
OBLATVS
" Oblatus est, quia ipse voluit, et peccata nostra ipse portavit! "
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Um pouco de história das religiões

segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Interpretação autorizada da CA "Anglicanorum coetibus" do Padre Ghirlanda
O SIGNIFICADO DA CONSTITUIÇÃO APOSTÓLICA ANGLICANORUM COETIBUS
Padre Gianfranco Ghirlanda, S.J. – Reitor da Pontifícia Universidade Gregoriana
A Constituição Apostólica Anglicanorum coetibus (= AC) de 4 de novembro de 2009, oferece uma normatização essencial que regula a instituição e a vida dos Ordinariatos Pessoais para aqueles fiéis anglicanos que desejam entrar corporativa ou singularmente na plena comunhão com a Igreja católica. Com ela, como vem expresso no Proêmio, o Santo Padre Bento XVI, como Pastor Supremo de toda a Igreja e sustentáculo, por mandato de Cristo, da unidade do episcopado e da comunhão universal de todas as Igrejas, manifesta a sua paterna solicitude por aqueles fiéis anglicanos, leigos, clérigos e membros dos Institutos de Vida Consagrada e de Sociedades de Vida Apostólica, que têm pedido repetidamente à Santa Sé para serem recebidos na plena comunhão católica.
O Proêmio nos dá a ratio legis, pondo em destaque alguns elementos que convém recordar:
- a Igreja, na sua unidade e diversidade, tem como modelo a Santíssima Trindade, e foi instituída como “o sacramento, ou seja, o sinal e o instrumento, da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano” (Lumen gentium, 1) razão pela qual toda divisão entre os batizados é uma ferida àquilo que a Igreja é e àquilo pelo qual a Igreja existe, o que é um escândalo, porque contradiz a oração de Jesus antes de Sua paixão e morte (cf. Jo 17, 20-21);
- a comunhão eclesial, constituída pelo Espírito Santo, que é o princípio de unidade da Igreja, por analogia ao mistério do Verbo Encarnado, é ao mesmo tempo espiritual, invisível e visível, hierarquicamente organizada; logo, a comunhão entre os batizados para ser plena não pode senão manifestar-se “visivelmente nos vínculos da profissão da integridade da fé, da celebração de todos os sacramentos instituídos por Cristo e do governo do Colégio dos Bispos unidos ao próprio chefe, o Romano Pontífice”;
- Embora a única Igreja de Cristo subsista na Igreja Católica governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele, nas Igrejas e nas Comunidades cristãs separadas, fora do organismo visível da Igreja Católica, encontram-se vários elementos de santificação e de verdade que, pelo fato de serem dons próprios da Igreja de Cristo, impelem á unidade católica.
Aqueles fiéis anglicanos que pediram para entrar na plena comunhão com a Igreja Católica, sob a ação do Espírito Santo, foram impelidos à reconstituição da unidade pelos elementos próprios da Igreja de Cristo que sempre estiveram presentes na sua vida cristã pessoal e comunitária.
Por isto, a promulgação da Constituição Apostólica Anglicanorum coetibus da parte do Santo Padre e aquilo que a seguirá marcam um tempo de ação do Espírito Santo.
O meio jurídico que o Santo Padre determinou para receber na plena comunhão católica os fiéis anglicanos é a ereção de Ordinariatos Pessoais (AC I § 1).
A competência pela ereção é dada à Congregação para a Doutrina da Fé, pelo fato de esta última, ao longo de todo o itinerário que conduziu à Constituição Apostólica, teve de enfrentar questões de caráter doutrinal e questões do mesmo caráter se apresentarão também no momento da ereção de cada Ordinariato e da plena incorporação de grupos de fiéis anglicanos na plena comunhão católica, através dos Ordinariatos que serão erigidos. Todavia, para atos singulares, todo Ordinariato está sujeito não apenas à Congregação para a Doutrina da Fé, mas também aos outros Dicastérios da Cúria Romana segundo suas competências (AC II), por exemplo: para as associações de fiéis, ao Pontifício Conselho para os Leigos; para a formação dos clérigos e sua vida, à Congregação para o Clero; para as várias formas de vida consagrada, à Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, etc. Somente para aquilo que diz respeito à visita ad limina Apostolorum, à qual o Ordinário está obrigado a cada cinco anos, além da Congregação para a Doutrina da Fé, a Constituição Apostólica menciona expressamente a Congregação para os Bispos e a Congregação para a Evangelização dos Povos (AC XI).
Com a previsão de ereção de Ordinariatos Pessoais para os Anglicanos que entram na plena comunhão católica, a Constituição Apostólica Anglicanorum coetibus não chega a criar uma nova figura no ordenamento canônico vigente, mas aplica a figura do Ordinariato Pessoal, já prevista para a cura pastoral dos militares pela Constituição Apostólica Spirituali militum curae, dada por João Paulo II em 21 de abril de 1986. É evidente que sendo diversa a finalidade dos Ordinariatos Militares e a dos Ordinariatos Pessoais para os fiéis provenientes do Anglicanismo, embora haja analogias entre os dois tipos de Ordinariatos Pessoais, também existem significativas diferenças. Movemo-nos no âmbito de figuras que são criadas pela Igreja para atender a várias situações particulares da vida e necessidades dos fiéis que são excepcionais. A solicitude pastoral da Igreja e a elasticidade de seu ordenamento canônico permitem configurar circunscrições que sejam mais aptas a atender a tais necessidades para o bem espiritual dos fiéis, porque não contradizem os princípios que fundamentam a eclesiologia católica.
Como os Ordinariatos Militares não estão previstos expressamente no Código de Direito canônico, assim também não estão os Ordinariatos Pessoais para os Anglicanos que entram na plena comunhão com a Igreja Católica. Todavia, como os Ordinariatos Militares na Constituição Apostólica Spirituali militum curae são considerados circunscrições eclesiásticas peculiares são juridicamente assimiladas às dioceses (SMC I § 1), assim também os Ordinariatos Pessoais para os fiéis provenientes do Anglicanismo na Constituição Apostólica Anglicanorum coetibus são juridicamente assimilados às dioceses (AC I § 3).
Tais Ordinariatos Pessoais não podem ser considerados uma Igreja particular ritual, em quanto à tradição litúrgica, espiritual e pastoral anglicana configura-se sobretudo como uma particularidade no interior da Igreja Latina; além do que escolher a figura jurídica de uma Igreja ritual poderia criar problemas ecumênicos. Nem mesmo podem ser considerados Prelazias Pessoais, na medida em que, segundo o can. 294, as Prelazias Pessoais são formadas por presbíteros e diáconos do clero secular, enquanto os leigos, segundo o can. 296, podem simplesmente dedicar-se às obras apostólicas destas mediante convenções; os membros dos Institutos de Vida Consagrada ou de Sociedades de Vida Apostólica nos cânones relativos às Prelazias Pessoais sequer são mencionados.
Os Ordinariatos para os fiéis provenientes do Anglicanismo são, então, circunscrições pessoais, em quanto à jurisdição do Ordinário, e consequentemente dos párocos, não é circunscrita por um território no interior de uma Conferência Episcopal como uma Igreja particular territorial, mas é exercida “sobre todos aqueles que pertencem ao Ordinariato (AC V). Além do mais, no território de uma mesma Conferência Episcopal, segundo a necessidade, podem ser erigidos vários Ordinariatos Pessoais (AC I § 2).
Da leitura da Constituição Apostólica e das Normas Complementares emanadas pela Sé Apostólica se percebe claramente a intenção, com a previsão de ereção de Ordinariatos Pessoais, de atender a duas exigências: de uma parte a de “manter vivas no interior da Igreja Católica as tradições espirituais, litúrgicas e pastorais da Comunhão Anglicana, como dom precioso para alimentar a fé de seus membros e como tesouro a ser partilhado” (AC III); de outra, a de uma plena integração de grupos de fiéis ou de indivíduos, outrora pertencentes ao Anglicanismo, na vida da Igreja Católica.
O enriquecimento é recíproco: os fiéis provenientes do Anglicanismo, entrando na plena comunhão católica, recebem a riqueza da tradição espiritual, litúrgica e pastoral da Igreja Latina Romana, para integrá-la com as suas tradições, com as quais é enriquecida a própria Igreja Latina Romana. De outra parte, exatamente esta tradição anglicana, que é recebida na sua autenticidade na Igreja latina Romana, no Anglicanismo constituiu um daqueles dons da Igreja de Cristo que impeliram à unidade católica.
Trata-se, então, de uma provisão que vai além da Pastoral Provision adotada pela Congregação para a Doutrina da Fé e aprovada por João Paulo II em 20 de junho de 1980. De fato, enquanto a Pastoral Provision previa que os fiéis provenientes do Anglicanismo pertenceriam às dioceses em que tivessem domicílio, embora sendo objeto de uma particular cura pastoral por parte do Bispo Diocesano, a Constituição Apostólica Anglicanorum coetibus prevê que façam parte do Ordinariato Pessoal, não da diocese em que estabelecem o seu domicílio, fiéis de todo estado de vida (leigos, clérigos, membros de Instituto de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica), provenientes, como indivíduos ou em grupos, do Anglicanismo ou que recebem os sacramentos da iniciação no próprio Ordinariato (AC I § 4).
Os clérigos são adscritos ao Ordinariato Pessoal através da incardinação, regulada segundo o Código de Direito Canônico (AC VI § 3), enquanto os leigos e os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, provenientes do Anglicanismo, devem manifestar por escrito a vontade de fazer parte do Ordinariato (AC IX). As Normas Complementares (=NC) preveem que tais leigos e Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida apostólica são inscritos em um registro apropriado do Ordinariato (NC Art. 5 § 1). De fato, enquanto se faz parte de uma Igreja particular territorial pelo fato do domicílio ou quase-domicílio, se faz parte do Ordinariato Pessoal sobre a base do fato objetivo da precedente pertença ao Anglicanismo ou então porque se chegou à fé católica através do Ordinariato. Podemos dizer que a inscrição no registro substitui o fato do domicílio ou quase-domicílio que em relação à pertença a uma estrutura de caráter pessoal é irrelevante.
A Constituição Apostólica neste momento, antes de tudo, quer prever o restabelecimento da plena comunhão de uma forma “corporativa”, da parte de grupos que compreendem vários estados de vida. Os Ordinariatos Pessoais para tais grupos parecem ser as estruturas canônicas mais aptas a proteger e alimentar a tradição espiritual, litúrgica e pastoral desenvolvida no Anglicanismo e que a Igreja Católica reconhece como autêntica. Isto não exclui que também possam fazer parte de um Ordinariato Pessoal fiéis individualmente provenientes do Anglicanismo ou fiéis que chegam à fé católica através da atividade pastoral e missionária do Ordinariato Pessoal e que nele recebem os sacramentos da iniciação. A Pastoral Provision não pareceu um meio apto à nova situação a que a Sé Apostólica foi chamada a responder.
O Ordinário que tem a cura pastoral dos fiéis que fazem parte do Ordinariato Pessoal exerce, de fato, um poder ordinário vicário em nome do Romano Pontífice (AC V b.), e, portanto, gozam de uma justa autonomia em relação à jurisdição dos Bispos das dioceses em que os fiéis do Ordinariato têm o domicílio, para melhor garantir que seja evitada uma assimilação de tais fiéis nas dioceses de um tal modo que se perdesse a riqueza da sua tradição anglicana, conduzindo a um empobrecimento de toda a Igreja. De outra parte o Ordinário, no exercício de seu poder vicário, deve também garantir a integração plena do Ordinariato na vida da Igreja Católica, evitando que se transforme em uma “igrejola” em seu interior.
A tutela e o alimento da tradição anglicana são assegurados:
a) pela concessão ao Ordinariato da faculdade de celebrar a Eucaristia e os outros Sacramentos, a Liturgia das Horas e as outras ações litúrgicas segundo os livros litúrgicos próprios da tradição anglicana aprovados pela Santa Sé, sem porém excluir que as celebrações litúrgicas se façam segundo o Rito Romano (AC III);
b) pelo fato que o Ordinário, para a formação dos seminaristas do Ordinariato que vivem num seminário diocesano, possa estabelecer programas específicos ou mesmo erigir uma casa de formação para eles (AC VI § 5; NC Art. 10 § 2); os seminaristas devem prover de uma paróquia pessoal do Ordinariato ou do Anglicanismo (NC Art. 10 § 4);
c) pela concessão de que aqueles que eram ministros casados no Anglicanismo, também bispos, possam ser ordenado no grau do presbiterato, conforme a norma da Encíclica de Paulo VI Sacerdotalis coelibatus, n. 42, e da Declaração In June, isto é, permanecendo no estado matrimonial (AC VI § 1);
d) pela possibilidade, depois de um processo de discernimento baseado em critérios objetivos e nas necessidades do Ordinariato (NC Art. 6 § 1), de pedir ao Romano Pontífice para admitir, caso por caso, à Ordem Sagrada do presbiterato também homens casados, em derrogação ao CIC can 277 § 1, embora a regra seja que sejam admitidos à ordem do presbiterato somente homens celibatários (AC VI § 2);
e) pela ereção de paróquias pessoais da parte do Ordinário, depois de ter ouvido o parecer do Bispo Diocesano do lugar e obtido o consentimento da Santa Sé (AC VIII § 1);
f) pela possibilidade de receber Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica provenientes do Anglicanismo e de erigir novos (AC VII);
g) pelo fato que, em respeito à tradição sinodal do Anglicanismo: 1) o Ordinário é nomeado pelo Romano Pontífice tendo por base uma terna de nomes apresentada pelo Conselho de Governo (NC Art. 4 § 1); 2) a constituição do Conselho Pastoral é prevista como obrigatória (AC X § 2); 3) o Conselho de Governo, composto ao menos por seis sacerdotes, além das funções estabelecidas pelo Código de Direito Canônico para o Conselho Presbiteral e para o Colégio dos Consultores, exerce também aquelas especificadas nas Normas Complementares, devendo em alguns casos dar o seu consentimento ou exprimir o seu voto deliberativo (AC X § 2; NC Art. 12).
A integração na vida da Igreja Católica é assegurada por aquelas normas que disciplinam a profissão de fé e as relações com as Conferências Episcopais e com os Bispos Diocesanos, segundo as quais:
a) o Catecismo da Igreja católica é considerado a expressão autêntica da fé dos membros do Ordinariato (AC I § 5);
b) um Ordinariato pessoal é erigido pela Santa Sé no interior dos limites territoriais de uma Conferência Episcopal, depois de ter consultado esta última (AC I § 1);
c) o Ordinário é membro da respectiva Conferência Episcopal, cujas diretrizes deve seguir, a menos que não sejam compatíveis com a Constituição Apostólica Anglicanorum coetibus (NC Art. 2);
d) a ordenação de ministros provenientes do Anglicanismo é prevista como absoluta, em respeito à Carta Apostolicae curae, dada por Leão XIII em 13 de setembro de 1896; de nenhum modo se prevê que sejam admitidos á ordem do episcopado homens casados (NC Art. 11 § 1), isto em respeito a toda a tradição católica latina e das Igrejas Orientais católicas, e também da tradição ortodoxa;
e) os presbíteros incardinados em um Ordinariato constituem o seu presbitério, mas devem cultivar um vínculo de unidade com o presbitério da diocese em cujo território desenvolvem o seu ministério e favorecer iniciativas e atividades pastorais e caritativas conjuntas, que possam ser objeto de convenções estipuladas entre o Ordinário e o Bispo ou os Bispos Diocesanos interessados (AC VI § 4; NC Art. 3); prevê-se a possibilidade de auxílio pastoral entre clérigos incardinados no Ordinariato e os incardinados nas dioceses em que se encontram os fiéis do Ordinariato (NC Art. 9 §§ 1 e 2);
f) os presbíteros do Ordinariato podem ser eleitos membros do Conselho Presbiteral da diocese em cujo território exercem a cura pastoral dos fiéis do Ordinariato (NC Art. 8 § 1);
g) os presbíteros e diáconos do Ordinariato podem ser membros do Conselho Pastoral da Diocese em cujo território exercem o seu ministério (NC Art. 8 § 2);
h) o poder do Ordinário é exercido de modo conjunto com o Bispo Diocesano nos casos previstos pelas Normas Complementares (AC V; NC Art. 5 § 2);
i) os candidatos às Ordens sagradas devem ser formados junto dos outros seminaristas, especialmente para aquilo que diz respeito aos âmbitos doutrinal e pastoral, ainda que se possa prever para eles um programa particular ou mesmo possa ser erigida uma casa de formação (AC VI § 5; NC Art. 10 § 2);
j) para erigir uma paróquia pessoal o Ordinário deve ouvir o parecer do Bispo Diocesano do lugar (AC VIII § 1);
k) as Normas Complementares estabelecem quando os direitos e os deveres próprios do pároco do Ordinariato serão exercidos em mútuo auxílio pastoral com o pároco do território em que é erigida a paróquia pessoal (AC VIII § 2; NC 14 § 2);
l) o tribunal competente para as causas judiciais relativas aos fiéis pertencentes ao Ordinariato é o da diocese em cuja uma das partes tem domicílio, a menos que o Ordinariato constitua seu próprio tribunal (AC XII).
Como se pode ver, a Constituição Apostólica Anglicanorum coetibus predispõe normas que estabelecem a natureza e regulam de modo geral a vida dos Ordinariatos Pessoais apropriadamente eretos para os Anglicanos que entram na plena comunhão com a Igreja católica. Assim é instituída uma estrutura canônica flexível, na medida em que se pode prever que os Decretos de ereção dos Ordinariatos levarão em conta a situação particular dos vários lugares adaptando a ela o quanto está contido na presente Constituição Apostólica e nas Normas Complementares. Como o Espírito Santo guiou o trabalho preparatório desta Constituição Apostólica, assim também assistirá na sua aplicação.
Fonte: Santa Sé
Normas Complementares à Constituição Apostólica "Anglicanorum coetibus"
Jurisdição da Santa Sé
Artigo 1
Cada Ordinariato está sujeito à Congregação para a Doutrina da Fé. Ele mantém estreita relação com os outros Dicastérios Romanos de acordo com suas competências.
Relações com as Conferências Episcopais e com os Bispos Diocesanos
Artigo 2
§ 1. O Ordinário segue as diretrizes da Conferência Nacional dos Bispos na medida em que sejam consistentes com as normas contidas na Constituição Apostólica Anglicanorum coetibus.
§ 2. O Ordinário é membro da respectiva Conferência Episcopal.
Artigo 3
O Ordinário, no exercício deste ofício, deve manter estreitos laços de comunhão com o Bispo da Diocese em que o Ordinariato está presente a fim de coordenar sua atividade pastoral com o programa pastoral da Diocese.
O Ordinário
Artigo 4
§ 1. O Ordinário pode ser um bispo ou um presbítero nomeado pelo Romano Pontífice ad nutum Sanctae Sedis, baseado numa terna apresentada pelo Conselho de Governo. Os cânones 383-388, 392-394, e 396-398 do Código de Direito Canônico se lhe aplicam.
§ 2. O Ordinário tem a faculdade de incardinar no Ordinariato ex-ministros anglicanos que desejam ingressar na plena comunhão com a Igreja Católica, assim como candidatos que pertencem ao Ordinariato e promovê-los às Ordens Sagradas.
§ 3. Tendo primeiro consultado a Conferência Episcopal e obtido o consentimento do Conselho de Governo e a aprovação da Santa Sé, o Ordinário pode erigir, conforme a necessidade, decanatos territoriais supervisionados por um delegado do Ordinário abrangendo os fiéis de múltiplas paróquias pessoais.
Os fiéis do Ordinariato
Artigo 5
§ 1. Os fiéis leigos originalmente de tradição anglicana que desejam pertencer ao Ordinariato, após ter feito sua Profissão de Fé e recebido os Sacramentos da Iniciação, com a devida consideração ao can. 845, devem ser inscritos num registro apósito do Ordinariato. Aqueles batizados previamente como católicos fora do Ordinariato não podem ordinariamente ser admitidos como membros, a menos que sejam membros de uma família que pertença ao Ordinariato.
§ 2. Os fiéis leigos e membros dos Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, quando colaboram nas atividades pastorais e caritativas, sejam diocesanas ou paróquias, estão sujeitos ao Bispo Diocesano ou ao pároco do lugar; em cujo caso o poder do Bispo Diocesano ou pároco é exercido conjuntamente com o do Ordinário e pároco do Ordinariato.
O Clero
Artigo 6
§ Para admitir candidatos às Ordens Sagradas, o Ordinário deve obter o consentimento do Conselho de Governo. Em consideração à tradição e à prática eclesiais anglicanas, o Ordinário pode apresentar ao Santo Padre um pedido para a admissão de homens casados ao presbiterato no Ordinariato, após um processo de discernimento baseado em critérios objetivos e nas necessidades do Ordinariato. Estes critérios objetivos são determinados pelo Ordinário em consulta com a Conferência Episcopal local e devem ser aprovados pela Santa Sé.
§ 2. Aqueles que foram previamente ordenados na Igreja católica e subsequentemente se tornaram anglicanos, não podem exercer o ministério sagrado no Ordinariato. Clérigos anglicanos que estão em situação matrimonial irregular não podem ser admitidos às Ordens Sagradas no Ordinariato.
§ 3. Presbíteros incardinados no Ordinariato recebem do Ordinário as faculdades necessárias.
Artigo 7
§ 1. O Ordinário deve garantir que uma adequada remuneração seja providenciada aos clérigos incardinados no Ordinariato, e deve atender às suas necessidades em caso de enfermidade, invalidez ou idade avançada.
§ 2. O Ordinário avaliará com a Conferência Episcopal os recursos e fundos que poderiam ser disponibilizados para o cuidado do clero do Ordinariato.
§ 3. Quando necessário, os padres podem desempenhar uma profissão secular compatível com o exercício do ministério sacerdotal, com a permissão do Ordinário (cf. CIC, can. 286).
Artigo 8
§ 1. Os presbíteros, enquanto constituem o presbitério do Ordinariato, são elegíveis para postos no Conselho Presbiteral da Diocese na qual exercem o cuidado pastoral dos fiéis do Ordinariato (cf. CIC, can. 498, §2).
§ 2. Padres e Diáconos incardinados no Ordinariato podem ser membros do Conselho Pastoral da Diocese em que eles exercem o ministério, de acordo com o modo determinado pelo Bispo Diocesano (cf. CIC, can. 512, §1).
Artigo 9
§ 1. Os clérigos incardinados no Ordinariato devem estar disponíveis para assistir à Diocese na qual têm domicílio ou quase-domicílio, onde parecer adequado ao cuidado pastoral dos fiéis. Nestes casos eles estão sujeitos ao Bispo Diocesano em relação àquilo que pertence ao encargo ou ofício pastoral que receberem.
§ 2. Onde e quando parecer apropriado, clérigos incardinados em uma Diocese ou em um Instituto de Vida Consagrada ou Sociedade de Vida Apostólica, com o consentimento escrito de seu respectivo Bispo Diocesano ou Superior, podem colaborar no cuidado pastoral do Ordinariato. Neste caso, eles estão sujeitos ao Ordinário em relação àquilo que pertence ao encargo ou ofício pastoral que receberam.
§ 3. Nos casos tratados nos parágrafos precedentes deve existir um acordo escrito entre o Ordinário e o Bispo Diocesano ou Superior do Instituto de Vida Consagrada ou Sociedade de Vida Apostólica, no qual os termos de colaboração e tudo o que pertence aos meios de apoio sejam claramente estabelecidos.
Artigo 10
§ 1. A formação do clero do Ordinariato deve alcançar dois objetivos: 1) formação conjunta com os seminaristas diocesanos de acordo com as circunstâncias locais; 2) formação, em completa harmonia com a tradição católica, naqueles aspectos do patrimônio anglicano que são de particular valor.
§ 2. Os candidatos à ordenação sacerdotal receberão sua formação teológica com outros seminaristas num seminário ou numa faculdade teológica em conformidade com o acordo concluído entre o Ordinário e, respectivamente, o Bispo ou Bispos Diocesanos envolvidos. Os candidatos podem receber outros aspectos da formação sacerdotal num programa específico no próprio seminário ou numa casa de formação estabelecida, com o consentimento do Conselho de Governo, com o propósito expresso de transmitir o patrimônio anglicano.
§ 3. O Ordinariato deve ter seu próprio Programa de Formação Sacerdotal (Ratio Institutionis Sacerdotalis), aprovado pela Santa Sé; cada casa de formação deve redigir seu próprio regulamento, aprovado pelo Ordinário (cf. CIC, can. 242, §1).
§ 4. O Ordinário pode aceitar como seminaristas apenas fiéis que pertencem a uma paróquia pessoal do Ordinariato ou os que foram previamente anglicanos e entraram na plena comunhão com a Igreja Católica.
§ 5. O ordinariato preveja a formação permanente de seu clero, pela sua participação em programas locais oferecidos pela Conferência Episcopal ou pelo Bispo Diocesano.
Ex-bispos anglicanos
Artigo 11
§ 1. Um ex-bispo anglicano casado é elegível para ser nomeado Ordinário. Neste caso ele deve ser ordenado sacerdote na Igreja Católica e então exerce o ministério pastoral e sacramental dentro do Ordinariato com plena autoridade jurisdicional.
§ 2. Um ex-bispo anglicano que pertence ao Ordinariato e que não foi ordenado como bispo na Igreja Católica, pode ser chamado a assistir ao Ordinário na administração do Ordinariato.
§ 3. Um ex-bispo anglicano que pertence ao Ordinariato pode ser convidado a participar nos encontros da Conferência dos Bispos do respectivo território, com o status equivalente de um bispo emérito.
§ 4. Um ex-bispo anglicano que pertence ao Ordinariato e que não foi ordenado como bispo na Igreja Católica pode solicitar a permissão à Santa Sé para usar as insígnias do ofício episcopal.
O Conselho de Governo
Artigo 12
§ 1. O Conselho de Governo, de acordo com os Estatutos que o Ordinário deve aprovar, terá os direitos e as responsabilidades previstas no Código de Direito Canônico para o Colégio dos Consultores e o Conselho Presbiteral.
§ 2. Além destas responsabilidades, o Ordinário precisa do consentimento do Conselho de Governo para:
a) admitir um candidato às Ordens Sagradas;
b) erigir ou suprimir uma paróquia pessoal;
c) erigir ou suprimir uma casa de formação;
d) aprovar um programa de formação.
§ 3. O Ordinário também consulte o Conselho de Governo acerca das pastorais do Ordinariato e dos princípios que regulam a formação do clero.
§ 4. O Conselho de Governo tem voto deliberativo:
a) quando escolher uma terna de nomes a ser submetida à Santa Sé para a nomeação do Ordinário;
b) quando propuser mudanças nas Normas Complementares do Ordinariato a serem apresentadas à Santa Sé;
c) quando formular os Estatutos do Conselho de Governo, os Estatutos do Conselho Pastoral e o regulamento para as casas de formação.
§ 5. O Conselho de Governo é composto de acordo com os Estatutos do mesmo. Metade dos membros é eleita pelos padres do Ordinariato.
O Conselho Pastoral
Artigo 13
§ 1. O Conselho Pastoral, constituído pelo Ordinário, oferece seu parecer acerca da atividade pastoral do Ordinariato.
§ 2. O Conselho Pastoral, cujo presidente é o Ordinário, é governado pelos Estatutos aprovados pelo Ordinário.
As Paróquias Pessoais
Artigo 14
§ 1. O pároco pode ser auxiliado no cuidado pastoral da paróquia por um vigário paroquial, nomeado pelo Ordinário; um conselho pastoral e um conselho para assuntos econômicos devem ser estabelecidos na paróquia.
§ 2. Se não houver vigário, no caso de ausência, incapacidade ou morte do pároco, o pároco da paróquia territorial na qual a igreja da paróquia pessoal está localizada pode exercer suas faculdades de pároco para suprir o que for necessário.
§ 3. Para o cuidado pastoral dos fiéis que vivem nos limites da Diocese na qual nenhuma paróquia pessoal foi erigida, o Ordinário, tendo ouvido a opinião do Bispo Diocesano local, pode providenciar quase-paróquias (cf. CIC, can. 516, §1).
O Supremo Pontífice Bento XVI, na Audiência concedida ao subscrito Cardeal Prefeito, aprovou estas Normas Complementares para a Constituição Apostólica “Anglicanorum coetibus”, aprovada na Sessão Ordinária da Congregação, e ordenou sua publicação.
Roma, da Sede da Congregação para a Doutrina da Fé, em 4 de novembro de 2009, Memória de São Carlos Borromeu.
William Card. Levada – Prefeito
+ Luis. F. Ladaria, S.J, Arcebispo Titular de Thibica – Secretário
Fonte: Santa Sé (inglês); Santa Sé (italiano)
Tradução: OBLATVS
Constituição Apostólica "Anglicanorum coetibus"
Nestes últimos anos, o Espírito Santo conduziu grupos de anglicanos a pedir repetida e insistentemente para serem recebidos na plena comunhão católica individual e coletivamente. A Sé Apostólica respondeu favoravelmente a tais pedidos. De fato, o Sucessor de Pedro, que recebeu do Senhor Jesus o mandato de garantir a unidade do episcopado e de presidir e tutelar a comunhão universal de todas as Igrejas, não pode deixar de providenciar os meios necessários à realização deste santo desejo.
A Igreja, povo reunido na unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, foi instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo como “o sacramento, ou seja, o sinal e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano”. Toda divisão entre os batizados em Jesus Cristo é uma ferida àquilo que a Igreja é e àquilo pelo qual a Igreja existe; de fato, “não apenas se opõe abertamente à vontade de Cristo, mas é também escândalo para o mundo e prejudica a mais santa das causas: a pregação do Evangelho a toda criatura”. Exatamente por isto, antes de derramar seu sangue pela salvação do mundo, o Senhor Jesus rezou ao Pai pela unidade dos seus discípulos.
É o Espírito Santo, princípio de unidade, que estabelece a Igreja como comunhão. Ele é o princípio da unidade dos fiéis na pregação dos Apóstolos, na fração do pão e na oração. A Igreja, todavia, por analogia ao mistério do Verbo Encarnado, não é somente uma comunhão espiritual invisível, mas também visível; de fato, “a sociedade constituída por órgãos hierárquicos e o corpo místico de Cristo, a assembleia visível e a comunidade espiritual, a Igreja terrestre e a Igreja enriquecida de bens celestes, não devem ser consideradas como duas realidades; pelo contrário, elas formam uma única realidade complexa resultante de um duplo elemento, humano e divino”. A comunhão dos batizados na pregação dos Apóstolos e na fração do pão eucarístico se manifesta visivelmente nos vínculos da profissão da integridade da fé, da celebração de todos os sacramentos instituídos por Cristo e do governo do Colégio dos Bispos unidos ao próprio chefe, o Romano Pontífice.
A única Igreja de Cristo, que no Símbolo professamos uma, santa, católica e apostólica, “subsiste na Igreja Católica governada pelo sucessor de Pedro, e pelos Bispos em comunhão com ele, ainda que fora de seus limites visíveis se encontrem muitos elementos de santificação e de verdade. Uma vez que estes dons pertencem propriamente à Igreja de Cristo, eles impelem à unidade católica”.
À luz destes princípios eclesiológicos, esta Constituição Apostólica prevê uma norma geral que regule a instituição e a vida dos Ordinariatos Pessoais para os fiéis anglicanos que desejam entrar corporativamente na plena comunhão com a Igreja Católica. Esta Constituição é completada por Normas Complementares emanadas pela Sé Apostólica.
I. §1. Os Ordinariatos Pessoais para os anglicanos que entram na plena comunhão com a Igreja Católica são erigidos pela Congregação para a Doutrina da Fé dentro dos limites territoriais de uma determinada Conferência Episcopal, depois de haver consultado a própria Conferência.
§ 2. No território de uma determinada Conferência de Bispos, um ou mais Ordinariatos podem ser erigidos, conforme a necessidade.
§ 3. Cada Ordinariato ipso jure possui personalidade jurídica pública; é juridicamente comparável a uma diocese.
§ 4. O Ordinariato é formado por fiéis leigos, clérigos e membros de Institutos de Vida Consagrada ou de Sociedades de Vida Apostólica, originalmente pertencentes à Comunhão Anglicana e agora em plena comunhão com a Igreja Católica, ou por aqueles que recebem os Sacramentos da Iniciação na jurisdição do Ordinariato.
§ 5. O Catecismo da Igreja Católica é a expressão autêntica da fé católica professada pelos membros do Ordinariato.
II. O Ordinariato Pessoal é governado pelas normas do direito universal e pela presente Constituição Apostólica e está sujeito à Congregação para a Doutrina da Fé e aos outros Dicastérios da Cúria Romana segundo suas competências. É também governado pelas Normas Complementares e por outras eventuais Normas específicas datas para cada Ordinariato.
III. Sem excluir as celebrações litúrgicas segundo o Rito Romano, o Ordinariato tem a faculdade de celebrar a Eucaristia e os outros Sacramentos, a Liturgia das Horas e as outras ações litúrgicas segundo os livros litúrgicos próprios da tradição anglicana aprovados pela Santa Sé, de modo a manter vivas no interior da Igreja Católica as tradições espirituais, litúrgicas e pastorais da Comunhão Anglicana, como dom precioso para alimentar a fé dos seus membros e como tesouro a ser partilhado.
IV. Um Ordinariato Pessoal é confiado à cura pastoral de um Ordinário nomeado pelo Romano Pontífice.
V. O poder (potestas) do Ordinário é:
a. ordinária: anexa pelo próprio direito ao ofício que lhe foi conferido pelo Romano Pontífice, para o foro interno e para o foro externo;
b. vicária: exercida em nome do Romano Pontífice;
c. pessoal: exercida sobre todos aqueles que pertencem ao Ordinariato.
Esta é exercida de modo conjunto com a do Bispo diocesano local nos casos previstos pelas Normas Complementares.
VI. § 1. Aqueles que exerceram o ministério de diáconos, presbíteros ou bispos anglicanos, que cumprem os requisitos estabelecidos pelo direito canônico e não estão impedidos por irregularidades ou outros impedimentos, podem ser admitidos pelo Ordinário como candidatos às Ordens Sagradas na Igreja Católica. Para os ministros casados devem ser observadas as normas da Encíclica de Paulo VI Sacerdotalis coelibatus, n. 42 e da Declaração In June. Os ministros não casados devem se submeter á norma do celibato clerical segundo o can. 277 § 1.
§ 2. O Ordinário, em plena observância da disciplina sobre o celibato clerical na Igreja Latina, como regra (pro regula) admitirá à ordem do presbiterato somente homens celibatários. Poderá solicitar ao Romano Pontífice, em derrogação ao can. 277 § 1, a admissão de homens casados à ordem do presbiterato, caso por caso, de acordo com os critérios objetivos aprovados pela Santa Sé.
§ 3. A incardinação dos clérigos será regulada de acordo com as normas do direito canônico.
§ 4. Os presbíteros incardinados em um Ordinariato, que constituem o seu presbitério, devem também cultivar vínculos de unidade com o presbitério das Dioceses em cujo território desenvolvem o seu ministério; Estas devem favorecer iniciativas e atividades pastorais e caritativas comuns, que podem ser objeto de convenções a serem estipuladas entre o Ordinário e o Bispo diocesano local.
§ 5. Os candidatos às Ordens Sagradas em um Ordinariato serão formados junto aos demais seminaristas, especialmente nas áreas de formação doutrinal e pastoral. Para levar em conta as necessidades particulares dos seminaristas do Ordinariato e de sua formação no patrimônio anglicano, o Ordinário também pode estabelecer programas ou mesmo erigir casas de formação, conexas com as já existentes faculdades católicas de teologia.
VII. O Ordinário, com a aprovação da Santa Sé, pode erigir novos Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica e promover os membros às Ordens Sagradas, segundo as normas do direito canônico. Institutos de Vida Consagrada provenientes do Anglicanismo e agora em plena comunhão com a Igreja Católica podem ser colocados sob a jurisdição do Ordinário por consenso mútuo.
VIII. § 1. O Ordinário, segundo a norma do direito, depois de haver ouvido o parecer do Bispo diocesano do lugar, pode, com o consenso da Santa Sé, erigir paróquias pessoais, para a cura pastoral dos fiéis pertencentes ao Ordinariato.
§ 2. Os párocos do Ordinariato gozam de todos os direitos e estão sujeitos a todas as obrigações previstas no Código de Direito Canônico e, nos casos estabelecidos nas Normas Complementares, estes direitos e obrigações devem ser exercidos em mútua ajuda pastoral com os párocos das Dioceses em cujo território se encontra a paróquia pessoal do Ordinariato.
IX. Tanto os fiéis leigos quanto os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, originalmente parte da Comunhão Anglicana, que desejam ingressar no Ordinariato Pessoal, devem manifestar este desejo por escrito.
X. § 1. O Ordinário no seu governo é assistido por um Conselho de Governo com seus próprios estatutos aprovados pelo Ordinário e confirmados pela Santa Sé.
§ 2. O Conselho de Governo, presidido pelo Ordinário, é composto ao menos por seis sacerdotes. Exerce as funções estabelecidas no Código de Direito Canônico para o Conselho Presbiteral e o Colégio dos Consultores, e também aquelas especificadas nas Normas Complementares.
§ 3. O Ordinário deve constituir um Conselho para assuntos econômicos segundo as normas estabelecidas pelo Código de Direito Canônico e exercerá as funções ali especificadas.
§ Para favorecer a consulta aos fiéis, deve ser constituído um Conselho Pastoral no Ordinariato.
XI. A cada cinco anos, o Ordinário deve vir a Roma para a visita ad limina Apostolorum e apresentar ao Romano Pontífice, através da Congregação para a Doutrina da Fé, e em consulta com a Congregação para os Bispos e com a Congregação para a Evangelização dos Povos, um relatório sobre o estado do Ordinariato.
XII. Para as causas judiciais, o tribunal competente é o da Diocese em que uma das partes tem domicílio, a menos que o Ordinariato constitua seu próprio tribunal, em cujo caso o tribunal de segunda instância é aquele designado pelo Ordinariato e aprovado pela Santa Sé.
XIII. O Decreto estabelecendo um Ordinariato determinará o lugar da Sé e, se for apropriado, a Igreja Principal.
Desejamos que estas nossas disposições e normas sejam válidas e eficazes agora e no futuro, não obstante, se fosse necessário, as Constituições e as ordenações apostólicas emanadas pelos nossos predecessores, ou quaisquer outras prescrições, mesmo aquelas dignas de particular menção ou derrogação.
Dado em Roma, junto de São Pedro, em 4 de novembro de 2009, Memória de São Carlos Borromeu.
BENEDICTUS PP XVI
Texto das Normas Complementares à Constituição Apostólica Anglicanorum coetibus
Fonte: Santa Sé (inglês); Santa Sé (italiano)
Tradução: OBLATVS
"Anglicanorum coetibus"?
Nossos amigos de La Buhardilla de Jerónimo chamam a atenção para os rumores de que a Constituição Apostólica sobre a recepção dos anglicanos poderá ser publicada hoje.
“Pode ser que amanhã, 9 de novembro, Festa da Dedicação da Basílica de São João de Latrão, ‘mãe e cabeça de todas as igrejas da cidade de Roma e de toda a terra’, seja o dia escolhido para a publicação da Constituição Apostólica sobre os ordinariatos pessoais para os anglicanos.
Assim o informa a Radio Vaticana na Alemanha, que também adianta que o nome da mesma seria ‘Anglicanorum coetibus’.”
domingo, 8 de novembro de 2009
As Igrejas Orientais Católicas



