"Oblatus est, quia ipse voluit, et peccata nostra ipse portavit!"

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Estatísticas parciais do OBLATVS

Depois de publicar as estatísticas estupendas do Santo Padre, noticio as modestas estatísticas do OBLATVS. São, entretanto, muito parciais porque o blog está na rede há pouco mais 4 meses e o contador e identificador de visitas há apenas 10 dias, e já somam quase 600 visitas.

Há pessoas escondidas nestes números, pessoas que buscam na internet alimento sólido para suas vidas e o encontram na verdadeira Doutrina Cristã. Conhecer a origem dos leitores e perceber seu interesse é um estímulo para o meu trabalho, uma compensação para o tempo despendido na seleção e tradução de textos e na composição de meus próprios.

Segundo o StatCounter:

BRASIL

Rio de Janeiro: Capital, Cabo Frio, Campos, Petrópolis, Magé, Mendes, Niterói, Saquarema, São João de Meriti

São Paulo: Capital, Bauru, Campinas, Diadema, Guarulhos, Hortolândia, Indaiatuba, Itapira, Itapecerica da Serra, Jandira, Jundiaí, Limeira, Mauá, Osasco, Ribeirão Preto, Rio das Pedras, Santos, São José do Rio Preto, São José dos Campos, São Vicente, Valparaíso

Minas Gerais: Belo Horizonte, Conselheiro Lafaiete, Juiz de Fora, Passos, Uberlândia, Timóteo

Espírito Santo: Vitória, Cariacica, Colatina, Itaguaçu, Serra, Vila Velha

Distrito Federal: Brasília

Goiás: Goiânia, Anápolis

Mato Grosso do Sul: Campo Grande, Cassilândia

Paraná: Curitiba, Foz do Iguaçu, Maringá, Ponta Grossa, Umuarama

Rio Grande do Sul: Porto Alegre, Rio Grande, Sapucaia

Alagoas: Penedo

Bahia: Salvador, Valença

Ceará: Rio Verde de Mato Grosso, Sobral

Maranhão: São Luís, Imperatriz

Pernambuco: Recife, Olinda, Paulista

Rio Grande do Norte: Natal, Açu

Sergipe: São Cristóvão

Amazonas: Manaus

Pará: Belém, Castanhal

Roraima: Boa Vista

Tocantins: Palmas

PORTUGAL

Algés, Arcos, Braga, Cascais, Cinfães, Entroncamento, Fontanelas, Lamego, Leiria, Lisboa, Mirandela, Porto, Vila Franca de Xira, Viseu

ARGENTINA

Buenos Aires, Lanús, San Nicolás, Santa Fe

ESPANHA

Alhama de Murcia, Las Rozas

ESTADOS UNIDOS

Claremont, Mountain View (Califórnia), Tampa (Flórida)

FRANÇA

Aix-en-Provence, Aubagne, Marseille, Salon-de-Provence

HOLANDA

Amsterdam

POLÔNIA

Lublin

REINO UNIDO

Basingstoke

JAPÃO

Amagasaki

Dados estatísticos do Papa em 2008

Dois milhões e duzentos e quinze mil (2.215.000) féis e peregrinos participaram das atividades públicas do Santo Padre em 2008, seja no Vaticano ou em Castel Gandolfo, conforme noticiou hoje o Boletim diário da Sala de Imprensa da Santa Sé.

Estão excluídas as viagens internacionais aos Estados Unidos, à Austrália e à França, bem como as viagens domésticas a Gênova, Brindisi, Cagliari e Pompéia. Impossível ainda calcular o número de pessoas que acompanharam o Sucessor de Pedro pelos diversos meios de comunicação.

Durante muito tempo o exercício do múnus petrino era dificultado pelo número imenso de fiéis dispersos pelo mundo inteiro, com os quais o Papa não tinha qualquer contato direto. O Papa era eleito, governava e morria sem que seu rebanho pudesse vir a tomar algum conhecimento; menos ainda se podia ouvir sua voz segura e inspirada, ou seja, a riqueza de seu magistério. As dificuldades atingiam também os Bispos e sacerdotes em muitas regiões, em especial fora das cidades.

A situação mudou radicalmente. Hoje, além do pastoreio próprio do Bispo Diocesano, o Papa pode mais diretamente falar a suas ovelhas e a seus cordeiros, apascentando-os como prometeu a Nosso Senhor Jesus Cristo. Também a internet contribui para que os textos, mais que as imagens fugazes, estejam disponíveis em tempo real, libertando os católicos da mediação, muitas vezes mal intencionada, de certos canais de comunicação.

Em 2009, OBLATVS se empenhará em ser um canal aberto para a Palavra do Pontífice, mais do que pôde fazer neste primeiro semestre de existência.

Um annum novum  faustum para todos!

Viva o Papa!

Presidente do Irã envia mensagem de Natal ao Papa

Mensagem de Natal enviada pelo Presidente do Irã ao Papa e cristãos do mundo:

“Em nome de Deus, o Compassivo e Misericordioso, eu congratulo Vossa Excelência e os seguidores do profeta pelo aniversário de Jesus Cristo, mensageiro de bondade, paz e amizade, como também pelo novo ano gregoriano.

Hoje a humanidade está cansada de guerra, derramamento de sangue, tensão, discriminação e decepção. Desafios e incidentes atuais distanciaram a humanidade de suas origens e a aprisionaram numa enganosa miragem, que não poderá ser resolvida exceto pelo retorno a Deus e pela atenção aos divinos ensinamentos dos profetas.

Desejo que o ser humano seja abençoado pelas graças de Deus e um mundo cheio de belezas seja estabelecido.

Estas significativas questões não serão possíveis sem que haja unidade entre os monoteístas e a pavimentação dos caminhos para a vinda do Imam Mahdi (Queira Deus apressar sua vinda).

Desejo bênçãos, felicidade e saúde para o Papa e os cristãos do mundo”.

Mahmoud Ahmadinejad


Surpreendeu-me a mensagem acima. Não me recordo de algo semelhante ter ocorrido nos anos passados. A notícia, entretanto, é original e pode ser lida no jornal iraniano Tehran Times.

Salta aos olhos a destacada importância do Papa Bento XVI no cenário internacional, que não passou despercebida ao problemático presidente muçulmano xiita do Irã. Ele reconhece que o Papa é o verdadeiro e único líder dos cristãos, o que muitos líderes ocidentais são incapazes de enxergar ou se recusam obstinadamente a admitir.

Os votos gentis do Presidente iraniano ao Papa não ganharam as manchetes dos jornais, como foram estampadas as reações violentas a seu discurso em Regensburg. E esta não é a única iniciativa de aproximação dos líderes muçulmanos, desde aquela brilhante Aula Magna do Papa professor.

