"Oblatus est, quia ipse voluit, et peccata nostra ipse portavit!"

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Carta aberta a Dom Fellay

Excelência Reverendíssima,

Não sei se esta “carta aberta” algum dia chegará a suas mãos. Eu a confio aos anjos, a fim de que eles a entreguem pessoalmente. Em outra ocasião eu já havia escrito um artigo tendo em mente a vossa Fraternidade; publiquei-o neste blog (foi meu primeiro post), e ele chegou milagrosamente ao destino: foi resumido pelos seus sites e definido “muito interessante”.

Desta vez me dirijo a V. Exa. porque sei que estão em curso os preparativos dos colóquios doutrinais com a Santa Sé, há muito solicitado por vós e finalmente, com a remissão da excomunhão, estabelecidos pelo Papa Bento XVI. Ao que me parece, V. Exa. já esteve em Roma para travar os primeiros contatos com a Congregação para a Doutrina da Fé.

Pessoalmente, sempre fui do parecer que não há necessidade de “colóquios” para a readmissão na comunhão da Igreja católica. A única coisa necessária, a meu ver, deveria ser a profissão de fé prevista pelos sagrados cânones. Uma vez que condividimos a mesma fé, deveremos estar em plena comunhão. Sobre o resto, que não está contido na profissão de fé, sustento que seja sempre possível discutir livremente, mas estando dentro, não fora da Igreja. A aceitação do Concílio, que se autodefiniu “pastoral”, não deveria, julgo eu, ser uma condição para a readmissão na comunhão eclesiástica. Estou de acordo que seja urgentíssima uma reflexão sobre o valor e a interpretação do Vaticano II; mas não me parece que isto deva ser objeto de uma tratativa entre a Santa Sé e a Fraternidade de São Pio X; parece-me sobretudo um problema que diz respeito à Igreja inteira. É por este motivo que propus muitas vezes neste blog que o próximo Sínodo dos Bispos seja dedicado à interpretação do Concílio.

Mas assim o é: ao que parece, seja da vossa parte, seja da parte da Sé Apostólica um esclarecimento sobre o Vaticano II é considerado como uma condição prévia para qualquer outro tipo de acordo. Daí a necessidade de “colóquios doutrinais”. Assim, visto que tais colóquios se darão, permita-me dar-lhe uns conselhos. Não porque presuma saber mais que V. Exa., mas somente para exprimir-lhe, em espírito de fraterna caridade, o que sinto neste momento delicado.

Antes de qualquer coisa, quando vier a Roma para discutir com a CDF, não venha nas vestes daquele que contesta tudo ou, pior, refuta o Concílio. Isto significaria a falência imediata de qualquer diálogo. Venha sobretudo como alguém que aceita o Vaticano II por aquilo que ele quis ser, e efetivamente foi, isto é, um concílio pastoral. Diga ao Cardeal Levada que a única coisa que vós rejeitais – e sobre isto estamos de acordo – é a absolutização e a ideologização do Concílio, não o Concílio enquanto tal. Diga-lhe que vós encontrais nos documentos do Vaticano II alguns textos ambíguos. Também neste ponto, o Cardeal Levada deverá concordar com V. Exa. O próprio Paulo VI achou ambíguo o tratamento da colegialidade episcopal feito pela Lumen gentium, tanto é verdade que sentiu necessidade de incluir naquela constituição uma “nota praevia”. Acrescente que, havendo ambiguidades nos textos conciliares, faz-se necessária uma obra de interpretação. Mas, por favor, não se apresente com a pretensão de ser V. Exa. a dar uma interpretação autêntica das passagens mais obscuras. Algo já foi feito (a mencionada “nota praevia”;a explicação do significado da expressão “subsistit in”), mas muito ainda resta a se fazer. O critério geral de tal interpretação já foi indicado por Bento XVI no discurso à Cúria Romana em 22 de dezembro de 2005: a hermenêutica da reforma em contraposição à hermenêutica da descontinuidade e da ruptura. E diga-lhe que vós, sobre isto, não apenas estais plenamente de acordo com o Santo Padre, mas desejais colocar-vos à sua completa disposição para ajudá-lo nesta obra de releitura do Concílio na corrente da ininterrupta tradição da Igreja.

Excelência Reverendíssima, estou seguro de que sobre o que escrevi até agora V. Exa. esteja de acordo até certa medida. Assim me parece pelo que percebo do tom de suas últimas intervenções, muito mais conciliadoras e abertas do que as de um tempo atrás. Mas sei também que se deve contar, no seio da Fraternidade, com posições mais maximalistas, que o advertem contra ser muito acessível nas relações com a Santa Sé. No meu modesto parecer, V. Exa. deveria fazer estes seus confrades perceberem que nada há a ganhar, neste momento, com o endurecimento sobre posições intransigentes. O Santo Padre já deu muitos passos em vossa direção; agora cabe a vós dar alguns passos em direção a ele.

Isto não significa ceder em vossos princípios; porque, se verdadeiramente tendes no coração o bem da Igreja, não há melhor lugar, para fazer valer estes princípios, que a própria Igreja. Permanecendo fora dela, vós deixaríeis a Igreja à mercê daquelas forças destrutivas que pouco a pouco estão levando-a ao colapso. Uma vez que vós continueis a refutar o Concílio, estas forças terão um bom pretexto para dizer: “Vedes? Eles estão fora da Igreja, porque rejeitam o Concílio; nós somos a verdadeira Igreja, porque aceitamos, defendemos e implementamos o Concílio”. Se também vós aceitásseis o Concílio, seriam surpreendidos; e num certo ponto se revelará quem é verdadeiramente católico e que não o é; quem interpreta o Concílio à luz da tradição e quem o interpreta ideologicamente, apelando a um pretenso “espírito” dele.

Isto não significaria de forma alguma trair a herança do Arcebispo Lefebvre. V. Exa. sabe melhor do que eu que o vosso Fundador participou do Concílio, dando uma notável contribuição para as discussões e para a elaboração dos seus documentos, que aprovou e assinou na sua totalidade. Como pode? Não se dava conta das ambiguidades neles contidas? Evidentemente esperava que se lhe pudesse dar uma interpretação ortodoxa. Foi somente quando viu que a interpretação e a aplicação do Concílio tornara-se monopólio dos modernistas que endureceu suas posições. Estou convencido de que, se tivesse visto que havia espaço na Igreja para continuar as suas batalhas no interior, não teria jamais chegado à ruptura com a Sé Apostólica. Agora que este espaço existe, e é o próprio Sumo Pontífice a oferecê-lo, me pareceria obtuso não desfrutar desta ocasião irrepetível. Trata-se de escolher permanecer no seio da Igreja e a partir dali desempenhar um papel, certamente difícil, mas precioso para a salvaguarda da tradição e para revitalização da própria Igreja; ou então preferir permanecer à margem ou ainda fora da Igreja, com o risco de transformar-se no ramo separado da videira, destinado a secar.

Excelência, perdoe-me se me permiti intervir sobre estas delicadas questões. Posso assegurar-lhe que, de minha parte, não há qualquer pretensão ou interesse, há apenas o desejo de ver o restabelecimento da plena comunhão na Igreja. A Igreja tem necessidade de vós e vós tendes necessidade da Igreja.

