticum

“A Congregação para o Culto Divino produziu um novo volume, o Compendium Eucharisticum, destinado a ajudar os sacerdotes a celebrar a Missa com a devida reverência. O compêndio, preparado por solicitação do Papa Bento XVI, inclui orações, textos teológicos e outros materiais de estudo. O Cardeal Antonio Cañizares, Prefeito da Congregação para o Culto Divino, afirmou que o volume oferece “tudo que possa ser útil para a correta compreensão, celebração e adoração do sacramento do altar”. O texto foi publicado em italiano; uma tradução para o inglês está por vir.”

Em português esperemos para as calendas gregas, exceto...

Fonte: Catholic Culture News

Tradução: OBLATVS

Um Ordinariato para a América Latina?

Há cerca de 20 mil anglicanos no Brasil e outros 20 mil na América do Sul. Talvez haja entre eles clérigos e leigos dispostos a responder à Constituição Apostólica. A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil já manifestou seu desconforto, como se lê em uma nota publicada no seu site.

Será que as comissões de ecumenismo da CNBB e do CELAM deixariam?

Especulações sobre ritos litúrgicos

Como exercício especulativo, e tão somente, tratemos das questões relativas ao possível rito dos Ordinariatos Pessoais dos ex-anglicanos.

Em primeiro lugar, convém enfatizar que não há qualquer indicação de que o rito utilizado por estes ordinariatos será o Anglican Use das paróquias americanas da Provisão Pastoral. É possível que este seja tomado tal como existe, numa fase de transição, ou sirva de modelo para a organização de um rito que tenha aplicação mais abrangente, para além das fronteira americanas.

O Anglican Use americano tem um único livro litúrgico conhecido como “Book of Divine Worship” (pdf) onde se acham o Ordo Missae, os rituais dos demais sacramentos, o ofício divino e as indicações bíblicas a serem usadas nas cerimônias. É evidente que se trata de um livro litúrgico pouco desenvolvido e, a meu ver, provisório. Precisa ser enriquecido para atender às necessidades dos futuros ordinariatos que, suponho, virão para ficar. Acredito que a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, em consulta com a Congregação para a Doutrina da Fé, aproveitará a oportunidade para incrementar o Book of Divine Worship com elementos litúrgicos que se encontram nos sacramentários ingleses pré-conciliares.

Outra característica não desprezível é a diversidade litúrgica existente no próprio seio das comunidades anglicanas em vias de se tornarem católicas. Elas celebram a Missa e os demais sacramentos com uma variedade de rituais; praxe que, provavelmente, não lhes será permitido manter. Terão de se conformar a um único rito aprovado e, eventualmente, corrigido pela Santa Sé para atender a uma “demanda global”. Creio que mesmo as atuais paróquias da Provisão Pastoral americana, uma vez organizadas em um ordinariato, terão de se conformar a este rito único.

Outra questão que se coloca é sobre a gestão desta realidade multirritual na Igreja latina, realidade, aliás, nada inédita. Já existem os ritos ambrosiano, moçárabe e os de algumas famílias religiosas. A diferença é que um futuro rito “anglicano” terá uma abrangência mais global.

Antes de mais nada, o Rito Romano – em suas duas formas – pode ser utilizado por qualquer sacerdote de rito latino, dada sua natureza universal. Assim os sacerdotes do “ordinariato” poderão celebrar a Santa Missa e os sacramentos segundo o Ritual “anglicano” que for aprovado, como rito próprio em suas igrejas, segundo os livros litúrgicos tridentinos, que muito apreciam, e segundo os livros litúrgicos de Paulo VI, já usados por alguns.

E quanto ao rito “anglicano”, dado que de natureza particular? Quem poderá utilizá-lo?

Obviamente os sacerdotes do ordinariato, como rito próprio.

Os demais sacerdotes também poderão fazê-lo sob certas circunstâncias: nas concelebrações, nas igrejas do ordinariato e, em outras igrejas, para os fiéis do ordinariato.