O conteúdo da mensagem não é surpreendente. Jesus é apresentado como mero profeta, faz-se uma sutil referência à crença muçulmana de seu retorno no fim dos tempos, precedida pelo aparecimento do Imam Mahdi e, ainda, um convite à união entre os monoteístas.

O presidente não especifica as religiões monoteístas, mas obviamente inclui o Judaísmo. Como Ahmadinejad é inimigo declarado do Estado de Israel é difícil conceber algum tipo de relação sua com líderes judeus. E a união a que se refere não é certamente uma união de tipo pan-religioso, uma sopa de letrinhas da Bíblia e do Corão, mas um enfrentamento conjunto de certos perigos que rondam a humanidade.

Enquanto isso, do outro lado do muro, no próspero Estado de Israel os sinais de má vontade para com os cristãos, sejam palestinos ou não, sacerdotes ou leigos, cresce a cada dia.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Rara entrevista de Mons. Marini



Assim o acompanharam centena de milhões de pessoas de toda parte do mundo. Uma escolha ditada pela sobriedade e essencialidade? Não, simplesmente uma busca de ordem, de limpeza, também nos paramentos, na era da globalização midiática. Bento XVI observa também estes particulares, atento para não causar confusões, sobretudo para não diluir o mistério ou as celebrações dos sacramentos no processador das imagens. Mas é sobre a liturgia que a atenção do Papa se detém particularmente. Bastava seguir, apenas poucas horas antes, o rito solene da missa da noite de Natal para se dar conta. A “Kalenda”, ao término da vigília e antes da liturgia; os longos silêncios; a genuflexão dos fiéis que recebiam a comunhão; o crucifixo no centro do altar e os castiçais, belos mas talvez obstáculos para a transmissão televisiva, a homenagem floral das crianças depositada ao término da missa.

E as modificações não acabam aqui. Nesta virada sutil tem a seu lado um monsenhor jovem (43 anos) e “sutil” como Guido Marini, laureado em direito canônico. Há quatorze meses é o mestre das celebrações litúrgicas pontifícias. Substituiu o bispo Piero Marini, que esteve durante anos ao lado de João Paulo II. Sacerdote genovês modesto, um pouco tímido, mas com as idéias claras e distintas. Um homem piedoso, doce e com um sorriso cativante que o torna imediatamente simpático. Esta é uma de suas primeiras, raras, entrevistas.

Mons. Guido Marini, quem foram os seus mestres?

“Quando ingressei no seminário era arcebispo o Cardeal Giuseppe Siri. Fui ordenado sacerdote pelo Cardeal Canestri. Sete anos como secretário de Canestri e sete com o Cardeal Dionigi Tettamanzi. O Cardeal Tarcísio Bertone me nomeou responsável pelo ofício das escolas da arquidiocese, diretor espiritual no seminário onde ensinava direito canônico. Depois chanceler da cúria e prefeito responsável pela catedral. Com o Cardeal Tettamanzi dei os primeiros passos como cerimoniário”.

“Liturgia, cume da vida da Igreja, tempo e lugar da relação profunda com Deus”, como diz Bento XVI. De onde lhe veio este amor pela liturgia?

“Foi um amor juvenil no sentido que minha vocação tem as suas raízes na liturgia; o amor pelo Senhor foi também um amor pela liturgia como lugar do encontro com o Senhor. Em Gênova sempre houve um importante movimento litúrgico”.

Suponho que tenha sido o Cardeal Tarcisio Bertone, tornado Secretário de Estado da Santa Sé, que propôs o seu nome a Bento XVI.

“Sim, a proposta me chegou através do Cardeal Bertone. ‘O Papa – me disse – está pensando no teu nome’”.

Com o Papa bávaro, estamos assistindo a uma operação de mudança do estilo litúrgico ou a alguma coisa mais profunda?

“É alguma coisa de mais profundo na linha da continuidade, não da ruptura. Há um desenvolvimento no respeito à tradição”.

Desde sua chegada as mudanças ou correções começaram. Algumas imperceptíveis, outras mais vistosas.

“A mudança é diversificada. Uma foi a colocação do crucifixo no centro do altar para indicar que o celebrante e a assembléia dos fiéis não se olham mutuamente, mas juntos olham para o Senhor que é o centro da sua oração. Outro aspecto é a comunhão dada aos fiéis de joelhos pelo Santo Padre e distribuída na boca. Isto para evidenciar a dimensão do mistério, a presença viva de Jesus na Santíssima Eucaristia. Também a atitude e a postura são importantes porque favorecem a adoração e a devoção dos fiéis”.

O Papa Bento é o primeiro Papa que não tem a tiara no seu escudo. Mudou o pálio do início de seu ministério apostólico e abandonou o característico báculo, do artista Scorzelli, dada pelos milaneses a Paulo VI. Aquele báculo em forma de cruz foi usado também pelo Papa Luciani e por João Paulo II. O Papa Ratzinger escolheu uma férula. Uma simples cruz.

“Como o snhor disse, o báculo papal é a férula, a cruz sem o crucifixo, dando a esta um uso mais costumeiro e habitual, e não apenas extraordinário. Ao lado de tais considerações se impôs uma questão prática: um báculo o mais rapidamente, e o encontrámos na sacristia papal”.

Já acenámos para a introdução do silêncio na missa. Em Roma, no centro da cristandade, as liturgias aparecem na sua esplêndida solenidade. E a língua de Cícero, o latim, supera todas. Depois se pensa em antecipar o sinal de paz e numa saudação final diferente por parte do celebrante. A intenção é recuperar plenamente o caráter não arbitrário do culto. A criatividade e espontaneidade como uma ameaça.

“Não serei tão drástico e nem mesmo me agrada a expressão, usada por alguns, ‘saneamento litúrgico’. É um desenvolvimento que valoriza ulteriormente aquilo que fez egregiamente e por tantos anos, como mestre das celebrações litúrgicas pontifícias, o meu predecessor, o bispo Piero Marini. As questões que o senhor destaca acerca do deslocamento do sinal de paz ou outras não competem ao meu ofício mas sim à Congregação para o Culto Divino e ao novo prefeito, o Cardeal Antônio Cañizares. É meu dever empenhar-me para realizar de modo exemplar a unidade e a catolicidade da todos aqueles que participam das celebrações da Santa Missa papal”.

Quando veremos o Papa Bento celebrar a missa em latim segundo o rito romano extraordinário, o de São Pio V? Eu, pessoalmente, interpretei o ‘motu proprio’ como um ato de liberalidade, de abertura, não de fechamento.

“Não sei. Muitos fiéis aventam esta possibilidade. O Papa decidirá, se o julgar oportuno”.