Rito Alexandrino







Bispo de Hajdúdorog:
S. Exª. Dom Peter Fülöp Kocsis
Sede: Nyiregyháza – Hungria
(1) Diocese; (1) Exarcado Apostólico (2) Bispos
290.000 fiéis na Hungria



Abade de Santa Maria de Grottaferrata:





sábado, 7 de novembro de 2009
Twitter/OBLATVS
Expansão islâmica
Ameaças à Igreja na Venezuela
CARACAS, 06 Nov. 09 / 12:54 pm (ACI)
La organización internacional católica Ayuda a la Iglesia Necesitada (AIN) denunció, a través de "una fuente cercana a los obispos de Venezuela", que el gobierno de Hugo Chávez confiscaría templos, escuelas y propiedades eclesiales en el país con el propósito de "eliminar el trabajo de la Iglesia".
Según esta fuente citada por AIN, que pidió mantenerse en el anonimato por razones de seguridad, la tensión en el país "se ha acrecentado luego de la decisión del presidente (Chávez) de confiscar instituciones financieras líderes que rodean el Lago Maracaibo y que están relacionadas a la industria del petróleo".
Asimismo reveló que hace seis semanas en un área densamente poblada de Caracas, un líder distrital anunció los planes para expropiar diversas escuelas dirigidas por la Iglesia. Algunos miembros del gobierno señalaron entonces que la iniciativa buscaba proteger construcciones de importancia nacional, pero "algunos representantes de la Iglesia temen que éste sea el primer paso para un programa general de confiscación que afectaría a las propiedades eclesiales en todo el país", dice la nota de AIN.
La fuente también explicó que "nadie sabe lo que se viene para el futuro, pero él (Chávez) podría confiscar iglesias, escuelas y otras propiedades eclesiales. Podría intentar eliminar el trabajo de la Iglesia, que solía recibir subsidios del gobierno, pero que se han ido reduciendo en los últimos ocho años. Particularmente esto ha tenido un mal efecto en las escuelas de la Iglesia".
Algunas informaciones señalan en los últimos días que cada semana mueren más y más jóvenes. Sobre este tema la fuente indicó que "los ministros y el gobierno ven esto como un ataque contra los políticos y no ven que los obispos están poniendo una luz roja a estos problemas en el país".
"Chávez considera que la Iglesia es la enemiga del socialismo del siglo XXI cada vez que es crítica con el gobierno, sin ver que la Iglesia Católica solo está tratando de hacer que se escuche su voz cuando existe alguna injusticia", explica la fuente.
Tras señalar que algunos sacerdotes denuncian las injusticias del gobierno de Chávez en la localidad de Los Teques, cerca de Caracas, la fuente resalta que "es importante que la gente piense y analice cada situación en la que Hugo Chávez implementa su socialismo pues no respeta la dignidad de la vida". "Los católicos deben generar, además del análisis crítico,respuestas que partan de la Doctrina Social de la Iglesia", añade.
Chávez también ha anunciado hace un año algunos planes para confiscar campos de golf en el país. Al respecto la fuente señaló a AIN que "el golf es visto por él como un deporte elitista, lo que lo ha llevado a la decisión de confiscar la tierra".
AIN, concluye la nota, ha expresado su "seria preocupación por las constantes amenazas a la Iglesia en Venezuela desde que el Presidente Chávez asumió el poder".
Fonte: Aciprensa
Donna Quinn - de esposa de Cristo a noiva de Chucky

“Como pacifista, meu objetivo é possibilitar às mulheres que entrem numa clínica de saúde reprodutiva com dignidade e sem medo de serem fisicamente atacadas... Preocupa-me que a publicidade em torno de minha presença leve a violações do direito à privacidade das mulheres e as exponha a mais violência”.
Esta é a declaração da freira Donna Quinn (a de "hábito" azul na foto), voluntária (abortion escort) numa clínica abortista americana, ao decidir se afastar da função de acompanhante.
A freira havia sido denunciada a suas superioras por uma agência pró-vida americana. Inicialmente, a Priora Patricia Mulcahey defendeu as ações da escort-nun como “acompanhamento de mulheres que são verbalmente atacadas por ativistas”. Como o caso ganhou notoriedade, a congregação das Dominicanas de Sinsinawa publicou uma declaração em que pede desculpas pelas ações da freira abortista e afirma que ela foi advertida de que as mesmas “violam sua profissão religiosa como dominicana”.
A freira-acompanhante se diz pacifista. É a paz dos maus, a vitória da crueldade. Madre Teresa, bem-aventurada, dizia com clareza que nada é mais contrário à paz do que o aborto, pois é “uma guerra contra a criança, uma matança direta de crianças inocentes, assassinadas pela própria mãe”.
A nun-acompanhante chama os centros abortistas de “clínica de saúde reprodutiva”. Numa destas clínicas, durante seis anos, a escort-freira protegeu as mulheres de violências físicas para que elas pudessem matar com “dignidade e sem medo”.
Donna Quinn é um sinal destes tempos em que vivemos. Engana-se quem pensa que ela é a única ou que não tenha apoio de suas superioras e co-irmãs. Revela o estado da vida religiosa feminina nos Estados Unidos e evidencia a urgência da Visitação Apostólica determinada pela Santa Sé; uma visitação que não seja mera formalidade e que não produza apenas uma carta de intenções, mas uma verdadeira e profunda reforma.
O Cardeal Mahony (SKRIK nominee), alguns bispos, padres, religiosos e leigos têm manifestado insatisfação com a Visitação Apostólica. O que teriam a dizer sobre Donna Quinn e seus serviços de acompanhante de abortos? Seria uma forma atualizada da “história de doação da Igreja no seguimento do exemplo de Jesus e dos Evangelhos”, para usar a expressão dos bispos californianos?
Há milhares de religiosas americanas fiéis a sua profissão religiosa e dedicadas aos mais variados serviços eclesiais e caritativos. Elas não temem a Visitação e dispensam certas solidariedades. Nelas o Papa deposita as esperanças de uma renovação da vida religiosa que garanta a continuidade das milhares de obras de apostolado e caridade.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Dia de São Nuno de Santa Maria