Aproveito a ocasião para confirmar-me, com sentimentos de distintos obséquios, de Vossa Excelência Reverendíssima

dev.mo

Pe. Giovanni Scalese, CRSP

Missionário Barnabita na Ásia

Fonte: Querculanus (blog do Padre Scalese)

Tradução: OBLATVS

Mais anglicanos consideram entrar na Igreja Católica

Uma fonte bem relacionada em Roma declara que “Forward in Faith”, grupo formado por conservadores anglo-católicos na Igreja da Inglaterra (Anglicana), está em diálogo com o Vaticano sobre união corporativa. Eis o que há de estranho no rumor: afirma que o Cardeal Christoph Schönborn de Viena está se encontrando com o Bispo John Broadhurst de Fulham por sugestão do Santo Padre.

O modelo para a mudança para Roma poderia ser a proposta recepção da “Comunhão Anglicana Tradicional” na Igreja Católica. Mas Broadhurst tem negado veementemente que “Forward in Faith” está se aliando à TAC, grupo rebelde anglicano que já se submeteu ao Magistério.

Segundo Damian Thompson, por quem nos chega o rumor acima (original aqui), sua fonte é muito próxima de altas figuras da cúria. Ele não a descarta completamente, apesar da estranheza de alguns detalhes. Mesmo que o rumor não se confirme, há muita verossimilhança na história toda.

A crise global do anglicanismo tem produzido uma onda de cismas no cisma original de Henrique VIII. Os grupos descontentes, dependendo da corrente interna a que pertencem, buscam condições de sobrevivência que já não creem existir na Comunhão Anglicana, alguns criam novas estruturas “eclesiais”, outros procuram refúgio nas existentes. Os anglo-católicos naturalmente tendem a considerar a hipótese da recepção na Igreja Católica.

O atual pontificado contribuiu para alimentar as esperanças dos grupos anglo-católicos. Bento XVI é muito sensível à questão e, quando era Prefeito para a Congregação para a Doutrina da Fé, ocupou-se pessoalmente dos anglicanos. Bento XVI praticamente ignora o Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos quando o assunto é... Unidade dos Cristãos! O Papa quer dizer com isto que a unidade tem como pré-condição a unidade na verdade da fé. O velho conselho, outrora prestigiado, bem poderia ser re-batizado “Pontifício Conselho para as Relações Amistosas e Encontros Festivos dos Cristãos”; da unidade dos cristãos cuide a Congregação para a Doutrina da Fé!

Por mais estranha que pareça, a menção ao Cardeal de Viena não é de todo absurda. Há quem dê por certa a aposentadoria do Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Levada, por razões de saúde, e sua substituição pelo Cardeal Schönborn.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Conferencia do Episcopado Mexicano apoia os Bispos de Honduras

Sr. Cardeal Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga

Arcebispo Metropolitano de Tegucigalpa
Presidente da Conferência Episcopal de Honduras

Eminência:

Em nome dos Bispos do México e do povo católico a que servimos, expressamos, neste difícil momento que atravessa o povo irmão de Honduras, nossa oração e solidariedade.

Pelas declarações feitas pela Conferência Episcopal de Honduras, compreendemos a complexidade da situação e a dificuldade de entender, especialmente no exterior, as causas e fatores que provocaram as decisões tomadas pelos poderes legislativo e judiciário do País. Ninguém melhor que os próprios hondurenhos sabem como ocorreram estes tristes acontecimentos, e por isso, nos espantam as vozes que de fora do País reclamam, a partir de uma visão meramente formal, uma volta à normalidade sem examinar a fundo o que provocou a situação.

Consideramos muito sensatas suas declarações tanto pessoais quanto as feitas pela Conferência Episcopal de Honduras, chamando todo povo hondurenho à calma e exortando os cidadãos a buscar caminhos de concórdia e de paz.

Oramos pelo senhor, pelos Bispos de Honduras e pelo povo ao qual servem, para que Jesus Cristo, Senhor da História, os encha da sabedoria e fortaleza, e lhes conceda a reconciliação e a paz.

Pelos Bispos do México

Dom Carlos Aguiar Retes / Arcebispo de Tlalnepantla

Presidente da CEM

Dom José Leopoldo González / Bispo Auxiliar de Guadalajara

Secretario General de la CEM

Fonte: Conferencia do Episcopado Mexicano

Tradução: OBLATVS

Outro artigo ruim.

Primeiros Missionários Capuchinhos do Amazonas

Mais uma decepção com o atual diretor do jornal do Papa. Na edição italiana de hoje deparei-me com a seguinte matéria: “Em 26 de julho de 1909, a chegada em Manaus dos primeiros quatro missionários capuchinhos”, assinada por Egidio Picucci.

Confesso que estava disposto a traduzir o artigo que eu imaginava excelente, a julgar pelo título. Ademais, seria para mim um “cala-boca”, afinal, dias atrás eu criticara a ausência de notícias que revelassem o melhor da vida eclesial do Brasil.

Ainda não foi desta vez!

A matéria diz muito pouco sobre os santos missionários capuchinhos: Domenico de Gualdo Tadino, Ermenegildo de Foligno, Agatangelo de Spoleto, que morreu de malária aos 27 anos, e Martino de Ceglie Messapico. Limita-se a descrever as condições sociais de então e, somente superficialmente, fala dos desafios à obra missionária.

Há frases reveladoras do espírito do texto, por exemplo, o parágrafo dedicado a elogiar as virtudes dos missionários:

“No início as pessoas os olharam com desconfiança, depois com admiração e, por fim, os seguiram porque compreenderam que somente as suas palavras podiam preencher o vazio deixado pelas decepções do mercado e pela exploração dos patrões”.

O autor não encontrou as razões da verdadeira admiração despertada nas pessoas pelos missionários. Segundo Picucci, os missionários teriam colhido os primeiros frutos na missão porque eram “teólogos da libertação” avant la lettre.

Ao descrever, em seguida, as muitas obras no campo da educação, da saúde e da pecuária realizadas pelos grandes missionários, nem uma palavra sobre catequese, sacramentos, oração. Aliás, quando mencionou a piedade popular, o autor o fez em tom depreciativo:

“As pessoas se reuniam apenas para a festa do padroeiro e para cantar as ladainhas, esquecendo-se de que a religião exigia de fato algo mais do que costumes e unidade familiar”.

A verdadeira história destes religiosos franciscanos foi adulterada. A hagiografia nos ensina do que são capazes os santos de ontem e de hoje, mas nos ensina igualmente que buscam “em primeiro lugar o Reino de Deus”. Os capuchinhos do Amazonas não foram exceção, primeiro serviram a Deus e, por causa d’Ele, serviram aos homens. Mas o artigo os descreve como meros assistentes sociais.

Definitivamente, os pioneiros capuchinhos não se identificariam com esta missão meramente horizontal. Se vissem sua foto na matéria provavelmente pensariam se tratar de um engano, apesar das coincidências de datas e lugares.

E no final, la crème de la crème:

“Mas permanecem, não obstante as intervenções do Governo federal, as situações de pobreza, o desmatamento, as violações do equilíbrio biológico e a crítica situação sanitária de cerca de 145.000 pessoas”.

Nunca antes na história deste jornal! Lula consegue a façanha de receber um elogio meio velado num artigo que se propunha destacar o centenário das missões capuchinhas no Amazonas. Lula is the man! É mesmo o cara!