Na “Exortação Apostólica” pós-sinodal sobre a liturgia, Joseph Ratzinger se deteve sobre muitos aspectos. Propôs até que as igrejas sejam voltadas para o oriente, para a Cidade Santa de Jerusalém. Ele, faz um ano, celebrou a missa na Capela Sistina com de costas para o povo. Quem lhe propôs?

“Eu lhe propus. A Capela Sistina é um baú de tesouros. Parecia uma violência alterar-lhe a beleza construindo um palco artificial, postiço. No rito ordinário, este modo de celebrar “de costas para o povo” é uma modalidade prevista. Porém sublinho: não dá as costas ao povo, mas sim celebrante e fiéis estão voltados para o único ponto que conta que é o crucifixo”.

“O Papa veste Cristo, não Prada” se leu no “L’Osservatore Romano”. O ‘look’ de Bento XVI impressiona e intriga. Paramentos, mitras, cruzes peitorais, cátedras sobre as quais se senta, mozetas e estolas. Estamos diante de um Papa elegante. É uma invenção jornalística?

“Simplesmente dizer ‘elegante’, na linguagem de hoje, pareceria significar um Papa que ama aspectos exteriores, mundanos. Um olhar atento adverte que há uma busca que concilia tradição e modernidade. Não é a lógica de um impraticável retorno ao passado más é um reequilíbrio entre passado e presente. É a busca, se prefere, de beleza e harmonia, que são revelação do mistério de Deus”.

O que veremos nos Camarões e em Angola? As liturgias africanas são pitorescas, populares, onde existe uma totalidade que se exprime inclusive com a dança e os tambores. O senhor será posto à prova...

(Risos) “Só agora estamos preparando a viagem. Procuraremos pôr junto com as tradições locais aquilo que vale para todas. Com sua simples presença o Papa manifesta a Igreja, uma, santa, católica. Acharemos a síntese entre aquilo que une a Igreja, no rito romano, e os aspectos típicos e sensibilidades culturais. Inculturação da fé e da liturgia e dimensões universais”.

A liturgia é um sedimento, um patrimônio milenar. O missal é entrecortado de citações da Bíblia aos Padres da Igreja do Oriente e do Ocidente. Salmos responsoriais, orações ou coletas, o sacramentário que é a parte central da missa. É um patrimônio intocável. Cada vez que há uma celebração o senhor consulta o Papa? Que tipo de comunicação há?

“Muito simples. O Papa é consultado nas coisas relevantes e antes de uma celebração tem todos os textos. Ordinariamente, lhe enviamos notas escritas e ele responde por escrito, de seu punho”.

O senhor está fazendo uma experiência forte e extraordinária. Episódios que lhe tocaram?

“Sim,é uma experiência forte. Tocou-me a viagem do Papa aos Estados Unidos. Sendo minha primeira viagem internacional com o Santo Padre, havia um sabor de novidade. Uma viagem emocionante pelo afeto e o calor, pelo clima espiritual. E me tocou a entrega do pálio, em junho, aos metropolitas. Um metropolita dirigiu-se assim ao Papa, de joelhos: ‘Padre Santo, venho de uma diocese em que o meu predecessor sofreu o martírio pela fé. Reza por mim para que também eu possa ser um mártir’. Compreendi ainda mais o que significa ser Igreja”.

Há grande sintonia, feeling, entre o senhor e o Papa?

“Da minha parte é absoluta.”

Como definiria o Papa Bento XVI, o senhor que tem a fortuna de estar a seu lado?

“Une a uma excepcional grandeza intelectual uma enorme simplicidade e doçura. É um traço característico de sua figura espiritual e humana. É uma realidade que verifico e toco com as mãos. O fato de estar próximo do Papa, deste Papa, é uma grande graça para o meu sacerdócio”.

 

Fonte: Il Tempo

Tradução: OBLATVS

domingo, 28 de dezembro de 2008

Domingo na Oitava do Natal

Hoje a Santa Igreja celebra o Domingo na Oitava do Natal ou da Sagrada Família. No Rito Romano, o dia 28 de dezembro é ainda a memória litúrgica do massacre dos Santos Inocentes por ordem de Herodes. São, porém, comemorados no dia 27 por algumas Igrejas Orientais Católicas e, no dia 29, pelas Igrejas Ortodoxas. Até mesmo os  anglicanos e luteranos conservam nas suas liturgias o martírio dos recém-nascidos.
Mencionado apenas no Evangelho de São Mateus (Mt 2,16-18), sua historicidade é ainda garantida pelo unânime testemunho das tradições litúrgicas ocidentais e orientais. Situa-se no contexto do Mistério do Natal e confirma as profecias veterotestamentárias. Sua conseqüência imediata foi a fuga da Sagrada Família para o Egito, onde o novo Moisés viveu cerca de dois anos.

Excelente ocasião para implorar as bênçãos divinas sobre nossas famílias, em especial por aquelas que enfrentam perigos e sofrem privações, como aconteceu à Família de Jesus. Secundemos o Papa Bento XVI em sua preocupação com as criancinhas do mundo e rezemos pelas que tombaram vítimas dos novos Herodes.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Nova Norma Ortográfica

A partir de 1º de janeiro passarei a utilizar a nova Norma Ortográfica da Língua Portuguesa. Embora a lei tenha um prazo de carência que se estende até 2012, prefiro me adaptar o quanto antes. Creio que no início confundirei as regras, para o que peço a compreensão dos leitores.

Um pequeno resumo das mudanças que atingirão cerca de 0.5 % das palavras do Português do Brasil:

1. O trema será eliminado, exceto nos nomes estrangeiros e seus derivados;

2. Paroxítonos com ditongos abertos “ei” (ideia) e “oi” (jiboia) deixam de ser acentuados. Também perdem o acento o “i” e o “u” que seguirem estes dois ditongos (feiura);

3. O hífen será abolido em palavras compostas em que o prefixo termina em vogal e a segunda palavra começa com vogal (extraescolar); se as vogais forem iguais o hífen deve ser utilizado (anti-inflamatório); se a primeira terminar em vogal e a segunda começar com “r” ou “s”, estas letras devem ser duplicadas (antissemita); se a palavra termina com “r” e a seguinte começa pela mesma letra, o hífen deve ser usado (hiper-religioso);

4. O uso do acento agudo nas formas verbais do pretérito perfeito do indicativo (amámos, cantámos) é facultativo para as distinguir das formas correspondentes do presente do indicativo. O mesmo vale para o verbo "dar" na 1ª pessoa do plural no presente do subjuntivo para distingui-lo da forma correspondente do pretérito do perfeito (dêmos - demos);

5. As vogais duplas não são acentuadas (voo, leem, deem);

6. "Pára" do verbo "parar" e "pêlo" de "pilosidade" perdem o acento;

Evanildo Bechara, membro da ABL e meu antigo mestre na UERJ, prevê ulterior aperfeiçoamento, uma vez que nenhuma reforma lingüística (só lingüística?) é perfeita.