Um leitor assíduo do blog me chamou a atenção para a hodierna comemoração litúrgica de São Nuno de Santa Maria – nobre, militar, pai de família e, após a morte da esposa, religioso carmelita. O santo português foi canonizado em 26 de abril de 2009 pelo Papa Bento XVI.
Sua memória é obrigatória em Portugal (Link para os textos próprios e leituras da Missa).
“Muito jovem, Nuno Álvares Pereira foi armado cavaleiro na Casa Real de D. Fernando e da rainha D. Leonor. Imbuído dos princípios da honra e da glória cavaleirescas, era um jovem fogoso, intrépito, por vezes, emocional e instável. Identificava-se com o seu tempo tanto pela guerra sacrossanta contra o Infiel, como pela paz elevada a ideal de raiz cristã. Nos saraus aristocráticos da 2ª metade do século XIV a poesia dos amores sublimes, castos ou pecaminosos, as obras piedosas dos monges, a libertação dos povos opressores deliciava, com maravilhamento, os cavaleiros veneradores da tradição lendária da corte do rei Artur.
Nascido, em 1360, no mosteiro de Flor da Rosa (Crato) no Alentejo, Nuno iniciava-se na profissão nobre de cavaleiro com apenas treze anos. Aos vinte e três anos, a crise dinástica sucessória do rei falecido sem filho varão e uma filha casada com o rei de Castela, colocou Portugal à mercê das ambições iberistas dessa nação. Ao tomar o partido de D. João, Mestre da Ordem Militar de Avis, combatente pela liberdade da sua pátria, Nuno Álvares Pereira alcançou a glória de vitórias improváveis ante tão poderoso invasor, entre 1384 e 1385, em Atoleiros (Alto Alentejo), Aljubarrota (Leiria) e Valverde (perto da fronteira de Badajoz).
A gesta do cavaleiro perfeito aparecia a Nuno Álvares Pereira como o seu objectivo de vida. A imagem de um verdadeiro Galaaz da corte, já não do rei Artur, mas do rei de Portugal, confirmava-se. A fama do seu heroísmo e da sua arreigada ligação a um cristianismo de cruzada levara D. João I a conceder-lhe o título, entre muitos outros, de Condestável do reino. Mas tudo isto começou a ser para ele mais uma inevitabilidade do que uma vontade.
A cruzada guerreira desvanecia-se no seu espírito atormentado com os dramas que vivera durante as batalhas, com a dor, com o sofrimento, com a morte. A sua espiritualidade ia-se fortalecendo numa fé que cada vez mais queria pôr em prática. Renunciou sucessivamente aos títulos e às vastas propriedades territoriais com que o rei o recompensara. Jejuava com frequência. Mandava construir capelas e igrejas desde o Alentejo à Estremadura, descia á rua para dirigir pedreiros nos edifícios mais grandiosos, como o mosteiro e igreja que mandou erigir em monte escarpado de Lisboa, em honra de Nossa Senhora, construção que se prolongou por dez longos anos.
Já viúvo com apenas vinte e seis anos, como nos informa Fernão Lopes na Crónica de D. João I, recusou sempre outro casamento. Sua única filha, Beatriz, morria de parto em 1414. No ano seguinte, ainda participava na cruzada de Ceuta, verdadeira cruzada contra a fé em Maomé. Mas, os tempos eram outros e a sua exaustão da guerra tornava-a um suplício. A sua alma já demasiado comprometida com a virtude que o amor aos aflitos, aos perseguidos e aos pobres lhe proporcionava, regozijava-se agora com a paz dos claustros. A alegria de vencer com a espada morrera.
A construção de mosteiros e igrejas dedicadas à Virgem Maria, o cuidado com o bem-estar dos seus antigos companheiros de batalha, o carácter contemplativo cada vez mais renegando a força das armas em favor da força da fé e da oração, fortificava-se nele, ano após ano. O Condestável, o homem mais rico do reino, pedia que o tratassem por Nuno. O cavaleiro caíra sob o jugo único da paz. A escolha era clara: apenas a cruz. A espada era agora uma lembrança cruel que o fazia cair numa tristeza de morte.
Os ideais que o norteavam com vinte e três anos decorriam do espírito do cavaleiro cristão. A hora da entrega plena a Cristo e a Sua Mãe chegara há muito. Contudo, os compromissos mundanos com o rei, com os príncipes, enfim, com a corte portuguesa eram fundos e sérios. Nada pode ser quebrado de súbito. Pronto a defender a vitória do bem sobre o mal, os pobres e as vítimas da injustiça e da opressão, jogara com coragem o papel de defensor-mor do reino. Saber que a cavalaria implicava o sacrifício, a abnegação, o heroísmo, dava-lhe a força moral para se colocar do lado dos seus compatriotas à beira da tirania. E sabia como um “fraco rei”...
Contudo, o invasor pretendia sufocar a liberdade do povo português. Nuno tinha orgulho de pertencer a essa gente rude, mas firme no seu desejo de independência, desde os tempos idos dos Lusitanos. Uma pátria pequena confrontava-se com a gigante. A luta em prol da reposição da justiça dos mais fracos oferecia ao jovem cavaleiro um sentido de vida inultrapassável, de ideal ao serviço de Deus porque ao serviço dos humildes, mas senhores de si, senhores da sua identidade.
A plenitude do amor aos que estavam claramente em desvantagem frente ao inimigo, o respeito pelas tradições autonomistas de Portugal desde a “primeira tarde portuguesa” em 1128, na batalha de S. Mamede, o culto dos heróis como o mártir S. Jorge – por quem clamava sempre no início das batalhas – tinham transformado o incansável Nuno Álvares no seu próprio ídolo, o cavaleiro Galaaz, esse herói-mito da Idade Média. Este cavaleiro da Távola Redonda do célebre rei Artur continuava a ser venerado nos séculos XIV e XV. Lembramos, a propósito, Joana d’Arc que, em 1429, alcança a grande vitória em Orléans que marcaria o sentido do vencedor na Guerra dos Cem Anos (1337-1453). Esta mulher que, no século XV, atingiu um prestígio militar idêntico ao do mítico Galaaz, era uma camponesa a chefiar o exército real. Ela era o epílogo do prestígio da mulher atingido no século XV.
Em Portugal, Nuno, o Condestável de D. João I, seguia já o espírito de Galaaz. Ele era, de facto, das terras de Santa Maria, afortunado cavaleiro como o previu o alfageme de Santarém. Nuno, invencível, como o modelar Galaaz. A profecia cumpriu-se. As batalhas revelaram um Nuno Álvares Pereira entre a espada da liberdade para o povo português e a oração em que se refugiava sempre que estavam próximos os combates ou se aproximava uma vitória a roçar o impossível. Nuno que, ainda em 1415, se haveria de pronunciar a favor da cruzada contra o Infiel, na hora decisiva da conquista da cidade de Ceuta. Aí pelejava, de novo, o Galaaz português.
Ceuta seria a última corrida com a espada na mão. O serviço dos mais pobres, o serviço de Deus e de Maria, Mãe de Jesus, absorviam-no já como se de um monge se tratasse. A comunhão com Deus, o combate a todos aqueles que estivessem do lado do mal, a luta contra as forças demoníacas, os inimigos da fé, o auxílio aos doentes, aos presos, aos pobres que abundavam na sua própria terra natal, não lhe permitiam continuar o tempo da fama e da glória da guerra.
No ano de 1423, Nuno Álvares Pereira ingressava na Ordem Carmelita com o nome de Frei Nuno de Santa Maria. Com uma sensibilidade muito especial àqueles que, ingressando em Ordens Religiosas, tinham deixado de cumprir com humildade cristã a sua Regra, decidiu mudar o rumo à sua vida de cavaleiro poderoso. Na vila de Moura, no coração do seu Alentejo natal, conhecera alguns membros da Ordem Carmelita que passava por grandes dificuldades, não só em professos de qualidade como em meios de sobrevivência. Logo, o mosteiro de Nossa Senhora do Carmo, em Lisboa, se tornou a sua casa.
Vestindo o hábito, saía todos os dias do mosteiro do Carmo em Lisboa, após jejuns e orações. Procurava pobres e doentes para lhes oferecer alimentos e o consolo da harmonia e da paz que, agora, finalmente, ganhara. A santidade revelara-se também nos milagres que muitos lhe atribuíam. Mas o seu reconhecimento pela Igreja não estava à porta, apesar de o rei D. Duarte, visita assídua de Frei Nuno de Santa Maria até ao dia da sua morte, em 1431, o ter sugerido ao Papa poucos anos depois de subir ao trono.” (por Teresa Bernardino – Fonte: http://www.harmoniadomundo)
Oremos: Senhor nosso Deus, que destes ao bem-aventurado Nuno de Santa Maria a graça de combater o bom combate e o tornastes exímio vencedor de si mesmo, concedei aos vossos servos que, dominando como ele as seduções do mundo, com ele vivam para sempre na pátria celeste. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
"Ad limina" 2009 - Grupo IV
O Santo Padre recebeu esta manhã em audiência os Bispos do estado de São Paulo:
S. Exa. Dom Jacyr Francisco Braido, Bispo de Santos;
S. Exa. Dom Manuel Parrado Carral, Bispo de São Miguel Paulista,
com S. Exa. Dom Fernando Legal, Bispo Emérito;
S. Exa. Dom Caetano Ferrari, Bispo de Bauru;
S. Exa. Dom Sérgio Krzywy, Bispo de Araçatuba.
Atualização: 7 de novembro:
O Santo Padre recebeu em audiência nesta manhã os demais Bispos do estado de São Paulo:
S. Exa. Dom Raimundo Damasceno Assis, Arcebispo de Aparecida;
S. Exa. Dom Nelson Westrupp, Bispo de Santo André;
S. Exa. Dom Edmilson Amador Caetano, Bispo de Barretos;
S. Exa. Dom Moacir Silva, Bispo de São José dos Campos;
S. Exa. Dom Salvatore Paruzzo, Bispo de Ourinhos.
Começou visita "ad limina" do Regional Sul 1
Em novembro, os bispos do Regional Sul 1 da CNBB, que compreende o estado de São Paulo, participam da visita Ad Limina a Roma. O episcopado brasileiro começou o período da visita Ad Limina, no início de setembro de 2009, que se estenderá ao segundo semestre de 2010. O Regional Sul 1 da CNBB, que compreende 41 arqui/dioceses, vai realizar sua a visita entre os dias 5 e 26 de novembro, com a participação de todos os arcebispos e bispos diocesanos.
Fonte: CNBB
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Mahony declara apoio a freiras americanas e manda recado para Rode
O liberal National Catholic Reporter dá destaque à declaração de apoio dos bispos califiornianos, capitaneados pelo arcebispo de Los Angeles (sempre forte candidato ao Prêmio SKRIK), às religiosas americanas.
O apoio, embora esperado, se assoma às inúmeras iniciativas de oposição à visitação apostólica determinada pela Santa Sé. Embora o texto da declaração não tenha sido divuldado, não creio que os bispos tenham declarado oposição explícita à iniciativa vaticana. Mas ninguém duvide de que sua real intenção seja mandar um recado à Congregação para os Religiosos, afinal a visitação é já uma censura às congregações americanas e aos bispos que foram incapazes de exercer uma saudável vigilância sobre a vida religiosa no país.
Não há como negar que as congregações "tradicionais" (aqui o vocábulo tem o sentido meramente histórico) estão em franca decadência. O envelhecimento das freiras e a falta de vocações farão desaparecer dentro de poucos anos algumas congregações no país. Se é inegável o problema, por que tanta ansiedade? Porque as freiras, e muitos bispos, não querem enxergar que a falta de vitalidade é consequência da secularização dos conventos e que toda solução passará inevitavelmente por um retorno aos fundamentos da vida religiosa, sempre os mesmos para todas as épocas e lugares.
Os Legionários têm um sério problema interno, identificar os cúmplices do Padre Maciel e dar nova orientação à sua obra, e também são objeto de uma visitação apostólica. Quem se levantou para lhes dar apoio, questionar a necessidade da visitação ou sugerir más intenções da Santa Sé. Há um problema e a visitação poderá ajudar a encontrar a justa solução.
Por que com as poderosas freiras americanas seria diferente?
Por uma simples razão: os Legionários são teologicamente afinados com o Magistério da Igreja e enfraquecê-los ou destruí-los é o segredo inconfessado de muitos prelados liberais; já as freiras americanas estão no lado oposto, como prova a presença de uma "religiosa" como voluntária numa clínica abortista, e corrigi-las significa reprovar 5 décadas de "pastoralismo" secularizado. Não são apenas as freiras que são reprovadas no teste do Vaticano, mas toda uma geração de bispos e cardeais americanos.
Leiam a notícia abaixo:
Os bispos da Califórnia votaram na semana passada em favor de uma declaração de apoio às religiosas americanas que estão enfrentando uma investigação do Vaticano.
A palavra de apoio chegou numa carta, com data de 2 de novembro, escrita pelo arcebispo de Los Angeles, Cardeal Roger Mahony. Na carta endereçada às “Queridas Irmãs”, escreveu o cardeal:
“Estamos todos cientes das ansiedades que envolvem nossas religiosas nestes dias”, escreve Mahony, “e eu escrevo a fim de lhes oferecer minhas orações de gratidão e meu apoio a todos os seus membros. Os bispos da Califórnia se encontraram na semana passada e aprovaram uma declaração de apoio a todas vocês e eu me alegro em lhes enviar uma cópia dessa declaração”.
Ele louva a “histórica presença” das religiosas na Califórnia que remonta ao início do século XIX. “Eu posso honestamente asseverar que não existiriam nossas escolas católicas, hospitais e apostolados sociais sem vocês”. (Eis o "xis" da questão: a visitação quer garantir que estas mesmas escolas, hospitais e apostolados possam contar no futuro com religiosas que os dirijam, fiéis aos carismas de suas congregações)
O cardeal continua, escrevendo que as religiosas em Los Angeles “abriram o primeiro hospital, fundaram as primeiras escolas e providenciaram os primeiros serviços sociais aos mais necessitados”. Ele acrescentou que a “história de doação da Igreja no seguimento do exemplo de Jesus e dos Evangelhos não existiria hoje sem a iniciativa e criatividade de vocês”. (O cardeal volta ao argumento histórico. Será que o cardeal não vê ou faz de besta? Ninguém está questionando o passado glorioso da vida religiosa nos Estados Unidos que, aliás, já deu mais de uma santa aos altares católicos. O que está em questão é o presente. Hoje as religiosas já não abrem ou fundam nada; na realidade fecham, inclusive algumas casas, por falta de vocações. Se mantiverem o curso atual, as escolas e hospitais fundadas no passado terão de ser fechados ou confiados aos leigos)
Ele terminou sua carta reafirmando às religiosas suas “contínuas orações e apoio”.
O Vaticano anunciou esta investigação, oficialmente chamada visitação apostólica, das religiosas americanas em janeiro último, dizendo que a intenção é descobrir por que os números de religiosas caiu nos últimos 40 anos, e averiguar a “qualidade da vida” nestas comunidades.
A visitação está sendo conduzida pelo Cardeal Franc Rode, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica do Vaticano, com duração prevista de 3 anos.
O recado é: Não queríamos vocês aqui, mas já que vieram aproveitem para desfrutar das maravilhas da América. Passeiem de casa em casa, conversem com as religiosas, gozem de nossa hospitalidade, comida e vinho, e ao cabo de 3 anos produzam um texto diplomático insípido. Nada de condenações, mudanças ou determinações práticas; aceitamos algumas sugestões para salvar as aparências e garantir que as coisas continuem como antes.
Resta saber se o Cardeal Rode vai se intimidar diante dos poderosos bispos liberais americanos, cada dia menos numerosos, ou se fará cumprir a vontade do Papa Bento XVI.
Fonte: National Catholic Reporter online
Tradução: OBLATVS
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
João Paulo II "seguramente será beatificado", mas não há datas previstas
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Faleceu o Padre José Paulo Vieira

segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Santo Ambrósio: do Ofício Divino de Finados
Do Livro sobre a morte de seu irmão Sátiro, de Santo Ambrósio, bispo
(Lib. 2,40.41.46.47.132.133:CSEL 73,270-274.323-324)
(Séc.IV)
Morramos com Cristo, para vivermos com ele!
Percebemos que a morte é lucro, e a vida, castigo. Por isso Paulo diz: Para mim, viver é Cristo, e morrer é lucro (Fl 1,21). Como unir-se a Cristo, espírito da vida, senão pela morte do corpo? Morramos então com ele, para com ele vivermos. Morramos diariamente no desejo e em ato, para que, por esta segregação, nossa alma aprenda a se subtrair das concupiscências corporais. Que ela, como se já estivesse nas alturas, onde não a alcançam os desejos terrenos, aceite a imagem da morte para não incorrer no castigo da morte. Pois a lei da carne luta contra a lei do espírito e apóia-se na lei do erro. Mas qual o remédio? Quem me libertará deste corpo de morte? (Rm 7,24) A graça de Deus, por Jesus Cristo, nosso Senhor (cf. Rm 7,25s).
Temos o médico, usemos o remédio. Nosso remédio é a graça de Cristo, e corpo de morte é o nosso corpo. Portanto afastemo-nos do corpo e não se afaste de nós o Cristo! Embora ainda no corpo, não lhe obedeçamos, não abandonemos as leis naturais, mas prefiramos os dons da graça.
E que mais? Pela morte de um só, o mundo foi remido. Cristo, se quisesse, poderia não ter morrido. Não julgou, porém, dever fugir da morte como coisa inútil nem que nos salvaria melhor, evitando a morte. Com efeito, sua morte é a vida de todos. Somos marcados com sua morte, ao orar anunciamos sua morte, ao oferecer o sacrifício pregamos sua morte. Sua morte é vitória, é sacramento, é a solenidade anual do mundo.
Não diremos ainda mais sobre a sua morte, se provarmos pelo exemplo divino que dela resultou a imortalidade, e que a morte se redimiu a si mesma? Não se deve lastimar a morte, que é causa da salvação do povo. Não se deve fugir da morte, que o Filho de Deus não rejeitou, e da qual não fugiu.
Na verdade, a morte não era da natureza, mas converteu-se em natureza. No princípio, Deus não fez a morte, mas deu-a como remédio. Pela prevaricação, condenada ao trabalho de cada dia e ao gemido intolerável, a vida dos homens começou a ser miserável. Era preciso dar fim aos males, para que a morte restituísse o que a vida perdera. Pois a imortalidade seria mais penosa que benéfica, se não fosse promovida pela graça.
Por isso, tem o espírito de afastar-se logo da vida tortuosa e das nódoas do corpo terreno, e lançar-se para a celeste assembléia, embora pertença só aos santos lá chegar, e cantar a Deus o louvor, descrito no livro profético, que os citaristas cantam: Grandes e maravilhosas tuas obras, Senhor Deus onipotente; justos e verdadeiros teus caminhos, ó Rei das nações! Quem não temeria e não glorificaria teu nome? Porque só tu és santo; todos os povos irão e se prostrarão diante de ti (Ap 15,3-4). Contemplar também, ó Jesus, tuas núpcias, nas quais a esposa, ao canto jubiloso de todos, é conduzida da terra ao céu – a ti virá toda carne (Sl 64,3) – já não mais manchada pelo mundo, mas unida ao espírito.
Era isto que o santo Davi desejava, acima de tudo, contemplar e admirar, quando dizia: Uma só coisa pedi ao Senhor, a ela busco: habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida e ver as delícias do Senhor (Sl 26,4).
domingo, 1 de novembro de 2009
Sermão de São Bernardo para a Solenidade de Todos os Santos
Dos Sermões de São Bernardo, abade
(Sermo2: Opera omnia, Edit.Cisterc. 5[1968],364-368)
(Séc.XII)
Apressemo-nos ao encontro dos irmãos que nos esperam
Para que louvar os santos, para que glorificá-los? Para que, enfim, esta solenidade? Que lhes importam as honras terrenas, a eles que, segundo a promessa do Filho, o mesmo Pai celeste glorifica? De que lhes servem nossos elogios? Os santos não precisam de nossas homenagens, nem lhes vale nossa devoção. Se veneramos os Santos, sem dúvida nenhuma, o interesse é nosso, não deles. Eu por mim, confesso, ao recordar-me deles, sinto acender-se um desejo veemente.
Em primeiro lugar, o desejo que sua lembrança mais estimula e incita é o de gozarmos de sua tão amável companhia e de merecermos ser concidadãos e comensais dos espíritos bem-aventurados, de unir-nos ao grupo dos patriarcas, às fileiras dos profetas, ao senado dos apóstolos, ao numeroso exército dos mártires, ao grêmio dos confessores, aos coros das virgens, de associar-nos, enfim, à comunhão de todos os santos e com todos nos alegrarmos. A assembléia dos primogênitos aguarda nos e nós parecemos indiferentes! Os santos desejam-nos e não fazemos caso; os justos esperam-nos e esquivamo-nos.
Animemo-nos, enfim, irmãos. Ressuscitemos com Cristo. Busquemos as realidades celestes. Tenhamos gosto pelas coisas do alto. Desejemos aqueles que nos desejam. Apressemo-nos ao encontro dos que nos aguardam. Antecipemo-nos pelos votos do coração aos que nos esperam. Seja-nos um incentivo não só a companhia dos santos, mas também a sua felicidade. Cobicemos com fervoroso empenho também a glória daqueles cuja presença desejamos. Não é má esta ambição nem de nenhum modo é perigosa a paixão pela glória deles.
O segundo desejo que brota em nós pela comemoração dos santos consiste em que Cristo, nossa vida, tal como a eles, também apareça a nós e nós juntamente com ele apareçamos na glória. Enquanto isto não sucede, nossa Cabeça não como é, mas como se fez por nós, se nos apresenta. Isto é, não coroada de glória, mas com os espinhos de nossos pecados. É uma vergonha fazer-se de membro regalado, sob uma cabeça coroada de espinhos. Por enquanto a púrpura não lhe é sinal de honra, mas de zombaria. Será sinal de honra quando Cristo vier e não mais se proclamará sua morte, e saberemos que nós estamos mortos com ele, e com ele escondida nossa vida. Aparecerá a Cabeça gloriosa e com ela refulgirão os membros glorificados, quando transformar nosso corpo humilhado, configurando-o à glória da Cabeça, que é ele mesmo.
Com inteira e segura ambição cobicemos esta glória. Contudo para que nos seja lícito esperá-la e aspirar a tão grande felicidade, cumpre-nos desejar com muito empenho a intercessão dos santos. Assim, aquilo que não podemos obter por nós mesmos, seja-nos dado por sua intercessão.
Santo Tomás sobre a Comunhão dos Santos
Hoje, a Santa Igreja celebra a Solenidade de Todos os Santos. Recomendo a leitura do comentário de Santo Tomás de Aquino sobre o 10º artigo do Credo Apostólico: “Creio na Comunhão dos Santos”.
O livro “Exposição sobre o Credo” foi publicado pela Edições Loyola, traduzido e anotado por Dom Odilão Moura, OSB. Pode ser encontrada uma edição eletrônica aqui (em PDF). O comentário ao 10º artigo se encontra nas páginas 79-85.
sábado, 31 de outubro de 2009
Liturgia das Horas online
Um jovem leigo, casado e pai de quatro filhos, da Diocese de Teixeira de Freitas – Caravelas, está tornando disponível na internet os textos da Liturgia das Horas. O site ainda está em construção, mas já pode ser utilizado por aqueles que desejam rezar as horas canônicas mas não dispõem dos livros litúrgicos.
Será também muito útil àqueles que desejam imprimir as orações para uso comunitário, o que infelizmente ainda não é possível, já que nem todo material está disponível. Com o desenvolvimento da página, creio que dentro de algum tempo teremos todo o Ofício Divino digitalizado e quiçá teremos uma ferramenta em português semelhante ao Maranatha.
Visite o site (http://liturgiadashoras.org/) e considere fazer uma doação.
Parabéns ao Helber pela iniciativa.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Papa nunca disse que Halloween é anticristão

Halloween não é um elemento da cultura nacional, embora esteja ganhando adeptos entre adolescentes e jovens influenciados pela cultura americana e estimulados pelo comércio decorrente da festa. Alguns se opõem à “importação” da cultura americana, em geral, motivados por uma estreita visão nacionalista; outros se opõem especificamente ao Halloween por acreditarem se tratar de uma festa pagã ou mesmo demoníaca.
A imprensa local, com certeza, fará eco às manchetes dos jornais americanos de hoje, segundo as quais o Papa condenou o Halloween como uma festa anticristã. Na verdade, o liturgista espanhol Joan Maria Canals escreveu um artigo no L’Osservatore Romano em que acusa – ele, não o Papa – a festa de ser anticristã. A história nos ensina a desconfiar do que escrevem certos liturgistas.
O respeitado exorcista italiano Padre Gabriele Amorth afirma o contrário: “Se as crianças inglesas e americanas gostam de se vestir como bruxas ou demônios em uma noite do ano isto não é um problema. Se é apenas brincadeira, não há perigo nisto”. Padre Amorth é uma autoridade no assunto, reconhecido pelo tempo em que se dedica ao estudo do fenômeno demoníaco e por já ter realizado inúmeros exorcismos.
A festa muito popular nos Estados Unidos tem, todavia, origens cristãs e remonta ao século VIII. O nome vem do inglês antigo All Hallow's Eve (Vigília de Todos os Santos) e é uma expressão popular da Liturgia da Igreja, assim como as festas e símbolos populares associados ao Natal e à Páscoa.
As primeiras críticas e ataques ao Halloween vieram dos protestantes ingleses do século XVII. Com a supressão da Vigília e da Festa de Todos os Santos, a festa muito popular entre os celtas foi proibida por lei. Os puritanos chegaram também a proibir as festividades natalinas.