P.S. Para quem se interessar, eis o link para o original em italiano.

Visita Pastoral a Viterbo e Bagnoregio - Programa

VISITA PASTORAL DO SANTO PADRE BENTO XVI A VITERBO E BAGNOREGIO

(6 de setembro de 2009 - Domingo)

PROGRAMA

08:30 Partida em helicóptero do heliporto das Vilas Pontifícias de Castel Gandolfo para Viterbo.

09:00 Chegada ao Campo esportivo comunal "Rocchi" em Viterbo.

09:30 ACOLHIDA na escadaria do Palácio dos Papas na Praça São Lourenço em Viterbo e Breve visita privada à Sala do Conclave.

10:15 CONCELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA no Vale Faul em Viterbo. Homilia do Santo Padre.

RECITAÇÃO DO “ANGELUS DOMINI” no Vale Faul em Viterbo. Palavras do Santo Padre.

Breve parada diante do Santuário de Santa Rosa, ao longo do trajeto para o Santuário de Nossa Senhora do Carvalho (della Quercia) em Viterbo.

16:30 Visita privada ao Santuário de Nossa Senhora do Carvalho (della Quercia) em Viterbo.

17:00 Partida de helicóptero do Campo esportivo comunal "Rocchi" em Viterbo para Bagnoregio.

17:20 Chegada ao Campo esportivo do Centro “Alessandro Pompei” em Bagnoregio.

17:30 Visita à Catedral de São Nicolau em Bagnoregio e Veneração da Relíquia de São Boaventura.

17:45 ENCONTRO COM OS CITADINOS na Praça Santo Agostinho em Bagnoregio. Discurso do Santo Padre.

18:30 Partida em helicóptero do Campo esportivo do Centro “Alessandro Pompei” em Bagnoregio para Castel Gandolfo.

19:30 Chegada ao heliporto das Vilas Pontifícias de Castel Gandolfo.

Viterbo é uma cidade italiana de 60 mil habitantes, sede episcopal desde o século VI. No passado, os papas costumavam passar longas temporadas na cidade. No Palácio dos Papas, que Bento XVI visitará, os habitantes de Viterbo trancafiaram os cardeais e os deixaram a pão e água, até que elegessem um novo Papa; alguns veem no evento a origem do conclave moderno. O Papa português João XXI está sepultado na Catedral de São Lourenço.

Bagnoregio é uma pequena vila de 3.700 habitantes. Foi sede episcopal do século VI até o século XIX, quando foi unida à Sé de Viterbo. Em 1986 foi definitivamente extinta. Na vila nasceu São Boaventura. A casa natal do grande santo ainda existe na 'Civita di Bagnoregio'. O Papa venerará sua relíquia na antiga catedral.

Viterbo dista cerca de 90 km de Roma e 109 km de Castel Gandolfo. Bagnoregio, mais ao norte, dista 120 km e 139 km, respectivamente.

Liturgiam Authenticam e a Arte da Tradução Pastoral (V)

A Arte da Tradução Pastoral: No Serviço da Comunhão (Seção V), por Dom Allen H. Vigneron

Insights Sobrenaturais (Sabedoria) que Justificam Estes Princípios e Seus Resultados

Tendo discutido como as normas para tradução da LA estão radicadas em verdades naturais fundamentais sobre a linguagem, desejo passar agora a considerar duas verdades teológicas que apoiam os princípios da Instrução e que fazem deles medidas acertadas para a produção de textos vernaculares precisos e reverentes, que sejam meios aptos para a transmissão das realidades divinas. Espero mostrar aqui que as traduções preconizadas pela LA são o fruto não apenas da sabedoria natural, mas também da sabedoria sobrenatural.

A. O primeiro “metaprincípio” teológico que desejo discutir é este: que a ordem da salvação que Cristo nos trouxe transcende o que é natural. É uma graça. A ecologia da Nova Aliança é sobrenatural. Portanto, os mistérios apresentados nos textos litúrgicos estão sempre além do que podemos compreender. Enquanto neste mundo podemos ter alguma visão experimental da Revelação, aqui embaixo ela é plenamente compreendida apenas pelo registro (21) – por aquilo que Cristo disse e por aquilo que seus Apóstolos e os sucessores destes deixaram. A visão dos mistérios aguarda o mundo vindouro. Somente lá seremos capazes de tomar consciência daquilo que conhecemos agora pela revelação. Este caráter velado das realidades da Nova Aliança neste tempo nos obriga a apresentar acuradamente em inglês o que foi autorizadamente registrado em latim. O que nós sabemos sobre Deus e seus mistérios, sabemos pela audição, não pela visão, de modo que nossos textos vernáculos devem dizer tudo e somente aquilo que a Igreja ouviu e registrou na sua Liturgia. Precisão é sempre importante na tradução, em qualquer tradução; entretanto, no caso das traduções dos textos que apresentam a Revelação, os mais sábios tradutores farão todo o possível para elaborar textos que expressam exatamente o que o original expressa.

Este “metaprincípio” teológico nos ajuda a entender porque a LA insiste tanto para que nossa primeira resposta ao traduzir textos litúrgicos não seja torná-los próximos daquilo a que estamos acostumados. Eles apresentam uma dimensão da realidade que não apenas está além do ordinário, mas chega a transcender os mais reconduz aspectos da realidade criada. A Revelação que se expressa e se torna presente nos textos litúrgicos é a norma para nossa cultura e não o contrário. Este metaprincípio básico leva-me a concluir que se a tradução do Rito Romano, até certo grau significativo, não nos der a impressão de que estamos em descompasso com nosso discurso ordinário, devemos suspeitar daquela tradução.

B. O segundo “metaprincípio” teológico é este: que na ecologia da salvação Deus revelou-se tanto em palavras como em ações. Conforme diz a Constituição Dogmática do Concílio Vaticano II sobre a Revelação, Dei verbum: “Jesus aperfeiçoou a Revelação ao completá-la com toda sua presença e manifestação de sua pessoa, com palavras e obras” (n. 4).

Os sacramentos, especialmente a Santíssima Eucaristia, são os meios pelos quais Deus torna presentes para nós, em nossa época, aquelas suas mesmas ações salvíficas que são transmitidas nas Sagradas Escrituras. Uma vez que as ações são as mesmas, as palavras usadas para falar delas hoje na liturgia devem ser claramente as mesmas, tal como encontradas nas Escrituras. Formar esta convicção já é suficiente para entendermos porque LA é tão insistente para que as traduções vernáculas sejam fiéis ao vocabulário bíblico e a dicção que são encontrados nos originais latinos.

A epíclese da Segunda Oração Eucarística oferece-nos uma boa ilustração deste ponto. Naquela oração o Espírito Santo é invocado sobre o pão e o vinho para que se eles tornem o Corpo e o Sangue de Cristo com as seguintes palavras: "Hæc ergo dona, quæsumus, Spiritus tui rore sanctifica."