Espero que os textos da Santa Sé (sempre traduzidos para o Português de Portugal) se conformem o quanto antes à reforma, pois assim nos livraremos daquelas irritantes consoantes assilábicas (adoptar, aflicto, etc.), com todo respeito a nossos portugueses de Portugal e do Brasil.

Clique aqui para ler o Acordo na íntegra.

Clique aqui para ler o Decreto Presidencial.

Mesquita na Noruega

ISLÃ: um minarete no Polo Norte

Em Tromso, na Noruega, será construída a primeira mesquita além do Círculo Polar Ártico. Um rico petroleiro saudita financiará a construção. Fazemos algumas considerações sobre esta notícia.

A construção de uma mesquita naquela parte do mundo não responde a uma real exigência de culto para os muçulmanos. Naquela região não são tantos e certamente uma grande mesquita se apresenta como absolutamente desproporcionada. Isto quer dizer que nesta construção há algo de inequivocamente simbólico. Um minarete no Polo Norte pode significar a realização daquilo que o Corão impõe, ou seja, a conquista do mundo inteiro pelo Islã e a transformação do mundo numa enorme mesquita (Algo que vem fazendo desde a época de Maomé). O mundo ocidental, empobrecido por uma lógica puramente econômica e materialista, não chega a entender este valor simbólico. A única cláusula que o município de Tromso solicitou é que a construção da mesquita salvaguardasse os vínculos ambientais. Muitos afirmam que esta notícia não deve alarmar exageradamente, porque o contato com a cultura do Ocidente opulento levará inevitavelmente a uma “secularização” do Islã. Até o famoso editorialista católico, Vittorio Messori, recentemente afirmou algo semelhante.

Uma tal afirmação, porém, não nos convence. Certamente o Islã não poderá realizar os seus projetos, porque a Providência o impedirá (Embora eu creia firmemente nisto, é importante recordar que a Providência permitiu que os muçulmanos tomassem a Terra Santa e os antigos países cristãos. Chegaram até a conquistar durante séculos parte da Espanha); mas isto não pode nos impedir de considerar assaz débil a esperança de sua “secularização”. E isto por um motivo muito simples: porque o Islã já é por si uma religião “secularizada”. Existem diversos argumentos para compreender que o Islã não arrisca nada ao contato com o hedonista e opulento Ocidente. O Islã, diferentemente do Cristianismo, não conhece o conceito de “vida interior”. Não afirma o valor da Graça e não fala de uma ascese como capacidade de renunciar e de dominar a si mesmo. No Islã a santidade não está em uma conformação total e integral à vontade de Deus, mas em um tipo de cumprimento legalista e formal. O “paraíso” islâmico não consiste na “posse” de Deus e na visão beatífica do próprio Deus, mas no gozo de uma série de prazeres terrenos vividos ao extremo. (É pena que o autor não tenha aprofundado sua tese de que o Islã é uma religião secularizada, tendo se limitado aos exemplos)

Até mesmo aqueles que levam mais a sério e de modo mais radical o Corão não têm preocupação em “gozar” a vida. Não é raro que os chamados Kamikazes, até o dia anterior aos atentados vão às discotecas, às mulheres e ao divertimento, convencidos que tais comportamentos não sejam de fato conflitantes com o ato de fé islâmico. Muitos terroristas vêm da classe média-alta, onde o estilo de vida é tudo, menos sóbrio. Mohammed Atta, o chefe de comando dos atentados às Torres Gêmeas, era não apenas filho de um dos advogados mais famosos do Egito, mas era ele próprio engenheiro. Viveu perfeitamente integrado na Alemanha e depois nos Estados Unidos. Usava cartões de crédito e todas as comodidades da vida ocidental. Um pequeno grande detalhe particular: alguns vizinhos seus contaram que emprestava as fitas cassete de Walt Disney para os seus filhos.

No ano passado, o “Corriere della Sera” publicou uma interessante pesquisa que dizia que a metade ou pouco mais dos jovens muçulmanos de Londres, de segunda geração (o que quer dizer perfeitamente integrados, que não cresceram ou talvez jamais estiveram nos países de origem de seus pais, com celulares, i-pod, etc...), desejam que o mais rapidamente entre em vigor no Reino Unido a “sharia”. Sabemos que os bancos islâmicos têm um sofisticado sistema para evitar o assim chamado “pecado de usura”, mas sabemos também que os ricos muçulmanos não se abstêm de lucrar com o dinheiro. Antes do atentado de 11 de setembro, Bin Laden vendeu as ações que possuía das companhias aéreas sabendo que ocorreria um colapso naquele setor. (Os exemplos são claros e nos mostram o quanto nos equivocamos ao pensar que os terroristas islâmicos são jovenzinhos pobres, revoltados e sem educação formal e que vivem nas cavernas escuras do Afeganistão ou nas montanhas inatingíveis do Paquistão)
CR n. 1073 de 27/12/2008

Tradução: OBLATVS

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O mistério do Natal na Liturgia Bizantina

O Natal na poesia litúrgica de Romano, o Melode

Adão e Eva na gruta do novo menino

de Manuel Nin

As tradições litúrgicas orientais, muito freqüentemente com formas literárias belas e ao mesmo tempo contrastantes, nos propõem a contemplação do mistério da nossa fé. Romano, o Melode, teólogo e poeta bizantino do VI século, no seu primeiro Kontákion (poema para uso litúrgico) como refrão repete as palavras “novo menino, o Deus antes dos séculos” que resumem o mistério celebrado: o Deus eterno, existente antes dos séculos, torna-se novo no menino recém-nascido. A tradição bizantina, celebrando o “nascimento segundo a carne de nosso Deus e Salvador Jesus Cristo” relaciona, seja na iconografia (arte litúrgica) como na eucologia (textos litúrgicos), a celebração do Natal àquela da Páscoa. O ícone do Natal no menino enfaixado no meio do sepulcro quer prefigurar já o sepulcro onde o Senhor, novamente enfaixado, será posto na Sexta-feira Santa para ressuscitar glorioso na aurora de Páscoa. Os textos da liturgia com imagens muito profundas e vivas nos propõem assim todo o mistério da nossa salvação.