O segundo ataque veio na década de oitenta por obra de protestantes americanos, entre os quais o fundamentalista anticatólico Jack Chick. Havia também um componente de preconceito contra os imigrantes irlandeses que levaram a festa para os Estados Unidos. Muitos católicos, desconhecendo as motivações destes detratores, se convenceram de que se tratava de uma festa pagã ou demoníaca.
A festa não tem raízes pagãs, na festa celta de Samhain (que significa “fim do verão” e marcava o ano-novo celta), embora muitos elementos da cultura celta pré-cristã tenham sido associados a ela. O mesmo aconteceu com o Natal e com a Páscoa. Entre estes elementos estão as fogueiras e as cabeças de abóbora iluminadas. A tradição de andar de casa em casa em busca de doces (“trick or treat” – “travessuras ou gostosuras”) é um acréscimo posterior.
As fantasias de fantasmas, caveiras ou demônios vieram posteriormente e também têm relação com a Liturgia católica, ou seja, com o Dia de Finados que é comemorado no dia seguinte à Festa de Todos os Santos. O homem medieval não se intimidava diante da morte e de suas representações e se permitia representar mesmo as figuras malignas, e delas zombar. Quem já visitou a Catedral de Notre Dame ou assistiu ao filme O Corcunda de Notre Dame conhece as gárgulas, desaguadouros de telhado representando quimeras.
A importação cultural e a comercialização relacionada às festas populares e religiosas não são um mal em si. Há os importados prejudiciais, os neutros e há os positivos. Há uma comercialização excessiva e uma moderada.
O tempo dirá se o Halloween veio para ficar ou é um modismo passageiro no cenário cultural brasileiro. Por ora, basta devolver à festa infanto-juvenil seus elementos religiosos e aproveitar do seu apelo popular para evangelizar as crianças e jovens sobre verdades fundamentais da fé cristã: céu, inferno, purgatório.
Se cairmos nas armadilhas protestantes, abandonaremos nossas festas populares de origem e motivação religiosas e deixaremos que as secularizem ou sejam apropriadas por grupos religiosos não-cristãos. Já estamos assistindo a este fenômeno nas festas de Reis Magos, nas Festas Juninas e na de São Cosme e São Damião.
Declaração contra o Comunismo
DECLARAÇÃO DE PRAGA
Tendo em conta o futuro digno e democrata de nossa comum pátria européia,
- Considerando que as sociedades que esquecem seu passado carecem de futuro;
- Considerando que a Europa não se unirá a menos que seja capaz de unificar sua história, de reconhecer o comunismo e o nacional-socialismo como um legado comum e de conseguir um debate sincero e profundo sobre todos os crimes totalitários do século passado;
- Considerando que a ideologia comunista é diretamente responsável por crimes contra a humanidade;
- Considerando que a má consciência que se deriva do passado comunista é uma pesada carga para o futuro da Europa e para nossos filhos;
- Considerando que diferentes valorações do passado comunista ainda podem dividir a Europa em Ocidente e Oriente;
- Considerando que a unidade européia foi uma resposta direta às guerras e à violência causada pelos sistemas totalitários no continente;
- Considerando que a consciência dos crimes de lesa-humanidade cometidos pelos regimes comunistas em todo o continente deve informar a todas as mentes européias, na mesma medida que os crimes do regime nacional-socialista;
- Considerando que existem similitudes entre o nacional-socialismo e o comunismo no que se refere a seus caráter horrível e espantoso, e a seus crimes contra a humanidade;
- Considerando que os crimes do comunismo ainda necessitam ser avaliados e julgados desde os pontos de vista jurídico, moral e político, assim como do ponto de vista histórico;
- Considerando que tais crimes foram justificados em nome da teoria da luta de classes e do princípio da ditadura do proletariado, que utilizam o terror como método para preservar o poder dos Governos que o aplicaram;
- Considerando que a ideologia comunista foi utilizada como uma ferramenta em mãos de imperialistas na Europa e na Ásia para alcançar seus planos expansionistas;
- Considerando que muitos dos autores que cometem e cometeram crimes em nome do comunismo ainda não foram levados ante a justiça, e suas vítimas ainda não foram indenizadas nem satisfeitas;
- Considerando que o objetivo de proporcionar informação completa sobre o passado totalitário comunista, que conduza a uma compreensão mais profunda e ao debate é uma condição necessária para a futura integração de todas as nações européias;
- Considerando que a reconciliação definitiva de todos os povos europeus não é possível sem um esforço potente para estabelecer a verdade e para restaurar a memória;
- Considerando que o passado comunista da Europa deve ser tratado a fundo, tanto na academia como ao público em geral, e as gerações futuras devem ter fácil acesso à informação sobre o comunismo;
- Considerando que em diferentes partes do mundo só uns poucos regimes totalitários comunistas sobrevivem, porém que, todavia, oprimem aproximadamente a um quinto da população mundial, e ainda se aferram ao poder cometendo delitos e impondo um alto custo para o bem-estar de seus povos;
- Considerando que em muitos países, apesar de que os partidos comunistas já não estão no poder, não se distanciaram publicamente dos crimes dos regimes comunistas nem os condenaram;
- Considerando que Praga é um dos lugares que sofreu tanto com o nazismo quanto com o comunismo,
Estando convencidos de que os milhões de vítimas do comunismo e suas famílias têm direito a desfrutar da justiça, da solidariedade, da compreensão e do reconhecimento de seus sofrimentos da mesma forma que as vítimas do nazismo foram moral e politicamente reconhecidos,
Nós, os participantes da Conferência de Praga Consciência européia e o comunismo,
- Ante a Resolução do Parlamento Europeu sobre o sexagésimo aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial na Europa, em 8 de maio de 1945, de 12 de maio de 2005,
- Ante a Resolução 1.481 da Assembléia Parlamentar do Conselho da Europa, de 26 de janeiro de 2006,
- Ante as resoluções sobre os crimes comunistas adotadas por vários Parlamentos nacionais,
- Ante a experiência da Comissão pela Verdade e a Reconciliação na África do Sul,
- Ante a experiência dos Institutos da Memória e os Memoriais na Polônia, Alemanha, Eslováquia, República Checa, Estados Unidos, o Instituto para a Investigação de Crimes Comunistas na Romênia, os museus da ocupação da Lituânia, Letônia e Estônia, assim como a Casa do Terror na Hungria,
- Ante as presidências atuais e futuras na UE e no Conselho da Europa.
- Ante o fato de que 2009 é o vigésimo aniversário da queda do comunismo na Europa Central e Oriental, assim como dos assassinatos em massa na Romênia e no massacre da Praça de Tianamen em Pekin,
Pedimos:
1. Chegar a um entendimento entre todos os europeus de que os regimes totalitários nazista e comunista devem ser julgados por seus próprios méritos terríveis, por ser destrutivo em suas políticas de maneira sistemática na aplicação das formas extremas de terror, da supressão de todos os direitos civis e das liberdades humanas, começando pelas guerras de agressão e, como uma parte inseparável de suas ideologias, o extermínio e a deportação de nações inteiras e grupos de população, e que como tais devem ser considerados os principais desastres que frustraram o século 20,
2. O reconhecimento de que muitos crimes cometidos em nome do comunismo devem ser qualificados como crimes de lesa-humanidade, de modo que constituam uma advertência para as gerações futuras da mesma maneira que os crimes nazistas foram julgados pelo Tribunal de Nüremberg,
3. A formulação de um enfoque comum a respeito dos crimes dos regimes totalitários, incluídos os regimes comunistas, e uma versão européia dos crimes comunistas, a fim de definir claramente uma atitude comum frente aos crimes dos regimes comunistas,
4. A introdução de uma legislação que permita aos tribunais de justiça julgar e condenar os culpados pelos crimes comunistas e compensar as vítimas do comunismo,
5. A garantia do princípio de igualdade de tratamento e não-discriminação entre as vítimas de todos os regimes totalitários,
6. A pressão européia e internacional para a condenação efetiva dos crimes do passado comunista e da luta eficaz contra os crimes comunistas em curso,
7. O reconhecimento do comunismo como parte integrante e horrível da história comum da Europa,
8. A aceitação por toda a Europa da responsabilidade pelos crimes cometidos pelo comunismo,
9. O estabelecimento de 23 de agosto, dia da assinatura do pacto Hitler-Stalin, conhecido como o Pacto Molotov-Ribbentrop, como um dia de lembrança das vítimas dos regimes totalitários nazista e comunista, do mesmo modo que a Europa recorda as vítimas do Holocausto em 27 de janeiro,
10. A reclamação aos Parlamentos nacionais para que reconheçam os crimes comunistas como crimes contra a humanidade, e modifiquem a legislação pertinente,
11. O debate público sobre o mal uso comercial e político dos símbolos comunistas,
12. A continuação das audiências da Comissão Européia com respeito às vítimas dos regimes totalitários, com vistas à elaboração de uma comunicação da Comissão,
13. O estabelecimento de comitês compostos por experts independentes nos Estados europeus que foram governados por regimes comunistas totalitários, com a tarefa de recolher informação sobre violações dos direitos humanos sob cada regime comunista totalitário em nível nacional, com o fim de colaborar estreitamente com o Conselho de Comitê de experts da Europa,
14. A elaboração de um claro marco jurídico internacional em relação a um acesso livre e irrestrito aos arquivos que contêm informação sobre os crimes do comunismo,
15. A fundação de um Instituto Europeu da Memória e da Consciência, que teria duas funções:
A) a de um instituto europeu dedicado à investigação dos estudos do totalitarismo, o desenvolvimento de projetos científicos e educacionais e o apoio à criação de redes de institutos de investigação nacionais especializados no tema da experiência totalitária,
B) e a de um museu memorial de âmbito europeu das vítimas de todos os regimes totalitários, com o objetivo de recordar as vítimas destes regimes e de dar a conhecer os crimes cometidos por eles,
16. A organização de uma conferência internacional sobre os crimes cometidos pelos regimes comunistas totalitários, com a participação de representantes de governos, parlamentares, acadêmicos, experts e associações, cujos resultados devem ser difundidos no mundo inteiro,
17. O ajuste e a revisão de livros de texto de história européia, para que as crianças possam aprender e ser advertidas sobre o comunismo e seus crimes, da mesma forma que se lhes ensinou a compreender os crimes nazistas,
18. A abertura de um amplo e profundo debate em toda a Europa sobre a história européia e a herança comunista,
19. A comemoração conjunta do 20º aniversário no próximo ano da queda do Muro de Berlim, do massacre da Praça Tianamen e da matança na Romênia.
Nós, os participantes da Conferência de Praga Consciência Européia e o Comunismo, nos dirigimos a todos os povos da Europa, a todas as instituições políticas européias, inclusive os Governos e os Parlamentos nacionais, o Parlamento Europeu, a Comissão Européia, o Conselho da Europa e outros órgãos internacionais pertinentes, e os exortamos a abraçar as idéias e as propostas enunciadas nesta Declaração de Praga, e a convertê-las em medidas práticas e políticas.
Fonte: Notalatina
Arquidiocese de Miami barra Legionários de Cristo
O Arcebispo de Miami proibiu os Legionários de Cristo de realizar quaisquer atividades na arquidiocese.
Segundo uma nota da cúria, “no passado, aos padres era dada uma autorização individual pelo vigário-geral cada vez que eles desejavam vir à Arquidiocese de Miami, mas seu ministério se restringia aos seus próprios membros”. De acordo com o chanceler, o Arcebispo decidiu negar-lhes o uso de ordens porque eles não se conformaram às condições impostas. A proibição incide também sobre o movimento Regnum Christi, associação de leigos vinculada aos Legionários.
Os Legionários têm sido objeto de uma visitação apostólica determinada pelo Papa Bento XVI após as últimas revelações sobre a vida indigna do fundador, Padre Marcial Maciel, mas o Papa não quer a eliminação dos Legionários, entre os quais se encontram excelentes sacerdotes e genuínas vocações. Os Legionários sempre se mostraram fiéis à doutrina da Igreja e ao magistério do Papa, numa época em que antigas congregações estão na vanguarda do dissenso.
Muitos bispos liberais nunca viram os Legionários com bons olhos e agora aproveitam a oportunidade para se livrarem deles. Não me refiro ao caso específico de Miami, cujos detalhes desconheço, mas são muitos as situações em que os bispos agem dentro do direito e não necessariamente conforme a justiça. Uma lei, em si boa e que vise ao bem eclesial, pode ser usada contra os interesses da própria Igreja.
Os Legionários estão muito vulneráveis após as últimas revelações, que certamente pegaram de surpresa a maioria dos seus membros e pelas quais não têm responsabilidade ou culpa. Apoiar estes membros, ajudá-los a identificar e afastar os responsáveis e corrigir os eventuais erros na prática pastoral é dever dos bispos, e é o que tem feito o Papa. Destruí-los é prestar um desserviço à Igreja.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Retomada fase vaticana do processo de beatificação do Padre Matteo Ricci
.jpg)
CIDADE DO VATICANO – Retomado o processo de beatificação do Padre Matteo Ricci, jesuíta de Macerata, primeiro missionário na China (1552-1610). É o que veio à tona no curso de uma coletiva de imprensa de apresentação de uma mostra dedicada a ele no Vaticano, tendo em vista as relações atuais – e nem sempre fáceis – entre a Santa Sé e o governo chinês.
“Que se possa proceder de modo rápido e positivo também o reconhecimento de seu caminho de santidade”, disse o bispo de Macerata, Dom Claudio Giuliodori. Foi seu predecessor quem introduziu a causa de beatificação de Ricci, que, na sua fase diocesana, foi concluída em 1985. Os autos foram transmitidos à Congregação para a Causa dos Santos, que agora deverá retomar o trabalho. “Isto nos encoraja a seguir em frente”, comentou Giuliodori. “Depois que foi à China passou ali o resto de sua vida com grandes obras religiosas e culturais”, destacou o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, “um testemunho espiritual extraordinário”. Lombardi expressou a expectativa de que também o primeiro convertido ao cristianismo, Xu Guangqui, possa ascender às honras dos altares.
A mostra apresentada no Vaticano será inaugurada no Braço de Carlos Magno, ao longo da colunata berniniana da Praça de São Pedro. Foi organizada pelo Comitê para as Celebrações do IV Centenário do Padre Matteo Ricci em colaboração com os Museus Vaticanos, a Cúria Generalícia da Companhia de Jesus e a Pontifícia Universidade Gregoriana.
“A figura do Padre Matteo Ricci, deixada por três séculos um pouco na sombra por causa dos conhecidos incidentes dos assim chamados ritos chineses, completamente alheios a ele uma vez que lhe sucederam – destacou Giuliodori na coletiva de imprensa – possa encontrar o reconhecimento e a valorização que merece seu gênio missionário, por sua estatura espiritual e moral, por sua abertura e amplitude de visão cultura. À luz de tal testemunho – acrescentou – possa crescer a amizade com o povo chinês e possam ser reforçados os vínculos de comunhão com os católicos deste grande país, como desejado pelo Santo Padre na carta endereçada a eles em maio de 2007, onde é repetidamente citado o Padre Matteo Ricci, recordando o seu estilo e o seu método”. Naquela data, Bento XVI enviou uma carta a todos os chineses, minoria frequentemente objeto de restrições e perseguições pelo governo comunista de Pequim. Desde 1951 foram interrompidas as relações diplomáticas entre a Santa Sé e a China. Somente ultimamente foram retomados os contatos informais num quadro de degelo.
Apresentaram a mostra, além de Dom Giuliodori e Padre Lombardi, o diretor dos Museus Vaticanos, Antonio Paolucci, o presidente da Fundação para os Bens e as Atividades Artísticas da Igreja, Giovanni Morello, e o presidente do Comitê promotor das Celebrações do IV Centenário da morte do Padre Matteo Ricci, Adriano Ciaffi.
Fonte: Petrus
Tradução: OBLATVS
Kéchichian, crítico literário do «Le Monde», se converte ao catolicismo

Patrick Kéchichian se converteu à fé católica após uma longa fase de afastamento da Igreja Católica. Jornalista e crítico literário, este intelectual de origem armênia, foi o redator-chefe de 1985 a 2008 do suplemento «Le Monde des Livres».
Após sua conversão abandonou o jornal laico e se somou às páginas do «La Croix».
“Sempre me fascinou a riqueza da cultura, e sobretudo da literatura cristã francesa dos séculos XIX e XX: Claudel, Bernanos, Lubac... Para não falar de épocas anteriores: Pascal, Bousset, Francisco de Sales... Quando alguém se aproxima destes autores se admira com sua diversidade, inclusive sua oposição, sempre dentro do catolicismo. É uma das consequências, feliz e fecunda, da inaudita liberdade que dá a fé”, sustenta.
“Quando se aceita a totalidade do dogma, diante de nós se abre uma multiplicidade de caminhos possíveis”, sustenta. “A fé não é e não pode ser um assunto privado”, afirma Kéchichian. “Quero sublinhar a importância da dimensão universal do catolicismo. Eu sacrifico minha identidade pessoal e narcisista para ganhar uma verdadeira identidade em Cristo. Católico não é um adjetivo, é um substantivo. Eu não sou um crítico ou um escritor católico; sou crítico, escritor e católico. As identidades sociológicas não me interessam. Dito isto, creio que a fé penetra todos os setores da minha vida, incluído o profissional”, afirma.
Fonte: Religión en Libertad
Tradução: OBLATVS
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Relíquias de Dom Bosco chegam em novembro ao Brasil