Reitero que as respostas acima são puro exercício de especulação, tomando por base as realidades existentes nas Igrejas milanesa e toledana.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Dom Robinson Cavalcanti e a Constituição Apostólica

Em janeiro deste ano, escrevi sobre Dom Robinson Cavalcanti que, em um artigo, tecia elogios ao Papa Bento XVI. Na ocasião, cheguei a fazer votos de que o artigo fosse a sinalização de um processo de conversão interior já iniciado. Mas o clérigo anglicano não parece ter seguido em frente. (Leia aqui o texto anterior)

Dom Cavalcanti é o “bispo” de uma diocese anglicana no Recife: há duas. A sua é uma diocese “continuante”, estranhíssimo nome dado às dioceses e às paróquias que romperam com suas províncias anglicanas. Em Recife não houve propriamente um rompimento, mas uma destituição. Dom Cavalcanti foi destituído do cargo pelo Sínodo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), que nomeou para seu lugar um ordinário interino. Na sequência foram destituídos os clérigos que se alinharam com seu antigo “bispo”.

Nas nos cabe questionar procedimentos internos de outros grupos religiosos, mas é forçoso reconhecer que Dom Cavalcanti foi destituído por sustentar as posições de sempre e por recusar apoio à Igreja Episcopal americana (TEC), matriz e agência de fomento da IEAB. A punição teria sido motivada por violações canônicas e disciplinares por parte de Dom Cavalcanti em visitas aos Estados Unidos, para apoiar os dissidentes americanos, e em sua diocese.

Tal é a confusão imperante na Comunhão Anglicana que a “diocese continuante” de Dom Cavalcanti foi recebida pela Província Anglicana do Cone Sul do “arcebispo” Venables, assim como o foram suas congêneres da TEC: Diocese de San Joaquin, Diocese de Pittsburgh, Diocese de Forth Worth, Diocese de Quincy e algumas paróquias anglicanas canadenses. Estas dioceses americanas da TEC recentemente formaram uma província “continuante”, não reconhecida por Cantuária.

Há muito tempo Dom Cavalcanti havia se afastado de seus colegas liberais da IEAB. Ele próprio já fora considerado um liberal no passado e, sob certos aspectos, continua liberal para os padrões de algumas dioceses aos quais está associado. Tem manifestado opiniões mais conservadoras nos últimos anos, talvez como consequência do processo a que se viu submetido pelas autoridades liberais de sua província. Em seu artigo sobre o Papa Bento XVI demonstra alguma consciência acerca dos males que afligem a sociedade moderna, a Igreja e seu próprio grupo religioso.

Mil posições conservadoras, entretanto, não fazem um só artigo de fé católica! Infelizmente seu texto abaixo o comprova. Dom Robinson é, sem dúvida, o melhor dos clérigos anglicanos do Brasil, mas continua protestante, por isto, rezemos por ele, pelos clérigos de sua diocese e pelos fiéis anglicanos do Recife. A porta aberta pelo Papa é o ponto de chegada, mas até que seja alcança é necessário um caminho de inequívoca conversão à fé católica. A Deus nada é impossível!

Perdoem-me o excesso de comentários no corpo do texto. Sugiro que primeiro leiam o texto em azul (do “bispo”) e somente depois com os meus comentários.

Anglicanos (Alguns) Vão Para Roma?

No dia de ontem, o papa Bento XVI, da Igreja Romana (estranha semelhança terminológica com alguns tradicionalistas), emitiu uma Constituição Apostólica específica permitindo a criação de episcopados pessoais (semelhantes aos destinados aos militares = Vigários Castrenses) para acolher grupos de anglicanos tradicionalistas que desejem, mantendo uma certa identidade, se abrigar sobre o manto da Igreja de Roma.