Nas semanas que precedem o Natal, sem um verdadeiro e próprio período correspondente ao Advento das tradições latinas, a liturgia bizantina em belíssimos tropários nos fez saborear antecipadamente todo o mistério da Encarnação: a expectativa confiante e a pobreza da gruta, prefiguração da miséria da humanidade que acolhe o Verbo de Deus; e ainda, toda a série de figuras e personagens que se observam na vida litúrgica destes dias: os profetas Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Daniel e os Três Jovens (Misael, Ananias e Azarias); Belém, personificada e coligada com o Éden; Isaías que se alegra, Maria, a Mãe de Deus, apresentada como “cordeira”, isto é, como aquela que traz no seio Cristo, o Cordeiro de Deus; enfim, nos dois domingos que precedem o Natal, os Progenitores de Deus, de Adão até José, isto é, a longa série de figuras que aguardaram o Cristo e que nos recordam o fato que também nós somos parte de uma história e de uma humanidade que acolhem na vigília confiante, mas também na escuridão, na dúvida e no pecado.

No segundo Kontákion Romano, o Melode, narra a visita de Adão e Eva à gruta do recém-nascido. O canto de Maria no ouvido do menino desperta Eva do sono eterno e ela persuade Adão a dirigir-se à gruta para descobrir o que seria aquele canto. No diálogo entre Eva e Adão, já despertos do seu sono, a mulher lhe anuncia a boa notícia: “Escuta-me, sou a tua esposa: eu, que fui a primeira a provocar a queda dos mortais, hoje me reergo. Considera os prodígios, olha o desconhecido matrimônio que cura a nossa culpa com o fruto do seu parto. A serpente uma vez me surpreendeu e se alegrou, mas ao ver agora a minha descendência fugirá arrastando-se”. O nascimento virginal de Cristo torna-se cura, salvação para o gênero humano ferido pelo pecado.

E lhe responde Adão: “Reconheço a primavera, ó mulher, e aspiro às delícias das quais decaímos então. Descubro um novo, diferente paraíso: a Virgem que traz no ventre a árvore da vida, a mesma árvore sagrada que os querubins vigiavam para nos impedir de tocá-la. Pois, olhando crescer esta intocável árvore, reconheci, ó minha esposa, o sopro vivificante que faz de mim, pó e barro imóvel, um ser animado. Agora, revigorado pelo seu perfume, desejo ir aonde cresce o fruto da nossa vida, à Cheia de graça”. O despertar de Adão é uma prefiguração, enquanto é situado na primavera, isto é, no contexto pascal quando será definitivamente reconduzido ao paraíso. E este é também transformado, renovado: “Descubro um novo, diferente paraíso”, que outro não é senão o ventre da Virgem que traz a nova árvore da vida.

“Estou transbordando do amor que sinto pelo homem” responde o Criador. “Eu, ó minha serva e mãe, não te entristecerei. Far-te-ei conhecer tudo aquilo que estou para fazer e terei respeito pela tua alma, ó Maria. O menino que agora trazes entre os braços, o verás dentro de pouco tempo com as mãos encravadas, porque ama a tua estirpe. Aquele que tu nutres, outros haverão de dar fel; aquele que tu chamas vida, deverás ver suspenso na cruz, e chorarás sua morte. Mas tu me apertarás em um abraço tão logo eu ressuscitar, ó Cheia de graça. Tudo isto suportarei livremente, e a causa de tudo isto é o amor que sempre senti e sinto pelos homens, amor de um Deus que não deseja outra coisa senão poder salvar”. Ao ouvir estas palavras Maria grita: “Ó meu ramo, que os ímpios não te aniquilem! Quando estiveres crescido, ó meu Filho, que eu não te veja imolado!” Mas ele responde: “Não chores, Mãe, aprende aquilo que não sabes: se tudo isto não se realizar, todos aqueles, a favor dos quais me imploras, perecerão, ó Cheia de graça”.

Um Deus que “não deseja outra coisa senão poder salvar”. Esta é a realidade, a única realidade que celebramos nestes dias na nossa fé cristã: o amor de Deus pelos homens manifestando-se plenamente em Jesus Cristo. E vivamos esta realidade em toda a nossa vida como cristãos. Como cristãos ao partilhar – e talvez também em pôr em contraste nossa fé – com um mundo marcado fortemente pelo individualismo, pelo esquecimento do outro, pela ignorância dos outros; uma fé que deverá anunciar um deus que é dom gratuito, que perdoa, que ama, e porque ama se sacrifica pelos outros e não deseja outra coisa senão poder salvar. Ele “novo menino, o Deus antes dos séculos”.


Fonte: L'Osservatore Romano de 25 de dezembro de 2008

Tradução: Oblavs

Leitura compementar: Catequese do Papa Bento XVI sobre Romano, o Melode

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Fotos da Missa de Natal do Papa

Vejam as fotos da Santa Missa de Natal na Basílica Papal de São Pedro, no Vaticano.

Aqui no site do The New Liturgical Movement.

Augurio Natalizio do Santo Padre

Na tradicional Bênção Urbi et Orbi de Natal, o Santo Padre envia para a Cidade e o mundo sua saudação de Natal em 64 línguas.

Em Português (a sexta da lista):

Feliz Natal para todos, e que a Luz de Cristo Salvador ilumine os vossos corações de paz e de esperança!


Nas outras línguas:

Site do Vaticano

Urbi et Orbi - Natal de 2008

«Apparuit gratia Dei Salvatoris nostri omnibus hominibus» (Tt 2, 11).

Amados irmãos e irmãs, com as palavras do apóstolo Paulo renovo o jubiloso anúncio do Natal de Cristo: sim, hoje, «manifestou-se a todos os homens a graça de Deus, nosso Salvador»!

Manifestou-se! Isto é o que a Igreja hoje celebra. A graça de Deus, rica em bondade e ternura, já não está escondida, mas «manifestou-se», manifestou-se na carne, mostrou o seu rosto. Onde? Em Belém. Quando? Sob César Augusto, durante o primeiro recenseamento a que alude também o evangelista Lucas. E quem é o revelador? Um recém-nascido, o Filho da Virgem Maria. N’Ele manifestou-se a graça de Deus, Salvador nosso. Por isso, aquele Menino chama-Se Jehoshua, Jesus, que significa «Deus salva».

A graça de Deus manifestou-se: eis o motivo por que o Natal é festa de luz. Não uma luz total, como aquela que envolve todas as coisas em pleno dia, mas um clarão que se acende na noite e se difunde a partir de um ponto concreto do universo: da gruta de Belém, onde o Deus Menino «veio à luz». Na realidade, é Ele a própria luz que se propaga, como aparece bem representado em muitos quadros da Natividade. Ele é a luz, que, ao manifestar-se, rompe a bruma, dissipa as trevas e nos permite compreender o sentido e o valor da nossa existência e da história. Cada presépio é um convite simples e eloquente a abrir o coração e a mente ao mistério da vida. É um encontro com a Vida imortal, que Se fez mortal na mística cena do Natal; uma cena que podemos admirar também aqui, nesta Praça, tal como em inumeráveis igrejas e capelas do mundo inteiro e em toda a casa onde é adorado o nome de Jesus.