No próximo dia 2 de dezembro, as relíquias de São João Bosco chegam ao estado de São Paulo, após visitar Porto Alegre (RS), aonde chegará no dia 16 de novembro. A peregrinação da urna com a relíquia teve início em junho deste ano, na Itália, e faz parte da preparação ao bicentenário do nascimento de dom Bosco (1815-2015). O trajeto das relíquias no continente Sul Americano começou na Argentina, na etapa que contempla a chamada região salesiana América Cone Sul, passando pelo Chile, Uruguai, Paraguai até chegar ao Brasil.
A urna, sustentada por quatro pilares nos quais se gravaram as datas relativas ao bicentenário, o escudo da congregação salesiana e o lema carismático de dom Bosco “Dêem-me almas e levem todo o resto”, contém os restos do braço direito do santo fundador dos salesianos.
Fonte: CNBB
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Porta-voz do Opus Dei esclarece peculiaridade das prelazias pessoais
O porta-voz do Opus Dei na Itália, Pippo Corigliano, é cético sobre a possibilidade de que os lefebvristas sejam enquadrados na Igreja Católica em uma estrutura jurídica análoga à prelazia pessoal reservada pelo Papa João Paulo II ao movimento fundado por São Josemaria Escrivá de Balaguer.
“A título pessoal – escreve Corigliano em uma nota – desejo esclarecer um ponto sobre o qual há um pouco de confusão. Leio em várias partes que a prelazia pessoal do Opus Dei possa servir como precedente ou modelo para os Lefebvristas. Também no caso dos anglicanos católicos (não sei exatamente como se chamarão) falou-se da prelazia pessoal como modelo. Nestes casos o modelo já existente é o ordinariato militar. Isto é, uma diocese para todos os efeitos que provê o cuidado pastoral dos próprios fiéis que se lhe aderem a título pessoal, como os militares neste caso.
Isto é uma diocese pessoal, não uma prelazia pessoal. A diocese territorial, como a de Bari ou Nápoles, ao invés, conta os seus fiéis tendo por base o território”.
“As prelazias pessoais – prossegue Corigliano – foram pensadas pelo Concílio como estruturas que se criam para atividades pastorais peculiares. No caso do Opus Dei, este escopo é o auxílio espiritual para santificar o trabalho ordinário e a vida cotidiana. Elas compatíveis com as dioceses territoriais e colaboram com estas últimas. Por exemplo, se marido e mulher são do Opus Dei, são casados pelo seu pároco que batizará os seus filhos. Vão à missa na paróquia e tudo o mais... Enquanto os militares tem o seu bispo e um clero próprio que atende a todas as suas necessidades pastorais. Provavelmente digo coisas já conhecidas, mas ultimamente circulam e se propagam coisas inexatas”.
© Copyright Asca
Fonte: Papa Ratzinger Blog
Tradução: OBLATVS
Nova entrevista do Cardeal Cañizares
Sem tempo para traduzir, segue me espanhol a entrevista concedida pelo Cardeal Cañizares ao site Religión en Libertad. Os destaques são meus.
“El valor de lo sagrado en la Iglesia”. Con este sugerente título el cardenal Antonio Cañizares Llovera, prefecto de la Congregación para el Culto Divino y la Disciplina de los Sacramentos, inauguró el pasado 15 de octubre el curso 2009-2010 de la asociación Fe y Cultura. La presen cia destacada del purpurado valenciano en Barcelona coincide, además, con la celebración gozosa del 30 aniversario de la entidad, dirigida actualmente por Mn. Rafael Méndez, párroco de la Virgen de los Ángeles, y apoyada desde sus orígenes por el cardenal Ricard M. Carles.
- Pronto se cumplirá un año de su nombramiento por parte del Papa como prefecto de la Congregación para el Culto Divino... ¿qué valora ción hace de su estreno en la Curia vaticana?
- Yo no soy quien tiene que hacer valoración de mi gestión. Lo único que tengo que decir es que es un tiempo muy importante para todos, se está trabajan do intensamente, se ha atendido una asamblea plenaria de la congregación, se ha llegado a unas propuestas que el Santo Padre aprobó y que constituyen el plan de nuestro trabajo. El gran objetivo es reavivar el espíritu de la liturgia en todo el mundo.
¿Cuáles han sido los asuntos más urgentes que ha tenido que atender?
- Asuntos urgentes hay todas las mañanas, referentes a excesos y errores que se cometen en la liturgia, pero sobre todo, el asunto más urgente, que es apremiante en todo el mundo, es que se recupere de verdad el sentido de la liturgia. No se trata de cambiar rúbricas o introducir nuevas cosas, sino que de lo que se trata, sencillamente, es que se viva la liturgia y esté en el centro de la vida de la Iglesia. La Iglesia no puede ser sin la liturgia, porque la Iglesia es para la liturgia, es decir, para la alabanza, para la acción de gracias, para ofrecer el sacrificio al Señor, para la adoración... Esto es lo fundamental, y sin esto no hay Iglesia. Es más, sin esto no hay humanidad. Por eso es una tarea sumamente urgente y apremiante.
- ¿Cómo se recupera el sentido de la liturgia?
- En estos momentos, trabajamos de una manera muy silenciosa en toda una serie de temas que tienen que ver con proyectos de formación. Es la necesidad prioritaria que se tiene: una buena y verdadera formación litúrgica. El tema de la formación litúrgica es capital por que realmente no se cuenta con una formación suficiente. La gente cree que la liturgia es una cuestión de formas o de realidades exteriores, y lo que realmente nos hace falta es recuperar el sentido de la adoración, es decir, el sentido de Dios como Dios. Este sentido de Dios sólo se podrá recuperar con la liturgia. Por eso el Papa tiene tantísimo interés en acentuar la prioridad de la liturgia en la vida de la Iglesia. Cuando se vive el espíritu de la liturgia, se entra en el espíritu de la adoración, se entra en el reconocimiento de Dios, se entra en comunión con Él, y esto es lo que transforma al hombre y lo convierte en un hombre nuevo. La liturgia mira siempre a Dios, no a la comunidad; no es la comunidad la que hace la liturgia, sino que es Dios quien la hace. Es Él quien sale a nuestro encuentro y nos ofrece participar en su vida, en su misericordia en su perdón... Cuando se viva la liturgia de verdad y Dios esté verdaderamente en el centro de ella, cambiará todo.
- ¿Tan alejados estamos hoy del sentido verdadero del misterio?
- Sí, actualmente hay una secularización y un laicismo muy grandes, se ha perdido el sentido del misterio y de lo sagrado, no se vive con el espíritu verdaderamente de adorar a Dios y de dejar a Dios que sea Dios. Por eso se cree que hay que estar cambiando constantemente cosas en la liturgia, hacer innovaciones y que sea muy creativo todo. No es ésta la necesidad de la liturgia, sino que sea realmente adoración, es decir, reconocimiento de Aquél que nos trasciende y que nos ofrece la salvación. El misterio de Dios, que es misterio insondable de su amor, no es una nebulosa, sino que es Alguien que sale a nuestro encuentro. Hay que recuperar al hombre que adora. Hay que recuperar el sentido del misterio. Hay que recuperar lo que nunca deberíamos haber perdido. El mayor mal que se está haciendo al hombre es querer eliminar de su vida la trascendencia y la dimen sión del misterio. Las consecuencias las estamos viviendo hoy en todas las esferas de la vida. Son la tendencia a sustituir la verdad por la opinión, la confianza por la inquietud, el fin por los medios... Por eso es tan importante defender al hombre de todas las ideologías que lo debilitan en su triple relación con el mundo, con los demás y con Dios. Nunca antes se había hablado tanto de libertad, y nunca antes ha habido más esclavitudes.
- Después de tantos años de docencia y de ministerio episcopal, ¿cómo ha vivido la llamada a servir en la Curia vaticana como «ministro del Papa»?
- Yo lo asumo con mucho gozo, por que significa cumplir la voluntad de Dios. Cuando se cumple la voluntad de Dios uno está muy contento, aunque he de confesar que yo no esperaba algo así. Al mismo tiempo, el hecho de trabajar junto al Papa me permite vivir intensamente el misterio de comunión. Me siento muy unido a él, feliz de ayudarle en todo lo que él realmente está pidiendo. Como es sabido, una de sus preocupaciones principales es la preocupación por la liturgia.
- ¿Echa de menos la acción pastoral?
- Siempre se echa muy de menos, por que es algo que uno lleva muy adentro, sobre todo después de llevar a cabo una intensa actividad pastoral, como la que yo tuve que llevar en Ávila, Granada y Toledo. Pero también hay que decir que lo que ahora estoy haciendo tiene mucho sentido eclesial y lo que importa es realmente vivir el servicio a la Iglesia allí donde uno esté. Porque allí donde uno esté, sirviendo a la Iglesia, se encuentra con todos.
- Una curiosidad, ¿le siguen llamando el pequeño Ratzinger?
- Pues sí, todavía hay gente que me llama así, pero no merezco tal apelativo. ¡Ojalá fuese un teólogo que se pareciera más al papa Benedicto XVI!
- Desde esa atalaya privilegiada que es Roma, ¿cuáles son los principales motivos de esperanza que usted observa en medio de esta Europa cada vez más secularizada y alejada de Dios?
- El gran motivo de esperanza es el mismo Papa y lo que él está constantemente diciendo. Este Papa está llevando a cabo un ministerio de Pedro tal y como Jesús se lo encomendó a Pedro. Su principal misión es confirmar en la fe a los hermanos y lo está haciendo todos los días. Todos los días nos habla de algo que es clave, el fundamento y el futuro de todo, como es la afirmación, el reconocimiento y la adoración de Dios. Si no situamos a Dios en el centro de la vida del hombre, no hay futuro para la humanidad. Es lo que el Papa ha llamado ante los jóvenes, nada menos, «la revolución de Dios». ¡Hagamos la revolución de Dios! Por eso, para mí, el Papa, y todo su magisterio, es un gran signo de esperanza.
- ¿Sigue desde el Vaticano los temas de actualidad, sobre todo lo que acontece en España?
- Estando en Roma no puedo dejar de estar en España. Sigo diariamente la actualidad, me siento muy vinculado a mi país. No me olvidó de mi patria, ni de mis realidades, ni de mis preocupaciones, que son también las de mis compatriotas.
- Supongo que habrá seguido con atención lo referente a la mani festación del pasado 17 de octubre en contra de la reforma de ley del aborto...
- Cuando hay una manifestación pública tan multitudinaria como ha sido ésta quiere decir que las cosas no van bien, y aquí hay algo que no va nada bien, que es el hecho de que no hay un respeto a la vida. No se respeta la vida, no se defiende, y la vida es el primer derecho, es el derecho fundamental sobre el que se asientan todos los demás derechos. La vida es la dignidad de la persona humana y cuando no se respeta la dignidad de la persona humana no se respetan otras cosas. Lo que está en juego aquí es el hombre. Si hay legislaciones, si hay una mentalidad que va en contra del hombre, eso indica, y así lo pone de relieve esta muestra pública, que necesitamos reconsiderar las cosas. ¡Necesitamos apostar por el hombre! Por eso creo que más que una manifestación «en contra de», se trata de una apuesta en favor del hombre, una apuesta por la vida y la dignidad de la persona humana, por la verdadera libertad y la grandeza de la mujer y la maternidad. Mi mensaje para todos es que digamos sí al hombre, sí a la vida, y para ello, tenemos el máximo «sí» al hombre y a la vida que es el amor de Dios, que ama con pasión al hombre hasta el punto de entregar su propia vida en Jesucristo por todos nosotros. ¡Ésta es nuestra gran esperanza y éste es el gran futuro para el hombre!
Patriarca Melquita visitará o Brasil em 2010
O Patriarca Greco-Melquita Católico, Sua Beatitude Gregório III, visitará o Brasil pela primeira vez em agosto de 2010. Sua visita coincidirá com o 7º Congresso dos Bispos Melquitas da Emigração, que será realizado na Venezuela. Na mesma ocasião, visitará também a Argentina.
Foi eleito para suceder o Patriarca Máximo V pelo Sínodo de sua Igreja em, 29 de novembro de 2000, e recebeu a “ecclesiastica communio” do Papa João Paulo II em 5 de dezembro do mesmo ano. É o chefe espiritual de um milhão e meio de católicos melquitas em todo o mundo.
Os imigrantes sírios e libaneses trouxeram consigo a robustez de sua fé e o esplendor de sua liturgia para o Brasil, onde estão organizados em uma Eparquia (diocese) com sede em São Paulo, paróquias em quatro estados e um mosteiro em Votorantim. O atual Eparca é S. Exª Dom Farès Maakaroun.
Para saber mais sobre a venerável Igreja Greco-Melquita visite os sites abaixo:
Melkite Greek Catholic Patriarchate;
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Nota da Pontifícia Comissão "Ecclesia Dei"
Na segunda-feira, 26 de outubro, ocorreu no Palácio do Santo Ofício, sede da Congregação para a Doutrina da Fé e da Pontifícia Comissão Ecclesia dei, o primeiro encontro da Comissão de estudo, formada por peritos da mesma Comissão e da Fraternidade Sacerdotal S. Pio X, com o objetivo de examinar as dificuldades doutrinais que ainda subsistem entre a Fraternidade e a Sé Apostólica.
Num clima cordial, respeitoso e construtivo foram evidenciadas as principais questões de caráter doutrinal que serão tratadas e discutidas no curso dos colóquios que prosseguirão nos próximos meses, provavelmente de dois em dois meses ("bimestrale, non bimensile" - havia ambiguidade nas duas versões da nota, agora corrigida). Em particular, serão examinadas as questões relativas ao conceito de Tradição doutrinal católica, ao Missal de Paulo VI, à interpretação do Concílio Vaticano II em continuidade com a Tradição doutrinal católica, aos temas da unidade da Igreja e dos princípios católicos do ecumenismo, da relação entre o Cristianismo e as religiões não-cristãs e da liberdade religiosa. No curso do encontro foi também definido o método e a organização do trabalho.
Fonte: Santa Sé
Tradução: OBLATVS
Ricordo di Roma

Com um pouco de atraso, deixo aqui registrada minha recordação do dia 25 de outubro de 1998. Naquele domingo, o Papa João Paulo II beatificou o Frei Antônio de Sant’Ana Galvão, primeiro beato brasileiro.
Eu estava no meio da multidão dos peregrinos em Roma. Da Basílica de Santo Eustáquio, onde nos hospedáramos, até a Praça de São Pedro, um amigo padre e eu percorremos sozinhos as ruas, bastante adiantados quanto ao horário. Naquele dia, graças à confusão feita por uma freira, não nos adaptamos ao fim do horário de verão local (ora legale); confusão que nos valeu um bom lugar na Piazza San Pietro.
Coincidentemente, neste ano, o dia 25 de outubro também caiu num domingo e, com o fim do horário de verão, os relógios foram igualmente atrasados em uma hora.
Atenção! Agora só três horas nos separam de Roma. Estamos, portanto, mais próximos do Santo Padre!
domingo, 25 de outubro de 2009
Primaz da TAC dá alguns detalhes sobre os ordinariatos
O primaz da TAC, “arcebispo” John Hepworth, concedeu uma entrevista ao The Australian em que responde a algumas questões colocadas por OBLATVS e confirma algumas opiniões aqui emitidas.
Sobre o celibato do clero e os atuais bispos anglicanos:
“Os bispos na nova estrutura anglicana serão celibatários. Assim o é em razão do respeito à tradição do cristianismo no Oriente e no Ocidente. Mas os padres que vierem do anglicanismo poderão servir como padres na nova estrutura, casados ou não, após satisfazerem certas exigências. O elemento verdadeiramente radical é que homens casados poderão ser ordenados padres na nova estrutura anglicana indefinidamente no futuro. Foi-nos antecipado que os bispos anglicanos que forem casados quando se unirem à nova estrutura poderão servir como ordinários (como sacerdotes), exercendo algumas das responsabilidades dos bispos.”
“Permiti-lo [o clero casado] não é de forma alguma um desafio à regra do celibato, mas é permitir que floresça a visão de uma família no coração da paróquia numa época em que a família está sob grande pressão. Por outro lado, os anglo-católicos terão de fazer uma releitura do valor da vocação celibatária. A TAC já tem um grande número de bispos celibatários e comunidades celibatárias de padres e freiras, assim talvez a lição já esteja sendo aprendida”
Sobre a liturgia:
“Um grupo internacional está trabalhando neste momento sobre os livros litúrgicos para a nova estrutura anglicana. Antecipo que é algo que combina aspectos do culto anterior à Reforma Inglesa, a gloriosa língua litúrgica do período da Reforma e o entendimento contemporâneo do modo como os cristãos devam se aproximar de Deus, é o que eventualmente será aprovado.”
sábado, 24 de outubro de 2009
Encerrados os trabalhos do Sínodo para a África
Encerrou-se, neste sábado, a Assembleia do Sínodo dos Bispos para a África. Os Padres Sinodais consignaram ao Santo Padre os documentos relativos aos trabalhos e solicitaram ao Papa uma exortação pós-sinodal, caso o julgue oportuno.
O Papa aprovou as 57 Proposições da Assembleia – já disponíveis em português – que deverão nortear as iniciativas futuras dos bispos, sacerdotes, religiosos e leigos do continente africano.
Grande destaque nas comunicações dos Padres Sinodais teve o tema da reconciliação. Os conflitos étnicos se fazem sentir, não raro, no seio das próprias dioceses e paróquias e estão na raiz das guerras permanentes e da instabilidade política.
Os Padres se ocuparam também do problema gravíssimo da AIDS e das falsas soluções que os países ricos querem impor aos governos africanos. Contribuíram para o estudo do problema pessoas envolvidas diretamente no enfrentamento da epidemia e no cuidado dos milhões de africanos infectados, muitos dos quais são crianças.
As Proposições são bastante sucintas e, ao que parece, apontam para uma eventual exortação pós-sinodal. Dada a natureza dos temas abordados, é provável que sua redação seja confiada ao Pontifício Conselho “Justiça e Paz” cujo presidente, o africano Cardeal Peter Turkson, foi nomeado hoje pelo Santo Padre.
Sandinistas preocupam Bispos da Nicarágua
De volta para o passado: sandinistas dão golpe na Nicarágua e preocupam os bispos do país.
El presidente de la Conferencia Episcopal de Nicaragua, Mons. Leopoldo Brenes, dijo que la situación en el país es preocupante y expresó su temor a que se generen “enfrentamientos” tras un fallo de la sala constitucional de la Corte Suprema de Justicia que allana el camino para la reelección presidencial.
“Analizamos el anuncio que había dado la sala constitucional de cambiar un articulo (el 147) de la Constitución política y considero que es una situación muy triste dentro de la historia de nuestro país, pues nuestra Carta Magna es la única que rige a los poderes del Estado”, dijo monseñor Brenes al canal 12 de televisión.
Según monseñor Brenes tras la decisión de la sala constitucional de la Corte Suprema de Justicia (CSJ), que el lunes decidió declarar inaplicable un artículo de la Carta Magna que impide la reelección consecutiva o por más de dos mandatos de un presidente, la tensión es evidente en el país y “esto puede provocar enfrentamientos”.
Para el presidente de la Conferencia Episcopal de Nicaragua, la situación que “está pasando en el país es preocupante porque divide a la población y crea conflicto en los poderes del Estado”.
El fallo, desconocido por la oposición, fue dictado en una maniobra de los jueces sandinistas de la sala constitucional, conformada a partes iguales por liberales y sandinistas, que resolvieron la cuestión de manera expedita y sin la presencia de los magistrados opositores, que fueron sustituidos por suplentes oficialistas.
“Hay países que nos ayudan y son muy celosos con la institucionalidad del país y si ellos, en sus análisis, ven que acá se está saltando ese principio puede traernos consecuencias”, expresó Brenes.
En la tarde de ayer, el Gobierno de Nicaragua citó al cuerpo diplomático acreditado en este país con el fin de explicar la sentencia emitida por la sala constitucional de la Corte Suprema de Justicia.
“Vimos cómo salían de la cancilleria embajadores con sus rostros preocupados, eso me preocupa, es un signo de que hay algo”, manifestó al respecto el también arzobispo de Managua.
Fonte: Diario Las Americas
Cardeal africano é nomeado para a Cúria Romana
“O Papa Bento XVI nomeou, nesta manhã, o Cardeal Peter Kodwo Turkson, arcebispo de Cape Coast, em Gana, e relator geral do Sínodo dos Bispos sobre a África, presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz, em substituição ao Cardeal Renato Raffaele Martino. O anúncio, muito esperado, foi dado pelo porta-voz, Padre Federico Lombardi, durante uma coletiva de imprensa no Vaticano na presença do Cardeal Turkson. (Asca)”
Obs: A nomeação ainda não figura no site da Santa Sé.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Prelazia Pessoal para a FSSPX?
Tenho percebido algumas contradições nas declarações de Dom Fellay e de outros expoentes da FSSPX. Ouvi recentemente uma conferência dada pelo bispo na Argentina em que ele se mostra ceticamente realista em relação aos resultados imediatos dos colóquios com a Santa Sé. Agora, mais recentemente, diz numa entrevista a um jornal chileno que o Vaticano se inclina favoravelmente à criação de uma Prelazia Pessoal para a Fraternidade.
Estaria o Vaticano trabalhando para uma solução canônica se os bispos da Fraternidade, ao menos Dom Fellay, não lhe tivessem dado um sinal positivo?
Há nesta história muitas coisas que desconhecemos, o que é natural. O que não me parece prudente é confundir pessoas diretamente interessadas com declarações desencontradas.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Papa Bento no Iraque?
Viagem do Papa ao Iraque para visitar a “morada de Abraão”? Em se dando crédito ao cotidiano do Estado iraquiano, al-Sabah, parece inclusive que esta seja uma questão já decidida e que ocorrerá dentro de pouco tempo. “O Papa Bento XVI virá logo ao Iraque para visitar a morada de Abraão no sítio arqueológico de Ur, na província de Dhi Qar”, escreve hoje em primeira página al-Sabah. O cotidiano escreve que a notícia foi dada ontem pelo presidente da junta regional do governo de Dhi Qar, Qusai al-Abbadi, ao retornar de sua visita ao Vaticano ocorrida na semana passada. Al Abbadi – segundo o al-Sabah – explicou que, durante a sua visita ao Vaticano, recordou o convite feito ao Papa pelo Conselho regional presidido por ele próprio; um alto prelado da Santa Sé lhe teria afirmado que “o Santo Padre aceitou o convite e visitará Dhi Qar num futuro próximo”. Ur, antiga capital suméria, foi construída por volta do ano 2100 a.C: o sítio dista apenas 10 km da cidade de Nassiriya, que foi sede do comando da missão italiana no Iraque, denominada “Antiga Babilônia”.
Atualização: Padre Federico Lombardi afirmou que a notícia dada pelo jornal estatal iraquiano é "infundada".
Fonte: Apcom, via Papa Ratzinger Blog
Tradução: OBLATVS
Compendium Eucharisticum