No presente estas palavras são traduzidas como: "Let your Spirit come upon these gifts to make them holy..." (Ou seja: “Enviai vosso Espírito sobre estes dons a fim de torná-los santos”. Na tradução brasileira se encontra: “Santificai, pois, estas oferendas”)

O original latino especifica que isto está para acontecer através do ros, do “orvalho” do Espírito. Na tradução, nós bispos propusemos no lugar de falar de “orvalho do Espírito”, nós traduzimos ros como “derramamento”, pedindo que o pão e o vinho sejam transformados pelo “derramamento do Espírito”. Recentemente soubemos que a Santa Sé considerou nossa tradução proposta como imprópria. Eles decidiram que nossa tradução deve falar de “orvalho do Espírito”. Creio que podemos concluir honestamente que a Santa Sé entende que esta expressão vai nos causar estranheza num primeiro momento, até mesmo ao ponto de soar como uma nota discordante. E estou convencido de que eles não estão insistindo nesta tradução simplesmente para reafirmar sua autoridade. Parece-me que eles julgaram que esta expressão está tão profundamente incrustada no estilo da Escritura ao falar sobre a ação de Deus que, desconsiderá-la em nosso texto litúrgico, seria obscurecer a identidade entre o que acontece em nossos altares e o que é transmitido na Bíblia. Este ganho, disse a Santa Sé, é compensador não importando a perplexidade que possa emergir ao ouvirmos algo que nos pareça estranho, por exemplo, “o orvalho do Espírito”.

(Leia antes a Seção I, a Seção II, a Seção III e a Seção IV)

__________

Nota do autor

(21) Sobre a distinção entre “registration” e “report”, ver Sokolowski, pp. 32-56

Fonte: USCCB

Tradução: OBLATVS

terça-feira, 28 de julho de 2009

"Pro multis" e "preces dos fiéis"

Muito recentemente fui questionado a respeito de duas questões litúrgicas: “pro multis” e “prece dos fiéis”. Vamos a elas.

É do conhecimento de alguns que a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos enviou uma circular em outubro de 2006 aos presidentes das conferências dos bispos a respeito da tradução do “pro multis” na forma de consagração do vinho. O então Prefeito, Cardeal Arinze, comunicou que a tradução deve ser literal – “por muitos” – e não “por todos”, como se encontra em várias edições vernáculas do Missal Romano.

Na mesma circular, o Cardeal solicita às conferências que providenciem uma adequada catequese, “nos próximos um ou dois anos”, ou seja, em 2007 e 2008. A catequese visa a preparar os fiéis para a mudança que se tornará efetiva com a entrada em vigor das traduções da terceira edição típica do Missal, a serem aprovadas pela Santa Sé.

A pergunta que me fizeram foi: por que o senhor ainda não aplicou a determinação do Cardeal Arinze? Por que continua dizendo “por todos” na consagração?

Não mudei porque não posso! Esta pergunta deveria ser feita à CNBB.

O Cardeal Arinze não escreveu aos padres, nem mesmo aos bispos. Escreveu às conferências, às quais compete providenciar as traduções e apresentá-las à Santa Sé. Nenhum padre pode mudar as fórmulas do Missal Romano, ainda mais em se tratando da forma do sacramento.

As conferências estão traduzindo o Missal Romano e, no caso da nossa, sem previsão de término. Qual seria, então, a alternativa?

Enquanto não conclui a tradução inteira do Missal, a CNBB poderia solicitar a aprovação de uma tradução da fórmula consecratória em separado. Obtida a aprovação, mandaria que fosse anexada ao Missal atual e determinaria sua entrada em vigor. Isto a conferência, e somente ela, pode fazer.

Foi o que fez a Conferência dos Bispos da Hungria. Ela o fez até mais simplesmente. Sem alterar a fórmula inteira, enviou às paróquias pequenos adesivos com a fórmula corretamente traduzida para que fossem colados sobre a anterior e determinou a data, no caso Pentecostes deste ano, para sua entrada em vigor. O método foi mais simples porque dispensou o pedido de aprovação da Santa Sé, pois ela própria, através da CCDDS, já havia determinado a mudança.

Como não devemos alimentar ilusões, exceto haja uma determinação ulterior da Suprema Autoridade, o que podemos fazer é iniciar a catequese litúrgica preparando o povo para a mudança. Estamos no segundo semestre de 2009 e, até o momento, desconheço qualquer comunicação ou iniciativa da CNBB a este respeito. Se dependêssemos dela sequer teríamos tido conhecimento da circular da CCDDS.

Resumindo: os padres não podem dizer “por muitos” ainda!

O questionamento a respeito das “preces dos fiéis” vai na direção contrária: Por que o senhor muda as “preces dos fiéis”? Por que não faz as que estão no “folheto” da Missa?

Mudei porque posso! Em alguns casos é quase obrigatória a mudança.

A péssima qualidade dos chamados “folhetos” da Missa se manifesta claramente nas “preces dos fiéis”. São tudo o que não devem ser. Por isso vejo-me obrigado a substituí-las por um dos formulários do Missal Romano.

Vamos às razões.

As “Intercessões Gerais”, mais conhecidas como “preces dos fiéis”, podem ser compostas para uma determinada Missa desde que obedeçam a certos critérios. São alguns deles:

i. Sejam sucintas.

ii. Não sejam muito numerosas.

iii. Não sejam dirigidas diretamente a Deus, mas convites para que os fiéis intercedam a Deus e os fiéis então rezam “Senhor, escutai nossa prece!” ou outra fórmula similar.

iv. Não contenham nada que não seja conforme à doutrina da Igreja.

v. Não tenham motivações ideológicas ou políticas.

Os critérios acima são quase sempre desconsiderados, no todo ou em parte, pelos ilustres compositores de nossas editoras católicas. As preces são quase sempre recheadas de um palavrório esquisito, algumas vezes se tornando uma espécie de mini-homilia. Não raro são numerosas, chegando a ser cansativas e causando distração. Nos casos mais graves, se avaliarmos com atenção seu conteúdo, percebemos que são heréticas, cheias de slogans político-ideológicos e atentas à agenda das esquerdas, por cujos objetivos levam o povo a “rezar”.

Os modelos presentes no Missal Romano, entretanto, seguem a antiga tradição das litanias, como por exemplo, a segunda parte da ladainha de todos os santos. Compõem-se da seguinte maneira:

i. Pelas necessidades da Igreja católica, por seus pastores.

ii. Pelas autoridades constituídas e pela salvação do mundo inteiro.

iii. Por aqueles que sofrem.

iv. Pela comunidade local.

Os que compõem as “preces” deveriam trabalhar sobre este modelo e obedecer aos critérios anteriormente expostos. Não havendo quem tenha habilidade para composições litúrgicas, o melhor que se deve fazer é usar as que estão disponíveis no Missal Romano.

Resumindo: os padres podem e devem abandonar as “preces” do “folheto” e usar as do Missal!

Observação final:

Tudo o que disse sobre as "preces" vale para o folheto enquanto tal. Melhor se fosse completamente abandonado, mas devemos sempre proceder por etapas, com paciência e determinação.

Liturgiam Authenticam e a Arte da Tradução Pastoral (IV)

A Arte da Tradução Pastoral: No Serviço da Comunhão (Seção IV), por Dom Allen H. Vigneron

Insights Naturais (Sabedoria) que Justificam Estes Princípios e Seus Resultados

Sustento que muitos argumentos sobre o valor da LA e, portanto sobre o valor dos resultados que derivam da aplicação de seus princípios, estão radicados – ao menos implicitamente – em diferentes visões sobre a natureza da linguagem, isto é, sobre o que as palavras são e como elas operam. Estou falando de convicções que moldam todo o enfoque da Instrução. Tais convicções residem nos princípios da LA e os trazem à tona. Poderíamos chamá-los “metaprincípios”. Na medida em que são verdadeiros, é sábio reconhecê-los e ainda mais sábio agir de acordo com eles, porque, além do mais, o que poderia ser mais tolo do que agir em oposição ao que as coisas são e devem ser. E, na medida em que estes “metaprincípios” são sólidos, os resultados da implementação dos princípios particulares que neles residem serão o fruto da sabedoria.