A graça de Deus manifestou-se a todos os homens. Sim, Jesus, o rosto do próprio Deus-que-salva, não Se manifestou somente para poucos, para alguns, mas para todos. É verdade que, no casebre humilde e pobre de Belém, poucas pessoas O encontraram, mas Ele veio para todos: judeus e pagãos, ricos e pobres, de perto e de longe, crentes e não crentes… todos. A graça sobrenatural, por vontade de Deus, destina-se a toda a criatura. Mas é preciso que o ser humano a acolha, pronuncie o seu «sim», como Maria, para o coração seja iluminado por um raio daquela luz divina. Os que acolheram o Verbo encarnado, naquela noite, foram Maria e José, que O esperavam com amor, e os pastores, que vigiavam durante a noite (cf. Lc 2, 1-20). Foi, portanto, uma pequena comunidade que acorreu a adorar Jesus Menino; uma pequena comunidade que representa a Igreja e todos os homens de boa vontade. Também hoje, aqueles que na vida O esperam e procuram, encontram Deus que por amor Se fez nosso irmão; quantos têm o coração voltado para Ele, desejam conhecer o seu rosto e contribuir para instaurar o seu reino. Di-lo-á o próprio Jesus na sua pregação: são os pobres em espírito, os aflitos, os mansos, os famintos de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os obreiros da paz, os perseguidos por causa da justiça (cf. Mt 5, 3-10). Estes reconhecem em Jesus o rosto de Deus e regressam, como os pastores de Belém, renovados no coração pela alegria do seu amor.

Irmãos e irmãs que me escutais, a todos os homens se destina o anúncio de esperança que constitui o coração da mensagem de Natal. Para todos nasceu Jesus e, como em Belém Maria O ofereceu aos pastores, neste dia a Igreja apresenta-O à humanidade inteira, para que toda a pessoa e cada situação humana possa experimentar a força da graça salvadora de Deus, a única que pode transformar o mal em bem, a única que pode mudar o coração do homem e torná-lo um «oásis» de paz.

Possam experimentar a força da graça salvadora de Deus as numerosas populações que vivem ainda nas trevas e nas sombras da morte (cf. Lc 1, 79). Que a Luz divina de Belém se difunde pela Terra Santa, onde o horizonte parece tornar-se a fazer escuro para os israelitas e os palestinianos, difunda-se pelo Líbano, o Iraque e todo o Médio Oriente. Torne fecundos os esforços de quantos não se resignam com a lógica perversa do conflito e da violência e privilegiam pelo contrário o caminho do diálogo e das negociações para se harmonizar as tensões internas nos diversos Países e encontras soluções justas e duradouras para os conflitos que atormentam a região. Por esta Luz que transforma e renova, anelam os habitantes do Zimbábue, em África, oprimidos há demasiado tempo por uma crise política e social que, infelizmente, continua a agravar-se, coma também os homens e as mulheres da República Democrática do Congo, especialmente na martirizada região do Kivu, do Darfour, no Sudão, e da Somália, cujos infindáveis sofrimentos são uma trágica consequência da falta de estabilidade e de paz. Por esta Luz esperam sobretudo as crianças dos países referidos e de todo os outros em dificuldade, a fim de que seja devolvida a esperança ao seu futuro.

Onde a dignidade e os direitos da pessoa humana são espezinhados; onde os egoísmos pessoais ou de grupo prevalecem sobre o bem comum; onde se corre o risco de habituar-se ao ódio fratricida a à exploração do homem pelo homem; onde lutas internas dividem grupos e etnias e dilaceram a convivência; onde o terrorismo continua a percutir; onde falta o necessário para sobreviver; onde se olha com apreensão para um futuro que se vai tornando cada vez mais incerto, mesmo nas Nações do bem-estar: lá resplandeça a Luz do Natal e encoraje todos a fazerem a própria parte, com espírito de autêntica solidariedade. Se cada um pensar só nos próprios interesses, o mundo não poderá senão caminhar para a ruína.

Amados irmãos e irmãs, hoje «manifestou-se a graça de Deus Salvador» (cf. Tt 2, 11), neste nosso mundo, com as suas potencialidades e as suas debilidades, os seus progressos e as suas crises, com as suas esperanças e as suas angústias. Hoje refulge a luz de Jesus Cristo, Filho do Altíssimo e filho da Virgem Maria: «Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro. Por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos Céus». Adoramo-Lo hoje, em cada ângulo da terra, envolvido em faixas e reclinado numa pobre manjedoura. Adoramo-Lo em silêncio enquanto Ele, ainda infante, parece dizer-nos para nossa consolação: não tenhais medo, «Eu sou Deus e não há outro» (Is 45, 22). Vinde a Mim, homens e mulheres, povos e nações. Vinde a Mim, não temais! Vim trazer-vos o amor do Pai, mostrar-vos o caminho da paz.

Vamos, pois, irmãos! Apressemo-nos, como os pastores na noite de Belém. Deus veio ao nosso encontro e mostrou-nos o seu rosto, rico em misericórdia! A sua graça não seja vã para nós! Procuremos Jesus, deixemo-nos atrair pela sua luz, que dissipa a tristeza e o medo do coração do homem; aproximemo-nos com confiança; com humildade, prostremo-nos para O adorar. Feliz Natal para todos!
Fonte: Vaticano