“A Congregação para o Culto Divino produziu um novo volume, o Compendium Eucharisticum, destinado a ajudar os sacerdotes a celebrar a Missa com a devida reverência. O compêndio, preparado por solicitação do Papa Bento XVI, inclui orações, textos teológicos e outros materiais de estudo. O Cardeal Antonio Cañizares, Prefeito da Congregação para o Culto Divino, afirmou que o volume oferece “tudo que possa ser útil para a correta compreensão, celebração e adoração do sacramento do altar”. O texto foi publicado em italiano; uma tradução para o inglês está por vir.”
Em português esperemos para as calendas gregas, exceto...
Fonte: Catholic Culture News
Tradução: OBLATVS
Um Ordinariato para a América Latina?
Há cerca de 20 mil anglicanos no Brasil e outros 20 mil na América do Sul. Talvez haja entre eles clérigos e leigos dispostos a responder à Constituição Apostólica. A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil já manifestou seu desconforto, como se lê em uma nota publicada no seu site.
Será que as comissões de ecumenismo da CNBB e do CELAM deixariam?
Especulações sobre ritos litúrgicos
Como exercício especulativo, e tão somente, tratemos das questões relativas ao possível rito dos Ordinariatos Pessoais dos ex-anglicanos.
Em primeiro lugar, convém enfatizar que não há qualquer indicação de que o rito utilizado por estes ordinariatos será o Anglican Use das paróquias americanas da Provisão Pastoral. É possível que este seja tomado tal como existe, numa fase de transição, ou sirva de modelo para a organização de um rito que tenha aplicação mais abrangente, para além das fronteira americanas.
O Anglican Use americano tem um único livro litúrgico conhecido como “Book of Divine Worship” (pdf) onde se acham o Ordo Missae, os rituais dos demais sacramentos, o ofício divino e as indicações bíblicas a serem usadas nas cerimônias. É evidente que se trata de um livro litúrgico pouco desenvolvido e, a meu ver, provisório. Precisa ser enriquecido para atender às necessidades dos futuros ordinariatos que, suponho, virão para ficar. Acredito que a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, em consulta com a Congregação para a Doutrina da Fé, aproveitará a oportunidade para incrementar o Book of Divine Worship com elementos litúrgicos que se encontram nos sacramentários ingleses pré-conciliares.
Outra característica não desprezível é a diversidade litúrgica existente no próprio seio das comunidades anglicanas em vias de se tornarem católicas. Elas celebram a Missa e os demais sacramentos com uma variedade de rituais; praxe que, provavelmente, não lhes será permitido manter. Terão de se conformar a um único rito aprovado e, eventualmente, corrigido pela Santa Sé para atender a uma “demanda global”. Creio que mesmo as atuais paróquias da Provisão Pastoral americana, uma vez organizadas em um ordinariato, terão de se conformar a este rito único.
Outra questão que se coloca é sobre a gestão desta realidade multirritual na Igreja latina, realidade, aliás, nada inédita. Já existem os ritos ambrosiano, moçárabe e os de algumas famílias religiosas. A diferença é que um futuro rito “anglicano” terá uma abrangência mais global.
Antes de mais nada, o Rito Romano – em suas duas formas – pode ser utilizado por qualquer sacerdote de rito latino, dada sua natureza universal. Assim os sacerdotes do “ordinariato” poderão celebrar a Santa Missa e os sacramentos segundo o Ritual “anglicano” que for aprovado, como rito próprio em suas igrejas, segundo os livros litúrgicos tridentinos, que muito apreciam, e segundo os livros litúrgicos de Paulo VI, já usados por alguns.
E quanto ao rito “anglicano”, dado que de natureza particular? Quem poderá utilizá-lo?
Obviamente os sacerdotes do ordinariato, como rito próprio.
Os demais sacerdotes também poderão fazê-lo sob certas circunstâncias: nas concelebrações, nas igrejas do ordinariato e, em outras igrejas, para os fiéis do ordinariato.
Reitero que as respostas acima são puro exercício de especulação, tomando por base as realidades existentes nas Igrejas milanesa e toledana.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Dom Robinson Cavalcanti e a Constituição Apostólica
Em janeiro deste ano, escrevi sobre Dom Robinson Cavalcanti que, em um artigo, tecia elogios ao Papa Bento XVI. Na ocasião, cheguei a fazer votos de que o artigo fosse a sinalização de um processo de conversão interior já iniciado. Mas o clérigo anglicano não parece ter seguido em frente. (Leia aqui o texto anterior)
Dom Cavalcanti é o “bispo” de uma diocese anglicana no Recife: há duas. A sua é uma diocese “continuante”, estranhíssimo nome dado às dioceses e às paróquias que romperam com suas províncias anglicanas. Em Recife não houve propriamente um rompimento, mas uma destituição. Dom Cavalcanti foi destituído do cargo pelo Sínodo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), que nomeou para seu lugar um ordinário interino. Na sequência foram destituídos os clérigos que se alinharam com seu antigo “bispo”.
Nas nos cabe questionar procedimentos internos de outros grupos religiosos, mas é forçoso reconhecer que Dom Cavalcanti foi destituído por sustentar as posições de sempre e por recusar apoio à Igreja Episcopal americana (TEC), matriz e agência de fomento da IEAB. A punição teria sido motivada por violações canônicas e disciplinares por parte de Dom Cavalcanti em visitas aos Estados Unidos, para apoiar os dissidentes americanos, e em sua diocese.
Tal é a confusão imperante na Comunhão Anglicana que a “diocese continuante” de Dom Cavalcanti foi recebida pela Província Anglicana do Cone Sul do “arcebispo” Venables, assim como o foram suas congêneres da TEC: Diocese de San Joaquin, Diocese de Pittsburgh, Diocese de Forth Worth, Diocese de Quincy e algumas paróquias anglicanas canadenses. Estas dioceses americanas da TEC recentemente formaram uma província “continuante”, não reconhecida por Cantuária.
Há muito tempo Dom Cavalcanti havia se afastado de seus colegas liberais da IEAB. Ele próprio já fora considerado um liberal no passado e, sob certos aspectos, continua liberal para os padrões de algumas dioceses aos quais está associado. Tem manifestado opiniões mais conservadoras nos últimos anos, talvez como consequência do processo a que se viu submetido pelas autoridades liberais de sua província. Em seu artigo sobre o Papa Bento XVI demonstra alguma consciência acerca dos males que afligem a sociedade moderna, a Igreja e seu próprio grupo religioso.
Mil posições conservadoras, entretanto, não fazem um só artigo de fé católica! Infelizmente seu texto abaixo o comprova. Dom Robinson é, sem dúvida, o melhor dos clérigos anglicanos do Brasil, mas continua protestante, por isto, rezemos por ele, pelos clérigos de sua diocese e pelos fiéis anglicanos do Recife. A porta aberta pelo Papa é o ponto de chegada, mas até que seja alcança é necessário um caminho de inequívoca conversão à fé católica. A Deus nada é impossível!
Perdoem-me o excesso de comentários no corpo do texto. Sugiro que primeiro leiam o texto em azul (do “bispo”) e somente depois com os meus comentários.
Anglicanos (Alguns) Vão Para Roma?
No dia de ontem, o papa Bento XVI, da Igreja Romana (estranha semelhança terminológica com alguns tradicionalistas), emitiu uma Constituição Apostólica específica permitindo a criação de episcopados pessoais (semelhantes aos destinados aos militares = Vigários Castrenses) para acolher grupos de anglicanos tradicionalistas que desejem, mantendo uma certa identidade, se abrigar sobre o manto da Igreja de Roma.
Como se sabe, a partir dos anos 1980, com a permissão para Ordenação Feminina, um número expressivo dos tradicionalistas anglicanos de linha anglo-católica criou a Comunhão Anglicana Tradicionalista (TAC) (Dom Robinson omite que entre suas alianças nos EUA há dioceses que não ordenam mulheres, as quais ele ordena), enquanto que a Ordenação de Ministros homossexuais praticantes, nas últimas décadas, tem visto surgir dezenas de jurisdições anglicanas dissidentes, conhecidas como “Continuantes”. Esses grupos devem totalizar cerca de 500.000 pessoas vs. os 77.000.000 de membros da Comunhão Anglicana sob autoridade do Arcebispo de Cantuária (ele não se considera um continuante, dado que se encontra sob a autoridade da província do Cone Sul).
Há cerca de uma década a TAC vinha mantendo conversações com o Vaticano, buscando autorização para serem recebidos, seja como uma Igreja “Uniata” (como os maronitas, melquitas e caldeus, dos Ritos Orientais), seja como uma prelazia pessoal como o modelo da Opus Dei.
A opção do Vaticano, como se viu, foi por uma fórmula, digamos, menos autonomista (bastante autonomista para os padrões católicos, já que os põe sob imediata sujeição ao Papa). É possível que alguns setores minoritários anglo-católicos, ainda dentro das 38 Províncias da Comunhão Anglicana, também optem por seguir a via romana. Quanto à minoria liberal (Se excluirmos as recentes províncias anglicanas da África, os liberais não são minoria; ou seja, o anglicanismo propriamente dito é majoritariamente liberal), obviamente, não irão querer negócio com o Papa atual (por razões bem colocadas por ele em seu artigo sobre o Papa). Quanto à majoritária “frente credal” (são os africanos que dão os números desta maioria, de modo que melhor fariam se mudassem de vez sua denominação para Igreja Africana), ortodoxa (sabe lá o que significa isto no âmbito protestante e quem o chancela), formada pelos evangélicos, pelos carismáticos, e amplos setores anglo-católicos (Fraternidade dos Anglicanos Confessantes – FCA), esse documento do papa nada irá representar, pois continuarão a lutar por um realinhamento da Comunhão Anglicana (Dom Robinson crê ser possível reverter o processo de desintegração da Comunhão Anglicana), mantendo a sua consciência de uma Igreja Histórica (católica) (Eis uma noção peculiar de catolicidade e uma grande contradição do “bispo”: se a Igreja da Inglaterra é católica porque é a sucessora histórica das sés católicas existentes na Inglaterra de Henrique VIII, então a diocese do Recife ligada à IEAB é a “igreja católica”, na condição de sucessora histórica da antiga diocese de Dom Robinson. Imagino que Dom Robinson os tenha na conta de usurpadores e hereges e, portanto, não os considere “católicos”.), mas, ao mesmo tempo, Reformada (protestante). (Não tente em casa um raciocínio semelhante, pois pode ser perigoso: desde quando reformas, que se supõem sempre acidentais, definem a natureza da “igreja”?)
Quanto à Diocese do Recife, fazemos votos de boa trajetória para os optantes por Roma, mas continuará a sua luta contra o liberalismo dentro da Comunhão Anglicana, e procurando promover a evangelização do mundo, juntamente com seus irmãos evangélicos de outras denominações (liberalismo eclesiológico), pois como sempre temos afirmado: "Somos Crentes!!!"
São José do Rio Preto (SP), 21 de outubro de 2009
+Dom Robinson Cavalcanti, ose
Bispo Diocesano
Fonte: Diocese Anglicana do Recife
Papa nomeia Bispo de Catanduva
O Papa Bento XVI nomeou, nesta quarta-feira, 21, como novo bispo da diocese de Catanduva (SP), o Padre Otacílio Luziano da Silva. Ele sucederá a Dom Antônio Celso Queirós, que apresentou seu pedido de renúncia por idade, conforme o cânon 401 §1º do Código de Direito Canônico.
O novo bispo completará 55 anos no próximo dia 31. Nascido em Maracaí (SP), Padre Otacílio foi ordenado presbítero no dia 6 de dezembro de 1987 na diocese de Marília (SP). Atualmente é reitor do Seminário Provincial Sagrado Coração de Jesus, curso de filosofia, da diocese de Marília.
Formado em parapsicologia latu sensu pelo Centro Latino-americano de Parapsicologia, em São Paulo, Padre Otacílio foi pároco nas paróquias de São José, em Florínea; Santo André, em Tarumã; Nossa Senhora da Boa Esperança, em Lutécia; Nossa Senhora do Carmo, em Oscar Bressane; São Sebastião, em Palmital. Além disso, exerceu o cargo de reitor do Seminário Menor São José, em Assis; vigário geral da diocese de Assis. Foi membro do Conselho de Presbíteros e do Colégio de Consultores da diocese de Marília.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio da assessoria de imprensa, saúda o novo bispo, desejando-lhe êxito na nova missão, e agradece o trabalho e a dedicação de Dom Celso Antônio Queirós o frutuoso trabalho de nove anos à frente da diocese de Catanduva.
Dom Celso tem uma história de grandes serviços à Igreja no Brasil. Ordenado bispo auxiliar de São Paulo em 1975, foi transferido para Catanduva, em 2000, tornando-se seu primeiro bispo. Foi secretário geral da CNBB por dois mandatos (1987-1994) e também vice-presidente (2003-2007). Além disso, foi membro da Comissão Episcopal de Pastoral, linha 1 da CNBB; Delegado da CNBB junto ao CELAM (1995-1998); Delegado à Assembléia Especial do Sínodo dos Bispos para a América por eleição da Assembléia da CNBB e confirmado pelo Papa João Paulo II (1997). Atualmente é o bispo responsável pelo Setor Leigos na Comissão Episcopal para o Laicato da CNBB.
Obs: Curiosamente a nomeação não figura no boletim de notícias da Santa Sé nem no site da Diocese. Teria o site da CNBB involuntariamente quebrado o sigilo pontifício?
Update: Enfim, com algum atraso, o site da Santa Sé apresentou a nomeação.
Fonte: CNBB
Comunicado do Primaz da Comunhão Anglicana Tradicional
20 de outubro de 2009
Passei a tarde de hoje [ontem] falando com bispos, padres e leigos da Comunhão Anglicana Tradicional na Inglaterra, África, Índia, Canadá, Estados Unidos e América do Sul.
Estamos profundamente comovidos pela generosidade do Santo Padre, Papa Bento XVI. Ele oferece nesta Constituição Apostólica os meios para que os “ex-anglicanos entrem na plenitude da comunhão com a Igreja católica”. Ele espera que nós possamos “encontrar nesta estrutura canônica a oportunidade para preservar aquelas tradições anglicanas que nos são preciosas e consistentes com a fé católica”. Ele então declara calorosamente: “ficamos felizes porque estes homens e mulheres trazem consigo suas contribuições particulares para nossa comum vida de fé”.
Em primeiro lugar, seja-me permitido afirmar que este é um ato de grande bondade da parte do Santo Padre. Ele tem dedicado seu pontificado à causa da unidade. Tal ato ultrapassa os sonhos que ousamos incluir em nossa petição de dois anos atrás. Ele ultrapassa nossas orações. Nestes dois anos, tomamos consciência das orações de nossos irmãos na Igreja Católica. Talvez suas orações ousaram pedir mais que as nossas.
Enquanto esperamos o texto completo da Constituição Apostólica, também estamos comovidos pela natureza pastoral da Nota publicada hoje [ontem] pela Congregação para a Doutrina da Fé. Meus colegas bispos, de fato, já firmaram o Catecismo da Igreja Católica e fizeram uma declaração sobre o ministério do Bispo de Roma, refletindo as palavras do Papa João Paulo II em sua carta “Ut Unum Sint”.
Outros grupos anglicanos manifestaram à Santa Sé um desejo semelhante e uma aceitação semelhante da fé católica. Como indicado pelo Cardeal Levada, esta resposta aos pedidos dos anglicanos terá um caráter global. Cabe agora a estes grupos forjar uma cooperação direta, mesmo onde eles transcendam os atuais limites da Comunhão Anglicana.
Felizmente, a declaração publicada pelo Arcebispo de Cantuária reflete a compreensão que tem de nós, que ele não se interpõe em nosso caminho e entende as decisões que tomamos. Tanto esta reação quanto nosso pedido são frutos de um século de oração pela unidade dos cristãos, uma causa que muitas vezes pareceu vã. Expressamos agora nossa gratidão ao Arcebispo Williams e, com frequência, lhe asseguramos nossas orações. A Sé de Agostinho permanece sendo o foco de nossa peregrinação, como o fora nos anos de fé no passado.
Eu me comprometi com a Comunhão Anglicana Tradicional para que a resposta à Santa Sé será dada por cada um de nossos Sínodos Nacionais. Eles já haviam endossado nosso caminho. Agora a Santa Sé nos instiga a procurar nas estruturas específicas que agora estão disponíveis a “plena e visível unidade, especialmente a Comunhão Eucarística”, pela qual há muito tempo rezamos e com a qual há muito sonhamos. Tal processo começará imediatamente.
No Ofício Anglicano Matutino, o grande Hino de Ação de Graças, o Te Deum, é parte do Ordo diário. É com profundo agradecimento ao Deus Todo-Poderoso, o Senhor e Fonte de toda paz e unidade, que este hino está hoje em nossos lábios. Este é um momento de graças, talvez mesmo um momento histórico, não porque o passado seja desfeito, mas porque o passado é transformado.
Arcebispo John Hepworth
Primaz
Fonte: Site da TAC
Tradução: OBLATVS
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Ainda sobre os Ordinariatos Pessoais para os "anglicanos"
Uma observação e uma pergunta me chegam via e-mail.
Um amigo inglês, sacerdote celibatário oriundo do anglicanismo, jocosamente se candidata a uma das vagas de ordinário abertas pela Constituição Apostólica. Brincadeira à parte, ele faz uma observação interessante sobre a sensibilidade do Santo Padre ao facilitar o retorno dos anglicanos: o ordinário pode ser um bispo, necessariamente solteiro, ou um simples sacerdote, que pode ser casado.
No caso dos “bispos” da TAC, até onde sei todos casados, eles serão ordenados sacerdotes após manifestação do desejo, análise de seu caso particular e uma adequada preparação complementar. Uma vez padres católicos, eles poderão continuar a frente dos sacerdotes e fiéis de seu ordinariato na condição de Ordinário Pessoal, exatamente como antes.
Não poderão, todavia, conferir as Ordens Sagradas. Neste caso convidariam um bispo católico, ao qual darão as dimissórias, para ordenar seus padres e diáconos. Eventualmente poderá ser um outro Ordinário Pessoal que tenha o caráter episcopal. Após a renúncia ou morte destes ordinários, seriam sucedidos por ordinários revestidos de caráter episcopal, situação mais conveniente a uma verdadeira Igreja particular. O ótimo é, às vezes, inimigo do bom.
Na resposta ao meu amigo, perguntei, com o mesmo espírito de gracejo, o que ele acha do Papa conceder alguns privilégios de arreios para estes “ordinários sem caráter”, tais como: a cruz, que muitos cônegos usam; mitra e báculo, que vemos nos abades; e as vestes características de muitos monsenhores, mesmo os das aldeias. Porque, afinal, seria uma lástima privar a liturgia dos antigos anglicanos destes objetos que engrandecem o culto e ao qual os “bispos” anglicanos dão tanto valor e aos quais estão psicologicamente acostumados.
A pergunta vem de um leitor do blog: qual seria a diferença entre um ordinariato e uma prelazia pessoais?
Não sendo canonista imagino que a resposta de qualquer um deles seria mais exata que a minha. Mas me permito uma opinião não especializada.
A prelazia tem uma dimensão mais uniforme e abrangente, sendo governada por um único prelado. Destina-se a todos os fiéis católicos que se enquadram naquela realidade eclesial, como é o caso do Opus Dei e pode vir a ser o da Fraternidade São Pio X.
Os anglicanos são mais diversificados e, talvez por isto, se tenha preferido a solução de um ordinariato que se organiza mais restritamente, como o caso dos Ordinariatos Militares que existem em muitos países, como no Brasil, e são independentes uns dos outros. Em se tratando de um ordinariato muito extenso ou com muitos súditos se providenciam auxiliares, como no caso do ordinariato militar dos Estados Unidos.
Os Ordinariatos Pessoais para os anglicanos – sabe Deus que nome próprio terão, já que é improvável que tenham a palavra “anglicano” no meio – serão organizados segundo sua distribuição geográfica e numérica. É possível que haja um ou vários na Inglaterra, nos Estados Unidos, no Austrália, na Irlanda sob o governo de seus ordinários, igualmente independentes uns dos outros. Uma análise razoável da realidade evitará, obviamente, uma superposição de jurisdições num mesmo território, muito embora elas sejam pessoais.
Se me equivoco, ficaria agradecido a quem me corrigisse e desse uma resposta correta para a pergunta do ilustre leitor.
Constituição Apostólica também diz respeito à Comunhão Anglicana Tradicional (TAC)
Enfim conhecemos o conteúdo da coletiva de imprensa sobre os anglicanos. Resta-nos conhecer o conteúdo da Constituição Apostólica aprovada pelo Papa Bento XVI a fim de receber no seio da Igreja os anglicanos convertidos à fé católica.
A suposição de que se trataria da recepção dos anglicanos da TAC não se confirmou. Por outro lado, a Constituição Apostólica obviamente diz respeito a eles, embora o quadro desenhado seja mais abrangente. Cabe agora, para usar a expressão da declaração conjunta do Arcebispo católico de Westminster (Londres) e do “Arcebispo” anglicano de Cantuária, “àqueles que fizeram os pedidos à Santa Sé responder à Constituição Apostólica”.
A Constituição Apostólica – recebida friamente no Conselho para a Promoção da Unidade – é uma resposta a algumas objeções feitas à admissão da TAC, sendo a principal delas a rejeição a uma recepção coletiva, sob pretexto de que as conversões são sempre pessoais. O Papa admitiu recebê-los em grupos desde que cumpram algumas condições e dispôs a criação de Ordinariatos Pessoais para seu atendimento pastoral.
Estes ordinariatos levarão em consideração as necessidades de cada grupo e serão provavelmente instituídos, de acordo com o número de fiéis em cada região, país ou continente. Como o caso da TAC já vem sendo estudado pela Congregação para a Doutrina da Fé desde a época em que era presidida pelo atual Sumo Pontífice, é possível que as circunstâncias já estejam definidas para a criação dos primeiros ordinariatos. Os problemas particulares dos “bispos” e “padres” também devem ter sido considerados, uma vez que se admite a possibilidade de ordená-los como sacerdotes católicos.
As consultas com as conferências episcopais mencionadas na nota da coletiva e, provavelmente, previstas na Constituição Apostólica, podem ser meras concessões formais às elites dos episcopados nacionais, ciosas de uma pretensa autoridade. Concretamente pode acontecer, como em Campos, de se consultarem apenas os bispos interessados, sem considerar as pirraças das cúpulas das conferências.
O texto da nota faz explícita referência à profissão de fé católica, tal como expressa no Catecismo da Igreja Católica, para a recepção de cada clérigo ou leigo. Em seu Sínodo de 2007, ao mesmo tempo em que escreveram uma carta ao Papa apresentando o pedido de admissão na Igreja Católica, os “bispos” da TAC também assinaram uma cópia do Catecismo e o depositaram no Santuário inglês dedicado a Nossa Senhora de Walsingham, como sinal de sua profissão de fé.
A Santa Sé não lhes concederá entretanto a formação de uma Igreja sui juris ou ritual e também não admitirá ao episcopado homens casados, que me parece ser o caso de todos os “bispos” da TAC. Mas é bastante o que lhes oferece: uma jurisdição própria, um ou vários bispos que venham de suas próprias fileiras, escolhido entre seus clérigos celibatários, a ordenação sacerdotal dos atuais clérigos mesmo sendo casados e um uso litúrgico que mantenha seu patrimônio na medida em que este corresponda à fé católica.
A Comunhão Anglicana Tradicional é o mais numeroso de todos os grupos e, vindo em bloco, serão recebidos cerca de meio milhão de fiéis e centenas de clérigos. Não há como não nos alegramos pelo gesto paternal e generoso do Santo Padre em encontrar uma solução justa e adequada para as legítimas aspirações dos anglicanos “tradicionais”: é o verdadeiro ecumenismo produzindo frutos para tristeza de falsos “ecumenistas”.
Declaração do Arcebispo Católico de Westminster e do Anglicano de Cantuária
DECLARAÇÃO CONJUNTA DO ARCEBISPO DE WESTMINSTER E DO ARCEBISPO DE CANTERBURY
O anúncio hodierno da Constituição Apostólica é uma resposta do Papa Bento XVI a um número de pedidos nos últimos anos feitos à Santa Sé por grupos de Anglicanos que desejam entrar em plena e visível comunhão com a Igreja Católica Romana, e que estão prontos a declarar que compartilham a fé Católica comum e aceitam o ministério petrino como desejado por Cristo para Sua Igreja.
O Papa Bento XVI aprovou, com a Constituição Apostólica, uma estrutura canônica que prevê Ordinariatos Pessoais, os quais permitirão aos até então anglicanos entrarem na plena comunhão com a Igreja Católica ao mesmo tempo em que preservando elementos do específico patrimônio espiritual anglicano.
O anúncio desta Constituição Apostólica põe fim a um período de incerteza para tais grupos que nutriram esperanças de novas formas de abraçar a unidade com a Igreja Católica. Caberá agora àqueles que fizeram os pedidos à Santa Sé responder à Constituição Apostólica.
A Constituição Apostólica é um ulterior reconhecimento de uma substancial coincidência na fé, doutrina e espiritualidade entre a Igreja Católica e a tradição Anglicana. Sem os diálogos dos últimos quarenta anos, este reconhecimento não teria sido possível, nem as esperanças de uma plena e visível união teriam sido nutridas. Neste sentido, esta Constituição Apostólica é uma consequência do diálogo ecumênico entre a Igreja Católica e a Comunhão Anglicana.
O diálogo oficial em curso entre a Igreja Católica e a Comunhão Anglicana prevê a base para a continuação de nossa cooperação. Os acordos da Comissão Internacional Anglicano-Católico Romana (ARCIC) e a Comissão Internacional Anglicano-Católico Romana para a Unidade e a Missão (IARCCUM) deixam claro o caminho que percorreremos juntos.
Com a graça de Deus e em oração, nós estamos determinados a que nosso compromisso mútuo em curso e as consultas sobre estas e outras matérias devem ser continuamente fortalecidas. A nível local, no espírito do IARCCUM, desejamos construir o modelo de encontros compartilhados entre a Conferência dos Bispos Católicos da Inglaterra e de Gales e a Câmara dos Bispos da Igreja da Inglaterra tendo como foco nossa missão comum. Dias comuns de reflexão e oração começaram em Leeds em 2006 e continuaram em Lambeth em 2008, e ulteriores encontros estão sendo preparados. Esta cooperação direta continuará na medida em que crescemos juntos na unidade e na missão, no testemunho do Evangelho em nosso país e na Igreja como um todo.
Londres, 20 de outubro de 2009
+ Vincent Gerard Nichols + Rowan Williams
Fonte: Santa Sé
Tradução: OBLATVS
Papa prepara Constituição Apostólica para admitir anglicanos no seio da Igreja Católica
NOTA DA CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ SOBRE OS ORDINARIATOS PESSOAIS PARA OS ANGLICANOS QUE ENTRAM NA IGREJA CATÓLICA
Com a preparação de uma Constituição Apostólica, a Igreja Católica responde às numerosas solicitações que foram submetidas à Santa Sé por grupos de clérigos e fiéis anglicanos provenientes de diversas partes do mundo, os quais desejam entrar em plena e visível comunhão.
Nesta Constituição Apostólica, o Santo Padre introduziu uma estrutura canônica que prevê tal reunião corporativa através da instituição de Ordinariatos Pessoais, que permitirão aos fiéis outrora anglicanos entrarem na plena comunhão com a Igreja Católica, conservando ao mesmo tempo elementos do específico patrimônio espiritual e litúrgico anglicano. Segundo o teor da Constituição Apostólica a vigilância e a condução pastoral para tais grupos de fiéis outrora anglicanos será assegurada por um Ordinariato Pessoal, cujo Ordinário será usualmente nomeado dentre o clero até então anglicano.
A Constituição Apostólica que será logo publicada representa uma resposta razoável e mesmo necessária para um fenômeno global, oferecendo um único modelo canônico para a Igreja universal adaptável a diversas situações locais e, na sua aplicação universal, justo para os até então anglicanos. Tal modelo prevê a possibilidade de ordenação de clérigos casados, até então anglicanos, como sacerdotes católicos. Razões históricas e ecumênicas não permitem a ordenação de homens casados como bispos, tanto na Igreja Católica como nas Ortodoxas. Portanto, a Constituição determina que o Ordinário seja um sacerdote ou um bispo não casado. Os seminaristas do Ordinariato sejam preparados junto com outros seminaristas católicos, ainda que o Ordinariato possa abrir uma casa de formação a fim de responder às necessidades particulares de formação no patrimônio litúrgico anglicano. Deste modo, a Constituição Apostólica procura criar um equilíbrio entre o interesse de conservar o precioso patrimônio litúrgico e espiritual anglicano de um lado, e a preocupação que estes grupos e o seu clero sejam incorporados na Igreja Católica.
O Cardeal William Levada, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que preparou tal provisão, afirmou: “Procuramos vir ao encontro, de modo unitário e justo, dos pedidos de uma plena união que foram submetidos da parte de fiéis anglicanos provenientes de várias partes do mundo nos anos recentes. Com tal proposta a Igreja pretende responder às legítimas aspirações destes grupos anglicanos por uma comunhão plena e visível com o Bispo de Roma, o sucessor de São Pedro”.
Estes Ordinariatos Pessoais serão instituídos segundo as necessidades, prévia consulta com as Conferências Episcopais locais e as suas estruturas serão de algum modo semelhantes às dos Ordinariatos Militares, que foram erigidos em tantos países para providenciar o cuidado pastoral dos membros das forças armadas e de seus dependentes no mundo inteiro. “Os anglicanos que fizeram contato com a Santa Sé expressaram claramente o seu desejo por uma plena e visível comunhão na Igreja uma, santa, católica e apostólica. Ao mesmo tempo nos falaram da importância de suas tradições anglicanas relativas à espiritualidade e ao culto para o próprio caminho de fé”, afirmou o Cardeal Levada.
A provisão desta nova estrutura está em conformidade com o empenho pelo diálogo ecumênico, que continua sendo uma prioridade para a Igreja Católica, em particular através dos esforços do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. “A iniciativa provém de vários grupos de anglicanos”, acrescentou o Cardeal Levada. “Eles declararam condividir a comum fé católica, como expressa no Catecismo da Igreja Católica, e aceitar o ministério petrino como um elemento desejado por Cristo para a Igreja. Para eles é chegado o tempo de exprimir tal união implícita em uma forma visível de plena comunhão”.
Segundo o Cardeal Levada: “O Santo Padre Bento XVI espera que os clérigos e fiéis anglicanos desejosos de união com a Igreja Católica encontrem nesta estrutura canônica a oportunidade de preservar as tradições anglicanas que lhes sejam preciosas e estejam em conformidade com a fé católica. Enquanto exprimem de modo distinto a fé professada em comum, tais tradições são um dom a ser condividido com a Igreja universal. A união com a Igreja não requer a uniformidade que ignora as diversidades culturais, como demonstra a história do cristianismo. Além do mais, as numerosas e diversas tradições hoje presentes na Igreja Católica estão todas radicadas no princípio formulado por São Paulo na sua Carta aos Efésios: “Um só Senhor, uma só fé, um só batismo” (4,5). A nossa comunhão é, pois, reforçada por tais diversidades legítimas, e estamos felizes que estes homens e mulheres ofereçam as suas contribuições particulares à nossa comum vida de fé”.
Informações contextuais
Desde o século XVI, quando o Rei Henrique VIII declarou a independência da Igreja da Inglaterra em relação à autoridade do Papa, a Igreja da Inglaterra criou as próprias confissões doutrinais, usos litúrgicos e práticas pastorais, incorporando frequentemente ideias da Reforma ocorrida no continente europeu. A expansão do Reino Britânico, conjugada ao apostolado missionário anglicano, comportou depois o nascimento de uma Comunhão Anglicana a nível mundial.
No curso dos mais de 450 anos de sua história, a questão da reunião entre anglicanos e católicos jamais foi deixada de lado. Na metade do século XIX, o Movimento de Oxford (na Inglaterra) mostrou um renovado interesse pelos aspectos católicos do anglicanismo. No início do século XX, o Cardeal Mercier, da Bélgica, engajou-se em colóquios públicos com anglicanos a fim de explorar a possibilidade de uma reunião com a Igreja católica sob a bandeira de um anglicanismo “reunido, mas não absorvido”.
O Concílio Vaticano II nutriu ulteriormente a esperança de uma união, em particular com o Decreto sobre o ecumenismo (n.13), o qual, fazendo referência às Comunidades separadas da Igreja Católica no tempo da Reforma, reafirmou: “Entre aquelas [comunhões] nas quais continuam a subsistir em parte as tradições e as estruturas católicas, ocupa um lugar especial a Comunhão Anglicana”.
Desde o Concílio as relações entre anglicanos e católico-romana criaram um clima melhor de compreensão e cooperação mútua. A Comissão Internacional Anglicano-Católico Romana (ARCIC) produziu uma série de declarações doutrinais no curso dos anos, na esperança de criar a base de uma plena e visível união. Para muitos membros das duas Comunhões, as declarações da ARCIC puseram à disposição um instrumento no qual a comum expressão da fé pode ser reconhecida. É nesta moldura que se deve enquadrar a nova provisão.
Nos anos sucessivos ao Concílio, alguns anglicanos abandonaram a tradição de conferir as Ordens Sacras apenas a homens, chamando ao presbiterato e ao episcopado também as mulheres. Mais recentemente, alguns segmentos da Comunhão Anglicana se distanciaram do comum ensinamento bíblico acerca da sexualidade humana – já claramente expresso no documento da ARCIC “Vida em Cristo” – conferindo as Ordens Sacras a clérigos abertamente homossexuais e abençoando as uniões entre pessoas do mesmo sexo. Todavia, enquanto a Comunhão Anglicana deve enfrentar estes novos e difíceis desafios, a Igreja Católica permanece plenamente empenhada no seu diálogo ecumênico com a Comunhão Anglicana, em particular através da atividade do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.
Neste ínterim, muitos anglicanos entraram individualmente na plena comunhão com a Igreja Católica. Algumas vezes entraram também grupos de anglicanos, conservando uma certa estrutura “corporativa”. Isto aconteceu, por exemplo, com a diocese anglicana de Amritsar na Índia e com algumas paróquias nos Estados Unidos que, embora mantendo uma identidade anglicana, entraram na Igreja Católica no quadro da assim chamada “provisão pastoral”, adotado pela Congregação para a Doutrina da Fé e aprovado pelo Papa João Paulo II em 1982. Nestes casos, a Igreja Católica frequentemente dispensou do requisito do celibato admitindo que aqueles clérigos anglicanos casados que desejam continuar o serviço ministerial como sacerdotes católicos sejam ordenados na Igreja Católica.
Neste contexto, os Ordinariatos Pessoais instituídos segundo a supramencionada Constituição Apostólica podem ser vistos como um passo ulterior em direção à realização da aspiração à plena e visível união na única Igreja, que é um dos fins principais do movimento ecumênico.
Fonte: Santa Sé
Tradução: OBLATVS
Tornielli sobre a coletiva de imprensa
Tornielli antecipa o conteúdo da coletiva de imprensa mencionada no último post. Segundo o conceituado vaticanista ela não trata dos anglicanos tradicionais, mas de bispos da Comunhão Anglicana que, insatisfeitos com os avanços liberais de sua “igreja”, desejam ingressar na Igreja Católica com seus fiéis.
Na coletiva serão apresentadas as condições colocadas pela Santa Sé para acolher estes grupos, são elas: não se reconhece a sucessão apostólica no anglicanismo e, portanto, os padres anglicanos serão ordenados padres católicos; os atuais padres anglicanos poderão permanecer casados, mas os futuros padres deverão ser celibatários; os bispos anglicanos não poderão manter o antigo posto, serão ordenados como padres católicos; deverão abraçar a fé católica tal como é expressa no Catecismo da Igreja Católica.
Caso se confirme o conteúdo acima, volto a escrever sobre as implicações que o conteúdo tem em relação aos anglicanos “tradicionais”.
Fonte: Blog do Tornielli
Anglicanos "tradicionais" serão tema de coletiva de imprensa no Vaticano
“Informamos aos jornalistas credenciados que amanhã, terça-feira 20 de outubro de 2009, às 11h, na Aula João Paulo II da Sala de Imprensa da Santa Sé, acontecerá um briefing sobre um tema relacionado às relações com os Anglicanos, do qual participarão o Emº Cardeal William Joseph Levada, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e S. Exª Dom Joseph Augustine Di Noia, O.P., Secretário da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.”
Uma coletiva de imprensa com o Prefeito da “Doutrina da Fé” e o secretário do “Culto Divino” sobre os anglicanos! O que esperar?
Os leitores de OBLATVS têm acompanhado a saga dos anglicanos “tradicionais” desde que formalizaram e tornaram público o pedido de recepção na Igreja Católica. Um “caminho de volta” cheio de obstáculos, muitos dos quais colocados ali por aqueles que deveriam promover a causa da verdadeira unidade dos cristãos. Bento XVI, então Prefeito da “Doutrina da Fé”, acolheu a iniciativa e deu início ao cuidadoso trabalho de solução das dificuldades, levado a cabo pelo atual prefeito. A presença do secretário do “Culto Divino” dá a entender que medidas concretas já foram tomadas e que se trata do anúncio da recepção iminente.
Uma ausência sintomática é a do Cardeal Kasper, presidente do Conselho para a Unidade dos Cristãos.
Confesso que não esperava, quando escrevi sobre o assunto há oito dias, que a solução fosse alcançada ainda este mês. Dentro de poucas horas conheceremos os detalhes e poderemos nos regozijar.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Dom Mauro Piacenza aos Sacerdotes
Caríssimos Confrades no Sacerdócio,
A única razão da nossa vida e de nosso ministério é Jesus de Nazaré, Senhor e Cristo!
A existência dos Sacerdotes tem n’Ele, e somente n’Ele, a própria origem, o próprio fim e, no tempo, seu inteiro desenvolvimento. A relação íntima e pessoal com Jesus Ressuscitado, vivo e presente, é realmente a única experiência que pode levar um homem a doar-se totalmente a Deus, pelos irmãos.
Nós bem sabemos, caríssimos, como o Senhor nos seduziu, como o seu fascínio foi para cada um de nós irresistível, como afirma o profeta: “Seduziste-me, Senhor, e eu me deixei seduzir, dominaste-me e obtiveste o triunfo” (Jer 20,7). Este fascínio, como tudo verdadeiramente precioso, tem contínua necessidade de ser defendido, conservado, protegido e alimentado, para que não se perca ou, talvez pior, não se torne uma pálida recordação, insuficiente para confrontar o impacto, muitas vezes agressivo, da realidade do mundo! A intimidade divina, origem de todo apostolado, é o segredo para conservar permanentemente o fascínio de Cristo!
Somos Sacerdotes, antes de tudo, antes de toda razão, ainda que boa, para estar “estreitamente unidos a Cristo Sumo Sacerdote”, unidos Àquele que é a nossa única salvação, o Amado de nosso coração, a Rocha sobre a qual construímos cada segundo de nosso ministério, Aquele que nos é mais íntimo do que nós próprios e que desejamos mais que tudo. Cristo Sumo Sacerdote, nos “atrai” para dentro de si. Esta união com Ele, que é o Sacramento da Ordem, comporta a participação na Sua oferta: “O unir-se a Cristo supõe a renúncia. Comporta que não desejemos impor a nossa estrada e a nossa vontade; que não desejemos nos tornar isto ou aquilo, mas nos abandonemos a Ele, onde e como Ele queira servir-se de nós” (Bento XVI, homilia, Santa Missa Crismal, 9/04/2009).
A expressão “estar unidos” nos recorda que nada é obra nossa, fruto de nosso esforço voluntário, mas obra da Graça em nós: é o Espírito que nos configura ontologicamente a Cristo Sacerdote e nos dá a força de perseverar até o fim nesta participação na vida e na obra divina. A “vítima pura”, pois, que é Cristo Sacerdote, chama cada um ao valor insubstituível do celibato, que implica a perfeita continência pelo Reino dos Céus e aquela pureza que torna “agradável a Deus” a nossa oferta em favor dos homens.
A intimidade com Jesus Cristo e a proteção da Bem-Aventurada Virgem Maria, a “toda bela” e “toda pura”, nos sustentem no caminho cotidiano de participação naquela Obra de um Outro, em que consiste o ministério sacerdotal, sabendo que tal participação é portadora de salvação sobretudo para nós que a vivemos: Cristo é, neste sentido, a nossa vida!
Dom Mauro Piacenza
Arcebispo tit. De Vittoriana
Secretário da Congregação para o Clero
Fonte: Papa Ratzinger Blog
Tradução: OBLATVS
sábado, 17 de outubro de 2009
Conferência de Dom Athanasius Schneider sobre a liturgia nos Padres
O livro do Apocalipse descreve a liturgia celeste como modelo da terrestre: este é o modelo litúrgico desde os tempos apostólicos até o Concílio Vaticano II. Confirmam-no os escritos de Clemente I (primeiro século), a Passio Perpetuae Felicitatis, a Anáfora de Jerusalém, as Catequeses Mistagógicas (séculos III e IV), São João Crisóstomo. Convém, pois, voltar à pristina sanctorum patruum norma. O Papa São Clemente recorda como se deve, no rito, conformar aos anjos que realizam o culto celeste e ao hino angélico do Apocalipse, o Trisaghion, Santo Santo Santo.
Cobrir a face, inclinar-se, dar a Deus Uno e Trino o primeiro e único lugar: eis os gestos dos Anjos do apocalipse no culto ao Onipotente.
O culto deve ser um Ordo (em grego tàxis), uma ordem, diz Clemente no primeiro século. Isto é, ele deve ser determinado com precisão e não ser deixado à improvisação.
O segundo testemunho (o relato do martírio de Perpétua e Felicidade) do século II, de ambiente africano, diz que os mártires que entram no Paraíso ouvem os Anjos cantando o Trisaghion.
A Anáfora de São Tiago representa a tradição litúrgica de Jerusalém, do século IV. Também aqui se toma a liturgia terrena como espelho da liturgia angélica. Recordam-se ainda os serafins, que circundavam o trono do Altíssimo e com as suas seis asas, com duas cobriam a face, com duas os pés e com duas voavam, segundo Isaías. A Anáfora nos diz que os serafins cantam incessantemente a teologia, ou seja, no sentido daquele texto, cantam o louvor e a adoração a Deus. A doxologia deve ser teologia: ou seja, o culto externo deve desenvolver-se de modo a exprimir a Fé em Deus Uno e Trino. Render glória (doxa) significa exprimir a fé. A liturgia deve ser absolutamente teocêntrica; um antropocentrismo na liturgia é completamente estranho às ideias dos Padres.
Destas reminiscências seráficas, no antigo rito romano, derivam o cobrirem-se as mãos na bênção eucarística, ou as quirotecas dos bispos, ou o gesto do subdiácono que cobre as mãos, ou os véus dos objetos litúrgicos. Na liturgia oriental tal função é realizada pela iconostase.
O fato de colocar hoje a cadeira do sacerdote no centro é algo de mais oposto e contrário ao pensamento dos Santos Padres e ao sentido mistagógico que nos vem da divina revelação, em primeiro lugar do Apocalipse. Também o fato de tocar as espécies por parte dos leigos, e frequentemente sem véus nem gestos de adoração, está em contraste com este sentido da liturgia.
São João Crisóstomo na sua homilia sobre Isaías destaca que aos sacerdotes seja concedido poder tocar com as suas mãos consagradas aquilo que os serafins não podem tocar. De fato, em Isaías o serafim pegou com uma pinça a brasa, a qual Isaías depois passou sobre os lábios para purificar-se, tocando aquilo que o serafim somente com a pinça tinha ousado pegar. E quão mais precioso, elevado e abrasador é o Corpo do Senhor, o Sancta Sanctorum.
Por isto, adoração, reverência, gestos de latria na liturgia não podem ser omitidos, porque os exemplos nos vêm dos anjos. A proskynesis, a prostração adorante, está associada nos escritos dos Padres ao cobrimento e ao culto.
As reformas litúrgicas, tanto depois do Concílio de Trento quanto na Sacrosanctum Concilium, se reportam à “antiga norma dos Santos Padres”. Convém, portanto, exprimir mais claramente o sagrado (SC 21). Um retorno aos Padres não pode, pois, levar a uma redução dos gestos de reverência e de adoração, mas ao seu aumento, de maneira a exprimir de forma ainda mais evidente e compreensível o terribile mysterium.
Fonte: Messa in latino
Tradução: OBLATVS
Nomeações importantes na Cúria Romana
O Santo Padre Bento XVI nomeou membros da Congregação para os Bispos o Emº Cardeal Antonio Cañizares Llovera, Prefeito da Congregação para o Culto Divino, e o Exmo Dom Raymond Leo Burke, Prefeito da Signatura Apostólica.
Fonte: Santa Sé
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Ordenação Sacerdotal em Campos - RJ
Amanhã às 9h, na Catedral-Basílica do Santíssimo Salvador, S. Exª Revma Dom Roberto Gomes Guimarães ordenará mais um sacerdote para a Diocese de Campos. O clero de Campos é composto por 60 padres seculares: 56 em atividade, 2 eméritos e 2 em licença médica.
O Diácono Allan Kardec Viana do Nascimento Júnior será o 39º sacerdote ordenado pelo atual bispo diocesano desde que assumiu a sé campista há 14 anos. Destes, um deixou o ministério sacerdotal e um faleceu.
Em dezembro, a Diocese ganhará mais 6 diáconos que concluíram o curso teológico no Seminário Arquidiocesano de São José em Niterói. Com a ordenação sacerdotal prevista para 2010, os novos padres farão Dom Roberto chegar à marca de 45 padres ordenados em 15 anos (64% do clero diocesano)!
Com o clero mais jovem do Brasil, a Diocese de Campos tem apenas 11 sacerdotes com mais de 50 anos.
Procuradoria alemã contra Dom Williamson
O procurador de Regensburg, na Alemanha, ontem solicitou ao tribunal a abertura de um procedimento contra o bispo lefebvrista Richard Williamson, acusado de “incitamento ao ódio racial” por suas declarações que negavam o Holocausto pronunciadas durante uma transmissão da televisão sueca transmitida em 21 de janeiro passado.
O anúncio do tribunal chegou no dia em que a Santa Sé anunciou para 26 de outubro próximo o início dos “colóquios doutrinais” com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, da qual Dom Williamson é um dos quatro bispos.
Segundo a lei alemã, negar o Holocausto é um crime.
O tribunal de Regensburg deverá agora avaliar se acolhe a solicitação do procurador. O presidente do tribunal, Johann Ploed, não quis explicar qual poderia ser a pena de Williamson mas, acrescentou, “poderia ser uma multa”.
Williamson teria dito que os produtores do programa sueco haviam lhe assegurado que sua entrevista não seria transmitida fora da Suécia. Mas, segundo o jornal alemão Sueddeutsche Zeitung, os produtores escreveram à procuradoria de Regensburg negando que tenham dado esta garantia. (ASCA – 16/10)
Fonte: Papa Ratzinger Blog
Tradução: OBLATVS
Faço humor, não faço política
And the Nobel goes to...
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Não aprendeu nada! E o pior: também nada esqueceu!