Como se sabe, a partir dos anos 1980, com a permissão para Ordenação Feminina, um número expressivo dos tradicionalistas anglicanos de linha anglo-católica criou a Comunhão Anglicana Tradicionalista (TAC) (Dom Robinson omite que entre suas alianças nos EUA há dioceses que não ordenam mulheres, as quais ele ordena), enquanto que a Ordenação de Ministros homossexuais praticantes, nas últimas décadas, tem visto surgir dezenas de jurisdições anglicanas dissidentes, conhecidas como “Continuantes”. Esses grupos devem totalizar cerca de 500.000 pessoas vs. os 77.000.000 de membros da Comunhão Anglicana sob autoridade do Arcebispo de Cantuária (ele não se considera um continuante, dado que se encontra sob a autoridade da província do Cone Sul).

Há cerca de uma década a TAC vinha mantendo conversações com o Vaticano, buscando autorização para serem recebidos, seja como uma Igreja “Uniata” (como os maronitas, melquitas e caldeus, dos Ritos Orientais), seja como uma prelazia pessoal como o modelo da Opus Dei.

A opção do Vaticano, como se viu, foi por uma fórmula, digamos, menos autonomista (bastante autonomista para os padrões católicos, já que os põe sob imediata sujeição ao Papa). É possível que alguns setores minoritários anglo-católicos, ainda dentro das 38 Províncias da Comunhão Anglicana, também optem por seguir a via romana. Quanto à minoria liberal (Se excluirmos as recentes províncias anglicanas da África, os liberais não são minoria; ou seja, o anglicanismo propriamente dito é majoritariamente liberal), obviamente, não irão querer negócio com o Papa atual (por razões bem colocadas por ele em seu artigo sobre o Papa). Quanto à majoritária “frente credal” (são os africanos que dão os números desta maioria, de modo que melhor fariam se mudassem de vez sua denominação para Igreja Africana), ortodoxa (sabe lá o que significa isto no âmbito protestante e quem o chancela), formada pelos evangélicos, pelos carismáticos, e amplos setores anglo-católicos (Fraternidade dos Anglicanos Confessantes – FCA), esse documento do papa nada irá representar, pois continuarão a lutar por um realinhamento da Comunhão Anglicana (Dom Robinson crê ser possível reverter o processo de desintegração da Comunhão Anglicana), mantendo a sua consciência de uma Igreja Histórica (católica) (Eis uma noção peculiar de catolicidade e uma grande contradição do “bispo”: se a Igreja da Inglaterra é católica porque é a sucessora histórica das sés católicas existentes na Inglaterra de Henrique VIII, então a diocese do Recife ligada à IEAB é a “igreja católica”, na condição de sucessora histórica da antiga diocese de Dom Robinson. Imagino que Dom Robinson os tenha na conta de usurpadores e hereges e, portanto, não os considere “católicos”.), mas, ao mesmo tempo, Reformada (protestante). (Não tente em casa um raciocínio semelhante, pois pode ser perigoso: desde quando reformas, que se supõem sempre acidentais, definem a natureza da “igreja”?)

Quanto à Diocese do Recife, fazemos votos de boa trajetória para os optantes por Roma, mas continuará a sua luta contra o liberalismo dentro da Comunhão Anglicana, e procurando promover a evangelização do mundo, juntamente com seus irmãos evangélicos de outras denominações (liberalismo eclesiológico), pois como sempre temos afirmado: "Somos Crentes!!!"

São José do Rio Preto (SP), 21 de outubro de 2009

+Dom Robinson Cavalcanti, ose

Bispo Diocesano

Fonte: Diocese Anglicana do Recife


Papa nomeia Bispo de Catanduva

O Papa Bento XVI nomeou, nesta quarta-feira, 21, como novo bispo da diocese de Catanduva (SP), o Padre Otacílio Luziano da Silva. Ele sucederá a Dom Antônio Celso Queirós, que apresentou seu pedido de renúncia por idade, conforme o cânon 401 §1º do Código de Direito Canônico.