Homilia do Papa na Missa do Natal

Natal de 2008
«Quem se compara ao Senhor, nosso Deus, que tem o seu trono nas alturas e Se inclina lá do alto a olhar os céus e a terra?» Assim canta Israel num dos seus Salmos (113/112, 5s.), onde exalta simultaneamente a grandeza de Deus e sua benigna proximidade dos homens. Deus habita nas alturas, mas inclina-Se para baixo… Deus é imensamente grande e está incomparavelmente acima de nós. Esta é a primeira experiência do homem. A distância parece infinita. O Criador do universo, Aquele que tudo guia, está muito longe de nós: assim parece ao início. Mas depois vem a experiência surpreendente: Aquele que não é comparável a ninguém, que «está sentado nas alturas», Ele olha para baixo. Inclina-se para baixo. Ele vê-nos a nós, e vê-me a mim. Este olhar de Deus para baixo é mais do que um olhar lá das alturas. O olhar de Deus é um agir. O facto de Ele me ver, me olhar, transforma-me a mim e o mundo ao meu redor. Por isso logo a seguir diz o Salmo: «Levanta o pobre da miséria…» Com o seu olhar para baixo, Ele levanta-me, toma-me benignamente pela mão e ajuda-me, a mim próprio, a subir de baixo para as alturas. «Deus inclina-Se». Esta é uma palavra profética; e, na noite de Belém, adquiriu um significado completamente novo. O inclinar-Se de Deus assumiu um realismo inaudito, antes inimaginável. Ele inclina-Se: desce, Ele mesmo, como criança na miséria do curral, símbolo de toda a necessidade e estado de abandono dos homens. Deus desce realmente. Torna-Se criança, colocando-Se na condição de dependência total, própria de um ser humano recém-nascido. O Criador que tudo sustenta nas suas mãos, de Quem todos nós dependemos, faz-Se pequeno e necessitado do amor humano. Deus está no curral. No Antigo Testamento, o templo era considerado quase como o estrado dos pés de Deus; a arca santa, como o lugar onde Ele estava misteriosamente presente no meio dos homens. Deste modo sabia-se que sobre o templo, escondida, estava a nuvem da glória de Deus. Agora, está sobre o curral. Deus está na nuvem da miséria de uma criança sem lugar na hospedaria: que nuvem impenetrável e, no entanto, nuvem da glória! De facto, de que modo poderia aparecer maior e mais pura a sua predilecção pelo homem, a sua solicitude por ele? A nuvem do encobrimento, da pobreza da criança totalmente necessitada do amor, é ao mesmo tempo a nuvem da glória. É que nada pode ser mais sublime e maior do que o amor que assim se inclina, desce, se torna dependente. A glória do verdadeiro Deus torna-se visível quando se abrem os nossos olhos do coração diante do curral de Belém.A narração do Natal feita por São Lucas, que acabámos de ouvir no texto evangélico, conta-nos que Deus levantou um pouco o véu do seu encobrimento primeiro diante de pessoas de condição muito humilde, diante de pessoas que habitualmente eram desprezadas na grande sociedade: diante dos pastores que, nos campos ao redor de Belém, guardavam os animais. Lucas diz-nos que estas pessoas «velavam». Nisto podemos ouvir ressoar um motivo central da mensagem de Jesus, na qual volta, repetidamente e com crescente urgência até ao Jardim das Oliveiras, o convite à vigilância, a permanecer acordados para nos darmos conta da vinda do Senhor e estarmos preparados para ela. Por isso, também aqui talvez a palavra signifique algo mais do que o simples estar externamente acordados durante as horas nocturnas. Eram pessoas verdadeiramente vigilantes, nas quais estava vivo o sentido de Deus e da sua proximidade; pessoas que estavam à espera de Deus e não se resignavam com o aparente afastamento d’Ele na vida de cada dia. A um coração vigilante pode ser dirigida a mensagem da grande alegria: esta noite nasceu para vós o Salvador. Só o coração vigilante é capaz de crer na mensagem. Só o coração vigilante pode incutir a coragem de pôr-se a caminho para encontrar Deus nas condições de uma criança no curral. Peçamos ao Senhor para que nos ajude, a nós também, a tornarmo-nos pessoas vigilantes.São Lucas narra-nos ainda que os próprios pastores ficaram «envolvidos» pela glória de Deus, pela nuvem de luz, encontravam-se dentro do resplendor desta glória. Envolvidos pela nuvem santa ouvem o cântico de louvor dos anjos: «Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens por Ele amados». E quem são estes homens por Ele amados senão os pequenos, os vigilantes, aqueles que estão à espera, esperam na bondade de Deus e procuram-No olhando para Ele de longe?
Nos Padres da Igreja, é possível encontrar um comentário surpreendente ao cântico com que os anjos saúdam o Redentor. Até àquele momento – dizem os Padres – os anjos tinham conhecido Deus na grandeza do universo, na lógica e na beleza do cosmos que provêm d’Ele e O reflectem. Tinham acolhido por assim dizer o cântico de louvor mudo da criação e tinham-no transformado em música do céu. Mas agora acontecera um facto novo, até mesmo assombroso para eles. Aquele de quem fala o universo, o próprio Deus que tudo sustenta e traz na sua mão, Ele mesmo entrara na história dos homens, tornara-Se um que age e sofre na história. Do jubiloso assombro suscitado por este facto inconcebível, por esta segunda e nova maneira em que Deus Se manifestara – dizem os Padres – nasceu um cântico novo, tendo o Evangelho de Natal conservado uma estrofe para nós: «Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens». Talvez se possa dizer, segundo a estrutura da poesia hebraica, que este versículo nas suas duas frases diz fundamentalmente a mesma coisa, mas duma perspectiva diversa. A glória de Deus está no alto dos céus, mas esta sublimidade de Deus encontra-se agora no curral, aquilo que era humilde tornou-se sublime. A sua glória está sobre a terra, é a glória da humildade e do amor. Mais ainda: a glória de Deus é a paz. Onde está Ele, lá está a paz. Ele está lá onde os homens não querem fazer, de modo autónomo, da terra o paraíso, servindo-se para tal fim da violência. Ele está com as pessoas de coração vigilante; com os humildes e com aqueles que correspondem à sua elevação, à elevação da humildade e do amor. A estes dá a sua paz, para que, por meio deles, entre a paz neste mundo.O teólogo medieval Guilherme de S. Thierry disse uma vez: Deus viu, a partir de Adão, que a sua grandeza suscitava no homem resistência; que o homem se sente limitado no ser ele próprio e ameaçado na sua liberdade. Portanto Deus escolheu um caminho novo. Tornou-Se um Menino. Tornou-Se dependente e frágil, necessitado do nosso amor. Agora – diz-nos aquele Deus que Se fez Menino – já não podeis ter medo de Mim, agora podeis apenas amar-Me.
É com tais pensamentos que, esta noite, nos aproximamos do Menino de Belém, daquele Deus que por nós quis fazer-Se criança. Em cada criança, há o revérbero do Menino de Belém. Cada criança pede o nosso amor. Pensemos, pois, nesta noite de modo particular também naquelas crianças às quais é recusado o amor dos pais; nos meninos da rua que não têm o dom de um lar doméstico; nas crianças que são brutalmente usadas como soldados e feitas instrumentos da violência, em vez de poderem ser portadores da reconciliação e da paz; nas crianças que, através da indústria da pornografia e de todas as outras formas abomináveis de abuso, são feridas até ao fundo da sua alma. O Menino de Belém é um renovado apelo que nos é dirigido para fazermos tudo o que for possível a fim de que acabe a tribulação destas crianças; para fazermos tudo o que for possível a fim de que a luz de Belém toque os corações dos homens. Somente através da conversão dos corações, somente através de uma mudança no íntimo do homem se pode superar a causa de todo este mal, pode ser vencido o poder do maligno. Somente se mudarem os homens é que muda o mundo e, para os homens mudarem, precisam da luz que vem de Deus, daquela luz que de modo tão inesperado entrou na nossa noite.
E falando do Menino de Belém, pensemos também na localidade que responde ao nome de Belém; pensemos naquela terra onde Jesus viveu e que Ele amou profundamente. E peçamos para que lá se crie a paz. Que cessem o ódio e a violência. Que desperte a compreensão recíproca, se realize uma abertura dos corações que abra as fronteiras. Que desça a paz que os anjos cantaram naquela noite.No Salmo 96/95, Israel e, com ele, a Igreja louvam a grandeza de Deus que se manifesta na criação. Todas as criatura são chamadas a aderir a este cântico de louvor, encontrando-se lá também este convite: «Alegrem-se as árvores da floresta, diante do Senhor que vem» (12s.). A Igreja lê este Salmo também como um profecia e simultaneamente uma missão. A vinda de Deus a Belém foi silenciosa. Somente os pastores que velavam foram por uns momentos envolvidos no esplendor luminoso da sua chegada e puderam ouvir uma parte daquele cântico novo que brotara da maravilha e da alegria dos anjos pela vinda de Deus. Esta vinda silenciosa da glória de Deus continua através dos séculos. Onde há fé, onde a sua palavra é anunciada e escutada, Deus reúne os homens e dá-Se-lhes no seu Corpo, transforma-os no seu Corpo. Ele «vem». E assim desperta o coração dos homens. O cântico novo dos anjos torna-se cântico dos homens que, ao longo de todos os séculos, de forma sempre nova cantam a vinda de Deus como Menino e, a partir do seu íntimo, tornam-se felizes. E as árvores da floresta vão até Ele e exultam. A árvore na Praça de São Pedro fala d’Ele, quer transmitir o seu esplendor e dizer: Sim, Ele veio e as árvores da floresta aclamam-No. As árvores nas cidades e nas casas deveriam ser algo mais do que um costume natalício: indicam Aquele que é a razão da nossa alegria – o próprio Deus que por nós Se fez menino. O cântico de louvor, no mais fundo, fala enfim d’Aquele que é a própria árvore da vida reencontrada. Pela fé n’Ele, recebemos a vida. No sacramento da Eucaristia, dá-Se a nós: dá uma vida que chega até à eternidade. Nesta hora, juntamo-nos ao cântico de louvor da criação e o nosso louvor é ao mesmo tempo uma oração: Sim, Senhor, fazei-nos ver algo do esplendor da vossa glória. E dai a paz à terra. Tornai-nos homens e mulheres da vossa paz. Amém.