Nas duas próximas seções de minhas considerações quero discutir quatro destes “metaprincípios”, dois que derivam de insights naturais e dois que vêm da fé. Para usar uma linguagem mais tradicional, poderíamos chamar o primeiro par de princípios filosóficos e o segundo par, de teológicos.

A. O primeiro “metaprincípio” conhecido naturalmente que desejo discutir é este: traduções e paráfrases, embora tendo muito em comum, são duas coisas essencialmente diferentes. Cada uma tem uma natureza distinta, um conjunto distinto de qualidades. Sua diferença não é uma invenção humana; as duas não existem porque alguém ou algum grupo de pessoas desejam que existam. Elas existem por causa da própria natureza da linguagem.

Especificamente, traduções e paráfrases devem ambas ser e parecer diferentes umas das outras, por causa da maneira como identidades e diferenças estão em jogo naquilo que dizemos.

Permiti-me explicar o que afirmei tão abstratamente. Vamos começar observando que há muitos modos de podermos “dizer a mesma coisa”.

Eu posso repetir exatamente, palavra por palavra, o que me dizeis. O exemplo mais claro disto é quando recito imediatamente depois de vós exatamente o que dizeis. Minha fala não é mesma vossa, ainda que eu vos tenha citado precisamente. Entretanto, somos bem mais espertos que papagaios. Podemos explorar muitas outras potencialidades para a linguagem expressar a mesma coisa.

Comecemos com nomes. Vós e eu podemos dar um nome diferente para a mesma coisa. Por exemplo, podeis chamar a terceira filha de August e Doroth Kott de “Senhora Vigneron”. Eu a chamo habitualmente de “mamãe”. Estamos dando nome à mesma coisa, mas com cada um dos dois nomes características muito diferentes desta mulher se manifestam.

Mas a maior parte de nosso discurso não se limita a nomes; nossa linguagem, como discutimos anteriormente, tem sintaxe. Expressamos fatos e suas relações. Aqui também é possível dizer o mesmo, mas dizê-lo diferentemente. Vós e eu podemos fazer diferentes afirmações sobre o mesmo estado de coisas. Neste caso utilizarei um exemplo muito recorrente, o do copo de 180 ml que contém 90 ml de água. Podeis dizer que o copo está meio cheio. Eu posso dizer que o copo está meio vazio.

Ora, poderíamos estar motivados a fazer nossas observações diferentes em razão de nossos temperamentos diferentes, mas isto não muda o fato de que estamos falando do mesmo copo na mesa, com a mesma água nele.

Tendo em mente estes poucos exemplos nós podemos, eu creio, entender melhor como a LA deseja que o Rito Romano seja o mesmo em Latim e em Inglês. Esta igualdade entre o original e a tradução é necessária, recordareis o que disse o Cardeal Dulles, para que o texto vernáculo seja um meio confiável para a transmissão dos mistérios revelados.

O que LA está pedindo não é a identidade da repetição exata; isto anularia a própria legitimidade da tradução. E, enquanto em algumas religiões dá-se o caso de que os textos sagrados nunca possam ser traduzidos, a Igreja nunca pensou assim. Entretanto, a Instrução está pedindo o máximo grau de igualdade entre os textos da liturgia em latim e em inglês. Nomes diferentes para a mesma coisa não servirão. Fatos diferentes para o mesmo estado de coisas também não. Por exemplo, na Quarta Oração Eucarística há a afirmação de que na Última Ceia o cálice estava “ex genimine vitis repletum”; em breve não mais ouviremos que o “cálice estava cheio de vinho” (em português: “o cálice com vinho”), mas sim que estava cheio “do fruto da vinha”. O que temos é uma paráfrase; o que teremos será uma tradução.

LA está pedindo uma expressão vernácula do Rito Romano que apresente Deus e seus atos e os objetos de suas ações da mesma maneira que o latim faz. Isto é, que aquilo que resulta de cada ato de dar nome às coisas e de relacionar o que é nomeado e que vem expresso em latim possa ser expresso em inglês. Isto é o que acontece quanto se traduz.

B. Meus comentários sobre a diferença real e irredutível entre uma tradução e uma paráfrase me conduz à próxima observação sobre outro naturalmente sábio insight sobre linguagem que está presente, ao menos implicitamente, nos princípios da LA: palavras, nomes e sentenças são janelas através das quais as coisas se revelam. Monsenhor Robert Sokolowski, filósofo na Universidade Católica da América, resume esta verdade com a concisa máxima: “Palavras apresentam coisas” (20). As palavras, no seu modo primário de atuar, não expressam o que vai no “interior” dos falantes ou dos ouvintes, mas tornam presentes partes ou dimensões do mundo no qual os falantes e os ouvintes se encontram juntos.

Às vezes esta confiança no modo de operar das palavras é chamada “realismo”. Neste sentido, LA funda-se na visão realista da linguagem, em vez de fundar-se na visão subjetivista. As traduções dos textos litúrgicos devem ser precisas e sagradas porque a matéria dos textos é principalmente feita de realidades divinas, os mistérios da graça e não nossas próprias disposições interiores (ver LA 19). Ou poderíamos colocar a questão desta maneira: as palavras da Liturgia têm como referência primária Deus e suas ações salvíficas; é verdade que diz respeito, mas tão somente secundariamente, com nossas reações a Ele e a suas ações. A Liturgia fala em chave “objetiva” e não “subjetiva”. Como os vejo, os princípios da LA se destinam a garantir que as traduções vernáculas não irão destoar desta chave objetiva.

Minhas considerações sobre o fato de as palavras apresentarem coisas dão ensejo a um momento oportuno para comentar sobre a relação entre os dois objetivos que o Cardeal Dulles identificou como aqueles que LA estabeleceu para si mesma: tradução precisa e tradução reverente. Estes dois objetivos estão intimamente ligados. Quando os textos litúrgicos apresentam-nos Deus e seus mistérios com precisão, estes textos devem ser necessariamente reverentes. Textos que são precisos ao apresentarem o divino poderiam parecer bizarros não tivessem eles um tom sagrado.

(Leia antes a Seção I, a Seção II e a Seção III)

__________

Nota do autor

(20) Sokolowski, Husserlian Meditation: How Words Present Things (Evanston, IL: Northwestern University Press, 1974). Estudos da Northwestern University em Fenomenologia e Filosofia Existencial

Fonte: USCCB

Tradução: OBLATVS

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Bolsa Pipoca mereceu nota no L'Osservatore

“Brasília, 25. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, apresentou ontem o Vale Cultura, um cartão magnético ao qual será creditada todos os meses, a custas do governo, uma cifra equivalente a 25 dólares, utilizáveis para assistir a eventos culturais. Do cartão poderão se beneficiar todos os trabalhadores que recebem salário mínimo. A medida será imediatamente enviada para exame com caráter de urgência, sublinhou Lula.