O novo bispo completará 55 anos no próximo dia 31. Nascido em Maracaí (SP), Padre Otacílio foi ordenado presbítero no dia 6 de dezembro de 1987 na diocese de Marília (SP). Atualmente é reitor do Seminário Provincial Sagrado Coração de Jesus, curso de filosofia, da diocese de Marília.

Formado em parapsicologia latu sensu pelo Centro Latino-americano de Parapsicologia, em São Paulo, Padre Otacílio foi pároco nas paróquias de São José, em Florínea; Santo André, em Tarumã; Nossa Senhora da Boa Esperança, em Lutécia; Nossa Senhora do Carmo, em Oscar Bressane; São Sebastião, em Palmital. Além disso, exerceu o cargo de reitor do Seminário Menor São José, em Assis; vigário geral da diocese de Assis. Foi membro do Conselho de Presbíteros e do Colégio de Consultores da diocese de Marília.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio da assessoria de imprensa, saúda o novo bispo, desejando-lhe êxito na nova missão, e agradece o trabalho e a dedicação de Dom Celso Antônio Queirós o frutuoso trabalho de nove anos à frente da diocese de Catanduva.

Dom Celso tem uma história de grandes serviços à Igreja no Brasil. Ordenado bispo auxiliar de São Paulo em 1975, foi transferido para Catanduva, em 2000, tornando-se seu primeiro bispo. Foi secretário geral da CNBB por dois mandatos (1987-1994) e também vice-presidente (2003-2007). Além disso, foi membro da Comissão Episcopal de Pastoral, linha 1 da CNBB; Delegado da CNBB junto ao CELAM (1995-1998); Delegado à Assembléia Especial do Sínodo dos Bispos para a América por eleição da Assembléia da CNBB e confirmado pelo Papa João Paulo II (1997). Atualmente é o bispo responsável pelo Setor Leigos na Comissão Episcopal para o Laicato da CNBB.

Obs: Curiosamente a nomeação não figura no boletim de notícias da Santa Sé nem no site da Diocese. Teria o site da CNBB involuntariamente quebrado o sigilo pontifício?

Update: Enfim, com algum atraso, o site da Santa Sé apresentou a nomeação.

Fonte: CNBB

Comunicado do Primaz da Comunhão Anglicana Tradicional

20 de outubro de 2009

Passei a tarde de hoje [ontem] falando com bispos, padres e leigos da Comunhão Anglicana Tradicional na Inglaterra, África, Índia, Canadá, Estados Unidos e América do Sul.

Estamos profundamente comovidos pela generosidade do Santo Padre, Papa Bento XVI. Ele oferece nesta Constituição Apostólica os meios para que os “ex-anglicanos entrem na plenitude da comunhão com a Igreja católica”. Ele espera que nós possamos “encontrar nesta estrutura canônica a oportunidade para preservar aquelas tradições anglicanas que nos são preciosas e consistentes com a fé católica”. Ele então declara calorosamente: “ficamos felizes porque estes homens e mulheres trazem consigo suas contribuições particulares para nossa comum vida de fé”.

Em primeiro lugar, seja-me permitido afirmar que este é um ato de grande bondade da parte do Santo Padre. Ele tem dedicado seu pontificado à causa da unidade. Tal ato ultrapassa os sonhos que ousamos incluir em nossa petição de dois anos atrás. Ele ultrapassa nossas orações. Nestes dois anos, tomamos consciência das orações de nossos irmãos na Igreja Católica. Talvez suas orações ousaram pedir mais que as nossas.

Enquanto esperamos o texto completo da Constituição Apostólica, também estamos comovidos pela natureza pastoral da Nota publicada hoje [ontem] pela Congregação para a Doutrina da Fé. Meus colegas bispos, de fato, já firmaram o Catecismo da Igreja Católica e fizeram uma declaração sobre o ministério do Bispo de Roma, refletindo as palavras do Papa João Paulo II em sua carta “Ut Unum Sint”.

