Segredo Vaticano, mas não muito – Os acadêmicos pró-vida recusam seu presidente
Sobre os desenvolvimentos da controvérsia acesa pelo artigo do arcebispo Rino Fisichella sobre o caso da menina brasileira levada a abortar os gêmeos que trazia no ventre, www.chiesa deu informações no serviço disponibilizado na rede em 3 de julho: “O caso de Recife. Roma falou, mas o caso não está encerrado”.
Aos fatos públicos ali apresentados, acrescentem-se importantes movimentos nos bastidores.
O artigo de Fisichella – publicado em 15 de março na primeira página do “L’Osservatore Romano” – impressionou não somente pelo conteúdo e pela modalidade da publicação, mas porque o seu autor é presidente da pontifícia academia para a vida.
E então, 27 dos 46 membros desta academia escreveram em 4 de abril passado uma carta coletiva a Fisichella, pedindo-lhe que corrigisse as posições “erradas” expressas por ele no artigo.
Em 21 de abril, Fisichella responde-lhes por escrito, rejeitando o pedido.
Em 1º de maio, 21 dos signatários da carta precedente se dirigem, pois, ao cardeal William Levada, prefeito da congregação para a doutrina da fé, pedindo à congregação um pronunciamento esclarecedor sobre a doutrina da Igreja em matéria de aborto.
A carta foi entregue em 4 de maio, mas não recebeu resposta. Os autores souberam por um funcionário da congregação que a carta foi encaminhada ao Secretário de Estado, cardeal Tarcisio Bertone, “uma vez que o artigo de Fisichella fora escrito a seu pedido”.
Dois membros da pontifícia academia para a vida transmitiram então diretamente ao papa um dossiê sobre o acontecido.
Em 8 de junho Bento XVI teria discutido o caso com Bertone e teria ordenado que fosse publicada uma declaração que reafirmasse a doutrina da Igreja em matéria de aborto.
Mas tal texto ainda não viu a luz do dia. Há quem se oponha a que seja publicado no “L’Osservatore Romano”. E há quem desejaria que fosse transmitido por via reservada somente a um restrito número de destinatários: os bispos e os acadêmicos mais diretamente envolvidos na controvérsia.
Finalmente ficamos sabendo a pedido e sob autoridade de quem foi escrito o vergonhoso artigo de Fisichella. Os acadêmicos se moveram e levaram o caso a Levada que transmitiu "mateus" a quem o pariu. Como Bertone fez pouco do pedido, apresentaram o caso ao Papa, que decidiu: uma declaração que reafirmasse a doutrina da Igreja.
Desnecessário dizer que tal declaração seria favorável a Dom José Cardoso Sobrinho e desmascararia a posição falsamente "pastoral" de Rino/Bertone. Cadê o texto?
Magister afirma que há quem se oponha a que saia no "L'Osservatore". Por que razão o incógnito supõe que o jornal do Papa não seja adequado para publicar uma declaração que reafirme a doutrina da Igreja? Para não ferir sensibilidades prelatícias? Para não avechar o presidente da academia para a vida?
Lançar às feras um pobre arcebispo latinoamericano "sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior" pode!
Fonte: Settimo Cielo
Tradução:OBLATVS
2 comentários:
Emendatio informa: efetivamente foi "desaconselhada" publicar uma declaração de D. José C. Sobrinho, no fundo, para não deixar mal o ambiente vaticano. Parece que falta coragem para dizer a verdade e clareza na exposição dos fatos. Pior ainda, não se quer retificar. Faltam pessoas, especialmente no mundo da informação interna da S. Sé, que exponham as verdades dos fatos.
Pe. Migliorelli,
O senhor, melhor do que eu, conhece o ambiente vaticano. Por isso, me pergunto, e lhe pergunto, se o mesmo aconteceria com um arcebispo americano ou alemão.
Verdade que faltou solidariedade a Dom José da parte da CNBB, mas custa-me entender a injustiça feita a Dom José, da parte da Secretaria de Estado.
Outros bispos, no Brasil e alhures, se sentirão desencorajados a defender a doutrina cristã, posto que se sentirão desamparados pela respectiva conferência e, o que é pior, pela Santa Sé.
Pe. Clécio
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