Duríssimo o ataque de Hans Küng a Bento XVI, acusado pelo teólogo de querer reconduzir a Igreja com sua política (é só isto que lhe interessa, só compreende esta linguagem) à Idade Média. Em uma entrevista à revista semanal Stern (clique aqui para ler em alemão as diatribes do Küng), o teólogo suíço, cuja “missio canonica” foi revogada em 1979 pela Congregação para a Doutrina da Fé, ou seja, a autorização para o ensino da teologia católica, afirma que sobre questões de fé, o Papa “tendo por base sua vê bávara” se exprime de modo “surpreendentemente ingênuo, às vezes pré-moderno e populista”.
Küng prossegue explicando que “a atual política do Vaticano é um fiasco; a tentativa de constranger a Igreja a voltar à Idade Média a esvazia; não se pode voltar aos velhos tempos”.
Em 1966 foi Küng quem convidou Joseph Ratzinger a ensinar na Universidade de Tübingen e na entrevista lamenta que o Pontífice “não prosseguiu no caminho da reforma como eu fiz. Agora não nos encontraríamos com esta divisão da Igreja católica de alto a baixo. Eu represento a de baixo, ele a do alto”. (Hahaha... representa o que? É muita pretensão, a não ser que ele considera os círculos secularizados dos endinheirados e intelectuais europeus e norte-americanos como a "igreja de baixo")
Na entrevista, o teólogo octogenário reinvidica o direito de cada pessoa decidir sobre a própria morte. “Não quero deixar passar o momento certo – explica – e este momento depende da minha responsabilidade, não da responsabilidade da Igreja, do Papa, de um padre, de um médico ou de um juiz”. (A Igreja não reclama esta decisão para si, senhor Küng, nem para o Papa, nem para um padre! Taí um terreno que este senhor parece desconhecer, o do sagrado)
Küng acrescenta que olha a morte com serenidade e se diz “curioso para ver o que acontecerá do lado de lá. Não creio nestas representações simplistas do céu, como a de sentar-se numa cadeira dourada cantando aleluia”. Küng declara não crer na ressurreição da carne (Que injustiça ter sido proibido de ensinar na condição de teólogo católico! Parece que o Papa não é tão ingênuo como Küng gostaria que fosse), mesmo que tenha vontade de encontrar com prazer alguns, “de preferência Mozart, em vez de Willy Brandt”. (AGI)
Fonte: Repubblica/micromega
Tradução: OBLATVS
Papa visitará luteranos de Roma
O Cardeal Walter Kasper anunciou que o Papa Bento XVI visitará a comunidade luterana de Roma, composta por cerca de 350 pessoas, e sua maioria de língua alemã. Em 1983, João Paulo II já havia visitado a pequena comunidade. O convite partiu dos luteranos que não haviam recebido até hoje qualquer resposta dos colaboradores do Pontífice.
Surpreso com o anúncio da visita à sua congregação, o pastor Jens-Martin Kruse disse a Apcom : “É um bom sinal para nós ter boas relações com o Vaticano”. Empolgado, acrescentou: “O Papa é o Bispo de todos os cristãos de Roma”.
A bem da verdade, reverendo, o Papa é o Bispo de todos os cristãos do mundo!
Discussões doutrinárias entre a Fraternidade São Pio X e a Santa Sé
O porta-voz da Sala de Imprensa da Santa Sé, Padre Federico Lombardi, divulgou nesta manhã nota em que anuncia para o dia 26 de outubro, no Palácio do Santo Ofício, o primeiro encontro dos delegados da Fraternidade São Pio X e da Santa Sé. O conteúdo das discussões permanece reservado, mas ao final do encontro será publicado um comunicado.
Matança universal
O Instituto Guttmacher, promotor do aborto nos Estados Unidos e no exterior, apresentou um relatório sobre o número de abortos realizados anualmente. As estatísticas são estarrecedoras (estão na página 51). Foram mais de 40 milhões de crianças assassinadas em 2003, a maioria delas nos países asiáticos, em especial na China. Houve um declínio de 8,3% em comparação com 1995, quando foram assassinados 45 milhões de inocentes.
Nenhuma outra guerra ou monstro da história – nem Stalin, Hitler, Mao ou Fidel juntos mataram tantos inocentes, embora tenham se esforçado.
Madre Teresa de Calcutá ousou dizer em Oslo que “o aborto é o maior destruidor da paz, pois é uma guerra contra a criança, uma matança direta de crianças inocentes, assassinadas pela própria mãe”. À mesma tribuna subirá um politicozinho oportunista e covarde, defensor dos direitos dos criminosos e inimigo impiedoso dos inocentes.
Orientações litúrgicas de Dom Ranjith