Outros grupos anglicanos manifestaram à Santa Sé um desejo semelhante e uma aceitação semelhante da fé católica. Como indicado pelo Cardeal Levada, esta resposta aos pedidos dos anglicanos terá um caráter global. Cabe agora a estes grupos forjar uma cooperação direta, mesmo onde eles transcendam os atuais limites da Comunhão Anglicana.

Felizmente, a declaração publicada pelo Arcebispo de Cantuária reflete a compreensão que tem de nós, que ele não se interpõe em nosso caminho e entende as decisões que tomamos. Tanto esta reação quanto nosso pedido são frutos de um século de oração pela unidade dos cristãos, uma causa que muitas vezes pareceu vã. Expressamos agora nossa gratidão ao Arcebispo Williams e, com frequência, lhe asseguramos nossas orações. A Sé de Agostinho permanece sendo o foco de nossa peregrinação, como o fora nos anos de fé no passado.

Eu me comprometi com a Comunhão Anglicana Tradicional para que a resposta à Santa Sé será dada por cada um de nossos Sínodos Nacionais. Eles já haviam endossado nosso caminho. Agora a Santa Sé nos instiga a procurar nas estruturas específicas que agora estão disponíveis a “plena e visível unidade, especialmente a Comunhão Eucarística”, pela qual há muito tempo rezamos e com a qual há muito sonhamos. Tal processo começará imediatamente.

No Ofício Anglicano Matutino, o grande Hino de Ação de Graças, o Te Deum, é parte do Ordo diário. É com profundo agradecimento ao Deus Todo-Poderoso, o Senhor e Fonte de toda paz e unidade, que este hino está hoje em nossos lábios. Este é um momento de graças, talvez mesmo um momento histórico, não porque o passado seja desfeito, mas porque o passado é transformado.

Arcebispo John Hepworth

Primaz

Fonte: Site da TAC

Tradução: OBLATVS

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Ainda sobre os Ordinariatos Pessoais para os "anglicanos"

Uma observação e uma pergunta me chegam via e-mail.

Um amigo inglês, sacerdote celibatário oriundo do anglicanismo, jocosamente se candidata a uma das vagas de ordinário abertas pela Constituição Apostólica. Brincadeira à parte, ele faz uma observação interessante sobre a sensibilidade do Santo Padre ao facilitar o retorno dos anglicanos: o ordinário pode ser um bispo, necessariamente solteiro, ou um simples sacerdote, que pode ser casado.

No caso dos “bispos” da TAC, até onde sei todos casados, eles serão ordenados sacerdotes após manifestação do desejo, análise de seu caso particular e uma adequada preparação complementar. Uma vez padres católicos, eles poderão continuar a frente dos sacerdotes e fiéis de seu ordinariato na condição de Ordinário Pessoal, exatamente como antes.

Não poderão, todavia, conferir as Ordens Sagradas. Neste caso convidariam um bispo católico, ao qual darão as dimissórias, para ordenar seus padres e diáconos. Eventualmente poderá ser um outro Ordinário Pessoal que tenha o caráter episcopal. Após a renúncia ou morte destes ordinários, seriam sucedidos por ordinários revestidos de caráter episcopal, situação mais conveniente a uma verdadeira Igreja particular. O ótimo é, às vezes, inimigo do bom.

Na resposta ao meu amigo, perguntei, com o mesmo espírito de gracejo, o que ele acha do Papa conceder alguns privilégios de arreios para estes “ordinários sem caráter”, tais como: a cruz, que muitos cônegos usam; mitra e báculo, que vemos nos abades; e as vestes características de muitos monsenhores, mesmo os das aldeias. Porque, afinal, seria uma lástima privar a liturgia dos antigos anglicanos destes objetos que engrandecem o culto e ao qual os “bispos” anglicanos dão tanto valor e aos quais estão psicologicamente acostumados.

A pergunta vem de um leitor do blog: qual seria a diferença entre um ordinariato e uma prelazia pessoais?

Não sendo canonista imagino que a resposta de qualquer um deles seria mais exata que a minha. Mas me permito uma opinião não especializada.