Segundo os dados oficiais, 93 % da população brasileira jamais pôs os pés num museu, e também é baixa a frequência a outras atividades culturais, compreendidas as específicas do espetáculo. Por exemplo, sempre segundo os dados oficiais, somente 14% dos brasileiros vão regularmente ao cinema.

O presidente brasileiro especificou que o objetivo do Vale Cultura é o de fazer crescer a participação das classes mais pobres do País nas atividades e eventos que concorrem para o desenvolvimento cultural e portanto, social em sentido amplo, do Brasil. Conforme avaliação de Lula e de seu governo a iniciativa terá ainda consequências de tipo especificamente econômico. De fato, segundo cálculos do governo, com o uso do cartão as receitas das atividades do setor cultural poderão aumentar imediatamente cerca de 300 milhões de dólares por mês. Esta cifra, fornecida exatamente pelo bônus governamental, seria destinada a aumentar graças à progressiva difusão da participação popular nos eventos culturais.

Em prospectiva não haveria apenas as contribuições estatais, mas também o desenvolvimento do mercado privado a produzir riqueza no setor da cultura e do espetáculo e a sustentar os trabalhadores.”

Esta é a pequena nota que o L’Osservatore Romano deu sobre o Brasil na edição italiana de ontem. Antes que me acusem de implicância com o jornal do Papa – longe de mim! – ou com Lula – bingo! – vou direto ao ponto: apesar de parecer neutra, a notícia é parte de uma estratégia da construção da imagem internacional de Lula como líder sensível aos interesses dos pobres. O responsável pela nota, consciente ou inconscientemente, contribui para tornar Lula palatável ao leitor italiano, em geral católico. O próprio título da nota o revela e condiciona a leitura: "No Brasil um cartão cultural para os mais pobres".

Em primeiro lugar devo dizer que não me ocuparei do conteúdo político da medida do governo Lula. Deixo o juízo das consequências políticas, econômicas e culturais aos analistas das respectivas áreas. Concentrar-me-ei sobre o papel a que se presta o L’Osservatore.

Pouquíssima atenção o Brasil recebe do jornal. Quase nunca se lê algo sobre o que acontece no Brasil, especialmente no que concerne à vida eclesial. Quando aparece alguma notícia, como aconteceu nos últimos meses, versa sobre Fórum Social, encontros de “teólogos da libertação”, etc., e sempre de maneira encomiosa. Sobre esta cobertura ignominiosa já comentamos aqui, aqui, aqui e aqui. Chegou ao cúmulo do desrespeito à Igreja no Brasil com o artigo infame de Dom Fisichella, que sequer merece um link.

O jornal, ao noticiar a medida aparentemente positiva do governo, deixa na obscuridade suas políticas públicas que atentam contra a doutrina cristã, que revelam a verdadeira orientação de seu partido e que, portanto, tornariam Lula uma figura política repugnante para todo católico minimamente instruído na fé. Quando lemos nas páginas do L’Osservatore notícias sobre o governo real de Lula e de sua incompatibilidade com a Doutrina da Igreja?

A notícia da Bolsa Pipoca pode parecer neutra, mas não é. Como não seria neutra uma notícia sobre uma Bolsa Aborto. O problema não está na ausência de neutralidade, mas na posição que se resolve assumir.

"Guia" de Medjugorje é reconduzido ao estado leigo

As alegadas aparições da Santíssima Virgem Maria a seis “videntes” em Medjugorje, na Bósnia e Herzegovina, ganharam imediata e refletida aceitação de muitos fiéis católicos apesar do juízo negativo das autoridades eclesiásticas locais. Em janeiro publicamos uma matéria (leia aqui) que dava conta de um pedido do Secretário de Estado, Cardeal Tarcisio Bertone, a Opera Romana Pellegrinaggi para que excluísse Medjugorje de seu catálogo de visitas.

O Fratres in unum publicou hoje a notícia de laicização do Padre Tomislav Vlasic, frade franciscano, “diretor espiritual” dos supostos videntes. Na mesma publicação há uma comunicação do superior geral dos franciscanos a alguns superiores da Ordem a respeito da medida tomada pelo Papa Bento XVI e esclarece alguns detalhes canônicos.

A notícia tem estreita relação com os próprios fenômenos de Medjugorje, pelo protagonismo do ex-frade nos acontecimentos, e são mais um convite aos fiéis para que se voltem, em sua devoção mariana, às legítimas aparições da Santíssima Virgem. Infelizmente, em especial nos círculos da RCC, as proibições, reservas ou simples advertências a respeito de Medjugorje são simplesmente ignoradas.

Sem pretender antecipar qualquer juízo negativo em definitivo da Suprema Autoridade Eclesiástica, mas considerando os sinais que ela envia, os fiéis devem ser advertidos a evitar Medjugorje.

sábado, 25 de julho de 2009

Liturgiam Authenticam e a Arte da Tradução Pastoral (III)

A Arte da Tradução Pastoral: No Serviço da Comunhão (Seção III), por Dom Allen H. Vigneron

Alguns Resultados da Aplicação dos Princípios da Liturgiam Authenticam

Por causa dos limites de nosso tempo, não posso oferecer, para cada um dos princípios que descrevi acima, um exemplo do que se consegue com a sua aplicação. Assim, selecionei quatro exemplos que nos ajudam a entender como a aplicação dos princípios da LA produz o que diremos ou ouviremos na Missa num futuro relativamente próximo.

1. Vamos tomar nosso primeiro exemplo das primeiras linhas da Primeira Oração Eucarística, o Cânon Romano. Parece-me um lugar apropriado para começar.

Estamos acostumados a ouvir estas primeiras linhas da oração nesta tradução:

"We come to you, Father, with praise and thanksgiving, through Jesus Christ your Son. Through him we ask you to accept and bless these gifts we offer you in sacrifice. We offer them for your holy catholic Church."

(E nós do Brasil assim:

“Pai de Misericórdia, a quem sobem nossos louvores, nós vos pedimos por Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor nosso, que abençoeis estas oferendas apresentadas ao vosso altar. Nós as oferecemos pela vossa Igreja santa e católica.”)

A tradução para estas linhas aparecerá na nova edição do Missal assim:

"To you, therefore, most merciful Father, we make humble prayer and petition through Jesus Christ, your Son, our Lord: that you accept and bless these gifts, these offerings, these holy and unblemished sacrifices, which we offer you first of all for your holy catholic Church."(8)

(Não sabemos como a comissão da CNBB traduziu ou traduzirá as linhas acima; mas deveria ser algo assim:

“A Vós, portanto, Pai Clementíssimo, humildemente rogamos e pedimos por Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor nosso, que aceiteis e abençoeis estes dons, estas oferendas, estes sacrifícios santos e ilibados que oferecemos, em primeiro lugar, pela vossa Igreja santa e católica.”)