S. Exa. Revma. Dom Malcolm Ranjith, outrora Secretário da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, agora Arcebispo Metropolitano de Colombo (Sri Lanka) e, proximamente, Cardeal da Santa Igreja Romana, escreveu aos fiéis de sua arquidiocese uma circular sobre os movimentos católicos de renovação, dando especial ênfase à Sagrada Liturgia.
O texto integral em inglês está disponível na página da Arquidiocese de Colombo e uma tradução para o espanhol no La Buhardilla de Jeronimo. Limito-me a traduzir e comentar as disposições disciplinares:
a) Não é permitido aos sacerdotes mudar ou improvisar a Oração Eucarística ou qualquer outra oração imutável da Missa, inclusive se a intenção for desenvolver algum elemento nela implícito mediante o canto de várias músicas ou acrescentando explicações. É preciso ficar entendido que a Liturgia da Igreja está estreitamente vinculada a sua fé e tradição: Lex orandi, Lex credendi – A lei da oração é a lei da fé! Foi o próprio Senhor quem nos deu a liturgia, e ninguém mais; é por isto que ninguém mais tem o direito de mudá-la. (É a enésima repetição de uma norma clara: nada de mudanças ou acréscimos, ainda quando a intenção seja "boa")
b) Os assim chamados elementos de “Louvor e Adoração” não estão permitidos em nenhuma parte do rito da Missa. Música excessiva e alta, aplausos, intervenções longas e gestos que perturbam a sobriedade da celebração também não são permitidos. É muito importante que compreendamos a sensibilidade cultural e religiosa do povo do Sri Lanka. A maioria dos que nos rodeiam são budistas, cuja cultura cultual é extremanente sóbria; da mesma forma, muçulmanos e hindus não criam qualquer comoção em seu culto. Sabemos ainda que há neste país uma forte oposição às seitas cristãs fundamentalistas e nós, como católicos, temos nos esforçado para explicar que o catolicismo é diferente destas seitas. Entretanto, algumas das assim chamadas orações de louvor e adoração se parecem mais com os atos de culto dos fundamentalistas que com os do Catolicismo Romano. (Elas não apenas se parecem aos cultos pentecostais, como acabam por acostumar os católicos a uma "forma" de oração que não lhes é própria, em 20 séculos de tradição. Pouco a pouco, o católico desaprende sua língua materna e aprende os dialetos pentecostais; com o tempo, já não saberá mais distinguir a verdadeira Igreja) Respeitemos nossa diversidade e sensibilidade culturais.
c) A Palavra de Deus prescrita não pode ser mudada aleatoriamente e o salmo responsorial deve ser cantado sem substituí-lo por hinos de meditação. A dimensão contemplativa da Palavra de Deus é de suma importância. Atualmente, em algumas orações para-litúrgicas as pessoas tendem a se tornar extremamente palavrosas e prolixas. (Quem questionaria o diagnóstico acertadíssimo de Dom Ranjith?) É Deus quem fala, nós precisamos ouvir; e para ouvir é mais necessário silêncio e contemplação que exuberância cacofônica.
d) Os sacerdotes devem pregar a Palavra de Deus e sobre os mistérios litúrgicos celebrados. As pregações dos leigos estão rigorosamente proibidas durante as celebrações litúrgicas.
e) A Santíssima Eucaristia deve ser distribuída com o máximo cuidado e reverência e somente por aqueles que estão autorizados. Tais ministros, sejam ordinários ou extraordinários, devem trajar a veste ministerial apropriada. Eu gostaria de recomendar a todos os fiéis, inclusive aos religiosos, que recebam a Sagrada Comunhão reverentemente de joelhos e na boca. A prática da auto-comunhão é proibida, e eu humildemente peço aos sacerdotes que costumam permitir que os fiéis se aproximem e a recebam por si mesmos, que suspendam imediatamente esta prática. (Esclareço que a comunhão "self-service" é proibida em qualquer lugar e não apenas em Colombo. O fiel não pode, por si mesmo, pegar a Hóstia consagrada no cibório, mas deve recebê-la do ministro; o comungante também não pode intingir por si mesmo a Hóstia no cálice)
f) Espera-se dos sacerdotes que se atenham ao estipulado no rito da Missa, de modo que não haja lugar para comparações nem contrastes entre missas, como se as celebradas por alguns sacerdotes fossem superiores às celebradas pelos demais.
g) O Tetragrama YHWH não deve ser pronunciado em orações ou hinos devido a sua natureza sagrada (Decreto da Santa Sé “NOME DE DEUS”, Prot. n. 213/08/L), a qual leva em consideração a sensibilidade da comunidade judaica a este respeito, da qual herdamos muito em nosso culto.
h) As bênçãos litúrgicas são reservadas somente aos ministros ordenados, isto é: bispos, padres e diáconos. Qualquer pessoa pode rezar por outra. Mas se recomenda seriamente que não se usem gestos que possam induzir a ilusão, confusão ou mal-entendidos.
* A bênção eucarística deve celebrar-se com sumo cuidado e com reserva, e não deve manipulada para dar uma “aparência católica” ou camuflar algo que pode não parecer tão católico ao final de uma demorada reunião. Tocar com o ostensório as cabeças dos fiéis está estritamente proibido.
E conclui Dom Ranjith:
“Num futuro próximo, espero publicar um folheto em que se explicarão detalhadamente muitas outras coisas relativas à vida litúrgica da Arquidiocese de Colombo (paulatina e resolutamente!). (...) Estou certo de que estas instruções serão imediatamente colocadas em prática, de modo que as preocupações litúrgicas mais urgentes sejam logo sanadas.”
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Faleceu Dom Antônio do Carmo Cheuiche

R. I. P.
Faleceu na madrugada de hoje, 14, aos 82 anos, de embolia pulmonar, o bispo emérito de Porto Alegre, Dom Antônio do Carmo Cheuiche.
O bispo estava internado desde junho no hospital São José, na cidade gaúcha de Ivoti, após sofrer um infarto.
O corpo deve chegar por volta das 12h a Porto Alegre e segue direto para a Catedral da cidade. Uma missa de corpo presente está marcada para amanhã, às 9h, na Catedral Mãe de Deus, em Porto Alegre.
Dom Antônio do Carmo cursou Filosofia, Letras e Teologia na Espanha, e Jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre (PUC-RS). Foi membro da Comissão Teológica do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) e conselheiro do Instituto Teológico Pastoral para América Latina (Itepal). Foi bispo auxiliar de Santa Maria (RS), de 1969 a 1971; membro da Pontifícia Comissão para os Bens Culturais da Igreja, em 1997 e bispo auxiliar de Porto Alegre, de 1971 a 2001.
Dom Antônio Cheuiche organizou também a visita do papa João Paulo II a Porto Alegre , em 1981, e fundou na capital gaúcha o Movimento em Defesa da Vida.
Fonte: CNBB
Catolicismo revitalizado na Inglaterra, à espera de Bento XVI
Que satisfação ler este artigo de Antonio Gurrado no Il Foglio!
Entre Santa Teresinha e a espera de Bento XVI
Surpresa, a Inglaterra se descobre um pouco mais católica do que se pensava!
Sombrinhas, nada mais que sombrinhas.
As relíquias de Santa Teresinha do Menino Jesus estão em tour pela Inglaterra há cerca de um mês e quando chegam a Oxford chove há dois dias; de modo que quem se apresenta pontualmente às 18h para assistir à sua transladação à Igreja de São Luís não vê diante de si senão sombrinhas. Depois se dá conta de que as sombrinhas aumentam exponencialmente também atrás de si e fazendo um rápido cálculo percebe que, de sombrinha em sombrinha, para chegar do ponto em que se encontra à entrada da Igreja ainda faltam mais de quinhentos metros. Passam cinco minutos, passam dez, passam vinte e cinco e a fila não avança. Por sua vez, aumenta a intensidade da chuva, mas ninguém desiste e outras sombrinhas se acrescentam às que havia. Se por ali passasse um marciano ou um anglicano, deduziria que a procissão de sombrinhas fosse a mais elevada forma devocional dos católicos. Enquanto isso, uma paroquiana distribui bebidas quentes de um enorme bule, digno de Lewis Carroll, debaixo do braço. Um padre oratoriano anda de um lado para o outro com um megafone repetindo aos que se acham no frio: “Thank you so much for waiting”.
A notícia é, pois, que em Oxford – na capital racional de uma nação protestante – só se consegue passar por um instante diante das relíquias de uma santa católica depois de uma hora e meia de paciência debaixo d’água.
Quando o tour começou em 16 de setembro, em Portsmouth, a hierarquia católica britânica temia uma acolhida tímida: as relíquias sagradas seriam expostas por muito pouco tempo em cada cidade, frequentemente em concomitância com o horário de trabalho, e a sua veneração pública parecia um resíduo excessivamente barroco para aquecer o coração dos ingleses. Por isto, o tour já programado em 1997 havia sido vetado pelo Cardeal Basil Hume e postergado para um dia indefinido. O Cardeal Hume morreu dois anos depois e o seu funeral, transmitido ao vivo pela TV, foi um dos principais eventos de massa do catolicismo britânico, reforçando a convicção de que as relíquias de Santa Teresinha não seriam deixadas ao léu. Mas diante das câmeras da BBC de Oxfordshire, o oratoriano usava o megafone para declarar que tudo estava dentro das expectativas, que era tudo “very exciting”. São muitos os anticatólicos da Inglaterra e, desta vez, perderam a paciência. Andrew Brown definiu Santa Teresinha “a Jade Goody dos católicos” enquanto Simon Jenkins, mais limitado de ideias, comparou-a a Beckham (é sabido, de fato, que milhares ficariam horas na fila a fim de tocar-lhe a tíbia e a fíbula) e reutilizou a costumeira cantilena da “brainwashing of unreason”. Tanto ódio só se explica considerando que a questão não é sobre Santa Teresinha: em 2010 a Grã-Bretanha espera o Papa e para o clero local a visita das relíquias era a prova geral para testar o pulso da minoria católica. Não por acaso, no último mês o discurso mudou e se ampliou: no Guardian, em primeiro lugar, o Pe. Stephen Wang respondeu a Simon Jenkins que as relíquias não são fetiches aborígenes, depois Tanya Gold, uma colunista que algumas semanas antes desejava a completa inundação de Veneza, instigou os leitores contra Bento XVI que, a seu ver, era responsável por uma série de crimes que o seu artigo era muito limitado para elencar; e então o comboniano Giuseppe Caramazza replicou que os preservativos não são a solução para o problema da AIDS na África, coisa que deveria saber melhor ele, que passou anos no Sudão e no Quênia, que Tanya Gold, que creio não tenha passado.
Consciente talvez de que sobre as relíquias de Santa Teresinha se combatia bem outra batalha, no seu sermão, o prior de São Luis, exortou os fiéis a não pedir a Deus pequenos favores particulares, mas a ter a coragem de pedir-Lhe grandes coisas, para mudar a Inglaterra. Teria podido dar o exemplo pedindo que seu subordinado usasse melhor o megafone que portava. “Thank you so much for waiting” é a frase perfeitamente inútil que se ouve dizer também quando se espera por uma hora uma “capricciosa” da Pizza Express; dá a ideia de que para os ingleses o importante é estar na fila, sem se importar que diante das sombrinhas se afigura a monumental igreja de cujo púlpito pregava o Cardeal Newman ou simplesmente o ponto do ônibus 15.
Na Inglaterra um padre com megafone deveria dizer bem outra coisa: deveria jogar o bule gigante contra a publicidade dos pubs que no Natal organizam genéricas “festas de estação”, incitar a multidão a usar os preservativos como estilingues, pegar pelo colarinho Simon Jenkins até que recorde de que a Universidade de Oxford, sua “alma mater”, tem como lema “Dominus illuminatio mea”.
Fonte: Il Foglio
Tradução: OBLATVS
Virgem do Pilar - Patrona de la Hispanidad


-2.jpg)

Ontem, enquanto no Brasil celebrávamos a Padroeira Nossa Senhora da Conceição Aparecida, o mundo hispânico comemorava sua patrona, a Virgem do Pilar.
A devoção a Nossa Senhora do Pilar remonta aos primeiros séculos do cristianismo. Segundo piedosa tradição, Nossa Senhora teria aparecido a São Tiago no ano 40 em Caesar Augusta, como se chamava então Zaragoza. Como testemunho desta aparição “em carne mortal” teria deixado uma coluna de jaspe, conhecida como “el pilar”. Ali se erigiu uma capela no ano 318, onde se acha atualmente a Catedral-Basílica de Nossa Senhora do Pilar em Zaragoza.
Já em 254, São Cipriano menciona a existência de uma comunidade cristã em Zaragoza, uma das mais antigas da Espanha. O bispo da cidade participou do Concílio de Elvira no início do século IV. Mesmo após a conquista muçulmana em 716, o cristianismo foi tolerado e o Pilar constitui-se num dos centros da fé cristã. Após a reconquista católica por Afonso I em 1118, devotos da Espanha, França e Itália ajudaram a restaurar a capela do Pilar, que se achava em péssimo estado. A partir do século XIII as tradições “pilaristas” se difundem por toda a Espanha. A atual basílica foi concluída e dedicada em 1872, durante os festejos da Padroeira.
Durante a Guerra Civil em 1936, os republicanos bombardearam a Basílica do Pilar. Uma bomba ficou cravada na basílica, outra atravessou o teto e a terceira chegou a penetra a abóbada do coreto da Virgem. Nenhuma das bombas de 50 kg cada chegou a explodir ou causar danos consideráveis. As bombas estão hoje expostas nas proximidades da capela da Virgem.
Tive a alegria de visitar, em 2001, a “Patrona de la Hispanidad” em sua capela, por ocasião de sua festa, com alguns paroquianos.
Em 2009, um número recorde de 450 mil peregrinos acorreu a Zaragoza para venerar a Santíssima Virgem do Pilar. A tradicional oferenda de flores durou 11 horas, das 7 e meia da manhã às 6 e meia da tarde. O número de flores alcançou a extraordinária soma de 7 milhões. A Missa Pontifical foi celebrada pelo Cardeal Nicolás de Jesús López Rodríguez, arcebispo de Santo Domingo, República Dominicana – Primaz da América.
A imagem da Virgem do Pilar é feita de madeira dourada e mede 38 cm. Está sobre uma coluna de jaspe, “o pilar”, revestida com um forro de bronze e prata. Representa a Virgem Maria coroada com túnica e um manto, contemplando o menino Jesus que segura o manto de Sua Mãe com a mão direita e uma ave com a esquerda.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Padre da libertação quer ser presidente do Peru
O sacerdote peruano Marco Arana, um teólogo da libertação que aspira a ser candidato presidencial em 2011, preocupa desde já a esquerda porque mina a base eleitoral do nacionalista Ollanta Humala, e a direita por suas críticas à mineração.
Fundou há seis meses o partido de esquerda Terra e Liberdade, Arana (47 anos) é um religioso que passou do trabalho evangelizador ao social e ecológico no início dos anos 90, quando era pároco de Hualgayoc, uma das zonas mais pobres do Peru, no departamento andino de Cajamarca.
O sacerdote emerge quando a política peruana está dominada, segundo as pesquisas, por figuras importantes como a congressista Keiko Fujimori – filha do condenado ex-presidente Alberto Fujimori –, o prefeito de Lima, Luis Castañeda e a ex-candidata presidencial Lourdes Flores, todos de direita.
Sua presença também começou a gerar receios na esquerda tradicional, que esperava aglutinar-se em torno do nacionalista Humala.
O eixo de sua política Arana o define como “a defesa dos direitos ambientais e da justiça social”, e em oposição ao “modelo neoliberal que aplica o governo ultraconservador do presidente Alan García”.
“Conheci a velha mineração que usava a crianças nas escavações, que não reconhecia os direitos dos trabalhadores que morriam nas minas e que usurpava as terras das comunidades rurais”. Disse Arana à agência AFP.
Seu enfrentamento com a mineradora Yanacocha, situada em Cajamarca e uma das maiores produtoras de ouro da América Latina, lhe valeu o ódio da empresas mineradoras que o qualificam como violento e contrário à mineração, acusando-o ademais de se opor ao desenvolvimento do país.
“Não sou contrário à mineração, meu questionamento é à atividade que atenta contra a natureza e ameaça a vida do povo mais pobre; a mineração deve desempenhar um papel importante e deve respeitar os direitos humanos das populações, sem destruir o meio ambiente como vem sucedendo”, sustentou.
Arana considera que por levantar a bandeira ecologista desatou-se uma campanha contra ele da parte da empresas mineradoras.
“Estão investigando toda minha vida, desde minha época de colegial, interrogam meus ex-colegas de estudos para ver se tive casos amorosos”, disse o religioso o qual, antecipando-se a futuras acusações, declarou: “eu não tenho filhos, estou com a consciência tranquila”.
O sacerdote, graduado em teologia na Universidade Gregoriana de Roma, se considera partidário da teologia da libertação.
“Na Igreja Católica há uma linha profética comprometida com os setores que sofrem, mas há também correntes conservadoras que defendem o status quo”, disse ao referir-se ao Opus Dei “que tem uma ideologia autoritária e intolerante”.
No lado da esquerda nacionalista o legislador Daniel Abugattás opinou que Arana está pecando por “soberba e está fazendo o papel de títere da extrema direita que busca reduzir o voto de Humala nos setores sociais”.
Arana destacou que “chegam muitos golpes da direita e da esquerda” e que essas atitudes respondem à proposta de seu partido “que questiona um modo de fazer política tradicional centrada em caudilhos”.
Vejamos até onde vão as pretensões politiqueiras dos padres da libertação. Eu sou particularmente favorável a que todos troquem a Igreja pela política. Dou-lhes todo o apoio em sua empreitada, embora lhes negue o voto. Como no Brasil eles não são mais tão "pop", terão de se contentar com as Câmaras de Vereadores.
Fonte: Religión en Libertad
Tradução: OBLATVS
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Comunhão Anglicana Tradicional celebra Ano Sacerdotal
“Roma non fu fatta in un giorno”, segundo antigo adágio. O tão alentado retorno de milhares de anglicanos tradicionais à Igreja Católica parece tardar e, para muitos, já caiu no esquecimento. Não deixa de ser providencial esta desatenção, pois os adversários da causa da unidade da Igreja – paradoxalmente auto-intitulados “ecumenistas” – estão instalados no Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos.
O pedido de recepção – que comporta situações assaz problemáticas – está sendo avaliado pela Congregação pela Doutrina da Fé e sob olhar atento e paternal do próprio Sumo Pontífice. Resta-nos acompanhar com nossas orações o Santo Padre, os oficiais do dicastério romano e, sobretudo, os anglicanos tradicionais em seu caminho de volta ao lar.
A TAC (The Traditional Anglican Communion) está celebrando conosco o Ano Sacerdotal, conforme anúncio de seu “arcebispo-primaz”:
“Dado nosso status como uma Comunhão que solicitou formalmente ‘Comunhão Eucarística plena’ com o Bispo de Roma, e dado o status daquela Petição, com muita razão nos convém aceitar de coração o convite do Papa Bento XVI a fazer deste ano o ‘Ano Sacerdotal’. O ano é uma celebração particular da vida de São João Maria Vianney, patrono dos párocos. Eu prevejo celebrações especiais por nossos sacerdotes tanto nacionalmente (em conjunção com o Sínodo Nacional) quanto nas regiões da Diocese. E este é um tempo para nossos leigos aprofundarem sua compreensão e gratidão pelo sacerdócio. Desnecessário dizer que uma das matérias mais mal compreendidas no Anglicanismo global neste momento é o sacerdócio”.
A matéria é também um dos problemas mais espinhosos para a recepção dos anglicanos tradicionais, os quais – embora tenham professado pública e solenemente a fé católica – não superaram todas as contradições do anglicanismo, ao menos na prática.
O retorno não será possível sem cristianíssima humildade daqueles “bispos e padres” anglicanos cuja situação pessoal seja incompatível com a Doutrina Católica do Sacerdócio e do Matrimônio. Por isso, neste Ano Sacerdotal, rezemos pelos pastores e fiéis da TAC.
Querem intimidar cardeal hondurenho
El seminario mayor de la Iglesia católica de Honduras fue tiroteado por personas desconocidas desde un automóvil en marcha sin que se hayan registrado víctimas, informó la Policía. Los disparos impactaron en el muro perimetral, junto al portón principal del Seminario Mayor Nuestra Señora de Suyapa, en un sector de la periferia suroeste de Tegucigalpa, indicó a Efe el portavoz policial, Orlin Cerrato.
Dijo que en el lugar del incidente se encontraron al menos 14 casquillos de arma de fuego, de calibre no determinado.
Hasta ahora “sólo se sabe que de un vehículo en movimiento se hicieron los disparos”, pero no la identidad ni el móvil de los atacantes, apuntó Cerrato, y añadió que “no hubo ningún herido”.
El viernes, la Iglesia católica de Honduras pidió en un comunicado que la crisis política causada por el golpe de Estado del 28 de junio contra Manuel Zelaya tenga “una solución justa, pacífica y acordada”, y advirtió de que “cualquier tipo de violencia” dañará el diálogo abierto el miércoles en busca de una salida al conflicto.
El seminario mayor albergó, el 3 de julio, la reunión entre el cardenal hondureño, Oscar Rodríguez, y el secretario general de la Organización de Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, durante la visita que éste hizo a Tegucigalpa para pedir la restitución de Zelaya con base en una resolución de ese organismo.
Sei não! Não faz muito tempo edifícios da Igreja foram atacados na Venezuela de Chávez, na Bolívia de Morales e, agora, em Honduras.
Até o momento não vi, da parte da hierarquia brasileira, a menor manifestação de solidariedade ao episcopado hondurenho, à semelhança do que fizeram bispos de outros países.
Tenho a impressão de que algumas organizações católicas funcionam como ONGs, servindo aos interesse do governo do PT. Não - dirão outros - elas endurecem quando o assunto é o aborto. É verdade, endurecem, mas sem perder a ternura jamais!
Fonte: Diario Las Americas