A prelazia tem uma dimensão mais uniforme e abrangente, sendo governada por um único prelado. Destina-se a todos os fiéis católicos que se enquadram naquela realidade eclesial, como é o caso do Opus Dei e pode vir a ser o da Fraternidade São Pio X.

Os anglicanos são mais diversificados e, talvez por isto, se tenha preferido a solução de um ordinariato que se organiza mais restritamente, como o caso dos Ordinariatos Militares que existem em muitos países, como no Brasil, e são independentes uns dos outros. Em se tratando de um ordinariato muito extenso ou com muitos súditos se providenciam auxiliares, como no caso do ordinariato militar dos Estados Unidos.

Os Ordinariatos Pessoais para os anglicanos – sabe Deus que nome próprio terão, já que é improvável que tenham a palavra “anglicano” no meio – serão organizados segundo sua distribuição geográfica e numérica. É possível que haja um ou vários na Inglaterra, nos Estados Unidos, no Austrália, na Irlanda sob o governo de seus ordinários, igualmente independentes uns dos outros. Uma análise razoável da realidade evitará, obviamente, uma superposição de jurisdições num mesmo território, muito embora elas sejam pessoais.

Se me equivoco, ficaria agradecido a quem me corrigisse e desse uma resposta correta para a pergunta do ilustre leitor.

Constituição Apostólica também diz respeito à Comunhão Anglicana Tradicional (TAC)

Enfim conhecemos o conteúdo da coletiva de imprensa sobre os anglicanos. Resta-nos conhecer o conteúdo da Constituição Apostólica aprovada pelo Papa Bento XVI a fim de receber no seio da Igreja os anglicanos convertidos à fé católica.

A suposição de que se trataria da recepção dos anglicanos da TAC não se confirmou. Por outro lado, a Constituição Apostólica obviamente diz respeito a eles, embora o quadro desenhado seja mais abrangente. Cabe agora, para usar a expressão da declaração conjunta do Arcebispo católico de Westminster (Londres) e do “Arcebispo” anglicano de Cantuária, “àqueles que fizeram os pedidos à Santa Sé responder à Constituição Apostólica”.

A Constituição Apostólica – recebida friamente no Conselho para a Promoção da Unidade – é uma resposta a algumas objeções feitas à admissão da TAC, sendo a principal delas a rejeição a uma recepção coletiva, sob pretexto de que as conversões são sempre pessoais. O Papa admitiu recebê-los em grupos desde que cumpram algumas condições e dispôs a criação de Ordinariatos Pessoais para seu atendimento pastoral.

Estes ordinariatos levarão em consideração as necessidades de cada grupo e serão provavelmente instituídos, de acordo com o número de fiéis em cada região, país ou continente. Como o caso da TAC já vem sendo estudado pela Congregação para a Doutrina da Fé desde a época em que era presidida pelo atual Sumo Pontífice, é possível que as circunstâncias já estejam definidas para a criação dos primeiros ordinariatos. Os problemas particulares dos “bispos” e “padres” também devem ter sido considerados, uma vez que se admite a possibilidade de ordená-los como sacerdotes católicos.

As consultas com as conferências episcopais mencionadas na nota da coletiva e, provavelmente, previstas na Constituição Apostólica, podem ser meras concessões formais às elites dos episcopados nacionais, ciosas de uma pretensa autoridade. Concretamente pode acontecer, como em Campos, de se consultarem apenas os bispos interessados, sem considerar as pirraças das cúpulas das conferências.

O texto da nota faz explícita referência à profissão de fé católica, tal como expressa no Catecismo da Igreja Católica, para a recepção de cada clérigo ou leigo. Em seu Sínodo de 2007, ao mesmo tempo em que escreveram uma carta ao Papa apresentando o pedido de admissão na Igreja Católica, os “bispos” da TAC também assinaram uma cópia do Catecismo e o depositaram no Santuário inglês dedicado a Nossa Senhora de Walsingham, como sinal de sua profissão de fé.