O contraste entre a versão velha e a nova é surpreendente, e exemplifica a aplicação de vários princípios da LA.

i. Há elementos do original desconsiderados na versão atual, mas que estão presentes na nova, como anteriormente destaquei ser uma exigência da LA (9). Um destes elementos é in primis, que as oferendas são feitas in primis, “em primeiro lugar”, pela Igreja.

ii. De modo semelhante, a atual tradução deixa sem traduzir illibata, na frase sacrificia illibata, enquanto a nova, como ouvistes, fala de “unblemished (ilibados) sacrifices” (10). (A versão brasileira consegue ser pior. Sequer aparece a palavra sacrifício!)

iii. E um terceiro contraste paralelo entre a atual e a nova tradução neste ponto é que a nova tradução, ao contrário da atual, não deixa de traduzir clementissime, “clementíssimo” como um atributo do Pai (a versão brasileira aqui é melhor que a atual americana; diz: “Pai de Misericórdia”). E ainda mais, esta mudança dá atenção, como exige LA, àquelas “palavras de louvor e adoração que inspiram reverência e gratidão na presença da majestade de Deus, de seu poder, de sua misericórdia e de sua natureza transcendente” (11).

iv. Em nossa consideração prévia dos “Princípios Sintáticos”, notamos que LA especifica que a conexão feita no original entre as várias expressões deve ser preservada na tradução (12). A nova tradução alcança este objetivo ao traduzir igitur, “portanto”, como terceira palavra do Cânon, com isso mostrando que o sacrifício é oferecido ao Pai por causa daquilo que o sacerdote e o povo declararam no Prefácio e no Sanctus. A atual tradução deixa obscurecida esta ligação (bem como a brasileira).

v. Também entre os “Princípios Sintáticos” da LA, como dito acima, há um apelo à preservação na tradução das repetições encontradas no original (13). Neste texto latino que estamos analisando há uma forma de repetição na sequência de três sinônimos para nossas oferendas: dona, munera, sacrificia. A nova tradução, como ouvistes, preserva esta repetição ao falar de “dons”, “oferendas” e “sacrifícios”. De modo contrário, a atual tradução transforma os três substantivos num substantivo modificado por uma oração relativa: “gifts we offer ... in sacrifice”. (Em português: “estas oferendas apresentadas ao vosso altar”)

2. Como segundo exemplo, consideremos a fórmula trinitária que conclui a primeira oração da Missa, a Coleta.

Na mais típica das duas formas atuais, encontramos:

"We ask this through our Lord Jesus Christ, you Son, who lives and reigns with you and the Holy Spirit, one God, for ever and ever."

Entretanto, muitas outras variantes desta fórmula, em vez de começar com “We ask this through...” (Nos vo-lo pedimos por...), começam com “Grant this through...” (Concedei-nos por...). Se a nova tradução proposta for aceita, nós ouviremos:

"Through our Lord, Jesus Christ, your Son, who lives and reigns with you in the unity of the Holy Spirit, God forever and ever." (14).

(Em português: “Por nosso Senhor, Jesus Cristo, vosso Filho, que vive e reina convosco na unidade do Espírito Santo, Deus por todos os séculos dos séculos”.)

i. O primeiro comentário que eu gostaria de fazer sobre este texto é que a tradução atual não atenderia ao sexto “Princípio Global” mencionado acima: “A tradução não deve restringir o sentido pleno do texto original a limites mais estreitos” (15). Na conclusão da Coleta, o original latino não especifica se nosso pedido é “feito por Cristo” ou seria “concedido por Cristo”. Ao evitar esta especificação, o texto latino nos permite olhar para ambas as direções simultaneamente, para ver que a mediação de Cristo opera de duas maneiras. A nova tradução, seguindo o original, dá-nos a mesma orientação.

ii. Uma segunda diferença significativa entre a tradução atual da conclusão da Coleta e a nova tradução é que a última trata da menção latina do Filho que vive e reina na unitate Spiritus Sancti ao afirmar a unidade da Santíssima Trindade: “Deus por todos os séculos dos séculos”. Segundo os princípios da LA, a atual tradução seria deficiente neste caso em virtude de sua “imprecisão” e “inventividade” (16). Ao deixar de falar da unitas Spiritus Sancti, a “unidade do Espírito Santo”, a tradução atual não dá a entender a verdade evocada pelo original: isto é, que o Espírito Santo é o vínculo de comunhão entre o Pai e o Filho, e que esta comunhão, que nos é apresentada e aberta a nós pela nossa unidade na comunhão eclesial (17), é o locus para a vida e o reino de Cristo. Importantes aspectos dos mistérios da Trindade e da Igreja estão ausentes na atual tradução, mas nos são apresentados pela nova.

3. Como terceiro exemplo gostaria de me voltar para um texto curto que recebeu grande dose de atenção nos comentários sobre a nova tradução: “Et cum spirito tuo”. Esta é, evidentemente, a resposta do povo à saudação do sacerdote ou do diácono.

Esta mudança, talvez porque afete tão diretamente um elemento proeminente nas partes do povo na Missa, foi objeto de muita discussão. Apesar do risco de simplificação, eu resumiria as duas visões contrastantes desta maneira: Um grupo de estudiosos sustenta que “e com o teu espírito” é um modo de falar próprio do hebraico e significa simplesmente que o falante devolve a saudação oferecida. Segundo esta visão “E contigo também” expressa exatamente o que “Et cum spirito tuo” significa. O outro grupo argumenta que a frase tem um significado teológico mais profundo.

Para mostrar que esta segunda visão não é defendida apenas com o propósito de criar celeuma, eu destaco que o renomado teólogo Yves Congar, pode ser citado em defesa da mesma. Em seu estudo magistral sobre o Espírito Santo, ele escreve aprovando o trabalho de um outro estudioso que, segundo ele nos diz, defende que as palavras da fórmula litúrgica et cum spirito tuo não significam simplesmente “e contigo também”, o que não seria mais que uma troca de saudações religiosas a fim de criar o ambiente da celebração. Elas significam mais do que isto. A fórmula “O Senhor esteja com...” é frequentemente usada no Antigo Testamento e diz respeito à ação que está para ser realizada segundo o plano de Deus e está relacionada à presença do Espírito Santo naquele que tem de realizar esta ação. No Novo Testamento e no cristianismo das origens, o Espírito é particularmente ativo na oração e na adoração da assembleia. No breve diálogo entre o ministro e a comunidade recordado por Hipólito (Tradição Apostólica, 4: 7; 22; 26), a presença do Espírito deve ser assegurada para que a ação litúrgica possa ocorrer; logo, as palavras “O Senhor esteja convosco”, presenteados quando vos encontrais para tal fim com o carisma do Espírito.

Segundo os Padres, o carisma necessário foi conferido ao sacerdote na ordenação. Nada, entretanto, acontece automaticamente, e toda atividade espiritual requer uma epíclese (18).

Conforme este entendimento, et cum spirito tuo é um tipo de epíclese; por ele o povo está invocando o Espírito Santo sobre seu sacerdote de modo que ele possa desempenhar efetivamente seu ministério como celebrante.

A nova tradução, diferentemente da que agora usamos, não toma partido neste debate, mas através de uma tradução mais exata evita restringir o sentido do texto em inglês a limites mais estreitos que os estabelecidos pelo texto latino (19). Deste modo o inglês não tropeça ao desconsiderar um importante testemunho da ecologia da graça.

(Mesmo sem concordar com as todas premissas teológicas do autor, não há como discordar de que a melhor tradução seja "e com o teu espírito". O que dizer, então, da versão brasileira: “Ele está no meio de nós” ?)