"Ainda que muito belo, é verdadeiro"

Natal de 2008

Belíssima página de Marina Corradi no Avvenire.

Um Papa não moralista. É este o escândalo?

Há um trecho, na catequese de Advento de Bento XVI da semana passada, que nos maravilhou. O Papa inicia recordando que o coração do Natal é o anúncio de João, “Verbum caro factum est”, o Verbo se fez carne. E traduz aquele “Verbum” como “Sentido”, “Sentido eterno” – sentido, pois, do viver. O sentido que se encarnou em um menino em Belém é, diz Bento XVI, “Palavra dirigida a nós”. Não é uma lei, mas “uma Pessoa que se interessa por cada pessoa”. Portanto, pela vida de todo homem. Mas a frase que neste ponto nos tocou vem logo depois desta enunciação de doutrina cristã. Disse o Papa: “Para muitos homens, e de alguma maneira para nós todos, isto parece muito belo para ser verdadeiro”.
Muito belo para ser verdadeiro. A extraordinária promessa do Natal, esquecida por tantos e sepultada no costume; a resplendente realização da profecia – “um Filho nos foi dado”; o advento de um Deus que nasce homem e expulsa as trevas, “muito belo para ser verdadeiro”. Nesta frase se revela um Papa que não ignora nada do pobre dia-a-dia dos cristãos; da dificuldade de acreditar verdadeiramente naquele que nos foi prometido, enquanto todo o mundo em torno repete num eco infinito que a nossa esperança é absurda e irracional, e tão distante no tempo: mito, lenda de séculos remotos. Um Deus que não é lei, mas pessoa, um Deus nascido da mulher que, mesmo que sejamos indiferentes ou maus, ainda nos ama: quantos de nós, cristãos corroídos por uma modernidade que sorri desta nossa fé, não dizemos para nós mesmos que a promessa é “muito bela para ser verdadeira”?
Em tempo Bento XVI, com a autoridade do sucessor de Pedro, rebate esta dúvida radical: “Sim, existe um sentido, e o sentido não é um protesto impotente contra o absurdo”.
Responde com a soberana tranqüilidade de um homem de fé temperada e segura. Mas, além do mais, esta esperança – tão sólida que parece palpável – comove, antes, o ser do Papa, em meio dos cristãos distraídos, vacilantes ou solitários. Como compreendendo a silenciosa fadiga, como caminhando em meio a nós nas estradas repletas de gente nesta vigília de Natal. Conhecendo, do homem, a necessidade que temos de ouvir dizer que aquilo que era verdadeiro há dois mil anos, é verdadeiro hoje. “Deus fala sempre ao presente”, disse Bento XVI outro dia à Cúria romana. Deus fala sempre ao presente, mas como nos é oportuno um rosto que testemunhe a sua palavra, para que seja verdadeira agora.
Nos jornais, a imagem deste Papa é desde muito tempo pintada como autoritária, vinculada ao “não”, dogmática, cerceadora da liberdade dos cristãos. Noutro dia um editorial de Repubblica sobre o tema da “estatolatria” denunciada pela Igreja espanhola sugeria que, na realidade, a Igreja esconde uma pretensão igual e contrária, de um “Estado cristão”, isto é, confessional, isto é, não livre. A acusação laicista à Igreja, e a quem a conduz, é sempre esta: de querer coagir as consciências, de não admitir a liberdade do homem.
Mas se, ao invés das manchetes dos jornais, se lê aquilo que autenticamente o Papa diz – coisa muito aconselhável para evitar “interpolações” – se descobre uma identificação profunda com os cristãos comuns; e uma ânsia de despertar a fé na mais total liberdade.
Não com um moralismo de um Deus reduzido a uma lei, mas com a beleza apaixonante de um Deus que é Sentido e Pessoa.

“Encarnou-se livremente para nos tornar verdadeiramente livres”, repetiu o Papa no Advento, para quem desejava escutá-lo.
Prometendo que, ainda que seja “muito belo”, é verdadeiro.
Fonte: Blog da Raffaela
Tradução: Oblatvs
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...