A Santa Sé não lhes concederá entretanto a formação de uma Igreja sui juris ou ritual e também não admitirá ao episcopado homens casados, que me parece ser o caso de todos os “bispos” da TAC. Mas é bastante o que lhes oferece: uma jurisdição própria, um ou vários bispos que venham de suas próprias fileiras, escolhido entre seus clérigos celibatários, a ordenação sacerdotal dos atuais clérigos mesmo sendo casados e um uso litúrgico que mantenha seu patrimônio na medida em que este corresponda à fé católica.

A Comunhão Anglicana Tradicional é o mais numeroso de todos os grupos e, vindo em bloco, serão recebidos cerca de meio milhão de fiéis e centenas de clérigos. Não há como não nos alegramos pelo gesto paternal e generoso do Santo Padre em encontrar uma solução justa e adequada para as legítimas aspirações dos anglicanos “tradicionais”: é o verdadeiro ecumenismo produzindo frutos para tristeza de falsos “ecumenistas”.

Declaração do Arcebispo Católico de Westminster e do Anglicano de Cantuária

DECLARAÇÃO CONJUNTA DO ARCEBISPO DE WESTMINSTER E DO ARCEBISPO DE CANTERBURY

O anúncio hodierno da Constituição Apostólica é uma resposta do Papa Bento XVI a um número de pedidos nos últimos anos feitos à Santa Sé por grupos de Anglicanos que desejam entrar em plena e visível comunhão com a Igreja Católica Romana, e que estão prontos a declarar que compartilham a fé Católica comum e aceitam o ministério petrino como desejado por Cristo para Sua Igreja.

O Papa Bento XVI aprovou, com a Constituição Apostólica, uma estrutura canônica que prevê Ordinariatos Pessoais, os quais permitirão aos até então anglicanos entrarem na plena comunhão com a Igreja Católica ao mesmo tempo em que preservando elementos do específico patrimônio espiritual anglicano.

O anúncio desta Constituição Apostólica põe fim a um período de incerteza para tais grupos que nutriram esperanças de novas formas de abraçar a unidade com a Igreja Católica. Caberá agora àqueles que fizeram os pedidos à Santa Sé responder à Constituição Apostólica.

A Constituição Apostólica é um ulterior reconhecimento de uma substancial coincidência na fé, doutrina e espiritualidade entre a Igreja Católica e a tradição Anglicana. Sem os diálogos dos últimos quarenta anos, este reconhecimento não teria sido possível, nem as esperanças de uma plena e visível união teriam sido nutridas. Neste sentido, esta Constituição Apostólica é uma consequência do diálogo ecumênico entre a Igreja Católica e a Comunhão Anglicana.

O diálogo oficial em curso entre a Igreja Católica e a Comunhão Anglicana prevê a base para a continuação de nossa cooperação. Os acordos da Comissão Internacional Anglicano-Católico Romana (ARCIC) e a Comissão Internacional Anglicano-Católico Romana para a Unidade e a Missão (IARCCUM) deixam claro o caminho que percorreremos juntos.

Com a graça de Deus e em oração, nós estamos determinados a que nosso compromisso mútuo em curso e as consultas sobre estas e outras matérias devem ser continuamente fortalecidas. A nível local, no espírito do IARCCUM, desejamos construir o modelo de encontros compartilhados entre a Conferência dos Bispos Católicos da Inglaterra e de Gales e a Câmara dos Bispos da Igreja da Inglaterra tendo como foco nossa missão comum. Dias comuns de reflexão e oração começaram em Leeds em 2006 e continuaram em Lambeth em 2008, e ulteriores encontros estão sendo preparados. Esta cooperação direta continuará na medida em que crescemos juntos na unidade e na missão, no testemunho do Evangelho em nosso país e na Igreja como um todo.

Londres, 20 de outubro de 2009

+ Vincent Gerard Nichols + Rowan Williams

Fonte: Santa Sé

Tradução: OBLATVS

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