4. Como quarto exemplo,

i. Eu quero simplesmente informar-vos que na tradução do Missal preparada segundo as normas da LA, veremos o retorno de palavras importantes no vocabulário católico como “graça’, “alma” e “caridade”.

ii. Em relação a este ponto, gostaria também acrescentar que a palavra consubstantialis – daquela frase do Credo que afirma a relação do Filho com o Pai – foi traduzida como “consubstancial” em vez de outras alternativas propostas, “um em substância” ou “um no ser”.

(Leia antes a Seção I e a Seção II)

__________

Notas do autor

(8) O latim original a ser considerado para estas traduções é: Te igitur, clementissime Pater, per Iesum Christum, Filium tuum, Dominum nostrum, supplices rogamus ac petimus, uti accepta habeas et benedicas hæc dona, hæc munera, hæc sancta sacrificia illibata, in primis, quæ tibi offerimus pro Ecclesia tua sancta catholica...

(9) LA, 20; citada em 3.A.1, acima.

(10) ibid.

(11) LA, 25; citada em 3.B.2, acima.

(12) LA, 57; citada em 3.C.1.a, acima.

(13) LA, 59; citada em 3.C.2, acima.

(14) O latim original a ser considerado para estas traduções é: Per Dominum nostrum, Iesum Christum, Filium tuum, qui tecum vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti, Deus per omnia sæcula sæculorum.

(15) LA, 32; citada em 3.A.6, acima.

(16) LA, 20: citada em 3.A.1 e 5, acima.

(17) Lumen gentium, 1.

(18) I Believe in the Holy Spirit, trad. David Smith (New York, NY: Crossroad Publishing Company, 1997). Vol. I: The Holy Spirit in the 'Economy': Revelation and Experience of the Spirit, pp. 36-37. O nome do estudioso citado por Congar é W.C. van Unnik.

(19) LA, 32, citada em 3.A.6, acima.

Fonte: USCCB

Tradução: OBLATVS

Composição da Comissão Teológica Internacional

Em concretização da proposta feita pela primeira assembleia ordinária do Sínodo dos Bispos, o Papa Paulo VI, em 11 de abril de 1969 instituiu, em conexão com a Congregação para a Doutrina da Fé, uma Comissão Teológica Internacional, aprovou ad experimentum seu Estatuto e designou sucessivamente seus membros.

A função da Comissão é ajudar a Santa Sé e especialmente a Congregação para a Doutrina da Fé a examinar questões doutrinais de maior importância.

O Presidente da Comissão é o Eminentíssimo Cardeal William Joseph Levada.

A Comissão se compõe de teólogos de diversas escolas e nações, eminentes por ciência e fidelidade ao Magistério da Igreja. Os membros – em número não superior a 30 – são nomeados pelo Santo Padre ad quinquennium por proposta do Cardeal Prefeito da Congregação e através de consultas com as Conferências Episcopais.

A Comissão se reúne “em assembleia plenária” ao menos uma vez por ano, porém pode também desenvolver sua atividade por meio de subcomissões. Os resultados dos estudos são apresentados ao Santo Padre e entregues para sua oportuna utilização à Congregação para a Doutrina da Fé.

Com o Motu Proprio «Tredecim anni iam», de 6 de agosto de 1982, o Papa João Paulo II promulgou os estatutos definitivos da Comissão.

Membros para o 8º Quinquênio 2009-2013

AMÉRICA

Pe. Geraldo Luis BORGES HACKMANN, docente de teologia sistemática na Universidade de Porto Alegre (Brasil).

Ir. Sara BUTLER, M.S.B.T., docente de teologia sistemática no Seminário St. Joseph de New York (Estados Unidos da América).

Pe. Antonio CASTELLANO, S.D.B. (Chile), docente de teologia sistemática na Pontifícia Universidade Salesiana, Roma.

Pe. Mario Angel FLORES, docente de teologia sistemática na Faculdade Mexicana (México).

Pe. Guillermo ZULETA, docente de teologia sistemática e de direito canônico na Universidade de Medellín (Colômbia).

EUROPA

Pe. Marco DOLDI, docente de teologia moral na Faculdade Teológica da Itália Setentrional, Seção de Gênova (Itália).

Pe. Pierangelo SEQUERI, docente de teologia fundamental na Faculdade de Teologia da Itália Setentrional, Milão (Itália).

Pe. Michael SCHULZ, docente de teologia sistemática na Faculdade de Teologia da Universidade de Bonn (Alemanha).

Dr. Thomas SOEDING, docente de exegese do Novo Testamento no Katholisch-Theologisches Seminar de Wuppertal (Alemanha).

Dr. Johannes REITER, docente de teologia moral na Faculdade de Teologia de Mainz (Alemanha).

Dra. Barbara HALLENSLEBEN (Alemanha), docente de teologia e de ecumenismo na Faculdade de Teologia de Freiburg (Suíça).

Pe. Gilles EMERY, O.P., docente de teologia sistemática na Faculdade de Teologia de Freiburg (Suíça).

Pe. Charles MOREROD, O.P., (Suíça), Secretário Geral

Pe. Philippe VALLIN, docente de teologia sistemática na Faculdade de Teologia da Universidade de Strasbourg (França).

Pe. Serge Thomas BONINO, O.P., docente de filosofia no Studium Dominicano e no Institut Catholique de Toulouse (França).

Mons. Jerzy SZYMIK, docente de teologia sistemática na Universidade de Katowice (Polônia).

Pe. Adelbert DENAUX, docente de teologia bíblica no Seminário Leão XIII de Louvain (Bélgica).

Pe. Tomislav IVANČIĆ, docente de teologia sistemática na Faculdade de Teologia de Zagreb (Croácia).

Pe. István IVANCSÓ, docente de teologia oriental em Nyíregyháza (Hungria).

Pe. Jan W. M. LIESEN, docente de teologia bíblica no Seminário de Rolduc (Holanda).

Mons. Paul McPARTLAN (Grã-Bretanha), docente de teologia sistemática na Universidade Católica da América, Washington (Estados Unidos da América).

Pe. Thomas NORRIS, docente de teologia sistemática no Seminário Teológico Saint Patrick's College de Maynooth (Irlanda).

Pe. Javier PRADES LÓPEZ, docente de teologia sistemática na Faculdade de Teologia de Madrid (Espanha).

ÁSIA

Pe. Francis GUSTILO, S.D.B., docente de teologia e espiritualidade no Centro de Estudos Dom Bosco de Parañaque, Manila (Filipinas).

Pe. Savio HON TAI-FAI, S.D.B., docente de teologia sistemática no Seminário Teológico de Hong Kong (China).

Pe. Dominic VELIATH, S.D.B., docente de teologia sistemática na Faculdade de Teologia de Bangalore (Índia).

ÁFRICA

Pe. Peter Damian AKPUNONU (Nigéria), docente d e exegese bíblica na Universidade St. Mary of the Lake de Mundelein (Estados Unidos da América).

Pe. Leonard SANTEDI KINKUPU, docente de teologia sistemática na Faculdade de Teologia de Kinshasa (República Democrática do Congo).

OCEANIA

Pe. Tony KELLY, C.S.S.R, docente de teologia moral na Universidade Católica Australiana de Canberra (Austrália).

ORIENTE MÉDIO

Pe. Paul ROUHANA, O.L.M., docente de teologia espiritual na Universidade Santo Espírito de Jounieh (Líbano).

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